quarta-feira, dezembro 31, 2025
domingo, abril 20, 2025
quarta-feira, janeiro 08, 2025
o triunfo do conselheiro Acácio
O Panteão Nacional é demasiado acanhado para Eça de Queirós. Sim, é verdade, estão alguns dos muito grandes, por exemplo génios como Aquilino Ribeiro e Amália Rodrigues, a quem os portugueses devem tanto como ao grande romancista, enorme cronista e incomparável estilista. No entanto, para além de faltarem por lá muitos, outros há que não se percebe por que lá repousam, para além das comezinhas circunstâncias políticas, que, a propósito, o mesmo Eça detestava -- para não falar das comezainas dos novos-ricos hi-tech.
Mas nem é uma questão de companhias: quando Camilo passar ao Panteão, o que a partir de agora se torna obrigatório, ou Júlio Dinis -- e assim lá estarão reunidos os três grandes romancistas portugueses do século XIX --, não serei eu quem irá contestar a decisão. Mas os autores de Amor de Perdição e A Morgadinha dos Canaviais são outra loiça, e por sinal bem diferente entre si, felizmente -- e viva a diversidade...
O problema é que trasladar Eça de Queirós para o Panteão, além de ser ridículo, depois de há pouco mais de trinta anos os restos mortais estarem por um triz destinados à vala comum -- não fora o alerta da imprensa --, o seu espírito crítico e com pouca paciência para os arrivismos protagonizados pelo pessoal político, a politicalha monárquica ou a jacobinagem republicana, obrigaria a que se usasse de parcimónia no estadulho deputo-ministerial que se vai empoleirar no frágil esqueleto. Que parte da família em sequer o tenha percebido é quase grotesco, mas também não é de admirar -- refrão: "Como és belo, meu Portugal", canta, irónico e sarcástico, Luís Cília...
Há pessoas, há espíritos, há intelectos, há sensibilidades incompatíveis com tanto conselheirismo. Antero de Quental é outro caso de incompatibilidade com o Panteão (ainda por cima com o Teófilo por perto, o parvónio, como lhe chamava...) Ponham lá o Cesário Verde e o António Nobre, ainda maiores poetas do que o divinalmente furibundo Antero, que jaz em paz em Ponta Delgada.
Ou o José Afonso, outro para quem o edifício de Santa Engrácia seria como se jazesse no gavetão das luminárias nacionais. Como se poderia fazer do homem que revolucionou a nossa música, miscigenando-a, ele próprio um revolucionário limpo, num berloque da pátria?
Antes a vala comum, para onde deixaram ir o Bocage -- sabendo-se nessa altura quem e o que era Bocage, destino de que Eça se salvou, por um triz. ( refrão: "Como és belo, etc.)
Mas o povo fica feliz -- excepto os bairristas de Baião (ai o turismo...) -- e os acácios impantes, com o assuntozinho despachado, e ala que se faz tarde para a açorda.
quinta-feira, abril 25, 2024
4 versos de José Afonso
«Trovas e cantigas muito belas / Afina a garganta meu cantor / Quando a luz se apaga nas janelas / Perde a estrela d'alva o seu fulgor» José Afonso (coord. José Viale Moutinho, 1972)
quarta-feira, abril 24, 2024
terça-feira, dezembro 13, 2022
segunda-feira, abril 25, 2022
quinta-feira, janeiro 13, 2022
versos do dia
[...] «Na sala há cinco meninas / E um botão de sardinheira / Feitas de fruta madura / Nos braços duma rameira» [...]
José Afonso, «Avenida de Angola»
quinta-feira, fevereiro 04, 2021
terça-feira, agosto 04, 2020
sábado, abril 25, 2020
terça-feira, fevereiro 04, 2020
terça-feira, novembro 19, 2019
quarta-feira, junho 26, 2019
segunda-feira, maio 28, 2018
sábado, dezembro 16, 2017
sábado, outubro 07, 2017
domingo, junho 04, 2017
quarta-feira, maio 31, 2017
começar
Em tempo: Título preferido: Que Importa (...), um verso de José Afonso.
1866 - «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais