Mostrar mensagens com a etiqueta Líbano. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Líbano. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 02, 2024

é para 'isto' que Israel tem direito a existir? tragicamente não é -- e há responsáveis

Como de costume, esta é uma guerra em que as vítimas e os inocentes são os povos: os palestinos, os israelitas, os libaneses. Não verto lágrimas nem por aiatolas xiitas nem por fanáticos religiosos, árabes ou judeus. Nada disto é preciso para reconhecer crimes quando ocorrem. 

Que o governo israelita é constituído por criminosos de diversa índole, é um facto. Que está à margem da lei ao ocupar território que não lhe pertence, é outro. 

Ao contrário do que se possa pensar, a política de Netanyahu é altamente lesiva para os interesses israelitas.

Alguém como eu, que sempre nutri uma forte simpatia por Israel, por varias razões, dou por mim a pensar: é para isto que Israel tem direito a existir? A resposta é simplicíssima: não tem -- ou deixou de ter. Quem não se dá ao respeito, não pode ser respeitado (banalidade acertadíssima); quem massacra civis põe-se do lado de fora da humanidade,  e isto serve para o Hamas, como para o governo israelita que -- tragicamente -- é composto por partidos que tiveram a maioria dos votos do eleitorado.

Como não se pode dizer que o eleitorado foi ao engano. Ao fim de mais de 30 anos de sabotagem dos Acordos de Oslo, com este Netanyahu à frente, o eleitorado israelita tornou-se co-responsável pela actuação reiterada do seu governo.

Resumindo: com esta actuação continuada, Israel perde a sua legitimidade primeira: a do direito à existência. Claro que isto não absolve os teocratas do Líbano e do Irão -- mesmo que estejam, supostamente, do lado do povo palestino -- ou seja, do lado certo, nesta altura do campeonato. Os teocratas do Irão são para ser derrubados e corridos a chicote lá para as alfurjas das mesquitas -- e, claro, não para serem substituídos por aventureiros chulos, como o último xá. O Irão tem na sua história, grandes e bons exemplos. 

Quanto à última diatribe deste governo israelita fora da lei contra Guterres, proibindo-o de entrar em Israel, tal é mais uma medalha para o secretário-geral da ONU. É que há acusações e animosidades que só nos dignificam. Ora, os indignos, pela sua própria natureza, são inaptos, jurídica e moralmente, de produzir conteúdo que seja entendido como tal. Ou seja: têm mais significado os latidos da minha cadela, do que as proclamações (ainda por cima com mentiras) do ministro dos estrangeiros israelita. Um bicho nunca pode ser desqualificado pelos seus actos; já um ser humano...  Quem, que não seja um tontinho, quer ver-se associado a uma quadrilha destas? 

domingo, agosto 13, 2006

misreading

«As objecções do Líbano foram tidas em coma.»

quinta-feira, julho 20, 2006

«...um território no qual os outros lutam.» Esta a definição desalentada do historiador libanês (cristão maronita) Georges Corm, em entrevista ao Público de hoje. Eis a tragédia daquele estado árabe, um país que alcançara um frágil equilíbrio entre as suas confissões (maronitas, xiitas, sunitas, drusos), após uma devastadora guerra civil.
Israel tem um problema original: o da sua criação forçada pela má consciência ocidental, que, em 1917, na Declaração Balfour, deu à nação judaica a grande expectativa de criação de um estado na Palestina -- aspiração que não mais poderia ser protelada após o inominável Holocausto. Só que o apaziguamento do remorso europeu foi feito à custa da população árabe, que era a maioria. E aí estão, dolorosamente, passadas décadas, os milhares de deslocados palestinos à força, espalhados pelos países limítrofes.
Não o posso esquecer, até porque sempre tive simpatia pela nação judaica e pela sua respeitável organização democrática interna. Isto não obstante considerar da maior justiça -- e da maior urgência, acrescentaria -- a criação do estado da Palestina.
A destruição em curso no Líbano é confragedora. O delicado equilíbrio político conseguido após, repito, uma longa guerra civil, estava a permitir àquele país uma paulatina normalização, um ambiente de desenvolvimento, um clima de cosmopolitismo que sempre foi o seu -- e que os milhares de estrangeiros de muitas nacionalidades que agora fogem dele demonstram cabalmente.
O que leva um país como Israel a perpetrar uma destruição desta amplitude? Não colhe o argumento do rapto dos soldados: a desproporção da reacção é tal que o argumento ganharia contornos do mais intolerável racismo, que é o de a vida de cada soldado valer cerca de cem civis libaneses mortos entretanto, sem que estas existências merecessem um esforço para que a crise fosse solucionada pela diplomacia. Essa não pode ser a razão, nem acredito que seja a medida de Olmert, de Peretz e muito menos de Perez.
Israel, sempre acossado pelos vizinhos, sente agora o perigo real das ameaças iranianas, verifica as dificuldades americanas na demência iraquiana e no impasse afegão, constata a impotência europeia, entre o embaraço e a duplicidade. Trata-se, portanto, de uma guerra de sobrevivência -- uma guerra suja, mas de sobrevivência.
A par da tentativa de neutralização do Hezbollah, improfícua a prazo, no quadro de correlação de forças actual, há ali um demonstração de poderio, um possível posicionamento estratégico dentro do país do cedro e avisos vários feitos a sírios e iranianos, à custa dos fracos libaneses. Resta é saber se um Líbano estraçalhado e não um Líbano estabilizado -- esse Líbano que extasiou Eça de Queirós na sua viagem oriental de 1869 -- servirá os interesses de Israel.