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quarta-feira, fevereiro 01, 2023

o velho solar beirão e outros caracteres móveis

Triunfo (década de 1950) «As obras ficavam caras e os rendimentos eram reduzidíssimos, de forma que o velho solar foi tombando aos poucos, ficando a assinalar a antiga beleza arquitectónica, apenas, umas colunas góticas a que os rendeiros encostavam os utensílios da lavoura e molhos de canas altas, sustentando o alpendre e amparando os casebres que ainda abrigavam os caseiros.» Sarah Beirão

Viagens na Minha Terra (1846): «Na estalagem da Azambuja, o que havia era uma pobre velha a quem eu chamei bruxa, porque, enfim, que havia eu de chamar à velha suja e maltrapida que estava à porta daquele asquerosa casa?» Almeida Garrett

A Cidade e as Serras (póstumo, 1901): «Na idade em que se lê Balzac e Musset nunca atravessou os tormentos da sensibilidade; -- nem crepúsculos quentes o retiveram na solidão de uma janela, padecendo de um desejo sem forma e sem nome.» Eça de Queirós

quinta-feira, março 22, 2018

«Ter andado de Herodes para Pilatos, batendo todo o sertão do Ceará no recrutamento dos tabaréus receosos das febres amazonenses e tranquilos sobre o presente, porque há anos não havia secas, e afinal, depois de tanto trabalho, de tantas palavras e canseiras, fugirem-lhe nada menos de três!» Ferreira de Castro, A Selva (1930)

«Por muito que do resto lhe falte, a paisagem sempre sobrou, abundância que só por milagre infatigável se explica, porquanto a paisagem é sem dúvida anterior ao homem, e apesar disso, de tanto existir, não se acabou ainda.» José Saramago, Levantado do Chão (1980)

«Recebiam frequentemente a nobreza das cercanias e as pessoas gradas da terra, em serões íntimos a que geralmente imprimiam certo cunho artístico recitando, cantando e tocando ou lendo algum trecho interessante de livro acabado de aparecer.» Sarah Beirão, Triunfo (s.d.)

domingo, maio 07, 2017

começar

Da deliciosa simplicidade ingénua de Sarah Beirão, de que a narrativa não se desviará, à fábula onírica de Miguel Barbosa, passando pela literatura marie-claire de António Alçada Baptista. Um despojamento directo e seco num grande romance de António Lobo Antunes e, finalmente, aquele «uma velhice tão antiga» que é elemento perturbador e toque de grande arte do livro de Baptista-Bastos. Dos títulos, balanço entre Cão Velho Entre Flores e Auto dos Danados.

1952 [?]: «Vivia-se com muitas dificuldades naquela pequena aldeia da Beira Alta.» Sarah Beirão, Triunfo

1974: «Quem vem do palácio real e desce a calçada vê à direita um carvalho com as raízes expostas e uma velhice tão antiga que nem a Primavera rejuvenesce.» Baptista-Bastos, Cão Velho Entre Flores

1985: «Na segunda quarta-feira de Setembro de mil novecentos e setenta e cinco comecei a trabalhar às nove e dez.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados

1988: «Temos dificuldade em compreender nos outros aquilo que não somos capazes de viver.» António Alçada Baptista, Catarina ou o Sabor da Maçã

2008: «O rio, a árvore e o rouxinol tinham a razão de existir idêntica à do dia arrastado pelas metamorfoses sombrias da noite e pelo vento frio do norte.» Miguel Barbosa, Anatomia de um Sonho