Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Assange. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Assange. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 25, 2024

Assange -- e também os outros

1. O poder dos estados não hesita em massacrar o indivíduo. Após a denúncia da WikiLeaks, que revelou, entre outras coisas, os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Afeganistão, ou que espiavam os próprios aliados (quem não se lembra do embaraço de Obama com Merkel?), o poder não ficou parado. Comprou magistrados na Suécia, engendrando um muitíssimo mal amanhado caso de "violação" num ménage à trois; e contou com a subserviência da Inglaterra e da própria Austrália, o país de Assange...

2. Só a força conjugada da opinião pública mundial com a imprensa livre pode enfrentar o poder e forçá-lo a ceder. A fórmula arranjada serve para tentar minimamente salvar a face dos Estados Unidos, que não obstante tem a seu crédito a infâmia de Assange ter estado doze anos arrecadado, primeiro na embaixada do Equador em Londres e numa prisão de alta segurança nos últimos cinco anos.

Assange não é o único. Edward Snowden, um patriota americano que revelou aos concidadãos que eram vigiados pelo próprio governo -- a quem Putin, num gesto de grande dignidade concedeu a cidadania russa por ocasião da invasão da Ucrânia -- está exilado. Mas há pior, e não nos podemos esquecer deles: Abdullah Öcalan, patriota curdo, antigo líder do PKK, preso desde 1999 na Turquia; Marwan Barghouti, palestino da Fatah, nas prisões israelitas; Ales Bialiatski, professor de Literatura e defensor dos direitos da cidadania bielorrussa; e a maravilhosa e heróica Narges Mohamaddi, coleccionadora de encarceramentos no regime clerical iraniano, por recusar-se a usar o chamado "véu islâmico" (por cá justificado pelo wokismo  idiota) -- os seja por recusar-se a ser uma pessoa de segunda classe na própria sociedade.  

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

NAVALNY x ASSANGE, felizmente temos "os nossos valores"

Chego ao restaurante, televisão sem som sintonizada na RTP3, vejo que Alexei Navalny morreu na prisão; saio, e o tema continua, ininterruptamente. Pude verificar que a Casa Branca emitiu um comunicado a dizer que se a notícia se confirmar "será uma tragédia"; Blinken a sustentar que o acontecimento ilustra "a fraqueza e a podridão do regime de Putin"; e ainda aquela camela inútil que é vice-presidente, cujas emanações da cavidade oral não pude apurar. Cereja no topo do bolo: a anedota demissionária que passa por ministro do Estrangeiros português, acusa o presidente russo do sucedido.

Ri-me várias vezes. Não da morte de um homem na prisão, por muito detestável que fosse o seu trajecto de antigo militante da extrema-direita xenófoba russa. A CIA teve sempre a inclinação para recrutar e branquear neo-nazis e tralha conexa para transformá-los em paladinos da liberdade. Dos nossos valores, portanto. Não tenho nenhuma prova de que Navalny trabalhasse para a CIA, mas não tenho dúvida de que estava feito com os americanos. O método topa-se à légua, e já foi experimentado muitas vezes desde há décadas. E os russos sabem-no.

Isto para dizer que, se ele foi assassinado na prisão, não faço ideia sobre quem terão sido os mandantes. Ou melhor, faço: ou foi o Kremlin (é verdade que com Putin cada vez menos se brinca, apesar de agora ter dado em humorista) ou foi a CIA (currículo vasto).

Vai ser um dia a ouvir os papalvos do costume, ainda bem que estou em viagem.

