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terça-feira, março 04, 2025

ucraniana CCLXXXV - falemos da "ameaça russa" à Europa, e dos alertas necessários

Existe uma ameaça russa? Existe pois! Vejamos:

1. Quando o compromisso -- tomado com Gorbachev! -- de os Estados Unidos não expandirem a Nato para a área do antigo Pacto de Varsóvia é desprezado...;

2. Quando as plataformas para mísseis são colocadas em países como a Polónia com o argumento de servirem sistemas defensivos relativamente a possíveis ataques do Irão...;

3. Quando um homem de Washington, que ocupava então a presidência da Geórgia, avança com tropas sobre território russo, provocando a resposta que se conhece...;

4. Quando são rasgados os Acordos de Minsk, subscritos por Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, sem nenhuma intenção destes de serem cumpridos, segundo confessaram, enganando uma vez mais os russos...;

5. Quando a desestabilização política é fomentada por ong's na própria Rússia, na Bielorrússia, no Casaquistão, na Geórgia, na Ucrânia -- aqui com a visível intervenção política dos americanos no terreno, com a deposição do presidente eleito, o que leva à subsequente ocupação e anexação da Crimeia (após referendo que obviamente a Rússia ganharia sempre, sem precisar de recorrer a fraude), seguindo-se as intervenções nos oblasts separatistas do Donbass...;

Depois, foi a guerra.

Sim, a Europa, principalmente agora com a nova política americana, tem todas as razões para temer a "ameaça russa", uma vez que a Rússia não vai deixar-se imolar como cordeiro para a Páscoa, no que faz muito bem.

Mas o que a Europa realmente deve temer, são os seus dirigentes: em negação, Starmer quer mandar britânicos para o matadouro; Macron propõe, com falsa candura, uma trégua aos russos por um mês, uma grande oportunidade, segundo eles, para Putin mostrar a sua boa-fé -- como se ele estivesse ávido de reconhecimento por parte destes indivíduos; como se a Rússia não estivesse a ganhar no campo de batalha -- trégua para quê?... Ursula von der Leien, que faz de estadista eleita, dirige -- pretende dirigir e deixam-na -- a política europeia de defesa, como se tal lhe fosse atribuível. E por estes três me fico.

Trump acaba de suspender a transferência de meios militares para a Ucrânia por tempo indeterminado. O plano europeu que Starmer apresentará ao POTUS deverá ter um lindo destino, o caixote do lixo, se é que nesta altura ainda exista. Boots on the ground sob a protecção americana. Faz rir, certo? 

Menos graça é ouvir comentadores sem vergonha e incompetentes -- é difícil ver tanta incompetência e cegueira juntas -- falarem da tal ameaça russa, da potência invasora e da vítima invadida, da sensibilização da opinião pública e dos eleitorados, e do "medo" da Europa, segundo estes valentões das dúzias. A propaganda desbragada vais continuar, a não ser que a paz se estabeleça rapidamente, por acordo ou capitulação. Vai continuar a lavagem ao cérebro e será bom que os povos da Europa estejam atentos para onde os querem levar.

E dialogar com a Rússia, não?... Basta olhar o mapa e ver o que era a ocupação da Crimeia e do Donbass, e o que é agora, ao fim destes três anos. Que estúpidos...

quarta-feira, agosto 31, 2022

Gorbachev, nome de liberdade

 

Última grande figura do século passado, pegou numa União Soviética em perda após a retirada do Afeganistão, incapaz de acompanhar os Estados Unidos na chamada "guerra das estrelas", acaba por ser o homem que dá a Liberdade aos russos (e a outros povos) -- russos que transitaram do jugo do assassino apatetado Nicolau II para o dos assassinos sectários (e revolucionários profissionais) Lenine e Trostky, culminando no grande sátrapa José Estaline. Os testemunhos são às centenas; a mim, ficou-me o de Milovan Djilas, braço-direito de Tito, e depois também ele dissidente do titismo, para aquilatar do satrapismo do velho Zé dos Bigodes.

Isto para dizer que a União Soviética, com o seu gulag, a sua polícia política, a sua censura, os seus apparatchiks, e respectivos privilégios foi uma traição a qualquer ideia de emancipação humana. Poderão avançar, aqueles que julgam que somos parvos, com a justificação da constante sabotagem e guerra a que a URSS foi sujeita; está bem, mas não chamem àquilo comunismo ou socialismo.

