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terça-feira, fevereiro 21, 2023

do jornalismo: elogio da Antena 1 e a pobrezinha RTP (ucranianas CLXIV)

Nos últimos tempos tenho ouvido pouca rádio, por isso só no outro dia me apercebi que a Antena 1 tinha dois repórteres na Guerra da Ucrânia, um em cada lado do conflito, e assim é que é, sendo possível. Nunca há verdades absolutas, e jornalismo é jornalismo, coisa que raramente acontece nos merdia.

Ao bom, exemplo da rádio pública, contrapõe-se a indigência da televisão pública, que não usa do mesmo critério. Que eu saiba, não há nenhum jornalista a cobrir o lado russo da guerra -- como sucedeu, pasme-se!, com a CNN Portugal --; pelo contrário, ontem fui servido ao jantar oura vez pela Cândida Pinto, com loas repetidas ao acto de coragem do Biden, que se deslocou a Kiev depois de dar pormenorizadamente aos russos os pormenores da deslocação; para a sobremesa estava-me guardada a Márcia Rodrigues, cuja subtileza de análise recaía na calma com que Biden andava em Kiev ao som das sirenes -- um belo momento televisivo para a pré-campanha eleitoral.

Isto seria de rir, não fora o misto de desfaçatez, incompetência, impreparação e vazio; e não fora ainda o insulto à inteligência dos telespectadores e o desrespeito ao serviço público.

A (nem de) propósito, este texto de Frederico Duarte de Carvalho, que me chega no Página Um.

terça-feira, maio 10, 2022

sai um memofante para o prof. Azeredo Lopes (ucranianas XCI)

Deu-me ontem para ver o Telejornal. Depois de assistir ao indigente comentário dialogado Márcia Rodrigues-José Rodrigues dos Santos (o ridículo não mata), cai-me no colo a Cândida Pinto. Escusado será dizer que me levantei logo, nauseado, e saí dali. No regresso, liguei para a cnn-Portugal, como de costume (quem diria....). 

Depois, chego aos agregadores de notícias, e dou com um texto do antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes, que mostra bem o quanto a universidade bateu no fundo. Condenar a invasão russa da Ucrânia com base no óbvio ululante de que o Direito Internacional foi violado, pode servir para o papagueamento comunicacional político-jornalístico, mas é inadmissível para um observador objectivo das relações internacionais, a não ser por parcialidade, que deveria ser assumida sem ambiguidade, em vez de se acobertar sob a capa da análise. Outro fosse o protagonista e seria só analfabetismo.

(parênteses: Eu cá sou parcialíssimo: em primeiro lugar sou anti-americano (primário, secundário e terciário -- anti-administração, repito-me); depois logo se vê. Entretanto, Tulsi Gabbard...)

Lopes esquecido: esquece-se de que a Rússia só aceitou a independência da Ucrânia depois da desnuclearização desta, que foi efectivada. Por alguma coisa seria. Achava-se então que a previsível (?) adesão da Ucrânia à Nato seria algo a que Putin, ou outro qualquer, aceitaria impávido, pois estava em causa o Direito Internacional?...  Claro que há sempre os vigaristas que dizem: "Nãããão... A Entrada na Nato não estava em cima da mesa...!" Não, pois não estava...

Ao menos podiam aprender alguma coisa com o Papa, e até com o antigo operário Lula. Que jornalistas superficiais vão na cantiga, é apenas triste; mas o espaço comunicacional está a abarrotar destas habilidades, destas meias-verdades e também deste tipo de burrice, forjada ou efectiva. 

ucranianas

segunda-feira, março 28, 2022

os cartoonistas percebem melhor (ucranianas LV)

1. Nesta altura do campeonato, até os distraídos já perceberam a guerra entre os Estados Unidos e a Rússia. Claro que nem todos. Este fim-de-semana, uma jornalista do "internacional", Márcia Rodrigues (RTP), perguntava a um pacífico comentador como explicava ele a "capitulação" do exército da Rússia -- "capitulação", o que somos obrigados a ouvir; na sic, um Henrique Burnay (creio que é este o nome) dizia que a Ucrânia fizera uma "opção pelas democracias" e que os russos não gostaram. Assim, com esta candidez. Já o sempre atento Bernardo Pires de Lima, na Antena 1, depois de muito instado a responder se não havia aqui também uma luta em torno dos recursos, como o gás natural, lá teve de dizer: "Mas sempre houve!" Ah... Afinal, a muito custo, pese embora os militares, em geral, que têm demonstrado e problematizado o conflito num grau de complexidade que não se compadece com "análises" saloias à Milhazes, lá vão lentamente admitindo que o choque que aqui se dá é entre dois imperialismos, um na defensiva (a Rússia) outro ao ataque (os Estados Unidos). É muito complicado, não é?, tudo ao contrário do que parece: a Rússia ataca, e está na defensiva... Esoterismos... Por isso tem sido tão fácil enganar as pessoas.

2. o cartoon de Thais Linhares (daqui)