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quinta-feira, junho 12, 2025

há 150 anos com as mãos nos bolsos


Faz hoje 150 anos que o genial Rafael Bordalo Pinheiro criou o Zé Povinho, caricatura do povo português, que ficou sem o que fazer depois da independência do Brasil. Gonçalo Mendes Ramires bem sugeriu  África como remédio para a apatia, mas já era tarde. Bordalo pertencia a essa Geração de 70, a mais crítica da nossa contemporaneidade -- Santo Antero, papá Eça, avô Ramalho, tio Joaquim Pedro, philosophe... 

Queriam-nos mais europeus, sem deixarmos de ser portugueses. Os mais expeditos, ambiciosos, aventureiros emigraram; os outros ficaram, agarrados à enxada.  Salazar ajudou bastante, até que, faz hoje quarenta anos, Mário Soares assinou a nossa inevitável adesão à CEE, no claustro dos Jerónimos 

Imagem magnífica a da cerimónia no vetusto monumento doutras eras, e também túmulo do venturoso Manuel I: o que éramos e o que queríamos ser. Numa geração, passámos da enxada ao 5G. 

Como escreveu o Almada Negreiros, "Coragem portugueses", etc.


Rui Ochôa


quinta-feira, abril 04, 2024

150 portugueses: 21-25

21. Camilo Castelo Branco (1825-1890). Ao cabo de quase novecentos anos, a língua é o maior património dos portugueses; ainda mais do que a sua História, real e mitificada, pois o país pode acabar (nada é eterno), mas a literatura, forjada a partir dessa mesma língua, ficará, mesmo depois de a língua morrer também. Por isso são tão (ou mais, quanto a mim) importantes os grandes escritores (em sentido lato) do que os guerreiros e navegadores que construíram Portugal e a ideia dele. E assim sendo, Camilo, porventura o maior do século XIX (junte-se-lhe Garrett, Herculano, João de Deus, Júlio Dinis, Antero, Oliveira Martins, Eça, Cesário, Fialho e Nobre), é uma presença evidente, por muito exígua que esta lista ainda mais fosse.

22. D. Dinis (1261-1325). Poeta, guerreiro, governante, sexto rei de Portugal, e um dos mais amados.

23. D. Fernando (1345-1383). Nono rei de Portugal, um grande monarca com uma política externa desastrosa. A sua consorte, Leonor Teles (de Meneses), é a mulher mais odiada da nossa história.

24. Garcia de Orta (c. 1501 - 1568). Produto dos Descobrimentos e da expansão imperial, cristão-novo, médico, botânico e farmacêutico. Um dos homens do seu tempo, à escala global.

25. Infante D. Henrique (1394-1460). O mítico Navegador, mas homem bastante prático 

sábado, fevereiro 23, 2019

vozes da biblioteca

«Atravessava Nimur uma ponte velha, fechada de correntes, por onde ninguém ousava passar.» Mário de Carvalho, «Agade e Nimur», Contos da Sétima Esfera (1981)

«Num árido e abrupto vale, habitado apenas pelo rumor longínquo do rio lutando para conseguir passar entre as estreitas fragas, uma voz disse-me que só estamos aqui de passagem, que a nossa estadia na terra é temporária.» Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra (2012)

«Se Portugal não pode hoje conquistar Cacilhas, porque -- ai de nós! ela não é moira; é necessário que quando nos voltamos para o passado, possamos sentir a alma, porque ele vivia para o compreendermos; de outra forma a história torna-se ou uma cronologia muda, ou, o que é talvez pior, a justaposição de fonomonalidades animais.» Oliveira Martins (1872), Correspondência

sábado, fevereiro 25, 2017

microleituras

Missiva extraordinária, com tudo o que tem de excessivo e profundamente sentido, emanado da personalidade trágica de Mouzinho de Albuquerque (1855-1902). Um estilo literário intenso, determinado e austero de quem estava, pelos princípios e pela formação, impedido de contemporizar. Mouzinho, que não se revia no seu tempo, «época de dissolução», culpava as elites pela desintegração do Portugal imperial. É visível uma proximidade do cesarismo de Oliveira Martins, fantasiosa teoria de enlace entre o rei e o povo, ainda não estragado pela venalidade da burguesia e alguma aristocracia. D. Carlos disse-lhe: «Faze dele um homem e lembra-te que há-de ser rei»; e Mouzinho quis fazer de Luís Filipe um rei-soldado, exército em que concentravam todas as altas virtudes pátrias de autoridade, disciplina e sacrifício. De como essa simbiose inconstitucional teria possibilidade de concretizar-se foi algo que o suicídio do aio e o regicídio, aliás torpe, não permitiram aferir.
Uma palavra para a edição miseranda, sem uma nota de contextualização, folheto provavelmente impresso para propagandear as glórias do império e do regime, por ocasião da Exposição do Mundo Português.

incipit: «Meu Senhor / Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem Houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real.»

Mouzinho de Albuquerque, Carta de Mouzinho de de Albuquerque a Sua Alteza o Príncipe Real D. Luís de Bragança

sexta-feira, janeiro 06, 2017

oh, democracia...

Se o Eça de Queirós tinha razão quando defendeu -- em carta ao seu amigo Oliveira Martins, de apetências cesaristas -- que "a democracia a du bon"; e se não foi ainda desmentida a razoabilidade da conhecida asserção do Churchill, a verdade é que ela está pouco defendida dos demagogos e, dentre estes, os extremistas (Hitler, FIS, Irmandade Muçulmana).

Aparece agora uma nova categoria: a dos patetas que falam em nome do Crucificado de há dois mil anos, que era deus e simultaneamente seu filho, nascido duma mãe fecundada pelo Espírito Santo, que afinal era o pai, mas também era o filho -- trapalhada fascinante que tem ocupado os melhores espíritos, cuja luz, porém, atinge em cheio a mioleira desguarnecida de criaturas como o prefeito de Guanambi. Este, já não se contenta em falar em nome de deus, como alguns colegas do Congresso brasileiro, no triste caso da impugnação de Dilma Rousseff, transmitida urbi et orbi; mas afirma-se deus ele próprio. Um deus cujo diagnóstico poderá ser: 1) um espertalhão; 2) um maluquinho que devia estar internado. Em qualquer dos casos, um indivíduo sem qualidades para o lugar, eleito democraticamente. 

Oh, democracia, a que provas nos sujeitas!...










visto aqui

domingo, abril 24, 2016

uma carta de Oliveira Martins

Na juventude dos seus 25 anos, Oliveira Martins assumiu a administração das minas de Santa Eufémia, Espanha, onde permanecerá até 1874, escrevendo nesse período Teoria do Socialismo (1872) O Socialismo em Portugal (1873). O destinatário, António Enes, político e escritor, distinguiu-se como comissário régio em Moçambique.
(ler aqui)

terça-feira, fevereiro 23, 2016

uma carta de Oliveira Martins

Oliveira Martins (1845-1890), director de O Repórter, agradece, com os maiores encómios, a Luciano Cordeiro (1844-1900), o envio de Sóror Mariana, a Freira Portuguesa (1888). Esta é a primeira de quatro cartas de homens públicos enviadas a Cordeiro, que sustentava tratar-se as Lettres Portugaises do punho de Mariana Alcoforado, o que continua a ser controverso.


ler aqui



quinta-feira, abril 16, 2015

o Sol foi de festa, a noite foi de festa

"Toda a noite fora de festa: danças e trebelhos, jogos e matinadas. O bom povo do Porto, na sua cidade triste, quebrava a monotonia dura da vida nesse instante de folgança; e o tom pardo do granito pardo como o ar nevoento e húmido, dissipara-se de manhã quando a cidade acordou semeada de murta e rosmaninho com as casas armadas como capelas. O próprio sol quis ser de festa, penetrando nas ruas lôbregas, e pondo por excepção nas faces dos burgueses uma centelha de vivacidade luminosa."

Oliveira Martins, Os Filhos de D. João I (1891)

quinta-feira, janeiro 15, 2015

da inversão do exemplo

«Não era uma criança ingénua; era mais e melhor: era uma mulher decidida a ser boa, por isso mesmo que vira e observara de perto a maldade.»

Oliveira Martins, Os Filhos de D. João I (1891)

terça-feira, setembro 02, 2014

um estado crónico e manso

«Foram quatro anos de luta incessante. Depois, a hostilidade prolongou-se, mas num estado crónico e manso, como sucedia geralmente às guerras europeias antes do fim do século XVIII.»

Oliveira Martins, Os Filhos de D. João I (1891)

quarta-feira, junho 11, 2014

Oliveira Martins a Luciano Cordeiro: "vibrei"

Oliveira Martins (1845-1890), director de O Repórter, agradece, com os maiores encómios, a Luciano Cordeiro (1844-1900), o envio de Sóror Mariana, a Freira Portuguesa (1888). Moniz Barreto (1863-1896) foi o maior crítico literário do seu tempo.

Meu querido Luciano

     Vibrei, certamente, vibrei todo o dia ontem, lendo a sua primorosa obra. V. fez um milagre. Não queria escrever-lhe agradecendo-lhe o seu livro antes de o ler, e não o fiz logo porque o tinha emprestado ao Moniz Barreto para ele escrever o artigo que lhe pedi e V. já leu, decerto.
     O Repórter cumpriu o seu dever.
     O livro das Cartas que V. fez é verdadeiramente definitivo, não há nada mais a dizer.
     V. esgotou a erudição e a crítica: não há que rebuscar nem que observar mais.
     Está definido o caso patológico (?) e determinado o concurso de circunstâncias que se deu.
     Receba pois V., meu querido Luciano, os meus mais cordiais parabéns e creia-me sempre -- Seu velho amigo, de uma amizade sempre moça.

Oliveira Martins

[actualizei a ortografia]

in Soror Mariana Alcoforado, Cartas de Amor -- Ao Cavaleiro de Chamilly, Porto, Editora Ausência, 2002.
editor: Luciano Cordeiro

quarta-feira, março 13, 2013

Oliveira Martins: "vibrei"


[Meu querido...]

     Vibrei, certamente, vibrei todo o dia hontem, lendo a sua primorosa obra. V. fez um milagre.

[a Luciano Cordeiro, 1894
referência às  Cartas, de atribuídas a Mariana Alcoforado]

in Soror Mariana Alcoforado, Cartas de Amor -- Ao Cavaleiro de Chamilly [1894], Porto, Editora Ausência, 2002.
editor: Luciano Cordeiro

domingo, novembro 19, 2006

Correspondências #68 - António Nobre a Oliveira Martins

Segunda-feira, 27-XI-1893.
18-- rue de la Sorbonne -- Paris
Ex.mo Senhor,
Há já alguns dias que cheguei a Paris e, se agora só venho ao pé de V. Ex.ª dar-lhe parte da minha chegada, é por só agora me achar restabelecido da minha dolorosa viagem. Levado pelo meu imprudente e herdado amor pelo mar, segui num pequeno vapor do Porto para o Havre, e no Canal da Mancha estive quase a ir ao fundo com uma tempestade do século XVI, como os seus olhos de historiador tantas têm visto. Sofri imenso. Hoje, tranquilo, venho dar a V. Ex.ª a minha adresse, como me disse da última vez que o visitei para pedir a V. Ex.ª a sua intervenção junto do Dr. Eduardo Prado: pedido que tomei a liberdade de lhe fazer sem que as nossas relações mo consentissem, é verdade, mas tendo apenas o estímulo da amizade que V. Ex.ª tem aos meus versos, o que me comove excepcionalmente por vir dum espírito que amo do coração e a que devo tanto. Espero me desculpará.
O Sr. Oliveira Martins, desse querido Portugal, disponha de mim, se dalguma coisa posso ser-lhe agradável neste País, agora tão lúgubre, sob a neve que está a cair.
Sou de V. Ex.ª, com a maior simpatia, muito admirador e dedicado criado,
António Nobre
In F. A. Oliveira Martins, Oliveira Martins e os Seus Contemporâneos

