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sábado, julho 12, 2025

desisto de falar de 'jornalistas'

Há três anos e meio que ando a aguentar a sua incompetência, estupidez, ignorância, sabujice, insolência. Estou farto deles. O último caso, uma pobre caricatura que não se enxerga, tirou Carlos Branco do sério; já na véspera ia tentando o mesmo com Agostinho Costa, mas este, já escaldado com as aventesmas que lhe põem à frente, teve ainda a paciência para fintá-lo. Sexta à noite, noutro canal o coronel Mendes Dias -- já tinha saudades -- alternando com um pateta dum jornalista do Expresso, um dos muitos pobres de cristo evacuados das redacções para os estúdios, a propósito do maestro Valery Gergiev -- a grande dignidade com que respondeu, sem responder, ao palonço que tinha à frente.

Desisto de falar destes tipos, não valem a tinta que não se gasta aqui a escrever sobre eles.

P.S. 

domingo, dezembro 29, 2024

o que melhor e pior me impressionou em 2024: Putin e os asnos do Ocidente, e deste a miséria moral

Apesar de faltarem quase três dias para o fim do ano, e sabermos que a perfídia das indústrias da guerra é ilimitada, e aque té à tomada de posse de Trump seja de esperar qualquer tipo de golpada, arrisco já:

1. O que mais favoravelmente me impressionou. 

1.1.Putin perante os asnos do Ocidente. Sem dúvida, a capacidade de resistência da Rússia pela forma como conseguiu contornar uma preparadíssima ofensiva bélica, não tanto pelas armas, mas nas várias tentativas de estrangulamento económico e político, todas tendo falhado, o que é hilariante no meio da tragédia. Militarmente, Putin optou primeiro pela pressão, no que falhou; depois pela contenção, com custos elevados em vidas e equipamento, porém não varrendo a Ucrânia do mapa, ao contrário do que os israelitas fazem na faixa de Gaza. Depois, a resistência à propaganda manhosa estipendiada pelo complexo militar-indusrial americano: hoje, até um lémure de Madagáscar percebe que a guerra da Ucrânia é um enfrentamento entre russos e americanos e que a Ucrânia é um território em que se combate, com líderes ucranianos que sacrificaram parte do seu (?) povo a interesses estrangeiros, v.g., os dos Estados Unidos e suas corporações.

1.2. A fibra (e os tomates) dos comentadores decentes (o que significa que há comentadores indecentes).  Voltemos a referir-lhes os nomes, uma e outra vez: Agostinho Costa e Carlos Branco em primeiro lugar (dos que têm assento nas televisões). Informados, objectivos, não se deixando intimidar por jornalistas ignorantes e atrevidos nem pelo lixo académico que por aqueles estúdios é despejado. Acrescento ainda os nomes de Mendes Dias e Tiago André Lopes, este da Universidade, uma das poucas excepções para a miséria que a academia enviou para as televisões. Nos jornais, impecável, Viriato Soromenho Marques (ler aqui  a crónica deste sábado no DN); e nas plataformas digitais (pois para as televisões não é convidado, evidentemente) Carlos Vale Ferraz (ler aqui) . Outros existem, felizmente, mas ou são silenciados (onde está o general Pezarat Correia, ainda muito lúcido, nos seus mais de noventa anos?) ou escrevem em media de menor difusão.

2. O lixo

2.1. A miséria moral do Ocidente diante da matança indiscriminada de palestinos em Gaza.

2.2 A cobardia depravada, ignorância, inconsciência, incompetência e oportunismo até à traição da clique que lidera os países europeus mais poderosos (Inglaterra, França. Alemanha e Itália), o seu servilismo canino e as entorses à democracia. Sim, com esta guerra as liberdades regrediram na Rússia -- ela que nunca fora tão livre e próspera como o foi com Putin -- mas regrediram também, e de forma nunca vista desde a derrota do nazismo e do fascismo na Europa Ocidental: manipulação às escâncaras, censura (aos media  russos e às vozes discordantes ou independentes), intervenção nas eleições de países europeus, dentro e fora da UE (Roménia, Geórgia).

O que sairá disto tudo? Não sei. Alemanha e França politicamente nas lonas. A seguir, a própria UE? Ou até à lavagem dos cestos, no final de Janeiro, será vindima? Com criaturas destas é sempre de esperar o pior.

Em tempo: esqueci-me de referir Miguel Sousa Tavares, que, desde o início, honra a profissão do jornalista que foi e tem sido sempre uma das vozes lúcidas do comentário. (visto aqui).

quarta-feira, dezembro 18, 2024

ucraniana CCLXXIII - armas químicas... 'esqueceram-se' de mostrar os ataques e as respectivas vítimas das armas químicas russas, ou de como o perigo das provocações continua à espreita

O general que ontem foi morto num atentado em Moscovo, segundo os me(r)dia, era  o responsável pelo arsenal de armas químicas e outras proibidíssimas -- embora hoje, na TSF, já fosse apresentado como o primeiro responsável pelo dispositivo nuclear...