(Obviamente que não quero com isto cantar loas ao capitalismo de putedo americano, onde tudo se compra e vende, sendo o presidente de turno o guarda-livros dos proxenetas daquele bordel.)

Gorbachev, sim, grande figura, ainda que empurrado pelas circunstâncias. Ele e Putin criticavam-se mutuamente, mas Gorbachev sabia que, mal ou bem, Putin tomara para si o desígnio de defender a sua pátria, que é o que está precisamente a fazer. Muito interessante a última entrevista de Gorbachev à BBC -- aliás, apoiou Medvedev na anexação do território russo da Crimeia. 

quinta-feira, fevereiro 24, 2022

Ucrânia e simplismos: a situação exige perguntas, ou quando um porco é sempre um porco

1. Declaração prévia. Sou pela autodeterminação dos povos. Isto serviria para apoiar a luta anticolonialista de Angola, Guiné e Moçambique, se houvera idade para tal na altura (nasci em 1964); isto serve para o povo ucraniano e serve para o povo russo, nomeadamente o que vive no Donbass (como serve para os catalães e outros). Ou há convicções e somos coerentes, ou não passamos de troca-tintas. E eu nunca pude com troca-tintas, causam-se repulsa, inclusive física. Logo. de acordo com os russos no Donbass, em desacordo se pretenderem suprimir o estado ucraniano, algo que duvido possam conseguir, mesmo se isto passa pela cabeça do Putin. No entanto, a Ucrânia só pode queixar-se dela própria, e do amigo-da-onça americano. Democracy, sempre. Que o diga o Assange aí ao lado, ou o Snowden no exílio. Um porco é sempre um porco.

2. Dir-me ão, mas não se pode andar a mudar fronteiras pela força (os restos dos Impérios soçobrados na Grande Guerra). E eu digo, ah, pois não... A não ser que...

3. Pergunta importante #1 e a ser repetida as vezes que me apetecer: é ou não verdade que tomaram para com Gorbachev o compromisso de não expandir a NATO, nomeadamente aquando da reunificação alemã? 

4. Embora o poder corrompa (e o poder absoluto corrompa absolutamente), recuso-me a análises ao nível do programa do Goucha. Ainda hoje ouvi na Antena 1 ao Milhazes esta pérola: o Putin é paranóico. Acho que a minha cadela faria uma análise mais fina. Ainda não percebi o que é o Milhazes, mas também não vou perder tempo com ele.

5. Repetindo-me: a Ucrânia não podia ser como a Finlândia? Poderia, se ela não estivesse a ser usada pelos americanos na desestabilização da Rússia (posso tentar explicar, noutra altura). Além disso, há sempre boas oportunidades de negócio. E poderia também se as lideranças fossem outras, embora em abstracto eu não tenha má opinião do Zelensky. É inteligente mas não teve  arcaboiço para manter a Ucrânia imune às pressões dos interesses, o que convinhamos nunca seria fácil.

A quem interessar está aqui o que escrevi sobre a Ucrânia desde 2014. Vale o que vale, a opinião de um observador interessado, sempre de boa-fé, e que não gosta de rebanhos e ainda menos de vigaristas.

Haverá mais perguntas a fazer e a repetir.

sexta-feira, março 15, 2019

no meio da apatia geral, incluindo a minha, lembrei-me duma música do Sting

No primeiro álbum a solo, The Dream Of The Blue Turtles (1985), sem adivinhar Gorbachev, «Russians» era uma canção de esperança na humanidade dos russos, num contexto exacerbado de Guerra Fria. Em face da histeria e da retórica armamentistas, os ex-membro dos Police manifestava a sua esperança no amor que os russos teriam pelas suas crianças, não desencadeando um conflito que extinguiria a humanidade. Dentro da música, uma citação de uma passagem do Tenente Kijé (1933-34), do enorme Prokofiev, em tempo de canção de embalar.
Muitas vezes me ocorre a composição do Sting, quando penso no inferno que estamos a criar, para nós próprios, mas que atingirá em cheio os nossos filhos e os nossos netos, aqueles que dizemos amar e julgamos que amamos.
Um magnífico artigo de João Camargo no Público de hoje (sem link, mas aconselho também este seu texto no Expresso), a propósito da greve de jovens estudantes contra as alterações climáticas, interpela-nos. Pelo menos a mim. Quais têm sido as minhas acções para fazer a diferença. Muito poucas, quase nada, para além da preocupação de algum civismo ecológico mais dou insuficiente, e vociferação contra o capitalismo predatório de que todos nos vamos alimentando.
Já devo ter escrito que uma tarte à bucha & estica deveria ser atirada em cheio ao focinho dos políticos, empresários, jornalistas económicos estipendiados e todos quantos nos viessem falar no conhecido crescimento da economia.
Cresçamos, pois, infinitamente, até não haver mais recursos naturais, até darmos cabo da vida daqueles que dizemos amar. Olhemos bem para eles, e depois para o espelho. Os nossos olhos nos dirão o que somos.

