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quarta-feira, julho 28, 2021

assim 4 notinhas a propósito de Otelo e otelistas

1. Não estou a ver como o mesmo país que vilipendiou Salgueiro Maia enquanto recompensava pides, e deixou ir descansado Melo Antunes, iria pôr-se de luto nacional por Otelo. O que a uns falta em vergonha na cara, a outros falece em noção.

2.  E depois, há o problema das FP25. Dirigiu ou não aquele bando de tontinhos? Ele dizia que não, mas foi condenado pelos tribunais. Eu sei que um país que não é sério os tribunais também não são para ter em conta. Mas sempre se pode fingir. A tal gravitas... Se o Estado o condenou por terrorismo, bem ou mal, como o luto nacional?...

3. A ligação pelo menos moral de Otelo a um grupo armado parece não oferecer grande dúvidas. Este grupo de patetas armados fez vítimas, em nome de coisas baris. Ligações à ETA e ao IRA, diz-se. Não estou a ver a conexão. Estes têm a sua legitimidade, goste-se mais ou menos. As FP25 tinham onde, a puta da legitimidade? Só mesmo naquelas cabecinhas. Isto para dizer que um dia de luto nacional por Otelo -- enquanto ele não for ilibado -- seria um pano encharcado do Estado atirado à cara das famílias das vítimas daqueles gandas revolucionários. Quem não percebe isto é imbecil ou patife. Ou ainda -- atendendo a pessoas respeitáveis que o defendem --  que estão a celebrar uma fantasia. E para fantasias, não tenho paciência.

4.  Poderia caricaturar-me e dizer que nada a obstar ao luto nacional pela morte do autor de Alvorada em Abril (1977), que Pacheco Pereira diz que é o melhor livro escrito sobre o 25 de Abril. Se é o melhor, não sei; que é um livro esplêndido e pelo qual o seu autor está ainda mais na História, não tenho qualquer dúvida. Se daqui a 500 anos um historiador se debruçar sobre Portugal neste período, e pela revolução que encerrou um ciclo na vida do país, tal como sucedera com a de 1820, sem quaisquer outras que se lhe possam comparar, terá obrigatoriamente de ler o seu livro.

segunda-feira, setembro 09, 2013

Cesário Évora & Frank Marluce

Eu sei que no melhor pano cai a nódoa; e também sei que o jornalismo é feito sempre a correr. Mas, que diabo!, não podia o Expresso ter uma revisão mais cuidada e esclarecida? É que na última Revista, a propósito da (inevitavelmente) discutível lista dos "100 Portugueses -- Figuras que moldaram o século XX", no texto sobre Carlos Paredes, citando-se o poeta de Lisboa, Cesário Verde aparece como "Cesário Évora"; e na evocação de Melo Antunes, Frank Carlucci, embaixador americano durante o PREC, ganha o inusitado apelido "Marluce". Não sei se José Pedro Castanheira -- de resto, um dos melhores jornalistas portugueses -- estaria a estranhar que na segunda divisão dessa lista de 100 portugueses notáveis surgisse, como surgiu (e isto nada tem que ver com o caso Casa Pia), o nome de Carlos Cruz... 

quarta-feira, janeiro 23, 2013

lista

Melo Antunes -- Uma Biografia Política, de Maria Inácia Rezola (Âncora Editora). Figura central do 25 de Abril e também do 25 de Novembro. Mal amado à esquerda, pela independência e moderação, a direita ajustou contas quando pôs a cabecinha de fora.
A Grande Fome de Mao, de Frank Dikötter (Dom Quixote). Mais uma catástrofe do comunismo. Era cool ser-se maoísta, não era?
Acta Est Fabula -- Memórias I -- Lourenço Marques (Opera Omnia). Um grande cronista e ensaísta, um dos meus escritores preferidos, pela lucidez, pela coragem, pelo estilo. Conheço-o e gosto.