Pode ser que a minha memória esteja a falhar, mas não me lembro, para além dos ataques com fósforo branco, usado por ambas as parte e cuja utilização é proibida sobre áreas civis -- não me lembro sequer de acções de propaganda encenada a este respeito. O que significa que não terá mesmo acontecido. O que teria sido, na chamada guerra comunicacional, se soldados ou civis ucranianos tivessem sofrido um ataque dessa natureza?...

Até à tomada de posse da nova administração -- que não sabemos bem o que será, pesem todas as declarações -- Zelensky e outros agentes do complexo militar-industrial norte-americano tudo farão para nos envolver numa guerra. Para isso contam com 

1) alguns militares e comentadores dispostos a fazerem o serviço;

2) a pulhice mentirosa e medíocre dos dirigentes da UE e da maior parte dos governos europeus;

3) o atavismo histórico aterrorizado de polacos e bálticos.

Eu só espero que os russos mantenham nervos de aço e resistam às provocações; que a opinião pública ocidental esteja atenta e perceba como é manobrada por canalhas e cobardes; e que continue a não ligar nenhuma ao pseudojornalismo de meia-tigela. Já aqui gabei os pobres generais Agostinho Costa e Carlos Branco, cuja infinitamente paciência é sistematicamente posta à prova por burrinhas e burrinhos (ainda este Domingo, ao fim da noite...) Neste aspecto, o coronel Mendes Dias, que sabe muito mas compromete-se menos, desarma-os com eficácia, principalmente quando começa a falar de Napoleão para trás...; mas há outros, como, por exemplo, o major-general Vítor Viana, em canais diferentes. Estes últimos sempre se apresentaram alinhados com a posição ocidental, aliás como o general Pinto Ramalho, mas com algum ou muito sentido crítico. É a diferença entre a seriedade e a falcoaria, o charlatanismo académico e o "jornalismo" para iletrados.

PS - Nem de propósito, uma bela caracterização destes criaturos:  "há toda uma dança mediática realizada por mentirosos profissionais, ironicamente chamados de “jornalistas”, cuja principal tarefa é lubrificar as mentiras mais espinhosas para que ainda sejam engolidas." (Aqui)

quarta-feira, setembro 04, 2024

ucraniana CCLXI: Mongólia, Poltava e UE

O enorme prestígio do TPI saiu grandemente reforçado com a decisão mongol de ignorar a farsa e os farsantes. Como eles se devem rir. Eu rio-me. Mesmo quando oiço o nosso general Isidro a falar em mais um atentado às democracias, ou às ideias liberais, ou lá o que fosse o que ele queria dizer. Até porque o suprassumo do "liberalismo", os Estados Unidos, não só não pertencem ao TPI como trataram de acautelar os seus cidadãos: nenhum americano está sob a alçada do TPI, já nem me lembro que que administração tal foi decidido. USA! USA! Democracy for ever!

Na Batalha de Poltava de 1709, o exército da Suécia imperial de Carlos XII foi destroçado pelo da Rússia imperial de Pedro o Grande. Há algumas horas, dois mísseis Iskander russos rebentaram com uma academia militar ucraniana. Na versão oficial, 50 mortos e mais de 200 feridos; na versão russa (ouvi-a há pouco ao coronel Mendes Dias, pois o que nos servem não é jornalismo, mas propaganda que já nem consegue disfarçar), 200 mortos e mais de 500 feridos. Acontece que nesse instituto estariam a dar formação vários oficiais suecos, preparando a tropa ucraniana para manobrar os aviões para recolha de informações que a Suécia irá ceder à Ucrânia. Bingo! Não há-de a vigarista da ministra dos estrangeiros alemã, essa fraude que lidera os Verdes e que já despareceu dos parlamentos estaduais que foram a eleições no Domingo -- não há-de esta fraude clamar contra Putin... 

