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sexta-feira, dezembro 06, 2024

JornaL - a Roménia como mais um bantustão

Tribunal constitucional anula resultados das eleições presidenciais na Roménia. O TikTok, não é?... Eu acho que parece mais o estertor do liberalismo, aqui e ali, tomado que foi, à direita e à esquerda, pelo rapinanço capitalista. De Blair a Sarkozy, de Hollande a Boris Johnson, de Macron a Starmer -- o que são estes gajos senão bonecos? Claro que as interferências não terão faltado, não sejamos ingénuos; mas anula-se umas presidenciais num país como a Roménia por causa do tiktok, como se fosse um bantustão ou uma república das banas?... Pelos vistos é. Tenha sido condicionado pelas redes sociais, ou estejamos a assistir um golpe do seu TC, o país fica mesmo mal no retrato. Depois do facínora ridículo que foi Ceausescu, o país do Mircea Eliade merecia melhor.

domingo, maio 15, 2022

"Porque nos estão a fazer isto?..." (ucranianas XCIV)

Vi hoje duas intervenções de Carla Rodrigues, com imagem de João Franco, na CNNPortugal/TVI a partir de uma tenda em Zaporíjia -- a antiga Aleksandrovsk do Império Russo --, acolhendo refugiados vindos das cidades do sul, como Mariupol.

Sem ter nada de espectacular enquanto reportagem de guerra -- ataques, fugas, etc. -- foi das melhores a que assisti, pela sua dimensão humana. Muita gente nove e de meia idade, algumas crianças (não me lembro de ver velhos), em actividades tão anódinas como fundamentais pata quem vem de da guerra: tomar uma refeição, falar com o vizinho da mesa, preencher formulários, falar ao telefone com familiares ou amigos, dando ou recebendo notícias.

Segundo Carla Rodrigues, são pessoas exaustas, física e em especial psicologicamente. Pudera. E a ecoar, a pergunta tantas vezes já por mim ouvida, transmitida pelos mensageiros, os jornalistas: porquê isto?; porque nos estão a fazer isto?...

São as vítimas daquilo que o Mircea Eliade designava pelo terror da História. Somos todos nós, quantos querem viver a sua vida sem oprimir ninguém nem ser oprimido ou utilizado, apanhados pelo jogo de interesses e pelas políticas imperiais e belicistas, demasiado fracos para sustê-las, tendo poucas formas de resistir: fugir, ficar ou ficar e pegar em armas conforme o lado de que se esteja.

Sons e imagens que nos forçam à humildade, mas que nos espicaçam ainda mais o sentido crítico, para perceber o que está em causa e as origens de tudo isto. E fazê-lo com honestidade e independência moral, como sempre procurei e continuarei enquanto me deixarem, a propósito desta guerra entre os Estados Unidos e a Rússia em solo ucraniano, como sempre tenho dito e continuarei a dizer cada vez com mais força -- estamos à beira de uma guerra incitada pelos Estados Unidos  (ou pelo Pentágono e a CIA, que, em política externa significam EUA).

Outro momento particularmente comovente foi o da nonagenária de São Petersburgo, sobrevivente do cerco de Leningrado, detida por, maravilhosa, protestar contra a guerra na Ucrânia, empunhando dois cartazes caseiros.

Finalmente, outra cena marcante, agora perto da frente, com a repórter Ana Sofia Cardoso e o repórter de imagem, cujo nome infelizmente não fixei: com uma camponesa ucraniana de enxada na mão quando têm de abrigar-se dos morteiros disparados pelos russos. A camponesa entoa a ladainha, e pela tradução e entoação, percebi que não era apenas um responso de livração do perigo, mas uma verdadeira encomendação da alma. Dramático a valer...

ucranianas

 

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

na morte de João Bigotte Chorão

Ensaísta, crítico e também diarista, ao lermos a reunião dos seus ensaios em volumes como O Escritor e a Cidade, Galeria de Retratos ou O Espírito da Letra ou ainda sínteses modelares como O Essencial sobre Camilo Castelo Branco, verificamos que ele pertence àquele grupo de autores, que não é multidão, que tem a literatura como alimento espiritual (não exclusivo, é certo) e paixão, que a serve em vez de dela se servir. Era o maior camilianista vivo; e a escritores, como Carlos Malheiro Dias, João de Araújo Correia, Francisco Costa ou Tomás de Figueiredo, entre muitos outros, deu o brilho da sua inteligência e a elegância do seu estilo.
Entre nós, alguns encontros, após aquele primeiro em que, já não sei porquê, evocámos a função salvífica dos sonetos do Shakespeare na vida periclitante de Stefan -- herói do Bosque Proibido, do Mircea Eliade --, numa circunstância dramaticamente incerta.

quarta-feira, junho 06, 2018

«Em frente, ao longo da parede, uma estantezita, sem dúvida obra de amador, também cheia de livros.» Mircea Eliade, Bosque Proibido (1955) (trad. Maria Leonor Carvalhão Buecu)

«Era um daqueles barretes compostos por elementos de boina de feltro, boné turco, chapéu redondo, gorro de peles e carapuça de algodão; uma coisa medíocre, enfim, daquelas cuja fealdade muda tem profundidades de expressão semelhantes às do rosto de um imbecil.» Gustave Flaubert, Madame Bovary (1857) (trad. Fernanda Ferreira Graça)

«A brancura do mundo exterior mistura-se com a penumbra sonolenta que impera dentro da cela, o silêncio dá-se bem com o sussurro dos numerosos relógios que ainda trabalham, enquanto outros, já sem corda, estão parados.»  Ivo Andrić, O Pátio Maldito (1954) (trad. Dejan e Lúcia Stanković)

terça-feira, abril 21, 2015

quarta-feira, maio 31, 2006

Caracteres móveis #75 - Mircea Eliade

As crises do homem moderno são em grande parte religiosas, na medida em que são a tomada de consciência de uma ausência de sentido. Desde o momento em que sentimos ter perdido a chave da nossa existência, desde o momento em que já não sabemos qual é o significado da vida, estamos perante um problema religioso, pois a religião é precisamente uma resposta à pergunta fundamental: qual é o sentido da existência?...
A Provação do Labirinto
-- Diálogos com Claude-Henri Rocquet
(tradução de Luís Filipe Bragança Teixeira)

sexta-feira, setembro 09, 2005

Ratos e homens

But if the while I think on thee, dear friend / All losses are restor'd, and sorrows end.
Shakespeare

No Bosque Proibido, romance de Mircea Eliade, Stefan refugiou-se do blitz londrino nas estações do Metro. No bolso levava sempre uma edição dos sonetos de Shakespeare, que lia obstinadamente enquanto as bombas caíam. Os Sonnets preservavam-no da ameaça lançada dos ceús. Nessa espécie de esgoto, a poesia fazia a diferença entre ratos e homens.

Mircea Eliade

Posted by Picasa