Mostrar mensagens com a etiqueta Marwan Barghouti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marwan Barghouti. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 09, 2025

cessar-fogo em Gaza, quem diria?...

Sem embandeirar em arco, a emoção é grande com o aproximar do termo desta carnificina.

A pressão sobre as partes foi certamente gigantesca, dos Estados Unidos, que são quem realmente manda em Israel, sobre Netanyahu; do mundo árabe e islâmico, não apenas os mediadores Qatar, Egipto e agora a Turquia (aliada do Hamas), sem falar da posição do Irão de apoio à proposta de acordo, nesta terça-feira. Ou seja: o início do diálogo estava assente -- o que não é pequena coisa.

A Cisjordânia e os colonatos ilegais é o caso mais bicudo -- penso nos judeus extremistas e nas ocorrências do passado; depende também muito da parte sã (laica) de Israel e do continuar da forte pressão sobre o Likud (os partidos religiosos são irrecicláveis e têm de ser controlados, pelo menos).

A situação de Marwan Barghouti, preso há 23 anos e que os radicais israelitas não querem libertar -- e todos sabemos porquê -- também ditará boa parte do caminho que agora poderá começar.

Sim, de facto não havia alternativa. Quem diria?... 

segunda-feira, outubro 07, 2024

um ano depois do 7 de Outubro

A questão israelo-palestina foi um problema criado pela má consciência do Ocidente -- desde a primeira perseguição aos judeus, em Inglaterra, no Século XII, quando Ricardo Coração-de-Leão pretendeu sacar dinheiro fácil para financiar a sua Cruzada, até ao Holocausto da Alemanha de Hitler e seus nazis. Pelo meio histórias de horror, com a expulsão em Espanha e depois em Portugal (Século XV -- D. Manuel I a ceder contrariado aos fanáticos Reis Católicos, em troca da mão da filha), passando pela prática dos pogroms, na Rússia, na Ucrânia, na Polónia. A decência da tolerância, nesses séculos passados, só morava nas antigas Províncias Unidas (os Países Baixos) e entre os turcos do Império Otomano. ao compreensível sionismo do Século XIX, a Inglaterra, a maior potência da época, responde com a Declaração Balfour (1917). Como acontecera décadas antes na Conferência de Berlim (1884-85), as potências imperiais traçaram fronteiras sem que a existência dos indígenas lhe passasse pela cabeça. Era o apogeu do Euromundo e da sua "missão civilizadora", como paternalisticamente se designava o domínio colonial. 

Israel está hoje numa posição muito mais débil que há um ano, por causa de lideranças de oportunistas políticos -- Netanyahú, também cada vez mais extremista -- e dos fanáticos nacionalistas e religiosos que o sustentam. A legitimidade da sua existência enquanto estado independente está politicamente posta em causa, quando a um massacre nefando reage com a brutalidade bíblica que se sabe. Eu, que tanto admirei o estado de Israel, deixei de ter ânimo para defender o indefensável -- um estado liderado por bandidos, teocratas e dementes perigosos.

Mas os palestinos estão também mais enfraquecidos, sem liderança credível, entre outros fanáticos religiosos e os restos da OLP / Fatah, comprada pelo Ocidente. A Palestina precisava de um Gandhi ou de um Mandela. talvez precise mesmo de um Barghouti, há 22 anos nos cárceres israelitas. 

Fui ler a minha primeira reacção, a quente. Confirmo tudo, e ainda mais.


terça-feira, junho 25, 2024

Assange -- e também os outros

1. O poder dos estados não hesita em massacrar o indivíduo. Após a denúncia da WikiLeaks, que revelou, entre outras coisas, os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Afeganistão, ou que espiavam os próprios aliados (quem não se lembra do embaraço de Obama com Merkel?), o poder não ficou parado. Comprou magistrados na Suécia, engendrando um muitíssimo mal amanhado caso de "violação" num ménage à trois; e contou com a subserviência da Inglaterra e da própria Austrália, o país de Assange...

