Mostrar mensagens com a etiqueta Liberto Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liberto Cruz. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, outubro 10, 2025

seis poemas de Liberto Cruz, na sua morte (1935-2025)


Quem a morte sentiu

Da vida não foge

(Livro de Registos / Última Colheita, 2022)


***


Tenho a idade

deste plátano 

e desta tília.


Todavia sei

que não vamos

envelhecer juntos.

(Sequências, 2000)


***


Uma só vida não chega

Nem outra nem outra ainda

Para dizer que te amo

Meu amor meu só amor.


E quando a morte vier

Inevitável e certa

Que seja eu o primeiro

A ficar no livro inscrito.


Que ali discreto seja

E feliz por ter amado

A mulher por que morri


Vivendo. Nada mais quero.

Se de meu amor morri

Morrendo volto a viver.

(Caderno de Encargos, 1994)


***


Como defender a Pátria falando outra língua,

Se outra língua ouvindo sei que esta terra

Minha Pátria não é?

(Jornal de Campanha, 1986)


***


Em Portugal haver mocidade portuguesa

é um pleonasmo a evitar

(Gramática Histórica, 1971)


***


SÓ PORQUE ÉRAMOS PUROS

Só porque demos as mãos

E gritámos bem alto 

O nome da amizade,

Só porque trocámos carícias

Sem o prazer dos sexos

E fomos amantes Como o luar e o rio,

Chamaram-nos devassos

E refugiaram-se no mundo 

Torpe, em que não caímos.

(Momento, 1956)





segunda-feira, julho 28, 2025

1 verso de Liberto Cruz

«Ah! Mas isso era tomar uma atitude.» 

«Cobardia», Momento (1956)

segunda-feira, julho 14, 2025

5 versos de Liberto Cruz

«Há sempre na vida / Um momento que é belo. / Mas tem de ser breve, / Leve, / Ser apenas um momento.» 

«Momento», Momento (1956)

sábado, março 15, 2025

fragmentos

«Quem a vida lava / Que vidas oculta?» Liberto CruzÚltima Colheita -- «Livro de Registos» (2022)

«Pátria é a soma de interesses nobres, de deveres sagrados, de justas aspirações, de puras finalidades, de ideal e sonho, em que a tua actividade e a tua ventura não diminuem, antes servem, a ventura dos do teu sangue e a das outras Pátrias.» Augusto Casimiro, O Livro dos Cavaleiros -- «Da Pátria» (1922)

«Há uma espécie de indulgência que é a indulgência do desinteresse. Uma indulgência mil vezes nefasta -- porque igualiza tudo e todos.» José Bacelar, Revisão 2 -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana -«Prefácio» (1936)

quinta-feira, janeiro 30, 2025

fragmentos

«Pela escrita levamos / a vida que temos.» Liberto Cruz, «Livro de registos», Última Colheita (2022)

«Importunamos os outros se lhes pedimos a respeito do que escrevemos a sua opinião; ofendemo-los se não lha pedirmos.» José Bacelar, Revisão 2 -- Anotações à Margem da Vida Quotidiana (1936)

«Aprender a aceitar os limites da linguagem, aprender a alargar os limites da ideia. Ser sempre capaz de mais. A Beleza como dever, a coragem como único caminho para o futuro. Suave medo escuro.» Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra (2012)

domingo, outubro 22, 2023

caderninho - Liberto Cruz

 «Quem da vida se debruça / Seu destino desafia.»

Livro de Registos / Última Colheita (2022)

segunda-feira, outubro 09, 2023

caderninho - Liberto Cruz

 «Visita muda / A morte / Não se anuncia.»

Livro de Registos / Poesia Completa

quinta-feira, agosto 31, 2023

caderninho

 «Há quem da vida fuja / Como se da morte fosse.» 

                                                                                    Liberto CruzLivro de Registos, Poesia Completa

domingo, julho 23, 2023

caderninho

 «Quem a vida lava / Que vidas oculta?» 

Liberto CruzLivro de Registos, Poesia Completa

quarta-feira, junho 21, 2023

caderninho

 Pela escrita levamos /A vida que temos

Liberto Cruz, Livro de Registos / Última Colheita (2022)

sábado, junho 10, 2023

Liberto Cruz

Álvaro Neto (pseudónimo de Liberto Cruz), no capítulo próprio da sua Gramática Histórica (1971), apresenta o exemplo de um "Requerimento para Exame de Admissão à Morte" -- 10 de Junho de 1968 -- ainda o Dr. Salazar não caíra da cadeira, na banheira, ou lá onde foi.

quarta-feira, abril 19, 2023

antologia improvável #496 - Liberto Cruz

 

NEM SEMPRE A LUZ É UM SINAL


Nem sempre,

Nem sempre a luz é um sinal.

