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quinta-feira, junho 05, 2025

não vejo retrocesso nenhum na Cultura

Ao contrário do que defende um pensador de alto coturno, não vejo retrocesso nenhum na pasta da Cultura. Onde antes estava uma nulidade política e um equívoco, está agora uma dirigente nacional do partido no poder. Claro que não tem a dimensão cultural de um David Mourão-Ferreira, de uma Gabriela Canavilhas, ou uma visão de largo espectro como Lucas Pires, Manuel Maria Carrilho ou Pedro Adão e Silva. Mas tem uma ou duas coisas que faltam a muitos: tem poder e não está confinada aos nichos da 'cultura'. Se tiver alguma substância (que até parece ter, independentemente de parecer deixar-se contaminar por wokismos saloios -- deve ser da idade), poderá fazer um lugar aceitável. Logo veremos se não será outro Santana Lopes, politicão e popularucho. O facto de ter acoplado o desporto e a juventude, no primeiro caso, um sec. de estado chega; no segundo, as grandes decisões nunca passam por ali. 

quinta-feira, junho 09, 2022

pintora de intervenção: Paula Rego, à luz de Álvaro Cunhal, Ferreira de Castro e José Régio, passando pela ministra inexistente e o cabelo comprido de Santana Lopes

 

O título é só para chatear, porque eu até sou bastante regiano, tendência castriana. No entanto, a Paula Rego (o artigo atribui-se aos que nos são socialmente íntimos) usou, e muito bem, a arte para denunciar. E a arte pode e deve expressar tudo, incluindo a revolta e a denúncia.

O jovem Cunhal (23 anos, salvo erro), plekhanoviano, defendia que a arte devia servir os movimentos ascendentes da humanidade, rechaçando o solipsismo reiterado e alienado. Era bem intencionado, além de jovem (em velho, achava a mesma coisa). O problema é que o poder, onde se acoita a maioria dos filhos-da-puta, tem sempre os seus jdanovs, os seus puxa-sacos (como tão bem dizem os brasileiros), os seus lambe-cus (menos elegante a nossa expressão). E então vieram os ditames, com os seus comissários políticos, os seus burocratas, toda a ralé. As boas intenções de Cunhal tornadas pesadelo. Régio, mais velho (doze anos), mais maduro, mais genial -- José Régio está entre a meia dúzia dos maiores nomes da literatura e cultura portuguesas do século XX --, rebatia em favor da liberdade do artista para escrever o que quisesse, como quisesse, sobre o que quisesse. Na polémica (séria, mas correctíssima e diria até amistosa) com Cunhal na Seara Nova, dá o nome do Ferreira de Castro como um exemplo de alguém que escrevia uma literatura de intenções sociais.  (Para Ferreira de Castro, a arte não servia; a arte era servida; e servi-la era também dotá-la de desígnio.) É claro que tanto Régio como Cunhal estão a falar de arte, não de propaganda; no entanto, Régio outra vez, sabia perfeitamente que a arte pode revestir-se de propaganda e que uma não exclui forçosamente a outra. Di-lo na presença, a propósito de "A Revolução de Maio", do António Lopes Ribeiro, e com toda a razão: Riefenstahl, não é? Ou Eisenstein... 

Sobre a pintura da Paula Rego, não direi nada. Há coisas de que gosto, outras nem tanto. É um dos grandes pintores portugueses do seu tempo? É sem dúvida dos mais marcantes. Estará na primeira linha?, provavelmente, mas o tempo o dirá; e não é a circunstância que sempre impressiona os basbaques de ser "reconhecida internacionalmente" -- continuamos uns provincianos -- que lhe garantirá maior ou menos relevância.

