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sábado, maio 02, 2026

notas sobre «Mau Tempo no Canal», de Vitorino Nemésio

Caracterização: romance de costumes; romance de espaço; romance psicológico; romance social, autobiografismo 

Tema: o desencontro amoroso (tema eterno - José Régio), a questão de classe; o entendimento do casamento por Margarida 394-395.

Personagens -- o narrador mostra simpatia por todas Margarida Clark Dulmo, João Garcia, mas também o homossexual Ângelo ou patifes como Januário Garcia e Diogo Dulmo, não são desprovidos de humanidade. Ou seja, não são caricaturas, pecha muito apontada, por exemplo, ao Eça; 

Margarida: uma mulher e três homens: João Garcia, formado em Direito, mas poeta; militar de circunstância; Roberto Clark, o tio de Londres, muito na sua; André Barreto, o aristocrata de modos e extirpe recente, mas endinheirado;

Mateus Dulmo, o velho tio; os mortos, como Margarida Terra ou a moribunda mãe de João Garcia, Emília;

(Alfredo Nina – Jaime Brasil);

a memória de Fernão Dulmo (Ferndinand van Homen) - um dos primeiros povoadores da ilha Terceira, com mercê em 1486, por D. João II da capitania da Ilha das Sete Cidades e outras a descobrir.

Episódios: a "peste" (o imponderável); a caça à baleia (o trabalho); a hospitalidade e os dias passados na Urzelina; a tourada em São Jorge (o lazer); o epílogo perfeito: a serpente

Estratificação social: nobrezas antiga, burguesia recente e povo (Manuel Bana).

Atmosferas: paisagens, clima, o território (ilhéu, neste caso); o mar omnipresente.

Estilo ironia, graça, fluência, riqueza das imagens e das metáforas; Nemésio escreve como a água que corre -- já o escrevi e repito. 

Erudição profunda do esplêndido académico, dada com toda a naturalidade do grande poeta que foi.

quinta-feira, outubro 09, 2025

zonas de conforto

Jaime Brasil a Ferreira de Castro (1925): «Paris, 14/10 // Meu caro Castro, // Como vai isso? Bem? Não sei se já lhe escrevi ou não. Ando arrasado das viagens, hábitos alterados... o diabo. O M. Domingues já veio? / Estou na R. Richer, 26 Pension Home. Se  for necessário qualquer coisa escreva até ao dia 20. / Recomende-me à "Tertúlia". Abraça-o o am.º e camarada / Jaime» Cartas a Ferreira de Castro (2006) - ed. Ricardo António Alves § Vergílio Ferreira: «Fomos a Fontanelas, levámos o Lúcio, de Bolembre. Lúcio cresce, distancia-se. Não decerto no afecto -- no que no-lo marcou como criança. Com ele, também, a fuga do tempo. A casa do Rogério -- o jardim. Súbita melancolia, o espectro do passado, ou seja da morte.» Conta-Corrente 1 (1980) § José Duarte: «Em nome do Pai... / e do Filho... / e de John Coltrane» Cinco Minutos de Jazz (2000) § Machado de Assis: «É  preciso dizer que ele padecia do coração: -- moléstia grave e crônica. Pai José ficou aterrado, quando viu que o incômodo não cedera ao remédio, nem ao repouso, e quis chamar o médico. / -- Para quê? disse o mestre. Isto passa.» «Cantiga de esponsais», Histórias sem Data (1884) § Manuel Tiago: «Mas em todo o seu físico, na rigidez do tronco e no dispor das pernas, nos gestos e olhares, transparecia qualquer coisa que o distinguia de um vulgar lavrador, qualquer coisa de arrogante, ousado e impertinente. Cinco Dias, Cinco Noites (1975) § José Bacelar: «E pontos de vista todos eles igualmente admissíveis, todos eles dignos de atenção, todos eles justos. Assim, que, na complicada construção dum edifício, o carpinteiro considere tudo sob o ponto de vista da carpintaria, o pedreiro sob o ponto de vista da alvenaria, o pintor sob o ponto de vista da pintura, são realidades contra as quais o espírito livre nada tem que dizer. Nada mais natural -- e nada talvez mais necessário.» Arte, Política e Liberdade (1941) § Fialho de Almeida: «Duma ocasião, sozinho no meu quarto, eu considerava uma rosa branca que emurchecia num copo, tão triste! Disse-lhe assim: "Tu sofres!" Ela curvou-se mais sobre a haste, aquiescendo, e vi-lhe duas lágrimas nas pétalas. Nunca pude saber quem fosse esta mulher.»  O País da Uvas (1893) - «Pelos campos»

