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quinta-feira, junho 26, 2025

serviço público - Miguel Sousa Tavares: "Vamos gastar dinheiro que não temos a comprar armas de que não precisamos para uma ameaça que não existe"

algumas observações: 

1) não digam a ninguém, mas vê-se logo que Miguel Sousa Tavares é comunista;

2) vou pedir à Bolota, a minha cadela, que explique ao pivô o que realmente é a guerra da Ucrânia;

3) não é só o Rutte que não se importa de fazer figura de estúpido, nem a maioria dos jornalistas e comentadores de aviário: embora ninguém consiga ultrapassar a sabujice de António Costa & seus rapazes, também Montenegro junta a voz ao coro dos indigentes dos governantes da UE, muito naquela base de enquanto o pau vai e vem, etc.;

4) o que a Espanha  tem de melhor, não é o Sánchez, essa enguia, mas uma Yolanda Díaz.

Ver aqui.

(O que diz a seguir sobre o "problema" da imigração, também vale muito a pena)


domingo, dezembro 29, 2024

o que melhor e pior me impressionou em 2024: Putin e os asnos do Ocidente, e deste a miséria moral

Apesar de faltarem quase três dias para o fim do ano, e sabermos que a perfídia das indústrias da guerra é ilimitada, e aque té à tomada de posse de Trump seja de esperar qualquer tipo de golpada, arrisco já:

1. O que mais favoravelmente me impressionou. 

1.1.Putin perante os asnos do Ocidente. Sem dúvida, a capacidade de resistência da Rússia pela forma como conseguiu contornar uma preparadíssima ofensiva bélica, não tanto pelas armas, mas nas várias tentativas de estrangulamento económico e político, todas tendo falhado, o que é hilariante no meio da tragédia. Militarmente, Putin optou primeiro pela pressão, no que falhou; depois pela contenção, com custos elevados em vidas e equipamento, porém não varrendo a Ucrânia do mapa, ao contrário do que os israelitas fazem na faixa de Gaza. Depois, a resistência à propaganda manhosa estipendiada pelo complexo militar-indusrial americano: hoje, até um lémure de Madagáscar percebe que a guerra da Ucrânia é um enfrentamento entre russos e americanos e que a Ucrânia é um território em que se combate, com líderes ucranianos que sacrificaram parte do seu (?) povo a interesses estrangeiros, v.g., os dos Estados Unidos e suas corporações.

1.2. A fibra (e os tomates) dos comentadores decentes (o que significa que há comentadores indecentes).  Voltemos a referir-lhes os nomes, uma e outra vez: Agostinho Costa e Carlos Branco em primeiro lugar (dos que têm assento nas televisões). Informados, objectivos, não se deixando intimidar por jornalistas ignorantes e atrevidos nem pelo lixo académico que por aqueles estúdios é despejado. Acrescento ainda os nomes de Mendes Dias e Tiago André Lopes, este da Universidade, uma das poucas excepções para a miséria que a academia enviou para as televisões. Nos jornais, impecável, Viriato Soromenho Marques (ler aqui  a crónica deste sábado no DN); e nas plataformas digitais (pois para as televisões não é convidado, evidentemente) Carlos Vale Ferraz (ler aqui) . Outros existem, felizmente, mas ou são silenciados (onde está o general Pezarat Correia, ainda muito lúcido, nos seus mais de noventa anos?) ou escrevem em media de menor difusão.

2. O lixo

2.1. A miséria moral do Ocidente diante da matança indiscriminada de palestinos em Gaza.

2.2 A cobardia depravada, ignorância, inconsciência, incompetência e oportunismo até à traição da clique que lidera os países europeus mais poderosos (Inglaterra, França. Alemanha e Itália), o seu servilismo canino e as entorses à democracia. Sim, com esta guerra as liberdades regrediram na Rússia -- ela que nunca fora tão livre e próspera como o foi com Putin -- mas regrediram também, e de forma nunca vista desde a derrota do nazismo e do fascismo na Europa Ocidental: manipulação às escâncaras, censura (aos media  russos e às vozes discordantes ou independentes), intervenção nas eleições de países europeus, dentro e fora da UE (Roménia, Geórgia).