Já agora: o que é feito do Julian Assange? A sorte que ele tem em pertencer ao mundo livre. 

segunda-feira, julho 03, 2023

quarta-feira, maio 10, 2023

banalidades e votos pios em Estrasburgo (ucranianas CLXXXIII)

 O Presidente da República foi discursar a Estrasburgo. Pelo resumo, ter ido ou não, dá no mesmo, apesar de aplaudido de pé pela maioria dos eurodeputados dum parlamento desacreditado. Falou do sacrifício de Julian Assange?; do exílio de Carles Puigdemont na Europa dos nossos valores?; do estranho caso duma presidente da Comissão que se comporta como um governante eleito (e ao serviço dos americanos)? Não falou. Então o que foi Marcelo Rebelo de Sousa lá fazer? Nada -- ou mostrar-se atilado e obediente a quem efectivamente está a destruir a União Europeia como ideia, que não é certamente o Putin, embora este também pudesse gostar. Mas quem precisa de inimigos com governantes e aliados destes? Ainda ontem, Olaf Scholz veio dizer que é preciso acabar com a regra da unanimidade. Está-se mesmo a ver o que será ou seria (a situação pôr-se-á cada vez com maior acuidade, é uma questão de esperar). No fim, para tornar tudo mais grotesco, toca de convidar a Metsola. E é esta vacuidade que Marcelo tem para nos dar. 

Mesmo sem saber até onde chegará, vale mais uma declaração de Lula no saguão de uma embaixada em Londres do que todas as frases de cómica banalidade exaltante proferidos pelos líderes deste deprimente Portugalinho. E isto não tem tanto que ver com a dimensão dos países (o Brasil com Bolsonaro não era ouvido por ninguém ou então era desprezado, mesmo pelos Estados Unidos), mas dos governantes. 

Portugal, país médio europeu, que só é irrelevante pela irrelevância das élites governantes, poderia ter uma voz que o distinguisse, mesmo consciente de todos os constrangimentos e da nossa situação geográfica, que nos obriga a ter uma relação especial com os EUA, assim como a Ucrânia terá sempre de relacionar-se com a Rússia, agora ou daqui a um século. Claro, há um plano declarado por estes líderes geniais que nos couberam em sorte que tem a derrota da Rússia como desiderato, que na verdade é uma neutralização/domesticação pretendida pelo americanos e papagueado por todos os políticos de meia-tigela. Que Portugal não tire partido da sua história de laços estreitos com o Brasil e os estados africanos para ter uma voz diferenciada (e não obrigatoriamente dissidente) e positiva para a própria Europa, diz muito de um estado de coisas que passa por meter a Metsola numa reunião do Conselho de Estado.

sexta-feira, fevereiro 24, 2023

tenham vergonha e calem-se (ucranianas CLXVI)

Os russos -- ou, se quiserem, o poder russo até agora sufragado pela maioria dos cidadãos -- não querem os americanos a ladrar-lhes à porta (uso a sábia expressão do papa Francisco), russos que já lá têm uma quinta coluna, cuja face visível é um tipo da extrema-direita, provavelmente pago pela CIA, convertido em herói dos "nossos valores", chamado Navalny, 

Uma criatura destas é um herói da úrsulas, dos borréis, ou dum reles patife como o Boris Johnson.

Os valores das pessoas decentes não estão aqui, estão nos verdadeiros heróis (uma bisca para Marcelo): o curdo Abdullah Ocallan, há longos anos na cadeia; o palestino Marwan Barghouti, idem, o tibetano Tenzin Gyatso (o Dalai Lama), no exílio, sem esquecer o martirizado Julian Assange, ou o refugiado Edward Snowden.

Portanto, tenham vergonha e calem-se.

sábado, outubro 08, 2022

o Nobel da Paz - Bialiatski, muito bem, mas esqueceram-se do Assange

Confio na boa-fé do Comité Nobel para a Paz, e não é por nem sempre ter acertado que perde importância. Tem-se falado do falhanço de Barack Obama quanto à politica externa; sim, mas também não: Cuba e Irão fizeram jus ao galardão, do meu ponto de vista. Poderia falar de muitos casos, mas o antigo presidente norte-americano chega.

Quanto aos que foram atribuídos ontem: começo já por dizer que não estou suficientemente informado sobre as duas associações da sociedade civil, portanto remeto-me à tal confiança no dito Comité.