Oliveira Martins

domingo, outubro 01, 2006

Correspondências #61 - Carlos Lobo d'Ávila a Oliveira Martins

Cascais 29 de Setembro 85

Meu caro Oliveira Martins
Há bastantes dias que estou com tenção de lhe escrever. Mas esta mofina vida de praias é esterilizador até para a epistolografia. De resto, tenho tido as Novidades quase sempre às minhas costas, o que é um verdadeiro pesadelo para a m.ª preguiça em vilegiatura. Enfim, passons au déluge!
Escrevi ao Navarro uma larga carta depois da conversa que tive em Lisboa com o meu amigo. A m.ª carta foi a Buarcos, cruzou-se com o Navarro no caminho, e só o veio apanhar de novo em Lisboa, onde ele esteve alguns dias. É claro que eu me referia à polémica entre a Província e o Popular, ao conflito inevitável criado por ele, e que lhe perguntava o que pensava a tal respeito.
O Navarro respondeu-me franco e claro. Não quer sacrificar-se pelo Mariano, mas não quer identificar-se com a guerra que lhe fazem. A sua fórmula foi esta: por ora só sei para onde não quero ir. O meu amigo compreende o caso; é para o José Luciano. Sabe também como eu penso a tal respeito, e percebe portanto a flutuação, a incerteza, a anódina reserva em que paira por isso a orientação das Novidades.
De resto não insisto em comunicar-lhe o meu modo de pensar pessoal sobre as coisas e os homens. O meu amigo de sobejo o conhece. Sabe também como eu admiro o seu talento, prezo o seu carácter e estimo a sua pessoa. Tenho fé em que a vida nova há-de afinal triunfar; mas a nossa suprema dificuldade, neste momento, além da febre de ganância que oblitera os carácteres políticos, é a pouca robustez do nosso bom e querido Braamcamp, sobre cuja morte descontam já as suas letras todos os magnates do partido progressista. Garantam ao Braamcamp dez anos de vida, e o partido une-se, porque se acaba com a luta de ambições, que internam.te o devora, e porque o futuro certo faz esvair todas as miragens de futuros imaginários.
Até para o nosso caso, o Navarro deixaria de ter um José Luciano de Damocles suspenso sobre a sua cabeça, como um eterno cauchemar, e havia de marchar mais direito e resoluto.
Como, porém, não é possível fazer um contrato com o Criador relativamente à vida do nosso insubstituível chefe, resta ir boiando nestas águas turvas, em que vários pescam negócios, enquanto nós só apanhamos sensaborias no nosso anzol.
Escreva-me o meu amigo sempre que puder, na certeza de que as suas cartas são sempre m.to apreciadaspor quem é deveras
Seu am.º e adm.or certo
Carlos Lobo d'Ávila
P. S. Recados ao Barros e ao Luís. É inútil que eu diga que esta carta é só para nós. Falo-lhe como a um amigo, em quem muito se confia.
In F. A. Oliveira Martins, D. Carlos I e os «Vencidos da Vida»

Oliveira Martins

quinta-feira, agosto 10, 2006

Caracteres móveis - Oliveira Martins

Não, não vale a pena viver, desde que a vida é para nós apenas uma ocasião de gozo, pois quanto mais se cultiva o espírito mais se demonstra a inanidade do prazer.
«Chambigismo», Dispersos, t. II
(edição de António Sérgio)

Oliveira Martins

domingo, junho 18, 2006

Correspondências #49 - Alexandre Herculano a Oliveira Martins

[1869]


