Mostrar mensagens com a etiqueta Natália Correia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natália Correia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, maio 31, 2019

livros que me apetecem

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia (Ponto de Fuga)
Filho da Mãe, de Hugo Gonçalves (Companhia dos Livros)
Marcha para a Morte!, de Shigeru Mizuki (Devir)
O Exílio e o Reino, de Albert Camus (livros do Brasil)
Os Deuses Têm Sede, de Anatole France (Cavalo de Ferro)
Romanceiro Cigano, de Federico García Lorca (Quetzal)
Viragem aos Oitenta seguido de Viagem a uma Terra Antiga, de Henry Miller (Vasco Santos Editor)

sexta-feira, maio 27, 2016

microleituras

Sobre a Censura e a auto-censura. O artiguinho saltou-me há vinte anos, impressionado com a leitura das «Mensagens» de Ferreira de Castro na sessão do MUD (1946) e na campanha de Norton de Matos (1949):  O medo das pessoas falarem livremente umas com as outras, não fossem ser presas, despedidas, interrogadas, torturadas. O país do medo. E, no tempo de Salazar, Ferreira de Castro escrevia isto para ser lido em público:

«[...] Os Portugueses, na sua maioria, vivem numa permanente desconfiança [...] Eles vêem em todo o compatriota que não conhecem um possível inimigo -- um homem que lhes pode fazer mal. Eles desconfiam de tudo, até dos mendigos, algumas vezes até dos parentes. até da sua própria sombra. Mesmo os homens mais pacíficos, pais de família cuja principal preocupação poderem alimentar os filhos, vivem neste ambiente de suspeição, que produz, tantas vezes, imerecidos juízos sobre pessoas que, afinal, são outras tantas vítimas do medo.»
(«Mensagem de Ferreira de Castro», Campanha Eleitoral da Oposição. Depoimento. 3.ª série, Lisboa, 1949)

O mesmo ano, contra a mediocridade instaurada pelo medo, com os surrealistas a erguerem-se. E, por falar em surrealistas, cruzo na temática do medo, poemas de Alexandre O'Neill, Natália Correia, mas também de Manuel da Fonseca e Manuel Alegre. E foi o que me veio à memória, quando pensava no que escrever sobre esta separata. Lembrei-me do parazer em pegar nos textos, aqui e ali, misturá-los, cozinhá-los. Sempre gostei de fazê-lo. E não apenas com a literatura, mas também com a pintura, a música...

incipit - «Uma ideia que tem feito carreira com sucesso é a da inexistência de grande obras reveladas após o 25 de Abril, dessas que aguardaram publicação durante anos nas gavteas dos seus autores.»

 Ricardo António Alves, Ferreira de Castro: Um Escritor no País do Medo (1997)
(também aqui)


domingo, dezembro 06, 2015

a gente só nasce / quando somos nós / que temos as dores.
Natália Correia

domingo, outubro 12, 2014

impura de todos / gostarem de mim
Natália Correia

sábado, julho 08, 2006

Correspondências #51 - Ferreira de Castro a Natália Correia

Lisboa, 7 de Outubro de 1973

Minha querida amiga Natália Correia:

Foi preciso que uma grande poetisa tivesse voz orientante numa casa editora, para que se ressuscitasse um grande jornalista português, decerto o mais estranho de todos, mas que versos nunca fizera.
Não é debalde que a Natália se distingue também e muito altamente como romancista, psicóloga e pensadora. Não é debalde, porque todos estes méritos contribuíram certaemnte para considerar uma injustiça o esquecimento em que se encontrava esse fantástico Reinaldo Ferreira, tão fantástico na sua curta vida e nos seus próprios trabalhos, que se eu não o houvesse conhecido em carne e osso e sido muito amigo dele, duvidaria da sua existência.
Senhor duma prodigiosa imaginação, tão vasta e surpreendente que é bem provável não ter havido outra igual no nosso jornalismo, durante uma década o seu fulgurante talento encheu de estupefacção quantos o liam. E não só em Portugal, mas também em Espanha, onde trabalhou algum tempo.
Em tudo precoce, quer na vida aventurosa, quer na sua arte, Reinaldo Ferreira conheceu um espantoso êxito antes dos trinta anos. O seu nome tornara-se rapidamente célebre e o seu pseudónimo «Repórter X» mais famoso ainda. Falava-se dos seus triunfos profissionais com o mesmo tom que se utiliza para evocar actos singulares de figuras lendárias.
Mas no meio de toda esta ebriedade, uma mulher, que não devemos nem podemos condenar sem conhecer a sua verdade, que ela própria talvez não soubesse esclarecer bem, empurrou-o para um abismo, sem ser essa, evidentemente, a sua intenção.
Ansioso de olvido, ele escolhera, para curar o espírito doente, o pior de todos os remédios, aquele que lhe adoeceria o corpo também. Foi uma derrocada total. E Reinaldo, que tanto desejava esquecer, ficou esquecido ainda em vida. A Morte, talvez apiedada, apressou-se a levá-lo com a mesma prematuridade com que tudo florescera na sua existência.
Nobre gesto o seu, Natália, em querer que ele volte ao nosso convívio. Pode dispor completamente do artigo de que me falou -- o artigo que escrevi há já bastantes anos sobre esta figura excepcional, que tinha espírito europeu e morreu de paixão envenenada, como um português.
Um grande abraço do seu muito amigo e muito admirador
Ferreira de Castro
In Reinaldo Ferreira (Repórter X), O Táxi nº 9297

Natália Correia