Quanto a Ales Bialiatski, de quem nunca ouvira falar, só posso louvar a decisão. Prisioneiro político, assim designado pela sempre credível Amnistia Internacional, tenho por estas pessoas a maior admiração e consideração e simétrico desprezo pelo poder ou poderes que combatem. Tenho pena que a Nobel tenha esquecido Assange -- não sei se por medo de polémica, que parece não ter, ou Snowden, felizmente ao abrigo de retaliações.

A anedota merdiática: não faltou quem mencionasse Zelensky, uma marionete do Pentágono ou do Navalny, alcandorado a democrata pelos patifes dos americanos, e que desconfio não passar de um agente da CIA (quem vem do partido nacionalista-populista do Jirinovsky, o crédito que tem é zero).

terça-feira, outubro 04, 2022

a teatrice do Biden de dedinho em riste, no dia da anexação -- e ainda Edward Snowden, para embrulharem (ucranianas CXXX)

Putin pode ser muitas coisas, mas não é parvo. Como também não é louco, é óbvio que nunca, mas nunca, atacará um país Nato, pois sabe que a resposta seria imediata e, pelo menos, proporcional.

Esta possibilidade insana tem sido vendida à opinião pública ocidental, demasiado imbecilizada para ler por detrás das palavras e facilmente manipulável. Só isso justifica que países como a Suécia e a Finlândia, que aguentaram firmes a pressão soviética -- ao pé da qual a chamada Operação Militar Especial não passa disso mesmo, uma guerra dir-se-ia envergonhada --, se vissem forçadas pelo medo a renunciar à neutralidade.

À estratégia inicial, desgastar a Rússia usando a mão-de-obra ucraniana pobre -- porque os ricos puseram-se ao fresco, como podemos testemunhar diariamente e ao vivo --, somam-se os réditos da venda de armas que compensará certamente os milhares de milhões de dólares da ajuda  americana ao suicídio ucraniano (para não falar dos grandes contratos para a reconstrução em perspectiva).

Escrevi aqui, no início da guerra, que os americanos iriam defrontar a Rússia até ao último ucraniano; é o que estão a fazer, com razoável insucesso -- apesar de a propaganda mostrar a conquista de cada aldeola como uma nova batalha de Stalingrado.

À anexação dos antigos territórios da Ucrânia, Biden, teatral, esticou o dedinho e "avisou" Putin que defenderia cada centímetro do território dos países Nato. 

Como este patife sabe que a Rússia não é suicidária, a propaganda pateta feita para patetas tem como finalidade única a de prolongar a guerra. Para já, os cúmplices declarados, além dos britânicos e do governo ucraniano, são os polacos, os estados bálticos e a Comissão Europeia, essencialmente. Mas não admira nada que a cumplicidade se alargue, quando forem ainda melhor sucedidos em arrastar-nos para esta guerra de merda. E não faltarão pascácios, desgrenhadas ou belicistas de sofá -- citando o general Carlos Branco, este e alguns mais que deveriam ser ouvidos por quem quer aprender qualquer coisa -- a pretenderem atirar-nos para dentro do caldeirão, em nome dos nossos valores.

Por falar nesta piadola farsante designada por nossos valores -- os dos filhos-da-puta que me censuraram a RT, por exemplo  --, ao atribuir a cidadania russa a Edward Snowden, pondo-o a salvo da tortura que há anos os nossos valores infligem a Julian Assange, fez mais o negregado presidente russo pelos ditos do que todos estes propagandistas de circo.  

sexta-feira, junho 17, 2022

Assange

A entrega de Julian Assange à "justiça" americana, Nada para estranhar, vindo de um governo chefiado por um bandalho.

quarta-feira, abril 20, 2022

ah, que orgulho nos nossos valores... (ucranianas LXXI)

Sempre a pugnar pela liberdade e a autodeterminação dos povos, Pedro Sánchez irá a Kiev; claro que isso vai obrigá-lo a fazer marcha-atrás na traição ao povo do Saara Ocidental. Vindo de Kiev, passará por Barcelona, Bilbau e Santiago de Compostela, anunciando o exercício pleno do da democracia -- que ele, Sánchez, não é um reles troca-tintas --, com um referendo sobre a autodeterminação daquelas nações. E já agora, uma pergunta aos oliventinos, cuja vila ocupam ilegalmente: querem voltar ao Alentejo ou permanecer espanhóis?