Vamos rir-nos um pouco mais:

Annalena Baerbock (a fraude verde): "brutalidade de [Vladimir] Putin (Presidente russo) não conhece limites", criticou a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock, na sua conta da rede social X (antigo Twitter), acrescentando que ele "tem de ser responsabilizado". ("Notícias ao Minuto")

O almirante Kirby, o tipo que chorava frente às câmaras quando os russos bombardeavam a Ucrânia: "É um terrível lembrete da brutalidade [de Putin]", considerou hoje o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby." (idem)

E ainda o pateta substituo inglês, agora do Labour: "O chefe da diplomacia britânica, David Lamy, condenou também na rede social X o ataque mortífero russo àquela cidade ucraniana, afirmando tratar-se do "mais recente ato de agressão doentio da guerra hedionda e ilegal travada por Putin na Ucrânia"." (ibidem)

Entretanto a desavergonhada UE, em roda livre, sem ninguém que ponha a mão na Úrsula e no seu Borrell, "lamenta" que a Mongólia não tenha detido Putin. Desculpem, mas para além do abuso de poder destes primatas da comissão, estaremos nós em guerra com a Rússia e ainda não nos disseram? Recuso-me a acreditar que esta estrutura tão liberal, democrática e transparente tome determinadas decisões nas costas do povo europeu. 

quinta-feira, agosto 22, 2024

ucraniana CCLX: "jornalismo" da treta

O Público é um jornal lido pelas elites e com pouquíssima influência no modo de ver da população -- uma razão mais para ter algum brio nas manchetes e no noticiário. Obviamente não tem; mas como por estes dias o tenho comprado, à falta do DN -- que não é muito melhor, mas irrita-me menos --, não deixo passar o estúpido título sobre a guerra da Ucrânia: "Ucrânia diz que invasão mostra que Rússia ameaça mas não reage", idiotice que casa muito bem com a patética comunicação ao corpo diplomático de Zelensky, em que indirectamente chama cobardes aos europeus, por oposição à valentia dos seus soldados. É preciso ter coragem, terá afirmado. Há porém um probleminha: ao contrário do que o Público  quer fazer crer (a quem? a que leitores, para além dos seus fiéis?), a ofensiva ucraniana é para inglês ver, prenunciando já o estertor. Os analistas militares de confiança dizem não só que a ofensiva foi travada, sem que os russos para lá deslocassem as tropas que combatem no Donbass, como estão a avançar em todas as frentes. Aliás, convenhamos: há ali muita carne para canhão: segundo o coronel Mendes Dias, ouvido há pouco, só hoje morreram 3200 soldados (dois mil ucranianos e mil e duzentos russos). Bravo! Só que os russos usam contratados, chechenos e mercenários e os ucranianos, além dos mercenários que ainda não foram mortos, os presos e os neo-nazis que apoiam o governo, resta-lhes os mobilizados que não conseguem fugir, duma guerra em que combatem pelos interesses dos americanos, como digo sempre desde o início. 

E, convenhamos, também e ainda, que era só os russos quererem a sério, e um piparote bastaria para arrumar a questão de Kursk. No entanto, contra todas as evidências, o Público faz-se de parvo. É lá com ele.



segunda-feira, agosto 19, 2024

ucraniana CCLIX - o milagre das pontes de Kursk

A forma como esta manobra de diversão dos ataques das forças de Zelensky é tratada pelos mérdia do costume seria para gargalhar, não fora um assunto que implica a morte de pessoas, algumas esturricadas dentro de blindados... Sobre o que efectivamente se passa, basta ouvir os militares de confiança (Branco, Costa e Dias). A mim, o que nauseia ou diverte, consoante o estado de espírito, é o despudor com que jornalistas de caracacá se prestam a fazer figuras de urso. Hoje na cnn-Portugal e no Público.

A última que me fez rir, pelo tratamento "noticioso" que lhe é dado, foi a das pontes de Kursk, rebentadas pela tropa do general Syrkyi (por acaso, um russo a trabalhar para Zelensky -- que é como quem diz, para os americanos): no sábado, três pontes haviam sido destruídas, segundo a cnn-Portugal, mostrando as imagens de uma estrutura a ser bombardeada; pois no domingo, na mesma estação, a notícia era a de que uma segunda ponte fora destruída, sendo mostradas as imagens do dia precedente. Quem sabe amanhã, o mesmo filme ilustre a notícia de que uma ponte foi bombardeada e destruída em Kursk; e, seguindo a lógica, na terça-feira, nenhuma ponte terá sido destruída, mesmo que apareçam de novo as imagens dos dias precedentes...

É o milagre da informação, a escorregar pelas goelas dos incautos. 

quinta-feira, julho 11, 2024

ucraniana CCLV - ainda a "NATO"

Biden coloca a coleira a
Stoltenberg,
e leva-o a passear
Ouvir, ver, ler comentadores como Diana Soller e Isidro Morais Pereira e tantos outros, é particularmente penoso. Ao contrário de Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias,  Tiago André Lopes e alguns mais aqueles não explicam nem contextualizam, antes justificam. 
O mote é assestar baterias à China?; industrie-se os incréus e os néscios:  

"Já todos percebemos que a Rússia depende da China para manter a guerra. A China torna-se inimigo indireto do Ocidente", diz Soller; "A China tem servido de interposto para fornecer componentes de fabrico na Rússia" - e a prova disso foi o ataque ao hospital pediátrico em Kiev", sustenta Isidro. Não vi, nem ouvi, bastou-me ler as gordas. A questão não está em saber do grau de envolvimento da China; qualquer um com dois dedos de testa chega lá.  Estarem ali eles ou os pivôs da Praça da Alegria ou da Roda da Sorte, acaba por não fazer diferença.