sexta-feira, janeiro 19, 2024

vermelho e negro

«Ânsia sublime de liberdade, que despedaça o ferro, que afronta as balas, que ludibria a própria morte!» Ferreira de Castro, «Evadidos!», A Batalha (1924)* / «Era tão bom que todos nos habituássemos a ser mais indulgentes para os simples erros ou lapsos alheios e olhássemos para a obra, apreciando-a no seu conjunto, avaliando a sua utilidade, e guardássemos os rigores para o que nós próprios fazemos!» Emílio Costa, «Os críticos implacáveis», Filosofia Caseira (1947) / «Qualquer contacto de sexos, que noutra hora seria ternura, no Carnaval há-de ser violência e sangue e estupro.» Jaime Brasil, «Carta do Povo sobre a loucura do Carnaval», A Batalha (1924)**


*Ecos da Semana -- A Arte, o Artista e a Sociedade (edição de Luís Garcia e Silva)  ** Voz que Clama no Deserto (edição de Elisa Areias e Luís Garcia e Silva, 2007)

terça-feira, janeiro 09, 2024

vermelho e negro

 «Por esse conduto de crimes, toda a rixa acaba numa facada, toda a ambição num furto, toda a carícia numa violação.» Jaime Brasil, «Carta do Povo sobre a loucura do Carnaval», A Batalha (1924)* «Quem quiser compreender profundamente a situação dos negros americanos que repare na analogia tremenda da luta dos pretos espoliados dos seus direitos contra os brancos que lhos negam e a luta dos trabalhadores enganados contra a burguesia que os engana.» Mário Domingues, «Colonização», A Batalha (1919)** «Tu rugias quando a Ordem te maltratava a república nas pessoas sagradas dos seus caudilhos, e o que te levou à Rotunda, hás-de concordar, não foi o programa do partido republicano -- conheceste-lo tu mesmo? -- o que te levou lá foi a ânsia de desagravar uma amante dos ultrajes dum bêbedo.» Manuel Ribeiro, «A um herói da Rotunda», O Sindicalista (1911-12) ***


* Voz que Clama no Deserto (edição de Elisa Areias e Luís Garcia e Silva, 2007)  ** / A Liberdade não se Concede, Conquista- se. Que a Conquistem os Negros!, edição de António Baião (2023) / *** Na Linha de Fogo  Crónicas Subversivas (1920)

quinta-feira, dezembro 28, 2023

vermelho e negro

«A ter de empunhar uma espada, que ela sirva para fazer triunfar algo que possua signos inéditos, algo que constitua uma nova aspiração; embora esta venha a fenecer em breve, como sucedeu na Rússia.» Ferreira de Castro, «Sadoul e Wrangel», A Batalha (1924)* / «Abrem-se nesta hora as válvulas dos instintos inferiores e os vícios ejaculam-se, em série.» Jaime Brasil, «Carta do Povo sobre a loucura do Carnaval», A Batalha (1924)** «Eliseu Reclus, com o seu vasto saber, desprezava honrarias -- não fingia desprezar, desprezava-as -- vivia pobre, preferia a companhia, a convivência dos operários, dos camaradas em ideias, dos discípulos de boa vontade; não confundia a legalidade com a justiça, nem a autoridade com a razão; e, ainda por cima, proclamava-se abertamente um libertário, um anarquista.» Emílio Costa, «Recordando», Seara Nova (1930)***


* Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade (edição de Luís Garcia e Silva, 2004); ** Voz que Clama no Deserto (edição de Elisa Areias e LCS, 2007); *** Eliseu Reclus (edição de EA e LGS, 2006).

segunda-feira, janeiro 09, 2023

das ideias justas e outros caracteres móveis

«Nenhuma ideia justa -- como nenhuma semente -- se perde; e todas elas vão ter a sua repercussão na consciência geral; essa repercussão mais cedo ou mais tarde transforma-se em facto.» Eça de Queirós, «Revista crítica dos jornais», Distrito de Évora (1867) -- Prosas Esquecidas (edição de Alberto Machado da Rosa)

«Repara na fé dos nossos militantes, no seu desinteresse, nos seus sacrifícios, nas suas abnegações, na sua propaganda corajosa por não isenta de perigos.» Manuel Ribeiro, «A um herói da Rotunda», O Sindicalista (1912-13) -- Na Linha de Fogo.