2. Só a força conjugada da opinião pública mundial com a imprensa livre pode enfrentar o poder e forçá-lo a ceder. A fórmula arranjada serve para tentar minimamente salvar a face dos Estados Unidos, que não obstante tem a seu crédito a infâmia de Assange ter estado doze anos arrecadado, primeiro na embaixada do Equador em Londres e numa prisão de alta segurança nos últimos cinco anos.

Assange não é o único. Edward Snowden, um patriota americano que revelou aos concidadãos que eram vigiados pelo próprio governo -- a quem Putin, num gesto de grande dignidade concedeu a cidadania russa por ocasião da invasão da Ucrânia -- está exilado. Mas há pior, e não nos podemos esquecer deles: Abdullah Öcalan, patriota curdo, antigo líder do PKK, preso desde 1999 na Turquia; Marwan Barghouti, palestino da Fatah, nas prisões israelitas; Ales Bialiatski, professor de Literatura e defensor dos direitos da cidadania bielorrussa; e a maravilhosa e heróica Narges Mohamaddi, coleccionadora de encarceramentos no regime clerical iraniano, por recusar-se a usar o chamado "véu islâmico" (por cá justificado pelo wokismo  idiota) -- os seja por recusar-se a ser uma pessoa de segunda classe na própria sociedade.  

terça-feira, outubro 17, 2023

subscrevo, mas falta o resto e sem branquear o Hamas, que não é o "estado islâmico", como pretende a propaganda do Netanyahu, mas está gafado do tifo religioso

 Mão amiga fez-me chegar este link para um abaixo assinado em defesa do povo palestino, que agora está a sofrer de inegáveis crimes de guerra (em vez das fabricações dos mérdia para locutor papaguear a propósito da guerra da Ucrânia) e perante o silêncio dos aldrabões do TPI (qualquer magistrado se desqualifica se pertencer àquela farsa).

O meu grande mas ao texto do abaixo-assinado, é que falha redondamente ao passar de forma ligeira pela morte de "todos os civis", sem uma palavra clara condenado o ataque a um kibbutz (não é um colonato, criaturas!...) e o criminoso rapto de civis, crianças, velhos, mulheres e até homens... 

A liderança palestina é também uma desgraça, desde a morte do Arafat. O que era preciso era um Gandhi, ou um Mandela, que aliás já existirá, nos calabouços de Israel desde 2002. Chama-se Marwan Barghouti, e é bem possível que a resolução do problema Israel-Palestina passe por ele. Sem esquecer a notável Hanan Ashrawi.

 Ao contrário do que querem alguns fanáticos e pensam os ingénuos úteis, isto não um Benfica-Sporting, apesar de quase todos insultarmos o árbitro.

Resumindo: todo o apoio ao povo palestino, denúncia radical dos crimes perpetrados pelo estado israelita, mas nunca, nunca desqualificar-se branqueando ou relativizando estes crimes do Hamas, e assegurar distância clara, inequívoca, higiénica e profilática do islamofascismo e da padralhada aiatólica. Foi com este tipo de condescendências que muitos se enodoaram fechando os olhos e justificando o totalitarismo que redundou nos kgb's, nas stasis (as pides, e que pides!, lá do sítio), no gulag e nos hospitais psiquiátricos. 

Sobre a questão já aqui escrevi por diversas vezes, para quem esteja interessado.    