terça-feira, novembro 07, 2017

uma terra sem amos nem apparatchiks

Já não sei quantas vezes aqui escrevi que a melhor vacina que tive para a prevenção do bolchevismo e o comunismo soviético (há outros comunismos) foi a leitura, ainda muito jovem, do Soljenitsin. O Marc Ferro também ajudou, alguns anos depois; e a visão, ainda fresca, da Primavera de Praga -- os tanques do Pacto de Varsóvia contra o povo nas ruas de Praga (o Dubcek é outro dos meus heróis, também já o escrevi, mais de uma vez).
Acontecimento magno da história do século XX, quem o duvida? Revolução mais do que justificada numa autocracia? Igualmente (a execução vil de toda a família imperial não faz esquecer os crimes de Nicolau II e do seu círculo). Que sem ela, as condições de vida dos trabalhadores ocidentais teria sido outra? Parece mais do que evidente. Nunca saberemos que caminho seguiria a Rússia sem a Revolução de Outubro, com Nicolau II ou com Kerensky. Sabemos que Lénin e Trótski tomaram e consolidaram o poder que a Rússia Branca não estava disposta a permitir, tendo, em simultâneo desbaratado os anarquistas de Nestor Makno e outros, nada dispostos a deixarem-se manietar pelos comunistas autoritários, numa velha contenda que vinha do século anterior. E sabemos, também, que a União Soviética, criada em 1922, é uma configuração de Stálin após a eliminação interna dos inimigos, reais ou supostos. É Stálin que torna a Rússia uma superpotência e é com a sua morte, em 1953, que se inicia o declínio. Krushtchev é uma válvula de escape; Brejnev, a sedimentação do estado totalitário e um novo desenvolvimento do imperialismo soviético em taco-a-taco com o americano: Vietname, Iémen do Sul, Angola, Afeganistão, cada um usando(-se) (d)os seus peões. Depois da grotesca parada de senectude ao mais alto nível (Andropov, Tchernenko), Gorbachev foi o homem certo na altura (im)própria. A circunstância de a queda da União Soviética, desmoronando-se de podre, ter ocorrido praticamente sem baixas, é um milagre bem palpável que a Humanidade deve a Gorbachev. Ieltsin (um bebedolas, provavelmente comprado pelos americanos), e Putin, um político frio e superiormente inteligente (muito mais do que gostaria o imperialismo americano -- imperialismo de rapina, como é condição de todos os imperialismos) -- (Ieltisn e Putin) são já protagonistas de outra realidade, que nem por isso deixa de ser herdeira da finada URSS, tal como esta, quando necessário, foi buscar o substrato à alma da Mãe Rússia.       

segunda-feira, março 17, 2014

Oiçam lá o Gorbachev, e calem-se

Se há coisa que me parece, é que, no que respeita à Crimeia, a opinião pública não se está a deixar intoxicar pela fariseísmo do costume dos EUA e da Alemanha, acolitada tristemente pela maioria dos países da UE (Inglaterra à parte, porque a Inglaterra não se submete à pata alemã). E pouco importa que um dos seus heróis (e meu também),  Gorbachev, exprima o que qualquer russo de bom senso pensa.
Mas bom senso é coisa que não abunda pela UE, ao contrário da estupidez e da cobardia (como se tem visto no seu processo de autodestruição); e nunca abundou no Departamento de Estado dos americanos tranquilos, porque, patetas, pensam (?) que a Rússia é Portugal, que come e cala. Putin deve estar aterrorizado com a Merkel e o Hollande tout-le-monde.