Diz-se que estarão mulheres e crianças nos estaleiros de Mariupol, onde aboboram os neo-fascistas do Azov. A ser verdade, estão lá a fazer o quê? E a resposta certa é...

E já que estamos a falar dos nossos valores, parece que o Assange sempre será extraditado, depois de anos de tortura (refúgio numa embaixada e solitária na cadeia). Que a Inglaterra, desde que deixou de ser a superpotência imperial que foi até há pouco mais de um século, passou a mastim da ex-colónia.

E já agora: que coveniente aquela acusação de desvio de fundos contra a Le Pen. Se é assim que a UE pensa que vai sobreviver, podemos já dizer adeus a essa bela aspiração secular.

Ah, os valores europeus, que orgulho, que orgulho...

Mas, para mim, nada há de mais valioso do que os valores dos Estados Unidos, democracy, sempre!

ucranianas

quinta-feira, fevereiro 24, 2022

Ucrânia e simplismos: a situação exige perguntas, ou quando um porco é sempre um porco

1. Declaração prévia. Sou pela autodeterminação dos povos. Isto serviria para apoiar a luta anticolonialista de Angola, Guiné e Moçambique, se houvera idade para tal na altura (nasci em 1964); isto serve para o povo ucraniano e serve para o povo russo, nomeadamente o que vive no Donbass (como serve para os catalães e outros). Ou há convicções e somos coerentes, ou não passamos de troca-tintas. E eu nunca pude com troca-tintas, causam-se repulsa, inclusive física. Logo. de acordo com os russos no Donbass, em desacordo se pretenderem suprimir o estado ucraniano, algo que duvido possam conseguir, mesmo se isto passa pela cabeça do Putin. No entanto, a Ucrânia só pode queixar-se dela própria, e do amigo-da-onça americano. Democracy, sempre. Que o diga o Assange aí ao lado, ou o Snowden no exílio. Um porco é sempre um porco.

2. Dir-me ão, mas não se pode andar a mudar fronteiras pela força (os restos dos Impérios soçobrados na Grande Guerra). E eu digo, ah, pois não... A não ser que...

3. Pergunta importante #1 e a ser repetida as vezes que me apetecer: é ou não verdade que tomaram para com Gorbachev o compromisso de não expandir a NATO, nomeadamente aquando da reunificação alemã? 

4. Embora o poder corrompa (e o poder absoluto corrompa absolutamente), recuso-me a análises ao nível do programa do Goucha. Ainda hoje ouvi na Antena 1 ao Milhazes esta pérola: o Putin é paranóico. Acho que a minha cadela faria uma análise mais fina. Ainda não percebi o que é o Milhazes, mas também não vou perder tempo com ele.

5. Repetindo-me: a Ucrânia não podia ser como a Finlândia? Poderia, se ela não estivesse a ser usada pelos americanos na desestabilização da Rússia (posso tentar explicar, noutra altura). Além disso, há sempre boas oportunidades de negócio. E poderia também se as lideranças fossem outras, embora em abstracto eu não tenha má opinião do Zelensky. É inteligente mas não teve  arcaboiço para manter a Ucrânia imune às pressões dos interesses, o que convinhamos nunca seria fácil.

A quem interessar está aqui o que escrevi sobre a Ucrânia desde 2014. Vale o que vale, a opinião de um observador interessado, sempre de boa-fé, e que não gosta de rebanhos e ainda menos de vigaristas.