Que o diga,

A louca borboleta

Que buscava o ideal.

Momento (1956) /

/Última Colheita (Poesia Reunida) (2022)

domingo, fevereiro 05, 2023

antologia improvável #489 - Liberto Cruz

INDEFININDO


UmHomemInvariável

TodoHomemVariável

CertoHomemVariável

AlgumHomemInvariável

MuitoHomemVariável

PoucoHomemInvariável

NenhumHomemInvariável

AlguémHomemVariável

NinguémHomemVariável

QualquerHomemInOuVariável

Gramática Histórica (1971)

segunda-feira, abril 24, 2017

estante: A TORRE DA BARBELA (1964)

1) Talvez até então ninguém se tivesse atrevido a tratar assim a história de Portugal, mesmo sob o resguardo da ficção. Um tour de force romanesco e uma extraordinária e iconoclasta reflexão sobre o país. Tão mais interessante quanto o autor acumulava a arte de ficcionista com o trabalho rigoroso de historiador, sob o nome civil de Ruben Andresen Leitão, especialista do século XIX, estudioso do reinado de D. Pedro V, temas sobre os quais publicou vários trabalhos, sendo de sua lavra os verbetes correspondentes no Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão.

2) É possível que ao longo da relativamente extensa e densa narrativa (304 págs. na minha edição: Lisboa, Círculo de Leitores, 1988), Ruben nos faça perder o pé, mas a desenvoltura estilística é tal-- e sempre competentemente vigiada --, que cada página é uma alegria para quem, como eu, é um gourmet destas coisas.

3) Ruben A, (1920-1975), à medida que o tempo vai passando, afirma-se como um dos grandes da sua geração -- geração que tem, pelo menos, uma vintena de ficcionistas a considerar, e da qual fazem parte Fernando Namora, Jorge de Sena ou Sophia de Melo Breyner Andresen (todos nascidos em 1919), Carlos de Oliveira (1921) ou Agustina Bessa Luís (1922).  Ruben está a envelhecer bem. Melhor do qie outros.

4) Incipit «Sempre que do portão se avizinhava mero turista ou descobridor de mistérios e o sino ficava longo tempo a retinir pela ribeira, ouviam-se pesados bate-lajedos de caseiro em movimento.»

5) Repostagem (2013): Um país de mortos-vivos. Picaresco e fantástico, A Torre da Barbela, de Ruben A., tem uma originalidade que lhe dá um lugar único no panorama romanesco português, tanto quanto me é dado saber. Calculo que a reacção no ano em que foi publicado (1964) deva ter oscilado entre o estranhamento e a indiferença, que é o que sucede a tudo que esteja fora dos cânones. Nem era romance psicológico à presença, nem neo-realista e muito menos procurava imitar os franceses do nouveau roman. Embora não me pareça a obra-prima que alguns nela vêem, tem o atractivo de ser iconoclasta para com o romance português da época, e é-o com humor. E o autor, recorde-se, além de escritor desalinhado do mainstream, era também historiador circunspecto, nomeadamente do século XIX, sabendo muito bem o que estava a fazer -- literária e até, digamos, politicamente.
Absolutamente marcante, portanto. O que esperar de uma catrefa de personagens de várias épocas que coexistem no mesmo espaço e interagem entre si? 
O guia burgesso e comerciante para turista entreter e, se possível, enrolar, situa-nos no espaço e no tempo; mas logo aparece um Menino Sancho, ser misterioso e disforme, e o lendário Cavaleiro da Barbela: «De cada túmulo, de cada sarcófago ou fosso anónimo eles iam saindo, meio estonteados pelos séculos da História»...
Leio aqui o Portugal profundo de então: um país de mortos-vivos.


6) Informa Liberto Cruz, na minha rica edição, prefaciada por José Palla e Carmo, que A Torre da Barbela foi recusado pela maior parte das editoras. Pudera.

(continua)

quarta-feira, setembro 11, 2013

figuras de estilo - Liberto cruz

Viver é preparar-se para escrever e escrever é vomitar toda a alegria e toda a náusea da vida. Mas esse vómito tem de ser efectuado com o mesmo prazer e a mesma dor de quem come ou fornica: até à exaustão.

"Introdução" (1974) a Blaise Cendrars, A Poesia em Viagem