O que sairá disto tudo? Não sei. Alemanha e França politicamente nas lonas. A seguir, a própria UE? Ou até à lavagem dos cestos, no final de Janeiro, será vindima? Com criaturas destas é sempre de esperar o pior.

Em tempo: esqueci-me de referir Miguel Sousa Tavares, que, desde o início, honra a profissão do jornalista que foi e tem sido sempre uma das vozes lúcidas do comentário. (visto aqui).

quarta-feira, maio 08, 2024

sofismas 'woke'

Sou leitor assíduo de Paula Cardoso, apesar de muitas vezes, ou quase sempre, discordar dela. Com isto, já estou a fazer um elogio à sua escrita e à sua profundidade, uma vez que me prezo de ser leitor exigente, sendo poucos os cronistas que não dispenso, concorde ou não com eles, como, para me ater ao DN, Viriato Soromenho Marques e Luís Filipe Castro Mendes, ou, no resto, a brilhantíssima Carmen Garcia, ou Henrique Raposo, José António Saraiva, Miguel Sousa Tavares, pelas mesmas ou outras razões. Como se vê, sou ecléctico. Cresci, como leitor, a ler os melhores: Augusto Abelaira, Eugénio Lisboa, Henrique Barrilaro Ruas, Vasco Pulido Valente ou Vítor Cunha Rego -- nunca perdendo de vista que a crónica é um nobre género jornalístico mas também literário, e que o seu inultrapassado cultor foi (e é) Eça de Queirós.

Leio-a sempre que me aparece, e raramemte concordo, pois parte do pressuposto, para mim errado, de que em Portugal os negros são objecto de racismo por serem negros -- provavelmente sistémico, importação de uma americanice que não se aplica a Portugal, mas aos estados americanos, como Brasil e Estados Unidos, cuja economia se alicerçou em mão-de-obra escrava. Em Portugal há racismo, sim, mas os seu alvo é a comunidade cigana; há xenofobia (aversão, geralmente causada por medo do desconhecido), que talvez possamos considerar uma espécie de racismo, mas as suas vítimas tanto são brasileiros e cabo-verdianos como moldavos ou ucranianos, não tem que ver com a cor da pele. E há, de facto, um racismo classista, que atinge os pobres, que são de todas as cores, mas com especial incidência nos imigrantes, obviamente os mais pobres e desprotegidos. Vivo num bairro de classe média, entre a média-baixa e a média-alta. A realidade que observo desmente-o quotidianamente; mas não quero desvalorizar episódios pontuais de racismo, nem o sofrimento que eles causaram a quantos o sofreram. O meu ponto, empírico, é a de que o racismo em Portugal tem aqueles contornos, e não os que nos vêm sendo impingidos por via anglo-saxónica.

Mas não é essa a questão que motiva este post, antes o característico argumentário woke, ou seja, de distorção da realidade e ocultação de aspectos menos palatáveis do pobre wokismo. A dada passo, a cronista escreve que este passou 

«a ser entendido como expressão de um movimento extremista, que prega a sua superioridade moral através de ideias progressistas que pretende impor aos outros. / É também por causa desta ficção narrativa que o racismo e o argumentário anti-imigração se propagam. Defender Direitos Humanos tornou-se “woke”. Lembrar que as vidas negras importam tornou-se “woke”. Recordar que todas as estatísticas desligam o fenómeno da criminalidade da imigração tornou-se “woke”. Combater ataques contra imigrantes tornou-se “woke”. Denunciar o racismo tornou-se “woke”.»

Vejamos. Só o tema do alegado progressismo das ideias -- frequentemente associadas a uma prática pública de censura e cancelamento -- daria um ensaio substancial. 

Vamos antes aos sofismas e até às mentirolas. 

