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terça-feira, janeiro 06, 2026

voto em Gouveia e Melo

Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).

Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.

Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.

Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.

sábado, janeiro 03, 2026

os candidatos presidenciais dizem de que modo encaram o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia

Esta a questão essencial, ornamentada por parvoíces jornalísticas que nem merecem referência, no "debate das rádios", entre a 1,35' e a 1,52'

Luís Marques Mendes, à 1h36m: no fundo não exclui nada, num quadro de paz, mas ainda é cedo para opinar, o que quer dizer que pode aceitar tudo. Nacional-redondismo, o falar imenso e dizer praticamente nada.

André Ventura, à 1h39m:  a conversa que o seu eleitorado gosta de ouvir; guerra? toma lá um manguito, parece que morre muita gente na guerra... Se o envio é justificado ou injustificado isso não interessa para nada -- não mandamos tropas mas estamos "ao lado da Ucrânia". Sim senhor! Junta-se mais uma colagem da "extrema esquerda" (quer dizer o PCP, pretendendo atingir o Bloco e o Livre, injustamente, pois sabemos que estes têm estado bem ao lado do Chega nesta questão) -- e termina, não apenas falando do dinheiro abarbatado pelos amigos do Zelensky, mas, estadista, reafirma por outras palavras: "queres tropas?, toma!" ou seja: que morram os outros, pois nós até propusemos no Parlamento classificar a Rússia como estado terrorista -- não queriam mais nada! (Burburinho de aprovação na taberna.)

António Filipe, à 1h41m: basicamente isto, que é a posição com a qual genericamente me identifico, e que será retomada por Gouveia e Melo: tropas em tempo de guerra, não; tropas em tempo de paz, também não, uma vez que a Ucrânia não está na geografia dos nossos interesses permanentes enquanto estado -- um argumento simples, mas não simplista, que só alguns analfabetos das Relações Internacionais não perceberam. Ah, e também não é um membro da Nato, a Ucrânia...

António José Seguro, à 1h42m: se dizem que é para manutenção de paz, Seguro crê, cheio de angelismo, que é porque haverá paz, e assim devemos mandar para lá "profissionais" para proteger os nossos interesses, que são também os da Europa -- oh, a impreparação!... --, e claro, tudo consensualizado entre os órgãos de soberania. O que é preciso são os consensos.

Catarina Martins, à 1h43: diz, à cautela, que como não sabemos de que paz se trata, está-se elaborar sobre nada. Quer mandar geradores para aquecer os deslocados internos. Estou com ela; porém, como visão estratégica é pouco.

Henrique Gouveia e Melo, à 1h45m: como é o único que verdadeiramente sabe do que está a falar, para além das considerações políticas, ou seja: entram na sua equação as tangíveis questões militares e operacionais, e outras, não tanto, como os interesses geoestratégicos de Portugal e também a sua História. Diz claramente que é contra -- só ele e António Filipe o dizem claramente --, e, ainda por cima, explica porquê, vão lá ouvir.

João Cotrim de Figueiredo, às 1h47m: fico espantado com o modo com que diz as maiores banalidades e até asneiras, sempre com aquele ar empreendedor e de mangas arregaçadas. A anedota do dia: corrige André Ventura naquilo em que este tinha razão e, quando interpelado, chega-se-lhe junto -- o que é preciso é evitar que os nossos rapazes vão para lá. Cotrim, cada cavadela...

Jorge Pinto, à 1h50m de debate: aproveita para falar indirectamente na Gronelândia, por causa do Direito Internacional. Mais pueril que Seguro, o que lhe interessa é soltar a Ucrânia das garras de Putin, vá-se lá saber porquê. Diz-se pacifista e comeu a sopa toda do prato que lhe puseram à frente.

O debate.



quarta-feira, dezembro 10, 2025

a vantagem de Gouveia e Melo relativamente aos seus dois concorrentes directos, Marques Mendes e Seguro

Eu vou partir do princípio de que os candidatos são honestos, e também patriotas. Num momento em que a ameaça da guerra espreita, essa honestidade e esse patriotismo importam -- mas também, tanto quanto estas qualidades, a noção da História de Portugal e de como, mercê de muitas contingências, iremos, daqui a uns meros três anos, assinalar os 900 anos de independência, no aniversário da Batalha de São Mamede, na qual D. Afonso Henriques fundou uma dinastia, um país e uma futura nação, a partir de povos de diferentes etnias: celtas, romanos, germânicos, berberes, árabes e por aí fora. Estivemos para soçobrar mais de uma vez, mas persistimos -- pela língua e pela cultura, em primeiro lugar; pela religião, também; e pela Coroa nos primeiros séculos, e o Estado a seguir. 