Em tempo: visto e ouvido há pouco Agostinho Costa e circunstantes. Jesus.

domingo, fevereiro 25, 2024

ucraniana CCXXV - a derrota do jornalismo, da cidadania e da liberdade: dois anos de incompetência e miséria moral

Uma regra básica do jornalismo é a de ouvir ambas as partes em qualquer situação. E nem me refiro às versões dos dirigentes, que essas passam sempre de um modo ou de outro, mas as pessoas, os lados, e já agora também as opiniões.

Para além das doses maciças de propaganda a que somos sujeitos, algo nunca visto desde a Guerra Fria, para além da censura objectiva, como o do acesso aos canais russos (de propaganda, segundo a Comissão Europeia), não me lembro de ter assistido a um atropelamento tão grosseiro da liberdade de informar e do direito a ser informado.

Exemplo: enquanto que o sofrimento da população ucraniana é mostrado (e bem), o sofrimento dos russos do Donbass -- aqueles que o Bloco de Esquerda e o Livre esquecem quando dizem defender o direito à autodeterminação dos povos -- é praticamente silenciado, até porque ali não devem ter escolas, nem parques infantis, nem crianças (as tais que foram deportadas para a Rússia...).

Não é crível que, nomeadamente nas televisões e nas rádios, não haja jornalistas com deontologia. Claro que há; mas ou vão por sua conta, como Bruno Amaral de Carvalho (com o bónus de serem insultados por colegas de profissão), ou então é claro que não temos notícias do outro lado. (Honra seja feita à CNN-Portugal, creio que o único órgão de imprensa que transmitiu as suas reportagens).

Este atentado grosseiro à cidadania e à liberdade de informar e ser informado, é tragado por nós com a facilidade com que se bebe um copo de água.

Para além do básico, que é a ausência, ocultação e manipulação da informação, e do condicionamento dos cidadãos como se fossem atrasados mentais, temos o afastamento, silenciamento -- sem esquecer as múltiplas pressões e suspeições -- levantadas sobre quem tem uma perspectiva não alinhada (salvo, outra vez, a CNN-Portugal, apesar das doses maciças de propaganda da casa-mãe que despeja, e da impreparação de muitos dos pivôs). A RTP, televisão pública, é claramente insatisfatória, e é vergonhoso não ter ainda enviado um repórter para o Donbass, talvez porque o patrão não deixe. Tenho muitas vezes criticado José Eduardo Moniz, mas comparado com a nódoa do congénere da RTP, que nem sei quem é, fez mais aquele pela cidadania e pela liberdade, numa estação privada do que a televisão pública.

Poderia falar de outros casos grosseiros de manipulação e condicionamento, como o da Rádio Observador, para quem já nem serve o coronel Mendes Dias, assumido defensor de uma vitória do Ocidente, mas analista honesto, para não falar do major-general Carlos Branco, que rapidamente deixou de ser convidado para comentar. Para eles, militares só os majores-generais Isidro e Arnaut e civis do jaez do catedrático de circo cardinali que por lá têm. 

Claro que por muita censura da Comissão Europeia e manipulação merdiática, hoje podemos sempre aceder à informação que queremos, sem termos de estar exclusivamente sujeitos às declarações patetas dos nossos governantes e escapando à informação unilateral que procura impedir-nos de formarmos o nosso juízo.

Haver uma estação pública de televisão e rádio que, numa guerra desta magnitude e consequências, se abstém do dever de informar com equilíbrio e isenção, ouvindo e reportando o que sucede nos dois lados, é o grau zero do jornalismo, um atentado à cidadania, um crime contra a liberdade.   

quinta-feira, janeiro 18, 2024

comentário a um comentário

(Posso fazê-lo, pois ao contrário de Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias, Marcos Farias Ferreira, Tiago André Lopes e mais alguns que merecem ser ouvidos com atenção, não sou analista de nada, apenas um europeu com medo que o céu lhe esteja prestes a cair sobre a cabeça).   

