Mostrar mensagens com a etiqueta José de Matos-Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José de Matos-Cruz. Mostrar todas as mensagens

domingo, janeiro 06, 2019

vozes da biblioteca

«Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila Real de Trás-os-Montes, era em 1779, juiz de fora em Cascais, e nesse mesmo ano casara com uma dama do paço, D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco, filha dum capitão de cavalos, neta de outro, António de Azevedo Castelo Branco Pereira da Silva, tão notável por sua jerarquia, como por um, naquele tempo, precioso livro acerca da Arte da Guerra.» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)

«Era, agora, mesmo mais difícil do que ficar indiferente àquela água que o céu despejava, torrencial, e que não seria suficiente para lavar-lhe a consciência maculada.» José de Matos-Cruz, Os Entre-Tantos (2003)

«No dia em que saí de casa, pondo fim a uma vida em comum de oito anos,, encontrei no caixote do lixo o exemplar de Os Versos do Capitão, de Pablo Neruda, que há muito tempo, apaixonado e previsível, oferecera a Sara.» Bruno Vieira Amaral, As Primeiras Coisas (2013)

domingo, abril 12, 2015

compreensivelmente

«Daqui a tempos algum começa a ressonar. Evitarão tocar-se, ao cruzarem no estreito corredor. Um vai engasgar-se com uma espinha de peixe ou um osso de galinha. Ela protesta, por se achar reduzida às funções de doméstica. Ele em transe, quando o bebé lhe babar a gravata, logo na hora de pegar ao serviço.
Marta seduzirá o cunhado. Jorge vai andar à nora. Bruno irá em futebóis. Elsa fica-se pela telenovela.
E, compreensivelmente, os dois hão-de detestar-se.»

José de Matos-Cruz, Os EntreTantos (2003)

quarta-feira, setembro 03, 2014

nenhum era o menino jesus

«Nunca fora um daqueles mendigos certos, submissos, de carreira e clientela. Havia-os aos bandos, ou calcorreando em bicha de segunda a sábado, por esse Portugal. Aos domingos paravam às portas das igrejas. A missa estimulava a bondade. Trocavam entre si a memória de lamúrias e desenganos, para contar às pessoas sensíveis. Algumas famílias tinham o seu pobrezinho de estimação, reservando-lhes as melhores moedas, com um prato  de sopa e um naco de pão. Os miseráveis atraíam mais os miúdos, que os esperavam à porta de casa em excitação e curiosidade. Mas não era, nenhum deles, o Menino Jesus.»
José de Matos-Cruz, os EntreTantos (2003)

quinta-feira, setembro 07, 2006

Figuras de estilo - José de Matos-Cruz

Haverá uma Testemunha que os reconheça, uma Acta que descreva os seus tormentos, um Vento que os recomponha, uma Litania em que vibrem, um Juízo que os resgate?
A lembrança dos seus rostos dilui-se ao recuar.
Os EntreTantos

quarta-feira, agosto 09, 2006

Submersos, os monstros preocupam-se em não agitar as águas. / Até chegarmos ao mar em que eles dominam.
José de Matos-Cruz