Com que então, defender os direitos humanos tornou-se woke? -- resta saber se todos temos o mesmo entendimento do que sejam direitos humanos, ou melhor, de que forma eles se salvaguardam e aplicam -- e não temos. Há tempos, uma antiga deputada do BE dizia que a questão ponderosa das casas de banho para transnão-sei-o-quê era uma questão de direitos humanos, um problema que afecta 0,000001 dos jovens e que qualquer escola digna desse nome resolve com a maior das facilidades, como a resolveu a escola que os meus filhos frequentaram -- com bom senso, algo que a senhora BEwoke não tinha, até porque o que ela no fundo queria era criar um caso, fazer activismo.

Defender que as vidas negras importam, também se tornou woke? Extraordinário...

Recordar que todas as estatísticas desligam o fenómeno da criminalidade da imigração também? ? Eu devo viver noutro planeta.

Combater ataques contra imigrantes tornou-se “woke” ainda -- delirío, ou intenção de associar o pensamento crítico à extrema-direita? este tipo de associações espúrias parecem ter sempre bom acolhimento. Por exemplo, o governo do Netaniahu fá-lo, e até com sucesso junto dos mais sensíveis e medrosos, quando sustenta que criticar o governo de israelita é uma manifestação de antissemitismo.

Finalmente, de acordo com Paula Cardoso, "denunciar o racismo tornou-se woke". O despropósito (ou vitimização?) anula-se a si próprio.

Os wokes são useiros e vezeiros no distorcer da realidade, de modo a servir o seu "activismo". São inclusivamente manipuladores e censores. O que é woke, é, por exemplo, retirar das bibliotecas as bandas-desenhadas do Astérix e do Lucky Luke, já nem me lembro porquê; censurar os livros da Enid Blyton; querer reescrever os textos de Mark Twain ou Monteiro Lobato, retirar obras de arte de museus e galerias -- isto não é progressismo, é censura e reaccionarismo à soltaO que é woke é ser-se anacrónico em História, com opiniões semianalfabetas sobre os Descobrimentos (historiador-woke é um oxímoro). O que é woke é a criação de palavras e expressões estúpidas como presidenta ou dizer portuguesas e portugueses. -- e um longo etecetera. 

Tudo pode e deve ser debatido, mas de boa-fé.

segunda-feira, maio 06, 2024

ucraniana CCXXXVIII - com meias-palavras ou directamente, estes querem-nos alinhados numa guerra contra a Rússia. E os interesses de Portugal onde páram?

Três-artigos-três, na mesma edição do Diário de Notícias, a de sábado, que traz a sempre lúcida coluna de Viriato Soromenho Marques -- desta feita sobre marcelices, só muito de raspão aflorando a questão ucraniana, que inconsciente e criminosamente se vai tornando assunto nacional.

Pois bem, o primeiro artigo, do general Valença Pinto, ex-CEMGFA, em «Segurança e Defesa da Europa. Um tema urgente e obrigatório», em que só praticamente o título está certo, começa por falar na "inaceitável invasão" da Ucrânia pela Rússia. Sobre o cerco da Nato ou os mísseís instalados na Polónia (creio), alegadamente para dissuadir o Irão (!), já para não falar da preparação da adesão da Ucrânia à NATO, tudo razões mais do que justificativas para que a Rússia procedesse como o fez, nada diz. (Talvez sejam fantasias; ou propaganda, ver Serronha em baixo). Traça um quadro que me parece correcto no Norte de África e no Sahel -- terrorismo islâmico, tráfico, criminalidades várias --, para sustentar que a influência da Rússia e da China atentam contra os nossos interesses. Ora, parece-me que salvo nos aspectos atrás referidos, os nossos interesses ali não coincidem com os dos franceses (americanos e russos dividem neste momento uma base no Níger...), o que me parece ser um erro grave para um analista militar português; e depois também não seria mal pensado avançar as razões pelas quais os franceses foram chutados vergonhosamente das antigas colónias, A Meloni já explicou porquê. .Mas o general Valença quer fazer-nos crer que, por exemplo, os interesses franceses e portugueses em política externa, especialmente em África, coincidem. Pois só muito parcialmente isso sucede. O general dá ainda de barato a basófia do Trump quanto à Nato. Eu já me enganei muitas vezes, mas ainda não vi lógica nenhuma em que um império global como o americano se desembarace assim dum semi-continente obediente, cujos dirigentes, na sua maioria, não passam de valetes débeis. Claro que haverá sempre a possibilidade terrífica de os Estados Unidos entrarem em guerra civil, mas quem adivinha o futuro? Repetindo-me: sou pelo serviço militar ou serviço cívico obrigatórios, para ambos os sexos, com uma filosofia de base diferente do anterior SMO, mas não de certeza para, por estupidez, fraqueza ou traição, mandarmos os jovens portugueses para a morte em nome dos interesses americanos, ou franceses. A defesa de Portugal compete ao povo português, não a mercenários nem a outros países.