Já se sabia que Daniel Oliveira não gostava do Putin, paladino profano que é da cruzada lgbt, cruzada à qual o lóbi -- para amalgamar, e com isso se tornar a importante causa mais palatável -- arrebanha as mulheres e as pessoas "racializadas" (palavra horrível), como se toda a calça desse para cada cu. Obviamente detestam o Putin porque, entre outras coisas, certamente menores, ele teve a desfaçatez de impedir que as questões momentosas da identidade/disforia de género fossem ministradas às criancinhas de todas as idades. O mesmo se passou com o Orbán na Hungria, o que levou o Expresso a envergar um lutuoso fumo das cores arco-íris (pobres duendes dos potes de ouro...). Só isso explica que Oliveira equipare Netanyahu a Putin, como [dois] "dos maiores perigos para a segurança internacional"... Netanyahu e Putin, parecidíssimos, como se sabe; e vindo dali eu esperaria (não sei bem porquê, se não leio o Expresso e raramente passo pela sic) alguma assertividade em relação ao papel dos Estados Unidos na situação internacional. Mas vejo que não está para aí virado -- aliás, a última frase é deveras significativa. Eis aí alguém na boa companhia dos germanos, isidros e outras dianas. Ainda hei-de ouvi-lo falar na luta das democracias liberais contra as autocracias (não estás perdoado, Lula!) e na defesa dos nossos valores, em parelha com úrsulas e sub-borréis.

sexta-feira, janeiro 12, 2024

se alguém é suficientemente crédulo para acreditar que o Putin vai atacar um país da Nato, agora ou nas próximas gerações, quando ele for já um fantasma, que ponha o dedo no ar -- ou António Costa a comendador (ucranianas CCXX)

1. Agora que a Guerra no Médio Oriente parece estar a escalar e quando quase todos pareciam esquecer-se da Ucrânia, fui alertado pelo comentário do major-general Carlos Branco para a facilidade com que alguns interveniente no espaço público falam sobre a possibilidade de uma guerra da Nato contra a Rússia. 

Bem, ela está aí: os ucranianos já foram sacrificados por dirigentes crédulos e/ou comprados pelos Estados Unidos e agora estão na situação maravilhosa que estamos a ver. Como o Putin nunca mais morre ou é apeado (achando certamente essas luminárias que seria substituído por um factótum ao serviço do Pentágono).

2. O que realmente me enoja, e o que sempre me enojou nesta guerra, são os vigaristas e incompetentes do comentariado. A conversa agora é de não deixar a Ucrânia de mãos a abanar, acenando, muito americana e pentagònicamente, com a ameaça de que o Putin não vai ficar por ali. O último que ouvi, em análise de fiel-de-armazém, um certo tenente-general Marco Serronha, a quem dificilmente voltarei a escutar, terminou a intervenção, uma noite destas, dizendo explicitamente que a Rússia não iria parar naquele apetecido território que um belo dia os americanos e vassalos acharam que poderiam controlar.

Consciente ou inconscientemente o que este comentador está a fazer é a juntar-se ao coro dos que preparam as opiniões-públicas europeias para uma espécie de inevitabilidade de uma guerra com a Rússia. Não estou a ver como isso poderá acontecer e gostaria que avançassem com argumentos minimamente sofisticados. Então acham mesmo que a Rússia vai arriscar uma guerra com a nato sem ser atacada por tropas nato? Com armas nato já ela está a sê-lo, diga-se. Mas parece que ainda não chegou, querem mais armas (mais dinheiro para o complexo militar-industrial norte-americano) mais mortos, mais destruição do país, para este lindo resultado com que os ucranianos foram enganados -- como fomos nós todos, povos europeus, pelo patifes sem escrúpulos do costume e pelos idiotas inúteis que os assistem, no governos e nos mérdia.

3. Este agitar de espantalhos que fazem das pessoas estúpidas é velho e até tem funcionado vezes sem conta (o que não sucedeu com o Iraque, recordemos, pois ninguém engoliu as mentirolas da administração americana da época). Já só falta o passo seguinte, uma vez que os ucranianos com aptidão para combater são cada vez menos e já vamos nos velhos e nas crianças: a Europa e os USA porem boots on the ground, em estrangeiro soa melhor -- ou então, como diz o patusco e informado Mendes Dias: pôr a nossa gente a "jorrar sangue" pela "Ucrânia". Aí é que eu gostava de ouvir o saudoso António Costa dizer outra vez que "temos primeiro de derrotar a Rússia" (já nem falo em Marcelo, que Deus tem, e o seu penduricalho da liberdade, imposto às escondidas ao Zelensky)

sexta-feira, outubro 20, 2023

não percebo se Biden é só estúpido ou acumula com a patifaria (ucranianas CCXVIII)

1. Agora é que está mesmo bom para o complexo militar-industrial norte-americano. Bora lá então para uma guerra generalizada. Isto, porque os Estados Unidos quiseram neutralizar a Rússia antes de se atirarem à China. O plano gizado para a harpia Clinton tem a sua efectivação com este senil.

