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segunda-feira, março 24, 2025

e se a Nato acabar -- o que têm os senhores candidatos partidários e presidenciais a dizer sobre o assunto?

A inflexão da política externa norte-americana no sentido de um isolacionismo monroviano, que poderá ir além do(s) mandato(s) de Trump e de Vance, com a concomitante partilha do planeta em grandes esferas de influência entre Estados Unidos, Rússia e China -- para já -- com uma possível (embora para já me pareça improvável) dissolução da Nato, por obsolescência;

uma União Europeia presa por arames, como está,  em que a unidade política é uma miragem e sê-lo-á sempre enquanto não se conjugar a livre, espontânea e informada adesão dos povos europeus com uma reforma política que assegure a democraticidade dos órgãos políticos europeus (a União Europeia será (con)federal, ou nunca será);

a circunstância de ninguém fazer ideia que realidades geopolíticas irão emergir com a convulsão em que actualmente vivemos, obriga tanto candidatos presidenciais, como as lideranças partidárias a serem instadas por jornalistas minimamente dignos desse nome a porem as cartas na mesa.

O que poderá estar em causa é apenas a continuidade de Portugal enquanto estado-nação independente e isso, por muito que custe perceber aos medíocres, transcende todas as questões de lana-caprina com que se entretém o espaço político-mediático.

Voltarei a este assunto, tentando reflectir sobre a estratégia política portuguesa em tempos de desagregação.

sexta-feira, fevereiro 28, 2025

ucraniana CCLXXXIV - Zelensky esqueceu-se de que era o moço de fretes dos Estados Unidos

Não foi bonito, mas foi muito bem feito, e lembrou-me de quando o Zelensky tinha encontros com estes patéticos dirigentes europeus, ou era recebido nos seus parlamentos, e  se achava à vontade para dar reprimendas aos anfitriões. Pois não era ele o moço de fretes dos Estados Unidos?

Não sei se ele caiu numa armadilha, nem me interessa. Fartos do presidente ucraniano, Vance disse-lhe o óbvio: era o tempo da diplomacia -- essa mesma diplomacia que Biden não autorizou que prosseguisse na Turquia. Pois não era o objectivo daqueles idiotas infligir uma "derrota estratégica" à Rússia? Era. E Zelensky, como moço de fretes, obedeceu, secundado pelos lacaios da UE.

E Trump disse a verdade àquele aldrabão/incompetente/inconsciente (riscar o que não interessa): quer ele estava a brincar à III Guerra Mundial. Ou já se esqueceram dos pedidos/exigências da no fly zone, que poria a Nato em guerra directa com a Rússia? Esta foi uma das primeiras das muitas brincadeiras de Zelensky.

Carlos Branco num dos seus textos, classificou Zelensky como um instrumento da administração Biden; eu chamo-lhe o mesmo, sem carícias: moço de fretes. 

O frete deixou de ser preciso, e Zelensky ou assina ou assina -- caso contrário é deixado à sua sorte. De qualquer modo, o destino da Ucrânia está traçado, graças à inteligentíssima estratégia de Biden e dos idiotas da UE, com a activissima colaboração do Zelensky: um país amputado e controlado pela Rússia, ou amputado pela Rússia e o remanescente subjugado pelos Estados Unidos. Brilhante!

A União Europeia cacareja. E a verdade é que não pode fazer outra coisa -- não por estar desarmada, mas pelo que tenho referido: não é um país ou uma federação. Países com interesses diferentes não podem ter uma política externa comum. Mas isto fica para depois.

quinta-feira, fevereiro 13, 2025

ucraniana CCLXXIX - o amigo americano

O amigo americano da Ucrânia usou-a primeiro para impor uma "derrota estratégica" à Rússia. Serviu-se para isso, não apenas dos neo-nazis da terra, como dos fantoches europeus que fizeram o que o amigo lhes mandou fazer. Com a provocação à Rússia conseguiram um país destruído, milhares de mortos e amputação de uma parte do território (tudo isto tem o que se lhe diga). Para compensar tanta ajuda, o novo amigo americano decide ser reembolsado. É ou não é um génio, o Zelensky? Os vigaristas e os analfabetos que por cá comentam acham que sim.