Haverá mais perguntas a fazer e a repetir.

terça-feira, janeiro 25, 2022

a nulidade do Borrell diz que a Europa está em perigo

 ah, pois está. Em perigo não apenas por poder ser palco das consequências da resposta russa à predação americana (com várias cumplicidades dentro da UE, além do bulldog inglês que vai à frente a fazer o trabalho sujo). mas a Europa está realmente em perigo quando permite que destruam um homem, precisamente o que revelou as patifarias que constam dos WikiLeaks, e a quem o mundo livre tem muito de agradecer.

A Europa está em perigo quando tortura assim um homem, está em perigo quando nega aos povos o direito de autodeterminação como na Catalunha, com exilados políticos no seu seio, e enquanto tiver à frente criaturas como o Borrell, entre outras.



Tal como aconteceu com a prisão do Lula, por outro tipo de patifes, o Assange vai passar a constar da barra lateral, neste noutros blogues.


sábado, dezembro 18, 2021

Vamos então admitir que Navalny é um activista pelos direitos humanos na Rússia; e o que são Assange e Snowden? (ou um Parlamento Europeu sem dignidade)

 Talvez influenciados por esses extraordinários democratas e combatentes pela liberdade -- desde o tempo das Repúblicas das Bananas da América Central ao glorioso derrube de Saddam -- outro marco na história da democracia, dos direitos humanos e da decência, já gora -- o Parlamento Europeu juntou-se à ofensiva anti-russa levada a cabo pelos Estados Unidos, com os estados-marionetes atrelados.

Ninguém sabe o que é Navalny, só o próprio ou pouco mais. Por mim, suspeito que seja um agente da CIA; mas dou-lhe o benefício da dúvida. O problema aqui não é Navalny mas o Parlamento Europeu que se presta a a fazer uma figura miserável, com a agravante de ser tolerante com a perseguição desumana que estão a fazer a Assange -- alguém a quem objectivamente todos devemos muito. E não falo no fantástico Edward Snowden, que se refugiou num dos raros países em que podia estar a salvo de uma condenação pesadíssima. Falar em Snowden é tabu para estes tipos sem nenhuma dimensão política.

A vergonha. Sou europeísta, sempre fui, e não sou dos que, contestando determinadas orientações políticas, pretendem deitar fora o bebé com a água do banho. Portanto, o meu sentimento de ultraje é grande, não apenas pelo facto de a UE e o PE se comportarem como paus-mandados dos interesses americanos, mas também pela cumplicidade que têm demonstrado no caso Assange.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

a Comissão Europeia, a Cotec e a Geringonça

A Comissão Europeia foi tomada por criaturas sem estofo e com mentalidade de gestores de fundos de pensões, técnicos de recursos humanos, funcionários de agências de comunicação, public relations, vendedores de automóveis; pequenos mercenários em deslumbre com o próprio desenrascanço, inconscientes da mediocridade dos paizinhos que os pariram ou da bruteza terrunha dos avoengos. Por cá, no governo anterior, havia disso aos molhos. 

Haver, por outro lado, presos políticos e exilados catalães na União Europeia, não interessa nada; estar o Assange há cinco anos confinado numa embaixada em Londres, o que é isso?*; o que é mesmo chato é a protecção excessiva dos trabalhadores, como ontem sabiamente alertou a Comissão.

Entretanto, num encontro presidido pelo tipo dos CTT, que tem feito um lindo serviço, a COTEC -- nome de cooperativa de industriais de aviários --, o Presidente da República diz que precisamos de sistemas políticos 4.0 . Não sei é como será o tal sistema 4.0 compatível com a doutrina pregada pelo bom Papa Francisco, que Marcelo Rebelo de Sousa tanto aprecia, e já agora eu também. O que sei é que os gestores de fundos com veleidades políticas, aqui e na Europa, não desarmam.

Também nós por cá não podemos baixar a guarda. A Geringonça serviu para isso, convém que os que lhe deram forma não se esqueçam, porque a selvajaria está à espreita.

Em tempo: O PR também falou em políticas sociais 4.0, seja lá o que isso for, embora de certeza não seja (ou não deva ser) a multiplicação dos bancos alimentares contra a fome.