Portugal não resiste sem a língua e sem a cultura, mas precisa, sempre precisou, de uma visão estratégica -- e agora cada vez mais, não apenas por razões militares mas pelo progressivo domínio de um sistema financeiro transnacional que tudo subjuga -- da Economia (das sociedades, portanto) ao indivíduo.

A visão estratégica de Gouveia e Melo é incomparavelmente mais sofisticada e informada que a de Mendes e Seguro -- pelo menos é o que se retira das banalidades que têm dito. A crítica ontem, expendida pelo almirante, à lista de compras do Governo em matéria de defesa não poderia ter sido mais certeira. Onde está o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, como já aqui perguntei, a propósito doutras eleições? Está arrumado a um canto; por isso, comprar armamento agora é, como disse o candidato, começar a "construir a casa pelo telhado". 

É isto que o distingue dos outros; o que fará com essa distinção se for eleito, não sei.


quinta-feira, novembro 20, 2025

as presidenciais e a guerra da Ucrânia

O maior risco que Portugal enfrenta, em 20 de Novembro de 2025, não é a crise da habitação nem um governo miserável que quer fazer dos trabalhadores gato-sapato,  (Viva a Greve Geral!), as listas de espera na Saúde Não. O grande perigo é a nossa satelitização por uma Comissão Europeia e governos pseudodirigidos pelo Starmer (que nem para vender enciclopédias porta-a-porta), o Macron (mais um gestor na política) e o gajo da Alemanha, cujo nome não me ocorre, com dimensão de chefe de recursos humanos, nos empurrem para uma estúpida guerra que não tem nada que ver connosco, porque criada pelos Estados Unidos e agarradas com pundonor por estes zeros. 

Dos três candidatos que podem ser eleitos -- espero que todos patriotas --, já ouvi tudo de Marques Mendes e não gostei; ainda não consegui ouvir nada de Seguro; e ouvi o suficiente de Gouveia e Melo para ainda estar para ver. Sim, eu sei daquela frase bombástica dita há já bastante tempo na eventualidade de a Rússia atacar a Nato -- uma obviedade que decorre dos tratados, e os tratados são para honrar, no articulado que o país assinou.

 A questão é que o Putin é muito mais inteligente do que estes imbecis -- e portanto não atacará a Nato, se esta não o encurralar (foi por isso mesmo que a Rússia atacou a Ucrânia, lembram-se?). Como os Estados Unidos saltaram fora do chavascal que aqui arranjaram, não estou a ver estes bonecos com atitude suicida. Para além do que, havendo um país da Nato que ataque a Rússia (a Polónia tem no governo um neocon por via vaginal, cuidado com ele), ou se emaranhe em provocações no Báltico, ou ainda surjam outras acções engendradas pelo Zelensky, (que não descansa enquanto não nos mete lá dentro) -- partindo um hipotético ataque de um país da Nato, a única obrigação de Portugal é manter-se à margem desta geopolítica insana de roleta russa... 

Quero um presidente patriota, não mais um fantoche. Por isso são tão importantes as eleições de Janeiro. Nunca, desde 1976, tivemos uma eleição presidencial tão importante.

sexta-feira, novembro 07, 2025

Seguro

Não sei das entrevistas da cnn sobre questões da Defesa; hoje vi-o na RTP; não aqueceu nem arrefeceu no que respeita à guerra da Ucrânia. Menos mau que Marques Mendes (porque disse menos?), fala da Europa como se se tratasse de um bloco coeso, de um país. Ora, não podemos tomar os desejos por realidades. Fico à espera da tal entrevista -- ou será que já passou?

quinta-feira, novembro 06, 2025

candidatos

Marques Mendes, Seguro e Cotrim de Figueiredo impuseram-se aos partidos; António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins são candidatos dos seus partidos; Ventura não é carne nem é peixe, antes pelo contrário. E Gouveia e Melo.

Ainda tenho muito para ouvir, ainda faltam os debates, embora cinco já estejam postos de parte. 

terça-feira, outubro 21, 2025

a entrevista de Marques Mendes

Primeiro o riso, com o elogio à União Europeia sobre como tem vindo a lidar com o problema da Ucrânia, Com os conselheiros de política internacional que estão lá para a candidatura, não é de admirar.

Depois, a estupefacção pela ausência de pensamento estratégico em quem anda há tantos anos na política: tirando a questão da importância atlântica, que é uma banalidade, Marques Mendes não só não mostra uma ideia sobre quais as áreas mais importantes para a soberania. A bem dizer, soberania nem vê-la: é preciso gastar dinheiro em defesa; onde? Ah, isso será decidido no seio da UE e da Nato. Catastrófico.

