«Sob os ardores do sol burila só silêncio»
Depois de Ver (1995) - «Manhã no Louvre 1. O escriba Acocorado»
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Sob os ardores do sol burila só silêncio»
Depois de Ver (1995) - «Manhã no Louvre 1. O escriba Acocorado»
«Ao frio do sal que sob os pés sentiam / e à escuridão mais fundo, ao sonolento / e bruto som da corda e da madeira, / às dores de fome e ao gemido fraco / duma saudade parda, à solidão / sem espelho, à gula insaciada, ao medo // -- a tudo combatia uma paixão»
Depois de Ver (1995) - «Os nautas»
«água que sabe a prados de cavalos idos,»
Depois de Ver (1995) - «O Pintor ao Espelho Todas as Manhãs»
«Tento pensar-te acima de menino / pela mão de umas horas assustadas.»
Os Quarenta e Dois Sonetos (1973)
«Lembro vimes e lagos manhã cedo / e tu de pé saída, tu soltada / da rocha agreste e fria de outro medo»
Os Quarenta e Dois Sonetos (1973)
«Por sobre os ombros me caio, / de sob as ervas me luzes;»
Os Quarenta e Dois Sonetos (1973)
Por sob os ombros me caio
de sobre as ervas me luzes;
se quanto menos me traio
só quanto menos me cruzes
em quatro pontos marcados
a fogo, em febre e em ferro,
e quanto mais outros lados
abram frescuras no cerro
onde pois nos enforcamos
no mel de loucas candeias:
e entre o estar e o estamos
um vento varra as ideias
e nos pendure nos ramos
por sobre mar e areias.
Os Quarenta e Dois Sonetos (1973)
Como se na boca da trompete
coloca-se a surdina sobre a vida
e a memória irrompe qual um vento
imitação de sons de vozes tiros
num escuro que nada mais já pode iluminar
Não há cheiro novo que resseja a planta
verdadeira a genuína cor o prato
a fumegar de uma sápida sopa inexistente
sopra-se na vida todo o ar que o tempo
nos pôs no peito em anos discorridos
e é cor de sombra agora o arco-íris
Memória Indiscritível (2000)
Não tenho graves defeitos
nem tão-pouco grandes qualidades.
Leve portanto a barca
vai do lastro mais perigoso.
Tenho porém fortuitos golpes,
curtas memórias, amores subtis,
gulosas sensações bem mais que sentimentos.
Será isto pano para vela,
vento, seco pau do remo?
Guião de Caronte (1997)
HERODES
para Miguel Viqueira
Gritam, mijam, cheiram a leite
azedo. Andam por aí
pelos colos da mães, montados
em burros poeirentos. E há um
que aqueles pretos dizem que há-de um dia
sentar no meu coxim o cu borrado.
Não sabem nada, uns e outros,
soltam vagidos que ninguém entende.
Dou-lhes na mona a uns
e os outros que passeiem
Analogia e Dedos (2006)
[...]
Água que é fraga e que faz sede, / quarto sem espelho, cor sem rede.»
Pedro Tamen, «Pintura de Graça Morais (II)», Depois de Ver (1995)
«Tento pensar-te acima de menino / pela mão de uma horas assustadas.»
[...]
Pedro Tamen, Os Quarenta e Dois Sonetos (1973)
«Não tenho graves defeitos / nem tão-pouco grandes qualidades.»
[...]
Pedro Tamen, Guião de Caronte (1997)
«Não tenho graves defeitos / nem tão-pouco grandes qualidades.»
[...]
Pedro Tamen, Guião de Caronte (1997)
«Como se na boca da trompete / coloca-se a surdina sobre a vida / e a memória irrompe qual um vento»
[...]
Pedro Tamen, Memória Indiscritível (2000)
[...]
«Fui pai de Tordesilhas e também / de Lucrécia paternal pirilampo.»
[...]
Pedro Tamen, «Alexandre VI», Analogia e Dedos (2006)
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.