Il.mo Snr.
V. S.ª teve a bondade de me remeter o seu opúsculo acerca de Teófilo Braga e do Romanceiro e Cancioneiro Português, acompanhando a dádiva de uma carta recheada de expressões tão exageradamente benévolas que não sei se as agradeça, se me limite a esconder a mesma carta para que ninguém a veja.
Sempre tive grandes dúvidas sobre a doutrina da superioridade das inteligências; isto é, da diferença de inteligência a inteligência, quando estas são completas. No que acreditava, na época em que pensava nessas cousas, era na superioridade das vontades. O querer é que é raro; e tenho a consciência de que fui um homem que quis nas cousas literárias. Desde que perdi o querer, caí na vulgaridade. Hoje não passo de um homem vulgar.
Aqui tem V. S.ª a verdade da minha apoteose.
Quando profundos desgostos me forçaram a descrer das letras, e ainda mais do país, as tendências da actual mocidade estudiosa apenas despontavam no horizonte, se despontavam. V. S.ª faz-me, ou o favor, ou a justiça, no seu opúsculo, de me supor homem de análise. Não há-de, pois, de admirar-se que lhe diga que me parecem perigosas, para não dizer outra cousa, essas tendências. A generalização, a síntese, são, em absoluto, cousas excelentes: são a ciência na sua forma definitiva e aplicável. Mas, para generalizar e sintetizar, é necessário haver que. Ora, a história, na significação mais ampla da palavra, ainda não possui elementos suficientes para a generalização. Desde a paleontologia e a etnografia, até à história das sociedades modernas, há muitos factos adquiridos indubitável e indisputadamente para a ciência; mas há muitos mais ignorados, incompletamente conhecidos, ou disputados; e isto não só na história política e na social, mas também na do desenvolvimento intelectual do género humano, na das letras e da ciência. Que síntese séria é possível assim? Enquanto a análise não tiver subministrado uma extensa série de monografias definitivas, as sínteses que andam por aí correndo não passam de romances pouco divertidos, quando não são piores do que isso: uma geringonça absurda.
No tempo em que eu andava peregrinando por esse mundo literário, antes de me acolher ao mundo tranquilo de santa rudeza, conversei um pouco com Vico e Herder, com Vico e Herder como a Itália e a Alemanha os geraram, e não como os aleijaram e embaiucaram os cabeleireiros franceses (todo o francês, com raras excepções, tem um pedacinho de cabeleireiro). Sempre me pareceu que tinham nascido muito antes do seu tempo. Deus ter-lhes-á de certo perdoado o mal que fizeram. Sem o quererem, nem pensarem, deram origem a uma cousa em história que eu só sei comparar ao gongorismo da poesia e da prosa literária do século XVII.
Desculpe V. S.ª esta franqueza de um homem do campo. Tenho-a, porque o seu opúsculo revela um escritor, e, posto que hoje eu não passe de um profano, far-me-ia pena se o visse perdido por esse desvios das simbólicas, das estéticas, das sintéticas, das dogmáticas, das heróicas, das harmónicas, etc..
Teófilo Braga é uma inteligência completa e uma grande vocação literária, mas uma fraca vontade: gosta de fazer ruído; deseja adquirir reputação; não possui, porém, o querer robusto que vai até o sacrifício, que vai até o martírio, e que é preciso para se tornar um homem verdadeiramente superior. Achou a porta do abstruso sintético e simbólico engrinaldada de maravalhas francesas: meteu-se por ela; e, em resultado, aí temos, não direi a Visão, as Tempestades e a Ondina, porque não quero que V. S.ª fique mal comigo, mas direi a História da Poesia Popular e os Forais que V. S.ª mesmo trata desapiedadamente.
Nestas matérias, peço a V. S.ª que se volte um pouco para a análise. Há tanto que fazer por esta parte! Relendo o seu folheto daqui a anos, há-de conhecer que o conselho era sincero e amigável. Dir-me-á porque não o dou a Teófilo Braga? Porque não o aceita. Aquele, ou já se não cura, ou há-de curar-se a si mesmo. É o que, sem lho dizer, eu do coração desejo. Disponha V. S.ª da inutilidade deste aldeão que é, de V. S.ª V.or e C.
In Oliveira Martins, Alexandre Herculano
(edição de Joel Serrão)

Oliveira Martins