"Condenamos a morte de civis, de todos os civis, vítimas dos ataques dos últimos dias. E recordamos que Israel incumpre o direito internacional ocupando, contra todas as resoluções das Nações Unidas, Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e os Montes Golã; desde 1948 desrespeita a Resolução 194 da Assembleia Geral da ONU que reconhece o direito ao retorno a todas/os as/os refugiadas/os palestinianas/os. Fá-lo com a conivência de todos os seus aliados, especialmente os ocidentais, e isto ao fim de 75 anos de opressão e discriminação que configuram, à luz das convenções internacionais, uma tentativa de genocídio do povo palestiniano. É neste quadro que vimos manifestar o nosso apoio à liberdade e ao direito de autodeterminação da Palestina e exigir do Governo português que cumpra o n.º 3 do art. 7º da Constituição da República (“Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão”) e faça cumprir o n.º 2 do art. 1.º da Carta das Nações Unidas (“Fomentar entre as nações relações de amizade baseadas no respeito pelo princípio da igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar as medidas adequadas para fortalecer a paz universal”) de que o Estado Português é subscritor, e se empenhe num processo que possa contribuir para o fim do regime de colonização, ocupação e apartheid em vigor na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e também em Israel, e para que seja garantido o direito de retorno aos cerca de 6 milhões de refugiadas/os palestinianos/as expulsas/os do território onde nasceram e viveram elas/ es e os seus antepassados.

À luz dos princípios do direito internacional e dos direitos humanos, é intolerável a reiterada normalização de atos que visam punir coletivamente toda a população palestiniana da Faixa de Gaza, que militares e colonos israelitas estão já a ampliar à Cisjordânia, a Jerusalém Oriental e às comunidades palestinianas que vivem dentro do Estado de Israel, perpetrando execuções sumárias que se vêm sucedendo. Não aceitamos esta visão colonial e racista, na qual apenas as vidas das/os israelitas importam, e em que as/os palestinianas/os são descritas/os como “animais” (Yoav Gallant, ministro da Defesa de Israel), pessoas sem nome, sem passado, sem direito a uma perspetiva de futuro em liberdade naquele que é o seu território ancestral. Em nome do “direito à defesa” de Israel, há muito que os seus aliados vêm impedindo que se sancione e castigue o Estado de Israel e os colonos pelas campanhas de assassinato indiscriminado de população civil, nas quais, segundo dados da ONU ( jan. 2008- set. 2023), por cada israelita morto são mortas/ os 21 palestinianas/os, isto é, as/os palestinianas/os representam 95% de todas as vítimas mortais. Nem os/as palestinianos/ as, nem ninguém, tem de justificar ou pedir que se reconheça a sua humanidade e, por isso, nos recusamos a subscrever uma narrativa em que a história que nos contam começa sempre que uma vida israelita é perdida, omitindo 75 anos de vidas palestinianas perdidas.

Há mais de um século que a Palestina e o povo palestiniano estão sujeitos a um domínio colonial que ainda não cessou e que o apoio ocidental a Israel só ajuda a prolongar e agravar. Com esse apoio, o Estado de Israel foi estabelecido em 1948 sobre a Nakba (“Catástrofe”), um processo (em curso) iniciado com expulsão e expropriação de mais de 750.000 palestinianas/os das suas casas, aldeias e cidades, a que se seguiram décadas de regime militar de exceção, de destruição de ecossistemas, de culturas ou de qualquer outro modo de subsistência, de empobrecimento, detenção e encarceramento sem acusação nem direito a defesa, de morte, tortura e incapacitação causadas pelos bombardeamentos, pelas incursões militares e pela carta branca reconhecida aos colonos para agirem como bem entenderem em qualquer parte do território. Quando se descreve os acontecimentos terríveis do dia 7 de outubro como “o pior trauma coletivo por que passou Israel”, perguntamo-nos porque se ocultam 75 anos de traumas coletivos que foram e continuam a ser impostos ao povo palestiniano. Não contem connosco para colaborar no assassinato da memória da tragédia palestiniana.