No mesmo número, de Patrícia Akester, especialista em Direito de Autor, publica  «Barómetro Geopolítico: Alta pressão, tempestades à vista, risco de conflito global e um guarda-chuva hegeliano», título arrevesado que não esconde o império da banalidade, do lugar-comum. A citação de Hegel com que nos pipoqueia, aplica-se como uma luva à autora. Nem mereceria comentários, a não ser o carregar na tecla da iminência de uma III Guerra Mundial. Não que ela não seja um perigo real, mas aqui só serve para assustar e encarreirar o rebanho. De resto, como já disse a luminária que está nos Negócios Estrangeiros, "não devemos ter medo dos russos". Repetindo-me outra vez: eu cá dos russos não tenho medo nenhum, tenho é daqueles que alegremente nos andam a empurrar para uma guerra como eles, a começar agora pelo improcriável Macron, que a "Africa Francesa" deitou para o caixote do lixo. (E foi muito bem feito.)

Finalmente, o inevitável Serronha, em «A guerra cognitiva e a guerra das narrativas: a relevância das operações de influência nas guerras», crochetou um texto em que alerta para as enormes capacidades propagandísticas da Rússia e da China, como se não tivéssemos assistido desde a invasão da Ucrânia à maior acção de condicionamento e lavagem cerebral da opinião pública ocidental -- como bem escreveu Miguel Sousa Tavares --, de tal maneira que até finlandeses e suecos se apavoraram com esta quase débil Rússia (em comparação com o poder soviético, em que esses países se mantiveram neutrais, aliás com vantagens para todos), condicionamento que passa pela censura descarada exercida pela UE, que quer proibir o "povo" de ver canais russos por cabo, em inglês, num forte assomo de liberalismo. Serronha propõe ainda mais skills e recursos humanos para a batalha da propaganda (que é real), sob pena de um "desastre estratégico". Desastre estratégico é para onde nos leva as lideranças europeias (que os próprios comentadores prò-Pentágono identificam como fracas), que transformou a UE numa entidade vassala e obediente aos desígnios estratégicos do império americano; desastre estratégico são os governos como o de António Costa e, está visto, o de Montenegro, que nos apequenam, quer na ausência de uma ideia estratégica nacional que não passe por sermos um dos cães dos Estados Unidos, e não uma voz, por acaso secular (estou a repetir-me outra vez), com fortes laços ao Atlântico Sul -- vantagem estratégica que deitamos pela borda fora enquanto nos babamos com a possibilidade do imprestável (exceto na crise da Covid-19) ex-primeiro-ministro possa ser corta-fitas da UE. Os portugueses foram sempre uns basbaques com o "estrangeiro".