2. Biden, o velho destroço arranjado pelo referido complexo militar-industrial, a arengar à carneirada.

3. Costumo apanhar o major-general Arnaut Moreira, com aquela sua pinta de entertainer, em várias, digamos, incongruências. Hoje de manhã na rádio Observador -- cujos comentadores da guerra são cuidadosamente escolhidos (já nem o coronel Mendes Dias lhes serve, apoiante declarado da estratégia Nato, mas sério na análise) -- (hoje de manhã) uma explicação geo-política para o antagonismo do Irão relativamente a Israel: segundo o militar, o estado judaico é a única entidade que pode obstar à supremacia iraniana na região, dado o poder militar de que dispõe. É extraordinário que este comentador se esqueça, numa análise semanal, certamente preparada com muita cabeça e não à cabeçada, como por vezes parece, que a maior força militar da região é a Turquia... Um pormenor que lhe estragaria a argumentação. 

quarta-feira, outubro 04, 2023

é sempre reconfortante ler Carlos Matos Gomes (ucranianas CCXVI)

Mão amiga fez-me chegar este post de Carlos Vale Ferraz -- que é também o escritor Carlos Matos Gomes --, autor de Nó Cego, um dos grandes romances portugueses do século passado.

Falece-me já a paciência de estar constantemente a denunciar a enxurrada de vigarice mediática e académica a propósito da guerra; prefiro assinalar quem é competente, isento, lúcido e honesto. Há uma meia dúzia no espaço público: entre os militares, repito-me, Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias e pouco mais; entre os académicos, retenho dois nomes (entre pouquíssimos) Marcos Farias Ferreira e Tiago André Lopes; dentre os publicistas portugueses que têm escapado à indigência, contam-se, de forma destacadíssima, Viriato Soromenho Marques, Miguel Sousa Tavares e Carlos Matos Gomes. Não são os únicos, felizmente. Vale a pena lê-los e ouvi-los, sem perdermos tempo com bonecos.

quinta-feira, setembro 07, 2023

o crime de guerra num mercado de Donetsk, uma história com barbas (ucranianas CCIX)

 Mais depressa apostaria as minhas fichas na autoria ucraniana do que na russa, no ataque ao mercado. Parece, aliás, que não haveria por ali qualquer objectivo militar, daqueles que os russos atacam, causando danos colaterais em edifícios à volta. Ainda há semanas, em Lviv, a destruição de um edifício de uma academia das forças armadas (com oficiais dentro) pelos russos foi ocultado (compreende-se) pela Ucrânia, noticiando a imprensa bovina que os russos haviam atacado um edifício de habitação, ouvi dizer no carro a um papagaio da Antena 1 ou da TSF, já não me lembro. Sucede que, como depois se soube, esse prédio estava ao lado do edifício das forças armadas que fora destruído, e era uma vez a cobertura. O que já não convém noticiar.

Portanto, quanto a informação, o costume (agora até deram um prémio ao Sérgio Furtado, que andou a entrevistar prisioneiros de guerra russos, guardados por ucranianos -- quem se lembra da entrevista a Xanana Gusmão numa prisão indonésia?...)

 Quanto ao ataque desta quarta-feira ao mercado, dos militares de confiança que escuto, ainda só ouvi o coronel Mendes Dias, que admite terem sido os russos, como admite não terem sido os russos, chamando a atenção como se deve fazer, sempre: a quem aproveita o ataque? Aos russos, que têm a situação militar controlada e estão a fazer um arremedo de eleições no território; ou aos ucranianos, cuja ofensiva tem sido um fiasco, precisando de distrair as atenções?... E já nem falo dum possível aproveitamento da visita do Blinken; aí só se for para sugestionar o mercado americano, talvez.

Uma nota, a propósito de americanos: a Nato já se solidarizou com a Roménia pelo drone que não caiu no seu território. Não é maravilhoso?

As barbas: parece retorcida, a possibilidade de os ucranianos bombardearem um mercado do seu lado, mas não é. Como diria Deuladeu Martins, o engano é uma grande arma de guerra. Ou já se esqueceram do mercado de Sarajevo?...  

quinta-feira, agosto 10, 2023

guerra da Ucrània: neo-realistas e Escola de Cavez (ucranianas CCII)

 Há a escola neo-realista (curioso nome), de que se reivindica Carlos Branco. Suponho que os comentários de Agostinho Costa, Mendes Dias, Raul Cunha poderáo com nuances ser ali encaixados. Nao sendo especialista, vejo neste comentário de Godfrey Bloom, ou nas abordagens de Douglas McGregor ou, mais parciais e entusiasmado com o lado russo, Scott Ritter, esse tipo de análise que nºao embarca em mentiras e fantasias.