«Nunca o homem chega a esquecer tanto a própria dignidade, como nestes dias torvos, em que tudo são chagas sangrando e vinho, em vómitos.» Jaime Brasil, «Carta do Povo sobre a loucura do carnaval», A Batalha (1924) -- Voz que Clama no Deserto (edição de Elisa Areias e Luís Garcia e Silva)

«Para mim, que conheço a inutilidade dos exércitos, que os considero perniciosos, indignos da nossa época, o gesto do capitão Sadoul, quando há anos demandou a Rússia, mereceu a simpatia do meu espírito.» Ferreira de Castro, «Sadoul e Wrangel», A Batalha (1924) -- Ecos da Semana -- A Arte o Artista e a Sociedade (edição de Luís Garcia e Silva)

segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.



quinta-feira, novembro 01, 2018

vozes da biblioteca

«A confusão estabelecida pelos "entendidos" em camilografia, em geral simples camilómanos, acerca da obra de Camilo Castelo Branco "A Infanta Capelista" é de tal ordem que os não iniciados nos mistérios da vida desse escritor dificilmente encontram o fio da meada, propositadamente enredada pelos camilófagos e "camelianistas".» Jaime BrasilO Caso de "A Infanta Capelista" de Camilo Castelo Branco (1958)

«Casa pobre com janelas e duas portas ao fundo, uma para a rua e outra para a cozinha. Mesa com livros de escrituração comercial. Inverno. Cinco horas.» Raul BrandãoO Gebo e a Sombra / Teatro (1923)

«Procurava falar português com a mesma fluência dos que tinham saído de Angola já adultos, tal como ouvia as conversas dos mais velhos com o fito de melhorar a língua materna, o umbundu.» Sousa Jamba, Patriotas (1990) (tradução de Wanda Ramos)

domingo, outubro 28, 2018

vozes da biblioteca

«Deus é o único ser que, para reinar, nem sequer precisa de existir.» Charles BaudelaireFogachos (1851) (tradução de João Costa)

«Bem sinto a dor que o teu olhar goteja; / Mas o Princípio, por melhor que seja, / É pai dum monstro, que se chama Fim!» Queirós RibeiroPedras Falsas (1903) / Cabral do NascimentoLíricas Portuguesas - 2.ª Série (s.d.)

«A criação da corrente perdurável -- e inexorável -- das coisas, crê o autor tê-la experimentado ao escrever algumas destas páginas.» AzorínCastela (1912) (tradução minha)

«Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura de uma pedra.» Raul Brandão, Memórias I (1919)

«De resto, neste país não se passa economicamente nada, a não ser miséria.» (24 de Dezembro de 1935) Jaime Brasil, Cartas a Ferreira de Castro, ed. Ricardo António Alves (2006)

«Como não tinha tempo para despedir as chatices pagava aos cigarros para conversarem com elas.» António Alçada BaptistaUma Vida Melhor (1984)





segunda-feira, janeiro 08, 2018

«O génio é uma excrescência no homem, como uma neoplasia.»

quarta-feira, março 13, 2013

Jaime Brasil: "o último dos últimos"


[Meus caros...]

A mim q. tão afastado ando dos cenáculos literários e q. nas galés do jornalismo sou o último dos últimos, sensibilizou-me a vossa gentil manifestação de camaradagem espiritual.