Isto tudo num Sábado, que culminou à noite com variedades, animadas por Diana Soller -- não tenho o link --, com disparates vários, um dos quais foi a sua explicação para  a chamada de atenção por parte da Itália para o despropósito e a inconveniência das declarações do improcriável Macron. De acordo com a nossa especialista, elas, as declarações, devem-se a isto: "medo".  São uns valentaços estes comentadores. Mais valera a mui católica Prof.ª Soller, colaboradora do portal dos jesuítas, prestasse atenção e seguisse com cordura as opiniões do maior jesuíta do nosso tempo, que por acaso é o Papa Francisco. Mas nem sempre a Prof.ª Soller se espalha ao comprido. Logo no início da sessão, um patetinha cujo nome não me ocorre arranca com uma das mais asnáticas perguntas que já ouvi sobre esta guerra (ou então já estamos em modo pavloviano), e era ela sobre se a inclusão de Zelensky na lista dos mais procurados pela Rússia não seria um sinal de desespero de Moscovo. Ahahah, caraças... Felizmente para o canal, a senhora respondeu bem.


quarta-feira, outubro 04, 2023

é sempre reconfortante ler Carlos Matos Gomes (ucranianas CCXVI)

Mão amiga fez-me chegar este post de Carlos Vale Ferraz -- que é também o escritor Carlos Matos Gomes --, autor de Nó Cego, um dos grandes romances portugueses do século passado.

Falece-me já a paciência de estar constantemente a denunciar a enxurrada de vigarice mediática e académica a propósito da guerra; prefiro assinalar quem é competente, isento, lúcido e honesto. Há uma meia dúzia no espaço público: entre os militares, repito-me, Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias e pouco mais; entre os académicos, retenho dois nomes (entre pouquíssimos) Marcos Farias Ferreira e Tiago André Lopes; dentre os publicistas portugueses que têm escapado à indigência, contam-se, de forma destacadíssima, Viriato Soromenho Marques, Miguel Sousa Tavares e Carlos Matos Gomes. Não são os únicos, felizmente. Vale a pena lê-los e ouvi-los, sem perdermos tempo com bonecos.

domingo, março 05, 2023

Estados Unidos e Rússia, ambos estavam à espera (ucranianas CLXX)

 Estava a ver o Oliver Stone num podcast, quando a certa altura diz que não se lembra de ter assistido a uma tão grande massa de propaganda, a propósito da guerra na Ucrânia; outros já o disseram, um dos primeiros de que me lembro foi Miguel Sousa Tavares. Esta miserável propaganda de condicionamento da opinião pública estava a ser preparada de há muito, pelo menos desde a abortada presidência Hillary Clinton.

O Putin sabia-o muito bem; basta ver as entrevistas ao Oliver Stone. E assim também ele se preparou para os pacotes  de sanções, que tanto êxito têm tido em prejudicar os cidadãos europeus...

Porque uma das evidências que vai ficar desta guerra, será o molho de imbecis ou espertalhões à frente da UE -- ontem, tivemos a atrasada mental da presidente do PE em Kiev --; mas pior que isso, a fraqueza e cobardia dos líderes europeus, Eles mostraram que na hora da verdade a União Europeia é uma mistificação, e que quem manda é quem pode.

Entre nós, dois ministros dos Estrangeiros, um pior que o outro; um primeiro-ministro que gosta de agradar a quem detém o poder, um PR tornado num porta-medalhas, sem qualquer relevância neste assunto, nem internamente -- e a gravidade da situação assim o exigia. Apesar de pouco ter conseguido por ocasião do banditismo ocidental no Iraque e até no episódio da província sérvia do Kosovo, que diferença para Jorge Sampaio.


domingo, fevereiro 26, 2023

Viriato Soromenho Marques e Miguel Sousa Tavares, um contraponto à indigência de Cravinho, e da inenarrável inconsciência de Marcelo e Costa (ucranianas CLXIX)

 «Palavras de Guerra», Viriato Soromenho Marques, no  Diário de Notícias

«Um ano de estupidez», Miguel Sousa Tavares, no Express 

«O combate por um Mundo mais decente», de João Gomes Cravinho -- o contraste: o responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros a fazer coro com o jornalismo televisivo mais analfabeto, assim à José Alberto Carvalho. O vazio é de tal forma profundo, que só pode ser propositado. Já tivemos pior, é verdade, o Santos Silva; mas depois deste empastelamento brutal de Costa e do número de Marcelo, a confiança de que as principais figuras do Estado estejam à altura das suas funções e proteger o país, se o conflito degenerar é nenhuma, o que é extraordinariamente preocupante.