Achava imensa piada à forma como ela trocava as voltas ao circo político-mediático que a parasitava. Ontem vi por diversas vezes aquela inexistência que foi a última ministra da cultura a condecorá-la (já que não se serve para nada, assina-se obituários, ou condecora-se); e num acto bastante performativo, Paula Rego abria muito a boca, como que espantada, simulando desvanecimento, percebendo e gozando como a forma como estava a ser usada para outros se promoverem. Um grande momento, e não me lembro de outro assim, desde que Santana Lopes, nomeado sec-de estado da cultura de Cavaco, deixou crescer o cabelo para a função. 

quinta-feira, novembro 23, 2017

brincar à política

(Um parênteses nos filmes.) O que é esta decisão sobre o Infarmed, sem ouvir os trabalhadores, senão leviandade e uma noção um bocado transviada de que os serviços do estado estão à mercê dos caprichos do político de turno? Inqualificável. Lembra-me a anedota da transferência duma secretaria de estado da Agricultura para a Golegã, no governo do Santana Lopes. E nada tem que ver com o provincianismo do Rui Moreira, que escreve parvoiçadas do fb, e depois apaga, e que nem merece um comentário, de tão pacóvio. Tomáramos nós que Lisboa estivesse descongestionada. Mas parece que Costa gosta de agradar a Moreira, vá-se lá saber porquê.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

os 'utentes' da língua e o Aborto Ortográfico

Sobre o aborto ortográfico e as suas consequências, está tudo dito. Meia dúzia de técnicos e burocratas da língua, do lado português, ajudaram a pari-lo, e o governo de Cavaco Silva, com Santana Lopes como secretário de estado da Cultura, deram-lhe o seguimento político.
Página negra na história da língua, como qualquer aborto é um nado morto, porque não há nem haverá nenhuma uniformização do português nos cinco cantos do mundo. Mais ano menos ano, este aviltamento da língua será insustentável, e os governos e as academias vão ter de introduzir alterações consequentes.
No entretanto prevalece o descaso dos decisores políticos e dos apparatchiks, o descaso com que tratam o património cultural português, que é coisa que não vivem nem sentem, a não ser que sintam o cheiro a votos pela manhã.
É uma generalização abusiva, dirão. É uma generalização, porventura injusta, porém nada abusiva, como testemunha o património histórico e cultural deste pobre país. Séculos de analfabetismo (meio milhão em 2017) pagam-se caro.
Repito o já escrito, por mais de uma vez: não há um único grande escritor português que não seja contra o aborto ortográfico. São os escritores os criativos da língua, os que quotidianamente a defrontam e desafiam. Desde que o problema se pôs, nem Saramago, Lobo Antunes, Mário de Carvalho, sancionaram este atentado. Vasco Graça Moura foi exemplar no seu combate cívico. O enorme Vitorino Magalhães Godinho, um dos historiadores de que Portugal se deve orgulhar, teve, contra o aborto ortográfico, o último combate da sua longa vida.
Nada que impressione ou incomode os 'utentes' da língua, como Vital Moreira, que escreve tão bem como qualquer notário, mistura alhos com bugalhos, não percebe que, antes de ser política, a questão da língua é um problema de cultura, em sentido amplo. É claro que para quem 'utiliza' a língua com a mesma displicência com que se serve da carreira 727 da Carris, estes assuntos são uma grande maçada. 

quarta-feira, julho 15, 2015

Maria de Belém? É Marcelo logo à primeira volta.

Até tenho simpatia por Maria de Belém Roseira, mas não me passaria pela cabeça que pudesse ser candidata a PR.
Apesar de alguns elementos do PS estarem apostados em entregar a Presidência da República a Marcelo, ou até a Rio, ou até a Santana, não acredito que a direcção do partido seja tão fraca ou vá atrás da estupidez.

terça-feira, abril 16, 2013

entretanto, ainda há quem diga mal dos alemães...

O Círculo de Leitores publica, pela primeira vez, as obras completas  do Padre António Vieira, ricamente patrocinada (supõe-se e é certo) pela Santa Casa da Misericódia de Lisboa, com Pedro Santana Lopes (a merecer saudação e reconhecimento), substituindo-se, Santa Casa e a chancela do Grupo Bertelsmann, à Imprensa Nacional-Casa da Moeda.