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quinta-feira, março 10, 2022

graças a Deus, ou ao Diabo, a Rússia tem um arsenal de armas nucleares (e o Sting mal empregado) (ucranianas XLI)

1. Não fora isso, a guerra já estaria generalizada ao continente e não só. Embora haja falcões que considerem a possibilidade de usar armas nucleares tácticas, a cartada mais arriscada de todas, a que se junta a formatação das opiniões públicas para um alargamento da guerra -- os quiproquós entre a Polónia e os EUA demonstram-no tão bem --, além dos tontinhos e dos doidos varridos, em especial alguns tudólogos do comentariado.

2. Entre uma piadola e duas gargalhadinhas, as rádios vão pondo no ar o Russians, do Sting,  que está longe de ser um tema unilateral. Do álbum de estreia do cantor e baixo dos Police, um bom disco e uma bela música, com uma incrustação de um trecho do Tenente Kijé, do Prokofiev. Mal empregada.

ucranianas

sexta-feira, fevereiro 25, 2022

a Costa Rica, o presidente da Ucrânia, a miss universo e as figuras d'úrsula

Os patéticos, porque desesperados, apelos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mostram como ele foi usado pelos americanos, que obviamente já o deitaram fora, como fazem sempre quando aqueles de que se servem deixam de ter utilidade. Apesar de inicialmente impreparado para a função, teve tempo para aprender; logo suspeito que foi mal aconselhado ou então é teimosamente autossuficiente.

Os indignados com a invasão russa para tomar o controlo do país e torná-lo pelo menos inócuo para as suas pretensões de defesa, nem se apercebem (ou devem estar agora a aperceber-se, dada a quantidade de analistas competentes que tem aparecido ultimamente a comentar, geralmente militares) -- (nem se apercebem) de como os americanos se estavam a paulatinamente a instalar-se ali. E o cidadão a leste destas matérias nem em sonhos se apercebe do que são as acções de subversão a vários níveis de que as potências lançam mão, Não é pois de admirar que em relação a esta guerra da Ucrânia se esteja, na análise, à escala proclamatória da miss universo. Pode parecer muito má onda, mas as relações internacionais não se regem pelas boas intenções, mas por interesses, pequenos ou grandes. É assim em todo o lado, sejam os estados pequenos ou grandes. Deveríamos ser todos como a Costa Rica (um estado feliz, provavelmente), mas por enquanto só há uma. E até essa me parece que não deixa os seus interesses por mãos alheias, tal como se afigura ter sucedido com Zelensky, que está agora a pagar o preço da temeridade/teimosia/inconsciência [riscar o que não interessa], preço que sinceramente espero não seja tão alto como o próprio diz.

Em relação aos sonsos, que sabem muito bem o que está em causa -- dois imperialismos em disputa, grosso modo, e essencialmente nada mais do que isso -- dá-me voltas ao estômago a sua sonsice. A começar pela Senhora von der Leyen, que ontem parecia um doberman a invectivar a acção militar da Rússia, como se ela não soubesse e colaborasse na estúpida estratégia (?) europeia que foi a da hostilização, quando não tentativa de humilhação daquele a todos os títulos extraordinário país: do afastamento indiscriminado dos atletas das olimpíadas (a resposta digna da grande Elena Isinbaieva quando quiseram abrir-lhe uma excepção, por ser quem era, faria corar quem tivesse vergonha na cara); ou, por exemplo as directivas dadas à Agência Europeia do Medicamento quanto às vacinas russas contra o sars-cov2. Enfim, eles lá foram arranjando o estocismo necessário para aparar os destrates. Afinal, na Rússia houve sempre duas correntes, pró-ocidental e isolacionista. Com o isolacionismo da pátria de Tchekhóv, de Prokofiev, de Répin e de um sem número de figuras deste nível em todas as áreas, que são igualmente pilares da civilização europeia, temos mais nós a perder do que eles -- é a minha convicção. Por isso ouvir idiotices da von der Leyen ou do Borrell e o papaguear do dirigismo nacional, é algo que me dá náuseas. Não significa isto que a Rússia esteja acima da crítica, obviamente; mas não nos tomem a todos por parvos.

sexta-feira, março 15, 2019

no meio da apatia geral, incluindo a minha, lembrei-me duma música do Sting

No primeiro álbum a solo, The Dream Of The Blue Turtles (1985), sem adivinhar Gorbachev, «Russians» era uma canção de esperança na humanidade dos russos, num contexto exacerbado de Guerra Fria. Em face da histeria e da retórica armamentistas, os ex-membro dos Police manifestava a sua esperança no amor que os russos teriam pelas suas crianças, não desencadeando um conflito que extinguiria a humanidade. Dentro da música, uma citação de uma passagem do Tenente Kijé (1933-34), do enorme Prokofiev, em tempo de canção de embalar.
Muitas vezes me ocorre a composição do Sting, quando penso no inferno que estamos a criar, para nós próprios, mas que atingirá em cheio os nossos filhos e os nossos netos, aqueles que dizemos amar e julgamos que amamos.
Um magnífico artigo de João Camargo no Público de hoje (sem link, mas aconselho também este seu texto no Expresso), a propósito da greve de jovens estudantes contra as alterações climáticas, interpela-nos. Pelo menos a mim. Quais têm sido as minhas acções para fazer a diferença. Muito poucas, quase nada, para além da preocupação de algum civismo ecológico mais dou insuficiente, e vociferação contra o capitalismo predatório de que todos nos vamos alimentando.
Já devo ter escrito que uma tarte à bucha & estica deveria ser atirada em cheio ao focinho dos políticos, empresários, jornalistas económicos estipendiados e todos quantos nos viessem falar no conhecido crescimento da economia.
Cresçamos, pois, infinitamente, até não haver mais recursos naturais, até darmos cabo da vida daqueles que dizemos amar. Olhemos bem para eles, e depois para o espelho. Os nossos olhos nos dirão o que somos.