segunda-feira, dezembro 07, 2020

"vigarista, cobarde e troca-tintas"

Na entrevista a Miguel Sousa Tavares, Marisa Matias, que costuma ser vilipendiada pelo Ventura dos outdoors, "o gajo que diz as verdades", segundo a populaça ignara [populaça em mim tem significado próprio, entenda-se], e que faz a pré-campanha mais cara de todos os candidatos, classificou-o à letra, de alto abaixo, sem pestanejar, e demonstrando que tal é matéria de facto e não de opinião, como se sabe.

Tenho para mim que as palavras são para se usar, e portanto fiquei, digamos, maravilhado com o rigor de Marisa Matias. São palavras que assentam como uma luva a este aldrabão, e gostei especialmente do qualificativo "cobarde", pois que outro nome terá quem se atira às minorias, como os ciganos, aos mais pobres e fracos, como os que são beneficiários do RSI, ainda para mais trabalhando para uma empresa de ginástica fiscal, segundo Marisa Matias identificada nos "Panamá Papers", esse ajuntamento de proxenetas sociais? 

segunda-feira, março 25, 2019

os castelos não protestam -- ou se a Direita é estúpida, a Esquerda é analfabeta, e dá todos os dias disso o testemunho -- ou ainda: foda-se, que é demais

Ao contrário dos artistas plásticos, que foram estender a mão pedinte a António Costa, numa das mais degradantes manifestações de dependência de que há memória, os castelos não falam, não protestam não têm poder nem influência mediática. O mesmo se passa com a generalidade das populações que vivem em seu redor, boa parte no interior do país, pobre e despovoado.
Por isso, o processo de descentralização para as autarquias, sem meios nem massa crítica, e sem um euro associado nessa transferência  de trinta e três castelos, como anunciou o Diário de Notícias, é despudorado e indigente, cultural e politicamente.
Normalmente, o património cultural português degrada-se e afunda-se silenciosamente; a não ser quando permite estadão e espavento, pois a miséria cultural e cívica das elites políticas é um espelho da do povo português, de onde a maior parte foi parida. Não por culpa do povo, é claro, mas das outras elites, que o mantiveram ignaro e desvalido, de que se tem vindo a libertar desde o 25 de Abril, é bom lembrar.
Até agora, a única voz que ouvi a verberar esta fraude cultural foi a de Miguel Sousa Tavares. Costumamos criticar a Direita por não valorizar a cultura do ponto de vista político, rebaixando a pasta de ministério para secretaria de estado; mas para que serve um Ministério da Cultura com uma porcaria de política como esta, a não ser esportular clientelas e influencers (como gosta de dizer a saloiada merdiática)? 
Pior do que ausência de políticas é esta política de se ver livre de empecilhos que só dão chatices, dores de cabeça e não rendem votos. A verdade é que a Cultura com o Governo apoiado pela Geringonça, que também apoio, sem pertencer a nenhum partido, bateu no fundo.

(Por engano, escrevi "Gerinçonça", e fica muito bem, pois é difícil ser-se mais sonso que isto.)  


