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sexta-feira, janeiro 31, 2025

fortes e fracos na política internacional: a propósito da futura Gronelândia americana

Ou seja: queiram ou não os dinamarqueses, se os americanos consideraram que a Gronelândia é um território essencial, por razões assumidas (a questão estratégica) e oculta(da)s, as riquezas que encerra, a Dinamarca pode dizer-lhe adeus.

Há que dizer o seguinte:  Mette Frederiksen, p-m dinamarquesa tem carradas de razão quando diz que a Gronelândia pertence aos gronelandeses, cuja população é, em mais de 90% esquimó. São estes que têm a legitimidade: mas território contíguo ao continente americano, não lhes resta outra alternativa que não a de entregarem-se ao vizinho colossal. 

O mundo não é perfeito, e muito menos os seres humanos que o habitam. O Direito Internacional é civilização, tentativa dessa perfeição, uma camada fina que procura conter os expansionismos e oferecer garantias aos mais fracos -- porém, como a natureza humana não muda desde o o tempo das cavernas, o poder está sempre do lado dos mais fortes -- a não ser que nos chamemos Gandhi ou Mandela. Mas mesmo estes estavam longe de ser fracos; ao contrário, houve alturas em que apenas eles e poucos mais viam a força que detinham. Depois, foi aproveitar a conjuntura (II Guerra Mundial; fim da Guerra Fria), no que foram eficazes, e felizes.

Nem a Índia nem a África do Sul eram, contudo, um território vasto e rico habitado por cinquenta mil esquimós. Quando o interesse (e a cobiça) desperta no estado vizinho, militarmente o mais poderosos do mundo, o destino está traçado.

terça-feira, outubro 17, 2023

subscrevo, mas falta o resto e sem branquear o Hamas, que não é o "estado islâmico", como pretende a propaganda do Netanyahu, mas está gafado do tifo religioso

 Mão amiga fez-me chegar este link para um abaixo assinado em defesa do povo palestino, que agora está a sofrer de inegáveis crimes de guerra (em vez das fabricações dos mérdia para locutor papaguear a propósito da guerra da Ucrânia) e perante o silêncio dos aldrabões do TPI (qualquer magistrado se desqualifica se pertencer àquela farsa).

O meu grande mas ao texto do abaixo-assinado, é que falha redondamente ao passar de forma ligeira pela morte de "todos os civis", sem uma palavra clara condenado o ataque a um kibbutz (não é um colonato, criaturas!...) e o criminoso rapto de civis, crianças, velhos, mulheres e até homens... 

A liderança palestina é também uma desgraça, desde a morte do Arafat. O que era preciso era um Gandhi, ou um Mandela, que aliás já existirá, nos calabouços de Israel desde 2002. Chama-se Marwan Barghouti, e é bem possível que a resolução do problema Israel-Palestina passe por ele. Sem esquecer a notável Hanan Ashrawi.

 Ao contrário do que querem alguns fanáticos e pensam os ingénuos úteis, isto não um Benfica-Sporting, apesar de quase todos insultarmos o árbitro.

Resumindo: todo o apoio ao povo palestino, denúncia radical dos crimes perpetrados pelo estado israelita, mas nunca, nunca desqualificar-se branqueando ou relativizando estes crimes do Hamas, e assegurar distância clara, inequívoca, higiénica e profilática do islamofascismo e da padralhada aiatólica. Foi com este tipo de condescendências que muitos se enodoaram fechando os olhos e justificando o totalitarismo que redundou nos kgb's, nas stasis (as pides, e que pides!, lá do sítio), no gulag e nos hospitais psiquiátricos. 

Sobre a questão já aqui escrevi por diversas vezes, para quem esteja interessado.    


"Condenamos a morte de civis, de todos os civis, vítimas dos ataques dos últimos dias. E recordamos que Israel incumpre o direito internacional ocupando, contra todas as resoluções das Nações Unidas, Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e os Montes Golã; desde 1948 desrespeita a Resolução 194 da Assembleia Geral da ONU que reconhece o direito ao retorno a todas/os as/os refugiadas/os palestinianas/os. Fá-lo com a conivência de todos os seus aliados, especialmente os ocidentais, e isto ao fim de 75 anos de opressão e discriminação que configuram, à luz das convenções internacionais, uma tentativa de genocídio do povo palestiniano. É neste quadro que vimos manifestar o nosso apoio à liberdade e ao direito de autodeterminação da Palestina e exigir do Governo português que cumpra o n.º 3 do art. 7º da Constituição da República (“Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão”) e faça cumprir o n.º 2 do art. 1.º da Carta das Nações Unidas (“Fomentar entre as nações relações de amizade baseadas no respeito pelo princípio da igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar as medidas adequadas para fortalecer a paz universal”) de que o Estado Português é subscritor, e se empenhe num processo que possa contribuir para o fim do regime de colonização, ocupação e apartheid em vigor na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e também em Israel, e para que seja garantido o direito de retorno aos cerca de 6 milhões de refugiadas/os palestinianos/as expulsas/os do território onde nasceram e viveram elas/ es e os seus antepassados.