Há depois a Escola de Cavez, onde bebem todas as lívias e raquéis, todos os gaspares e armandos das relaçoes internacionais (sempre com as honrosas excepçoes); e que é também a que formata, permeia e impregna o Governo, do ministro Cravinho ao pm Costa, sem esquecer o Presidente Marcelo -- que tarda a levar o Penduricalho da Liberdade a Kiev --, o que nºao devemos levar a mal, uma vez que ele é mais constitucionalismo e táctica; geopolítica e estratégia residem noutro departamento.

terça-feira, outubro 11, 2022

alvos civis & crimes de guerra, tudo serve para manter a manada em estado bovino (ucranianas CXXXIII)

Ouvi ontem dois militares credíveis, o coronel Mendes Dias, primeiro, e depois o major-general Carlos Branco, dizerem que a Rússia enviara duzentos ou mais projécteis para a Ucrânia (e não os cerca de oitenta anunciados). A Ucrânia informou ter abatido cerca de quarenta, pelo que restam à volta de cento e sessenta. Se as informações ucranianas estão certas -- embora não sendo de fiar --, morreram dezanove pessoas, está-se mesmo a ver a lengalenga para enganar os incautos e conduzir a manada à aceitação acrítica das consequências da guerra que eles próprios fomentam. 

Cento e sessenta mísseis e dezanove mortos? Ou os ucranianos têm o guarda-chuva de Nosso Senhor, porque caíram no caldeirão de água-benta em pequeninos (embora o patriarca de Moscovo reze pelos seus), ou os russos visam mesmo alvos legítimos, estando nós diante de mais uma trafulhice em que esta guerra é fértil, com a passividade batráquia da generalidade dos líderes europeus, impotentes para lidar com a pressão americana, e os peões de brega do Pentágono na Europa -- do aborto do n.º 10 à tríade da UE, já para não falar de uma boa parte do comentariado, do Serafim Saudade às descabeladas que andam desde Fevereiro a dizer que "já estamos em guerra", insuportáveis tontas. 

O título ontem de manhã, no inserçor da inefável sic notícias era mais ou menos assim: Rússia bombardeia um parque infantil; claro que como a caricatura era demasiada, até para aqueles toscos, a voz off lá dizia estar o espaço de lazer (pelas imagens, parece tratar-se de um parque urbano com um equipamento para crianças) na área onde se situam os serviços secretos ucranianos. Ao lado, na tvi/cnn, sempre se dizia que um dos ataques fora feito nas imediações do tal parque. 

Os pobres pivôs caem que nem patos, e têm de ouvir os militares, com contida ironia, dizer que nenhum país, se outras razões não houvesse, desperdiça um míssil que custa largos milhares a atacar parques infantis ou centros comerciais; e que para intimidação basta senti-los passar por cima das cabeças, não é preciso estragar o baloiço do parque ao lado. Claro que o perito lá tem de explicar que por acção bem sucedida de uma antiaérea, os destroços do míssil entretanto neutralizado vão cair onde calha.

Em tempo: acabo de ler que outro clown, o Stoltenberg:"Se Putin ganhar ficamos todos em perigo". Só faltou  um Eia! para a manada. O perfunctório norueguês que o vá dizer aos iraquianos que há vinte anos foram abençoados pelas descargas da verdadeira democracy, com o incentivo do senil que está agora em Washington, mas que há duas décadas era só um poltrão.


segunda-feira, setembro 12, 2022

aconselho um pouco de calma (ucranianas CXXIII)

 Nota prévia: sou ignorante em muitas matérias, uma das quais a que concerne à táctica militar. A opinião que se segue estriba-se no que ouvi entre sábado à noite e hoje de manhã a três militares -- Mendes Dias, Arnaut Moreira e Isidro Morais Pereira --, todos partidários de uma derrota russa, embora, quanto a mim, apenas o primeiro se mostrasse objectivo e isento.

A contra-ofensiva ucraniana parece ser um facto, tal como os russos parecem ter sido surpreendidos, pelo que, a acreditar nas imagens vindas a público, estaremos entre a fuga, pela surpresa do ímpeto atacante e a retirada táctica, para reagrupamento e contra-ataque.