quarta-feira, janeiro 16, 2019

Quadratura do Círculo

Nunca percebi por que razão a Quadratura do Círculo se configurou para não passar das meias-tintas, no que respeita à amplitude de visões políticas do seus intervenientes. Recordo-me que o «Flashback», da TSF, e de onde provém a QdoC, começou com Pacheco Pereira, nessa altura uma das figuras mais proeminente do cavaquismo, José Magalhães, então aguerrido deputado do PCP, e Vasco Pulido Valente, tão instável quanto estimulante. A saída de Pulido Valente foi remediada por Miguel Sousa Tavares, durante pouco tempo, depois Nogueira de Brito, e, finalmente, com Lobo Xavier. É já com essa composição, e Magalhães passado para o PS, que o programa se reinventa na televisão, com o nome que o conhecemos.
Estranhei na altura o convite a Jorge Coelho, um homem de aparelho, muito inteligente e eficaz, porém sem grande bagagem intelectual; achei que aquilo se tinha tornado numa coisa institucional e de meias-tintas -- não fosse a progressiva e salutar radicalização  de Pacheco Pereira --, que o convite a António Costa para substituir Coelho mais não fez do que confirmar. Do ponto de vista da troca dos pontos de vista, seria, à partida, mais interessante o "Prova dos 9", da TVI, com Rosas, Silva Pereira e o inefável Rangel, ou o outro lado, na RTP 3, com Rui Tavares, Pedro Adão e Siva, normalmente com grande solidez, e José Eduardo Martins. 
A QdoC mantinha-se, porém, como o meu programa preferido de debate político: o contraste entre um Pacheco Pereira muito incisivo, geralmente indo ao nó dos problemas, fazia um bom contraste com o conservadorismo respeitável de Lobo Xavier, e era em ambos que muitas vezes se polarizava o debate. Jorge Coelho, muitos furos abaixo, em especial de Pacheco Pereira, colmatava essa diferença com performances muito vivas, bulldozer em acção, que nem o atabalhoamento do discurso e os pontapés na garmática detinham.
Desfecho lógico no processo de animalização das televisões privadas, que vão esticando a corda tanto quanto as deixarem. A alternativa deve ser linda, estou curioso por continuar a acompanhar o processo de degradação da baiuca. Divertidas foram as justificações sonsas do director: parece que o programa acaba, aproveitando a mudança de instalações. Brilhante, como tudo o que dali sai. Já agora, podiam acabar com o normalmente pífio «Expresso da meia-noite». Desse sim, ninguém iria sentir-lhe a falta, a começar pela música épica do genérico, tão desajustada que só não vê quem não se enxerga; e os tweets palermas do público em rodapé, que não passa de irritante visual.
Em resumo, mais um passo na poluição comunicacional do espaço público, com todas as consequências que daí advêm.
em tempo: provavelmente, o programa político da nova grelha será esta coisa em forma de assim

segunda-feira, julho 02, 2018

terça-feira, março 04, 2014

do Século XIX às Invasões Bárbaras, passando por MST

Quando vejo o John Kerry dizer que a Rússia está a comportar-se como uma potência do séc. XIX (no que tem inteira razão, olha a novidade...), não devia esquecer-se que o país dele, já este século, a propósito da II Guerra do Iraque, teve uma actuação não do século XIX, mas do tempo das Invasões Bárbaras -- que foi isso que significou o saque e o morticínio de Bagdade.
Portanto, quando oiço estes gajos, rio-me porque não os posso mandar à merda.
Já os papagaios e as papagaias dos telejornais -- sufoco com tanta estupidez e analfabetismo. Até agora, e ouvi pouca gente, só o Sousa Tavares disse coisas acertadas.

sexta-feira, outubro 27, 2006

À atenção dos dâmasos

Não li o Equador; não sei se alguma vez o lerei. Nunca corri atrás dos best-sellers, tenho até um reflexo condicionado que me impede de ler um livro ou de ouvir um disco exposto e comentado em demasia. Mas não tenho nada contra o romance de Miguel Sousa Tavares -- comentador que admiro --, e até admito tratar-se duma excelente narrativa que me esteja a passar ao lado. O que li hoje no DN sobre o alegado plágio é de tal forma canhestro que nem sei se valerá a pena o MST descarregar duas pauladas nos caluniadores, uma vez descobertos. Para canalha desta, para estes cobardes que se acobertam do anonimato para impunemente dar vazão ao despeito, recomendo que se use o método Carlos da Maia diante do Dâmaso: cruzando-nos com lixo humano que procurou causar-nos dano, cuspa-se-lhe no focinho.