À luz dos princípios do direito internacional e dos direitos humanos, é intolerável a reiterada normalização de atos que visam punir coletivamente toda a população palestiniana da Faixa de Gaza, que militares e colonos israelitas estão já a ampliar à Cisjordânia, a Jerusalém Oriental e às comunidades palestinianas que vivem dentro do Estado de Israel, perpetrando execuções sumárias que se vêm sucedendo. Não aceitamos esta visão colonial e racista, na qual apenas as vidas das/os israelitas importam, e em que as/os palestinianas/os são descritas/os como “animais” (Yoav Gallant, ministro da Defesa de Israel), pessoas sem nome, sem passado, sem direito a uma perspetiva de futuro em liberdade naquele que é o seu território ancestral. Em nome do “direito à defesa” de Israel, há muito que os seus aliados vêm impedindo que se sancione e castigue o Estado de Israel e os colonos pelas campanhas de assassinato indiscriminado de população civil, nas quais, segundo dados da ONU ( jan. 2008- set. 2023), por cada israelita morto são mortas/ os 21 palestinianas/os, isto é, as/os palestinianas/os representam 95% de todas as vítimas mortais. Nem os/as palestinianos/ as, nem ninguém, tem de justificar ou pedir que se reconheça a sua humanidade e, por isso, nos recusamos a subscrever uma narrativa em que a história que nos contam começa sempre que uma vida israelita é perdida, omitindo 75 anos de vidas palestinianas perdidas.

Há mais de um século que a Palestina e o povo palestiniano estão sujeitos a um domínio colonial que ainda não cessou e que o apoio ocidental a Israel só ajuda a prolongar e agravar. Com esse apoio, o Estado de Israel foi estabelecido em 1948 sobre a Nakba (“Catástrofe”), um processo (em curso) iniciado com expulsão e expropriação de mais de 750.000 palestinianas/os das suas casas, aldeias e cidades, a que se seguiram décadas de regime militar de exceção, de destruição de ecossistemas, de culturas ou de qualquer outro modo de subsistência, de empobrecimento, detenção e encarceramento sem acusação nem direito a defesa, de morte, tortura e incapacitação causadas pelos bombardeamentos, pelas incursões militares e pela carta branca reconhecida aos colonos para agirem como bem entenderem em qualquer parte do território. Quando se descreve os acontecimentos terríveis do dia 7 de outubro como “o pior trauma coletivo por que passou Israel”, perguntamo-nos porque se ocultam 75 anos de traumas coletivos que foram e continuam a ser impostos ao povo palestiniano. Não contem connosco para colaborar no assassinato da memória da tragédia palestiniana.

A meses de celebrarmos os 50 anos da revolução do 25 de Abril de 1974, expressamos a nossa solidariedade com quem, na Palestina e no mundo, defende o fim do labirinto de opressão, segregação, ódio e degradação humana que o Estado de Israel, com a conivência dos seus aliados, construiu com betão, aço e torniquetes. Ao “dobrar a aposta”, como está a suceder neste momento, com mais massacres e com o encurralamento e a humilhação diária a que se expõe milhões de palestinianas/os, Israel e os seus aliados estão a criar as condições para que dias de violência se repitam indefinidamente. Não aceitamos que o nosso Governo se solidarize em nosso nome com o que chama “o direito de Israel se defender”, confundindo-o com o direito que este se arroga a espezinhar e matar. Não se acuse de ambiguidade quem defende o direito do povo palestiniano à autodeterminação, enquanto se cala a condenação de 75 anos de violência colonial.

É por isto que nos solidarizamos com a luta de libertação da Palestina, e exigimos que se abra de uma vez por todas um caminho que vá além deste statu quo insuportável feito de opressão e hipocrisia. Sem descolonização, sem justiça e sem liberdade não existem caminhos para a paz! O caminho para a paz passa pelo respeito dos direitos do povo palestiniano, com a criação do Estado da Palestina, livre e independente, no cumprimento do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas.

Meio século depois da guerra colonial, a maior homenagem que podemos prestar aos homens e mulheres que dedicaram as suas vidas a lutar pela emancipação dos povos por todo o mundo não é considerar as suas ações como simples património moral, mas reivindicar hoje o que elas/es reivindicaram durante décadas: a liberdade e o direito à autodeterminação de todos os povos.

O caminho para a paz passa pelo respeito dos direitos do povo palestiniano, com a criação do Estado da Palestina, livre e independente"

segunda-feira, outubro 14, 2019

Catalunha, aí vamos nós

A Espanha é governada por uns consabidos merdas. O PSOE obviamente não ousa a acção política, mesmo em defesa da unidade do estado espanhol noutros moldes, mais confederais, pois teme que aquela o afaste por muitos e bons do governo, ao contrário do PODEMOS, parece, se ainda não mudou de posição. Não é de espantar a sentença a pesadas penas de prisão emanadas pelo flato do supremo castelhano. Percebe-se que a vontade  de partir tudo fale mais alto, diante da indignidade, e não serei eu que irei condenar qualquer forma de luta que a sociedade catalã pretenda assumir, incluindo a armada, desde que os alvos sejam legítimos. (Não se pode ser a favor dos curdos e assobiar para o lado quando se trata da Catalunha.) Mas o mais inteligente é mesmo uma resistência firme mas não-violenta, à Gandhi, desde que a sociedade catalã esteja mobilizada para o sacrifício que tal acarreta. Nesta fase, visto de fora e à margem, parece-me ser a maneira mais eficaz de desmascarar a unidade espanhola, imposta pelo sangue. Quanto à UE, não se pode esperar grande coisa; parece que política comum só em relação ao Brexit. Talvez o Tribunal Europeu obrigue Madrid a ter vergonha na cara, o que iria abrir uma crise sem precedentes com a UE, mas a vida é feita de crises. Só espero que nenhum país se manche em relação aos exilados políticos catalães que acolhe.