Para não dizer apenas mal, foi interessante a reflexão sobre a importância de acolhimento de imigrantes dos Palop, funcionando inclusivamente como válvula de escape para as graves tensões sociais que se vivem em Moçambique, mas também em Angola, muito preocupantes.

quinta-feira, julho 10, 2025

malabarismo neo-liberal

Lá volta a TAP a ser reprivatizada em 49,9%, e por vontade de Montenegro sê-lo-ia na totalidade. Na verdade, porque razão um país como Portugal, a sua história e circunstância, há-de ter uma uma companhia de bandeira, se nem helicópteros de transporte de doentes consegue possuir?, nem de combate a incêndios e muito menos aviões, oferecidos à Ucrânia porque somos obedientes e impediram-nos de fazer a manutenção das aeronaves russas de combate a incêndios, que nos pertenciam. Então não é melhor fazer concursos públicos anuais, dar milhões a ganhar a dois ou três empreendedores, do que ter uma pequena mas mais do que necessária esquadrilha sob tutela permanente do INEM e da Protecção Civil? 

Porque razão há-de Portugal ter uma companhia de bandeira, se nem aproveitar o aeroporto de Beja é capaz -- e anda desde o tempo de Marcelo Caetano a ver onde será eventualmente construído, depois de uma primeira decisão sábia de o fazer na Ota, com uma orografia circundante susceptível de provocar graves acidentes; depois no Montijo, a massacrar os largos milhares que por lá vivem, em terrenos com riscos sérios de inundação; em Alcochete, onde se situa o maior aquífero da Península Ibérica? 

E por que razão havemos de ter uma companhia de bandeira, quando a herança que nos legou o governo de António Costa, foi quase um regresso ao passado, ao tempo de D. Pedro V (linha Lisboa-Carregado), uma vez que hoje, 10 de Julho de 2025 é impossível ir de comboio da capital do país a Madrid?...

Isto lembrou-me agora que Sócrates, que nos anima o Verão, foi impedido pelo PSD, no tempo liderado por Marques Mendes, de avançar com o TGV, usado pela luta partidária para impressionar o eleitorado energúmeno com o despesismo.

Com todas estas misérias, para que queremos ter uma das mais prestigiadas companhias aéreas do mundo? O melhor será privatizar o país e arranjar um CEO para o Palácio de São Bento. Os Romanos é que tinham razão.

terça-feira, novembro 29, 2016

a Caixa: uma novela merdiática em que só o PCP esteve bem

A política anda a par dos destemperos & cuspidelas do futebol ou dos cromos da televisão.
A última idiotice foi a medianovela da Caixa Geral de Depósitos, em que quase todos estiveram mal, alguns abaixo de cão.
António Domingues - deve ser um ás da gestão, mas de política pura (e também da impura) não percebe nada. Não haver, no gabinete jurídico da CGD (ou se calhar há, mas recorreram ao outsorcing) quem dissesse que a coisa iria descambar, parece incrível.
Mais do que incrível, momentoso, é a inépcia do Ministério das Finanças (ainda há juristas nos ministérios?). Que técnicos qualificadíssimos como Ricardo Mourinho Félix e Mário Centeno tivessem escorregado na casca de banana posta por Marques Mendes, esse senador, é de bradar aos céus.
Já António Costa, um excelente político, dá-lhe por vezes para a politiquice. A forma como quis sacudir a água do capote foi notória para toda a gente, e pouco bonito de se ver. (Esclareço: sou um entusiasta deste governo, sem ter votado em nenhum dos partidos que o apoiam.)
O PSD -- ó o PSD, a sua política de terra queimada, o seu quanto pior melhor, a sua guerrilha que não deixa pedra sobre pedra, Passos Coelho e a sua troupe desde o chumbo do PEC 4 e a vinda da Troika; isto não é um partido político, é um tumor.
O CDS, neste particular da Caixa, foi a apendicite do PSD, uma lombriga a berrar 'esfola!'
O Bloco, ah, o Bloco, não se cura de ser irritante, de se poer em biquinhos de pés, de, desavergonhadamente ir votar uma acção do PSD numa questão de lana caprina, de dar gás ao PSD -- que falta de noção, que infantilismo, que idiotia inútil.
O PCP, ao menos, soube marcar posição, e não alinhou com o terrorismo do PSD, nem se deixou utilizar por este.

domingo, outubro 23, 2016

coisas que raramente me ocorrem

Marques Mendes.