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segunda-feira, novembro 18, 2024

Christian Godard (1932-2024), o autor de Martin Milan

Com a morte do parisiense Godard, um autor tão fino quanto colossal, desaparece um dos nomes históricos da banda-desenhada franco-belga. Se alguns dos seus trabalhos publicados entre nós -- Norbert e Kari, A Selva em Festa, O Vagabundo dos Limbos, aqui apenas como argumentista --, já fariam dele um autor relevante, é com o anti-herói Martin Milan, piloto de táxi-aéreo -- avioneta a que pôs o nome "Velho Pelicano" --, personagem melancólica, dura solitária e solidária, mas com uma ironia subtil, que serve ao autor para dar nota de uma inteligente veia humorística (Franquin, Goscinny, Morris), que Godard entra no panteão dos grandes criadores europeus dos quadradinhos (Hergé, Jacobs, Pratt, os atrás citados e ainda alguns mais). Porque Martin Milan será sempre uma das mais inesquecíveis personagens que a 9.ª arte nos deu.


Os obituários de Didier Pasamonik e F. Cleto e Pina, no JN.


terça-feira, setembro 17, 2024

carne para canhão

O pregador estrito, de salmo na boca e Bíblia na mão, é um dos tipos característicos do género western. Morris, por exemplo, dedicou-lhe um dos últimos álbuns de Lucky Luke, e o nosso Vítor Péon congeminou uma curiosa figura de reverendo-pistoleiro que não terá passado dos esboços. No álbum desta semana, um desses espécimes é a personagem secundária tóxica da narrativa – à frente de um bando de sicários – e também agent provocateur ao serviço de interesses não muito pios. Em 1861, o Kansas, estado recente, tornara-se palco da luta entre esclavagistas do Missouri, a leste, e antiescalavagistas do Nebraska, a norte, uma vez que as autoridade estaduais dispunham do poder de optar por um dos sistemas, graças a uma lei de 1854, apontada como uma das causas da Guerra da Secessão, prestes a deflagrar. Markham, assim se chama a criatura, levanta as populações em comícios acalorados contra os malditos esclavagistas, “que recusam o progresso industrial e as novas leis alfandegárias (…), necessárias à recuperação financeira do nosso grande país”; ao mesmo tempo que, obcecado pelo pecado, e em especial com as mulheres “adúlteras”, corre as cidades para fazer “justiça” com as próprias mãos, sendo o companheiro abatido e a mulher levada para o celeiro onde é chicoteada até à morte, O pregador deixa a sua assinatura no local: uma folha das Escrituras com a parábola da mulher adúltera, presa por um crucifixo invertido e encimada por uma conveniente bandeira da Confederação. Esta criatura temível está, porém, marcada pela perseguição, de que vai tendo suspeitas: um cavaleiro misterioso de quem nada se sabe, vai na sua peugada, pelo rasto de crime que deixa. Ninguém sabe de quem se trata e nós, leitores, também não. Algumas reminiscências partilhadas dizem-nos que ainda criança se viu órfão após o massacre dos pais – que aparecendo num relance não tinham aspecto de colonos, antes citadinos. Criado pelos índios, o xamã ensinou-lhe a tirar partido das propriedades das plantas que afastam os espíritos malignos e o protegem do dom congénito, benção ou maldição: a capacidade de ver o passado de quantos se cruzam no seu caminho.

Lonesome, de Yves Swolfs (Bruxelas, 1955), autor também da série Durango (1980), com um traço soberbo e dotes de fisionomista, engendrou uma personagem fragmentada, à procura de si própria, Ágil com as armas e arguto, se há coisa de que desconfia é do bicho-homem, sentimento aligeirado quando se depara com uma prostituta honrada ou um jornalista destemido. Jornalista em cuja boca Yves Swolfs pôs a amarga visão que tem do poder político-finaceiro, sempre por detrás das catástrofes, a Guerra da Secessão, mas que assenta que nem uma luva na que está em curso na Europa: “Falo-lhe de uma casta que nunca sofrerá as consequências da guerra devastadoras que nos prepara... mas da qual, pelo contrário, tirará o melhor partido!...” Ao contrário da carne para canhão, que geralmente nem sabe o que lhe está a acontecer.

Lonesome – 1. A Pista do Pregador

texto e desenhos: Yves Swolfs

cor: Julie Swolfs

edição: Gradiva, Lisboa, 2021

(Maio, 2022)






sexta-feira, março 22, 2024

quadrinhos


 

terça-feira, julho 11, 2023

o tempo da idiotia triunfante

Enquanto as notícias fazem por enganar os pategos, noticiando a conquista de uma horta pelas forças ucranianas na região de Bakhmut  (nada mal, os russos, que até tinham de fazer crowdfunding para comprar botas, para além de já terem gasto as munições ao "Ocidente Alargado") -- enquanto a propaganda faz de nós atrasados mentais, e o ministro da Administração Interna protesta junto da RTP por causa de um cartoon sobre os tumultos em França (ainda não foi demitido, o ministro?), ouço de manhã no carro que em municípios espanhóis que têm o Vox no governo, já houve mil e uma tropelias anti-LGBTQIA+ (que sigla....), incluindo a proibição de livros da Virginia Woolf, autora de tendência lesbiana, como diria o Diácono Remédios.

Aqui há gato, porém... A Virginia Woolf?... Se o eleitorado do Vox for parecido com o do Chega -- um vasto lumpen social e cultural, com uns pós de ressabiados do franquismo e do salazarismo (ámen), sabe lá o eleitorado dele quem ela foi, quanto mais tê-la lido. Mesmo se olharmos para o grupo parlamentar doméstico, acredito que três deles saibam de quem se trata, e apenas um -- Pacheco Amorim, que é ali o único tipo com piada -- a tenha lido.  A "notícia" parece pois suspeita.

Mas a idiotia tem largo espectro, indo da extrema-direita tosca à esquerda woke ignorante e activista, igualmente analfabeta. Não foi no Canadá que proibiram os álbuns do Lucky Luke do grande Morris (Maurice de Bévère), entre outros? Ou nos Estados Unidos, pátria do wokismo triunfante, que se quis reescrever o Huckleberry Finn, e que A Canção do Sul, um esplêndido filme de animação e imagem real, de 1946, está censurado há anos (tenho a cassete, e não empresto); no Reino Unido, reescrevendo a Enid Blyton, ou retirando pintura do século XIX das paredes de um museu, porque representavam ninfas; o Brasil, e os livros do Monteiro Lobato. Por cá também há disto.

Se a extrema-direita não lê, a não ser panfletos manhosos como se fossem missais, a esquerda woke e tonta (passe o pleonasmo) treslê. Quem se lembra do caso do alegado e caricato "racismo" do Eça de Queirós?

Os tempos não são interessantes, mas de idiotia triunfante.


quarta-feira, outubro 19, 2022

quadrinhos


 

terça-feira, junho 02, 2020

«Leitor de BD»

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Morris, La Mine d'Or de Dick Digger



sexta-feira, agosto 31, 2018

criador & criatura


Morris e Rantanplan


domingo, janeiro 01, 2017

criador & criatura(s)


Morris e Lucky Luke (e Jolly Jumper)

fonte

segunda-feira, setembro 18, 2006

segunda-feira, agosto 28, 2006














uma vinheta de Morris