A meses de celebrarmos os 50 anos da revolução do 25 de Abril de 1974, expressamos a nossa solidariedade com quem, na Palestina e no mundo, defende o fim do labirinto de opressão, segregação, ódio e degradação humana que o Estado de Israel, com a conivência dos seus aliados, construiu com betão, aço e torniquetes. Ao “dobrar a aposta”, como está a suceder neste momento, com mais massacres e com o encurralamento e a humilhação diária a que se expõe milhões de palestinianas/os, Israel e os seus aliados estão a criar as condições para que dias de violência se repitam indefinidamente. Não aceitamos que o nosso Governo se solidarize em nosso nome com o que chama “o direito de Israel se defender”, confundindo-o com o direito que este se arroga a espezinhar e matar. Não se acuse de ambiguidade quem defende o direito do povo palestiniano à autodeterminação, enquanto se cala a condenação de 75 anos de violência colonial.

É por isto que nos solidarizamos com a luta de libertação da Palestina, e exigimos que se abra de uma vez por todas um caminho que vá além deste statu quo insuportável feito de opressão e hipocrisia. Sem descolonização, sem justiça e sem liberdade não existem caminhos para a paz! O caminho para a paz passa pelo respeito dos direitos do povo palestiniano, com a criação do Estado da Palestina, livre e independente, no cumprimento do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas.

Meio século depois da guerra colonial, a maior homenagem que podemos prestar aos homens e mulheres que dedicaram as suas vidas a lutar pela emancipação dos povos por todo o mundo não é considerar as suas ações como simples património moral, mas reivindicar hoje o que elas/es reivindicaram durante décadas: a liberdade e o direito à autodeterminação de todos os povos.

O caminho para a paz passa pelo respeito dos direitos do povo palestiniano, com a criação do Estado da Palestina, livre e independente"

sexta-feira, fevereiro 24, 2023

tenham vergonha e calem-se (ucranianas CLXVI)

Os russos -- ou, se quiserem, o poder russo até agora sufragado pela maioria dos cidadãos -- não querem os americanos a ladrar-lhes à porta (uso a sábia expressão do papa Francisco), russos que já lá têm uma quinta coluna, cuja face visível é um tipo da extrema-direita, provavelmente pago pela CIA, convertido em herói dos "nossos valores", chamado Navalny, 

Uma criatura destas é um herói da úrsulas, dos borréis, ou dum reles patife como o Boris Johnson.

Os valores das pessoas decentes não estão aqui, estão nos verdadeiros heróis (uma bisca para Marcelo): o curdo Abdullah Ocallan, há longos anos na cadeia; o palestino Marwan Barghouti, idem, o tibetano Tenzin Gyatso (o Dalai Lama), no exílio, sem esquecer o martirizado Julian Assange, ou o refugiado Edward Snowden.

Portanto, tenham vergonha e calem-se.

quarta-feira, outubro 14, 2015

se o governo de Angola não se dá ao respeito, não merece ser respeitado

Nunca alinhei naqueles ataques a Angola por causa da corrupção e assuntos afins. Por várias razões: em primeiro lugar, porque considero uma atitude neo-colonialista. Depois, sobre corrupção, não temos lições a dar a ninguém, muito menos a uma ex-colónia. Quinhentos anos de colonização são quinhentos anos de pilhagem e morte. Portanto, quanto a isso, muito cuidadinho e decoro.
Outra coisa são os direitos humanos! Aí não há países nem ingerências nem sensibilidades nem cerimónias. Por isso, quando um governo de qualquer país atenta contra a dignidade do ser humano, impedidndo-o de se manifestar e encarcerando-o, tem de estar sob forte pressão condenatória da comunidade internacional.
Assim, enquanto o governo e a justiça angolanas não se comportarem civilizadamente neste caso dos jovens detidos, entre os quais está o grevista da fome Luaty Beirão (estou-me nas tintas para a nacionalidade dele, dupla ou tripla), a denúncia do caso e execração da atitude do governo de Angola -- que tem de acabar rapidamente com esta farsa -- é um dever de todos os que têm a Liberdade de consciência e de expressão como valor absoluto e sagrado. 
E já agora, com Luaty Beirão, quero lembrar outros presos políticos: o palestiniano Marwan Barghouti, o curdo Abdullah Öcalan, o chinês Liu XiaoBo, o australiano Julian Assange e o norte-americano Edward Snowden.