[a Ferreira de Castro e Eduardo e Eduardo Frias, 20 de  Junho de 1924,
agradecendo A Boca da Esfinge]

Cartas a Ferreira de Castro, Sintra, Câmara Municipal / Museu Ferreira de Castro e Instituto Português de Museus, 2006
editor: Ricardo António Alves

domingo, outubro 16, 2005

Castro em Vila Franca (5)

Tendo, em parte dos seus livros, o povo como tema, não o povo pitoresco, mas indivíduos pertencentes a determinados grupos sociais desfavorecidos, do emigrante ao seringueiro, da bordadeira ao contrabandista, passando pelo marçano, o pastor ou o operário têxtil, Ferreira de Castro foi o primeiro grande escritor içado do proletariado a operar uma transformação na perspectiva ideológica duma cultura, conseguindo, dessa forma, inscrever o seu nome individual no património literário nacional comum -- o que, convenhamos, não é pequeno feito.
António José Saraiva sustentou que ele «é o primeiro escritor português que não usa gravata.» (Iniciação na Literatura Portuguesa, Mem Martins, p. 158). Isto, que é um altíssimo elogio num país de literatos amanuenses, não significa a ausência de um apuro formal mais do que apropriado à intenção que ele tinha de comunicar-se intensamente. Tal como Régio, ele sentia-se acima de tudo escritor, e via as suas ideias veiculadas pelos livros como formas de servir a arte, e não o contrário... Lembremos as passagens avassaladoras sobre a floresta amazónica em A Selva, as cumeeiras do Barroso em Terra Fria, a tempestade, em A Lã e a Neve, os intensos diálogos interiores em A Curva da Estrada ou em A Missão, a investida dos índios ao acampamento de Nimuendaju em O Instinto Supremo, o primor dos textos memorialísticos, entre outros. Como escreveu Manuel Rodrigues Lapa, na sua clássica Estilística da Língua Portuguesa (4ª ed., Coimbra, p. 124), Castro é «um dos nossos mais elegantes prosadores».
Façamos também aqui um parênteses a propósito de um qualificativo que se tem colado a Ferreira de Castro, que de tão repetido se tornou num lugar-comum. A designação costumeira de «precursor do neo-realismo». No contexto nacional ela é imprecisa e irrelevante. Porque ou há várias maneiras de entender o neo-realismo, em que está sempre subjacente um conflito, um desajustamento social, a luta de classes, uma «tensão de devir», como diria Mario Sacramento, ou o neo-realismo tem de ser visto como a expressão artística de um desígnio político, que é o estar pelo menos de acordo com as posições do PCP sobre os diversos domínios em que a vida se exerce. Num contexto lato, direi, então, que Castro foi talvez o primeiro escritor neo-realista português , e não apenas um precursor; se o entendimento for restritivo, Castro que sendo um comunista libertário, um anarquista kropotkiniano, nunca quis pertencer ao PCP, não é neo-realista, nem precursor do neo-realismo, nem o seu romance A Lã e a Neve, que muitos costumam referir como uma das obras referenciais desta corrente, a começar pelo próprio Álvaro Cunhal, pode, desta forma emparceirar com Fanga, de Alves Redol, ou os Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes.
Claro que isto se prende com a matriz ideológica do escritor, essencial para o percebermos, e aos seus livros.
Como disse inicialmente, Castro foi um libertário, um anarquista. O que distingue os anarquistas de outros sectores revolucionários da esquerda é a sua resistência a tudo o que possa restringir a condição livre do ser humano, a única que lhe é natural. E esse tudo manifesta-se nas formas corecivas de organização social, cuja expressão última é o Estado, mas também nas organizações «adjacentes»: igrejas, forças armadas, partidos políticos, tudo enfim, que de alguma forma possa coarctar a expressão da individualidade. Daí que, regra geral, os anarquista se associem por grupos de interesses sócio-profissionais, tendo sido precisamente na área sindical que registaram maior êxito organizativo.
Mas culturalmente também, o anarquismo foi muito forte entre nós, durante a I República. Está ainda por conhecer por dentro o grupo de intelectuais que se exprimia em jornais como o Suplemento Literário Ilustrado do diário A Batalha, a revista Renovação e também o histórico semanário O Diabo, escrito e dirigido pelos anarquistas do grupo de Ferreira de Castro: Julião Quintinha, Jaime Brasil, Assis Esperança, Roberto Nobre, Mário Domingues, Nogueira de Brito, Pinto Quartim e vários outros.
(continua)


(rectificado em 18-X-2005)