Não sei se o que fez a diferença foi o tal armamento ocidental; pelo que tenho ouvido, não terá sido decisivo, como desde o início sucede, o auxílio da Nato nas informações prestadas -- além, obviamente do ímpeto de quem defende o país, de onde deveremos retirar o Donbass, de maioria russa e em guerra desde 2014 (o que serve para os ucranianos serve também para os russos), para não falar na Crimeia, russa até à medula, reposta que foi a normalidade, corrigindo-se a parvoíce etilizada do camarada Krushtchev,

Passando da táctica para a estratégia, só podemos arriscar prognósticos, pois ninguém ainda sabe como isto vai acabar e se o bom senso irá prevalecer em ambos os lados:

A Rússia sairá sempre vitoriosa, embora parcialmente, se mantiver Donetsk e Lugansk -- a Crimeia é um dado mais do que adquirido --, além da interdição permanente da pertença da Ucrânia à Nato (quanto à UE, vamos ver); será derrotada se algum destes pressupostos não se verificarem -- para além da derrota objectiva que significa a adesão da Finlândia e da Suécia; no entanto estas não têm, nem de perto nem de longe a importância, desde logo simbólica que a Ucrânia tem para a Rússia.

Mas pode ser que o bom senso não impere, que o Pentágono -- a entidade que está a dar guerra aos russos utilizando a mão-de-obra ucraniana -- ache que pode alcançar um pouco mais e contribuir para a queda de Putin, o grande objectivo, uma jogada muito arriscada. Nesta altura, como mencionou Mendes Dias, há na Rússia mais radicais que o Putin no que respeita à Ucrânia e à guerra surda -- e agora sou eu que digo -- que os Estados Unidos lhe movem, com a cumplicidade perversa ou a subserviência enconada europeias, conforme os casos. Os próximos tempos dirão o que irá prevalecer, tudo depende da habitual ponderação dos interesses em jogo de cada parte.   

Quanto à situação no terreno, aconselho calma e algumas orações concernentes à resposta russa. Demasiado importante, Kiev tem sido poupada, e esperemos que assim continue.

   

segunda-feira, maio 23, 2022

a experiência dos mèrdia (ucranianas XCVIII)

1. Quem já não sabe de cor as "notícias" atiradas pela imprensa, nomeadamente as televisões, a propósito da guerra na Ucrânia? 

Como se fôssemos todos muito analfabetos, carinhas larocas que fazem o lugar de pivôs das estações lançam para uma audiência que supõem igualmente burra e iletrada: "fontes ucranianas avançam que foram destruídos x tanques russos (sempre uma data deles) e mortos não sei quantos soldados". Mas esta nem é a melhor: é particularmente delicioso ouvir coisas como esta: "Segundo o Ministério da Defesa Britânico, o exército russo (...)" (segue-se uma tragédia qualquer). 

2. Entretanto, os negregados militares -- os honestos ou competentes, independentemente  da avaliação que façam -- dizem claramente: a Ucrânia está a perder -- como sucedeu ontem com o coronel Mendes Dias, que assume a sua posição pró-Nato com honestidade, sem deixar de dizer as coisas como elas se lhe afiguram no momento.

Os militares voltam, por isso, na generalidade, e apesar de muto pressionados pela onda propagandística pró-Pentágono, a marcar a diferença ao contrário de uma grande parte dos comentadores e dos jornalistas. 

Já agora, insuspeitos de putinismo, tenho ouvido com agrado Miguel Szymanski (jornalista) e Tiago Ferreira Lopes (especialista em relações internacionais). Ter uma opinião, sem escondê-la dos leitores/espectadores não é incompatível com uma análise honesta.

3. Entretanto, passo pelo café, sintonizado na mtv, uma das muitas dejecções vindas da pátria da democracy, cujas redes transformam em cloacas os domicílios de quem  sintoniza. Certamente partícipe no esforço humanitário projectado por esta galáxia comunicacional, um exibia-se espectáculo ao vivo e em dialecto duma Natalia Przbzbzybzbz, para que fiquemos todos imbuídos do espírito.

4. Claro que dizer que a Ucrânia nunca quis cumprir os Acordos de Minsk ou que preparava, com conveniente assessoria nato, um ataque de Kiev ao Donbass separatista, é coisa que tem de ser dita por um destes majores-generais a quem a vigarice repugna. Mas isso também só existe graças à imprensa livre, que é uma das poucas coisas boas que nos vem de lá. Imagine-se o que seria só termos acesso aos comentários de Raquel Vaz Pinto (ouvir para acreditar) ou do Serafim Saudade da sic?

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quinta-feira, março 31, 2022

sobre a guerra, os que oiço ou leio com atenção (ucranianas LVI)

 Susceptível de actualização ou correcção, os comentadores que vale a pena ouvir -- mesmo alguns mais alinhados com a Nato, ou mais anti-russos -- porque informados -- e inteligentemente prudentes:

militares: Agostinho Costa, Arnaut Moreira, Carlos Branco, Mendes Dias, Raul Cunha.

académicos: Filipe Vasconcelos Romão, Miguel Monjardino, Sónia Sénica.

jornalistas: Ana de Freitas (pivô incomparável da SIC); José Manuel Rosendo (RTP).

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