(*bravo, Snowden; e bravo Snowden)

sábado, maio 20, 2017

esta nódoa da Suécia vai custar muito a sair

Parece que a Suécia voltou a dar-se ao respeito, desistindo da farsa judiciária que obriga Julian Assange a estar asilado na embaixada do Equador. Como, porém, a Inglaterra anda há muito entregue a atrasados mentais e criminosos, já se terá predisposto a continuar o trabalho sujo. Apesar de tudo, que nódoa para a Suécia.

quarta-feira, outubro 14, 2015

se o governo de Angola não se dá ao respeito, não merece ser respeitado

Nunca alinhei naqueles ataques a Angola por causa da corrupção e assuntos afins. Por várias razões: em primeiro lugar, porque considero uma atitude neo-colonialista. Depois, sobre corrupção, não temos lições a dar a ninguém, muito menos a uma ex-colónia. Quinhentos anos de colonização são quinhentos anos de pilhagem e morte. Portanto, quanto a isso, muito cuidadinho e decoro.
Outra coisa são os direitos humanos! Aí não há países nem ingerências nem sensibilidades nem cerimónias. Por isso, quando um governo de qualquer país atenta contra a dignidade do ser humano, impedidndo-o de se manifestar e encarcerando-o, tem de estar sob forte pressão condenatória da comunidade internacional.
Assim, enquanto o governo e a justiça angolanas não se comportarem civilizadamente neste caso dos jovens detidos, entre os quais está o grevista da fome Luaty Beirão (estou-me nas tintas para a nacionalidade dele, dupla ou tripla), a denúncia do caso e execração da atitude do governo de Angola -- que tem de acabar rapidamente com esta farsa -- é um dever de todos os que têm a Liberdade de consciência e de expressão como valor absoluto e sagrado. 
E já agora, com Luaty Beirão, quero lembrar outros presos políticos: o palestiniano Marwan Barghouti, o curdo Abdullah Öcalan, o chinês Liu XiaoBo, o australiano Julian Assange e o norte-americano Edward Snowden.

terça-feira, dezembro 16, 2014

JornaL

No I

* No Porto, um taxista javardo agrediu a soco uma cliente que se despediu de uma amiga com um beijo na boca. É natural que o javardo seja despedido, é provável que vá a tribunal e seja condenado a uma pena menor qualquer. Sugiro trabalho comunitário numa organização lgbt.

* Na Bélgica, uma greve-geral a sério contra a austeridade: não houve jornais, televisões em serviços mínimos, grandes superfícies encerradas.

* Leio a mini-entrevista de Mário Tomé, a propósito dos 40 anos da UDP. Nada a dizer.

* Pelo contrário, uma grande e sensacional entrevista de Édouard Louis, jovem escritor e gay, oriundo das classes desfavorecidas francesas, em que medra o racismo, a xenofobia, a intolerância, sagazmente aproveitadas pela Frente Nacional. Louis, que publicou um romance-choque, Para Acabar com Eddy Bellegueule, em que vê de fora e à distância da sua formação universitária o lumpen  nacional de que é oriundo, e questiona a forma como a política institucional e a imprensa mainstream tratam esse segmento popular da sociedade, amedrontada não apenas com o outro mas também com o que lhe vai sendo retirado e que antes era tido como certo. Amedrontada e desorientada: as coordenadas das classes mais pobres e desinformadas devem ser semelhantes cá e em França: entretenimento boçal, pestilência mediática.

* Depois de Assange e Snowden, outro tipo excepcional: Antoine Deltour, 28 anos, o homem que primeiro revelou o miserável esquema fiscal dos LuxLeaks. Já tem a Justiça luxemburguesa na peugada. 

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A TIME tinha razão, de A a Z

O que está a passar-se no Norte de África, Tunísia e depois Egipto, e a alastrar para o Médio Oriente, revoluções facebook, demonstra que a Time teve razão em substituir o Assange dos leitores pelo Zurckerberg da redacção.