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quarta-feira, março 26, 2025

regressar ao século XIX

Não passam de fariseus quantos dizem que "regressámos ao século XIX" quando as grandes potências fazem pressão sobre territórios sobre os quais têm apetência. Dar-lhes-ia razão se dissessem que à sombra do Direito Internacional agonizante, as guerras não se fizeram por procuração, do Vietname a Angola e ao Afeganistão -- ou então através da desestabilização dos regimes, usando os respectivos agentes, do Kadafi ao Navalny, sem esquecer a Ucrânia, pois claro.

Ou se o status quo pelo qual agora choram alguma vez impediu o imperialismo e a lei do mais forte, da ocupação do Tibete  ou a barbárie da guerra do Iraque, a tal das armas de destruição maciça, vistas e identificadas pelo Durão Barroso...

Que grande paciência é precisa para aturar os semi-canalhas e os hipócritas por inteiro.

sexta-feira, março 18, 2022

tempo de canalhas: os casos de Daniil Medvedev e Gregory Gergiev (ucranianas XLIX)

Vou agora fingir acreditar nas patranhas que a propaganda pretende inculcar, que o Putin quer reconstituir a União Soviética ou o império czarista -- e esquecer-me de que o presidente russo é um nacionalista impregnado de mentalidade russa, sustentado (e sustentando) pela Igreja Ortodoxa, e aceitar que a expansão da NATO é apenas uma desculpa para o que se passa na Ucrânia.  Finjo acreditar nisso tudo, sem precisar de me socorrer das hipóteses infantis da doença, física ou psiquiátrica, correndo o risco de ser insultado por este serafim saudade

A decência obrigar-me-ia sempre a denunciar a perseguição que está a ser feita a grandes figuras russas da actualidade, pelo simples facto de serem russos, forçados a declarar-se contra o governo do seu país em estado de guerra. É o que acontece com Daniil Medvedev, o tenista actualmente número 1 do ranking mundial (ele e todos os outros tenistas russos e bielorrusos). A canalhice já nem por delito de opinião, mas delito de amizade, atingiu um dos grandes maestros da actualidade Valery Guerguiev, demitido da direcção da Orquestra de Munique e do Scala de Milão. É culpado de ser amigo de Putin e não ter respondido ao ultimato das duas instituições, que lhe pediam se demarcasse daquele. Foi despedido por ser digno, por não renegar a amizade nem ser troca-tintas. Claro que é Guerguiev que se agiganta diante dos burocratas e comissários políticos.

Das alturas da grande música e do desporto de alta competição, apenas uma nota rasteira: o Biden, um destroço físico, intelectual e moral que se entreteve a chamar assassino e rufia ao Putin, assume a posição de corrécio com a China

É a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, não é? Pois é, pois é...

P.S. A forma como Putin se referiu ontem aos opositores internos -- se é certo que ele tem de lidar com uma quinta-coluna -- foi abjecta, inaceitável e incivil (os mosquitos que nos entram acidentalmente na boca e se cospem). A última vez que vi uma criatura usar esta linguagem foi o patife do Kadafi, que acabou como se sabe.

(Lembrete: como aqui tenho escrito, a guerra da Ucrânia está para lá de Putin -- e a última coisa que alguém me verá fazer aqui é isentar os americanos -- os grandes responsáveis pelo que está a acontecer na Ucrânia, a par  dos seus homens de Kiev. Os comentadores que têm opinado sobre esta guerra endossando acriticamente a versão NATO, ou são megafones da administração americana ou, a maioria, bois a olhar para palácio, não vêem um cu. Não tenho nem quero ter nada que ver com essa fauna.) 

ucranianas

terça-feira, abril 14, 2015

o nosso filho-da-puta

Leio no DN, e sinto um sorriso irónico nos lábios: Islam Karimov, o ditador do Uzbequistão foi eleito pela quarta vez (a constituição local só permite uma reeleição), com 90,39% dos votos (adoro o vírgula trinta e nove...).  
O sorriso não se deve, porém, a este milagre em que ditaduras têm constituições que não cumprem -- por cá também houve disso.  A ironia é o congraçar nas felicitações logrado por Karimov, em que Putin e Obama competem na exultação. O russo é hiperbólico, o americano, optimista, claro, chegando a falar da "nossa relação robusta e sempre em evolução". Muito se deve rir Karimov, no poder desde 1989, secretário geral do PC usbeque, ainda na velha URSS, com estes salamaleques diplomáticos.
Os ideais são belos, mas a política externa dos países rege-se pela defesa dos seus interesses permanentes. É triste? É, mas o mundo não é uma grande Costa Rica, o único estado, que eu saiba, sem forças armadas -- e agora, também, sem proselitismos pseudo-religiosos.
Como dizia, e bem, Franco Nogueira, invertendo a máxima do seu mentor Salazar, «Em política internacional, tudo o que parece não é...»
Creio que era a propósito do inqualificável Mobutu (ou seria Pinochet?, ou Saddam Hussein?...), homem de mão de um dos lados da Guerra Fria -- creio que era a propósito dele que os americanos diziam: "É um filho-da-puta, mas é o nosso filho-da-puta).
O Uzbequistão, estado da Ásia Central com 30 milhões de habitantes, tem uma importante situação geopolítica (faz fronteira com o Afeganistão; está a um quarto de hora de F16, por exemplo, do Paquistão. 
Diante do fracasso do Ocidente, em particular dos EUA, após a eliminação ou neutralização de filhos-da-puta que eram, haviam sido ou passaram a ser os nosso filhos-da-puta (Saddam, Kahdaffi, Assad), e com os lindos resultados que se vêem (o Estado Islâmico com o o cortejo horrendo de crimes contra a Humanidade -- mulheres, crianças, não-beligerantes, património histórico milenar), toca a cumular o bom do Karimov de adulações. É velho como a História.   

segunda-feira, maio 02, 2011

agradeço

Se alguém me explicar a razão do alarido em torno da morte de um rufia que era filho do Kadafi, quando morrem todos os dias dezenas de pessoas na Líbia, eu agradeço.

quarta-feira, abril 27, 2011

JornaL - O «Avante»! adverte

Há agentes provocadores e infiltrados que manipulam os manifestantes sírios! Que maçada: depois do Kadafi I,  o Al-Assad II... Estes imperialistas não aprendem!

sábado, março 19, 2011

a "agressão" ao povo líbio e o vómito

Só peca por tardia a acção da comunidade internacional contra o inenarrável Kadafi. Apesar de ser um tirano sanguinário, uma espécie de Nero da Tripolitânia que ameaça despudoradamente o povo, vejo a gente de sempre com a lengalenga do costume: «agressão» ao povo líbio, mais a pata que os pôs. 
Não têm vergonha nenhuma, estas luminárias. Para eles, umas "verdades duras como punhos" (para usar do neo-realismo militante que tanto apreciam): Revolta de Kronstadt, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, NKVD, Stálin, KGB, Berlim 1953Budapeste 1956, Muro de Berlim, Primavera de Praga, Gulag...  

 Primeiro, falem disto, deste sol que os alumiou durante décadas, e condenem.  Caso contrário, poupem-nos ao vómito do vosso cinismo.
a máscara exemplar de um tirano