Entretanto, nunca esta crise me deu tanta vontade de rir ao ouvir o secretário-de-estado da Defesa na reunião da Nato. Não tive a ventura de ver as carinhas dos ministros presentes, a começar pela do nosso, que nesta questão da Ucrânia foi sempre um atraso de vida, para não destoar.

Vi também o horrífico eunuco que está como sec-geral da Nato a ameaçar ameaçadoramente Putin, que se atacasse um país da Nato a resposta seria esmagadora, etc. Ora se há uma coisa que Putin não tem é estupidez e cretinismo, Se ele joga xadrez, este patetas nem o chinquilho.

No entanto, percebe-se que há alguns que não vão largar o osso e continuar a hostilização da Rússia à espera que mude a maré. Parece, porém, que esta amizade se estenderá, depois de Trump a Vance, sem esquecer o que se desenha por essa Europa. Mas isso já é outra história.

sexta-feira, janeiro 17, 2025

cheiro a pólvora

Ninguém sabe o que vai fazer o Trump; mas se houver um mínimo de coerência (e Trump não é só Trump, e o apêndice Musk, mas, por enquanto na sombra, também J. D. Vance, com outra densidade), viverá tranquilamente com consagração de facto das zonas de influência, ou seja "A América para os americanos", o Próximo Oriente e a Europa vizinha para os russos (embora não acredite que lhes entregue os Bálticos e muito menos a Polónia, o que equivaleria a Nato estar morta, o que não é o caso, pelo menos ainda); o Pacífico para quem o apanhar; África de novo uma espécie de self-service, para quem primeiro erigir padrão (estou a exagerar, embora Áfricas existam muitas); e a velha Europa submissa, condenada nos próximos cinco anos a esta mediocridade vassala, perdeu uma oportunidade para contar alguma coisa, harmonizando as diferentes sensibilidades; mas isso seria pedir muito; e ainda estamos longe de uma integração coerente, se é que alguma vez lá chegaremos.

A Inglaterra e a Ucrânia assinaram ontem um acordo para cem anos; a Rússia e o Irão estabeleceram hoje uma parceria estratégica. É o regresso às ententes que tão bons resultados deram, e uma complicação dos diabos. De qualquer modo, a Rússia já ganhou a guerra que lhe foi movida pelos americanos e proxys ucranianos e da UE. Esta estrebucha, até ser tomada por dentro, tornando-se outra coisa -- o que não tem que ser necessariamente mau. Péssimo é aquilo em que se tornou nos últimos anos.

quarta-feira, novembro 06, 2024

ucraniana CCLXVI - e agora?

A retumbante vitória de Trump não vai deixar apenas Zelensky certamente de malas aviadas e em maus lençóis; deixa-nos também, UE, com uma relação com a Rússia em cacos. Não vale a pena repisar a subserviência e a estupidez das lideranças europeias, que, com honrosas excepções, se esqueceram de que tinham não apenas um vizinho poderoso a Ocidente, mas também a Leste -- que, seguindo a "estratégia" burra dos neocons que mandam em Washington, menorizaram o colosso russo, pobres coitados. Menorizaram a Rússia, hostilizaram-na e lançaram-na nos braços da China. Mais uma vez na história da política externa norte-americana, conseguiram o oposto do que pretendiam.

E agora as von der Leyen, a fulana da Estónia que ficou com a alegada política externa europeia, a chanfrada do Parlamento Europeu e o Costa e as suas pontes vazias e para lado nenhum?... Vamos ter cinco anos com estes tipos ou tratarão rapidamente de virar o bico ao prego, ou, melhor, serão esvaziados do excesso de protagonismo que, principalmente a Ursula se autoatribuiu, no meio dos scholz e outros macrons?

Sim, Trump é imprevisível, mas não é estúpido, e tem instinto, como se vê. E J. D. Vance, que provavelmente lhe sucederá na presidência dos Estados Unidos, tem um pensamento bastante estruturado. É isolacionista e não vai em wokismos anti-Putin. Há uns meses, ainda antes de Kamala, picava: "Queres que o teu filho morra no estrangeiro numa guerra estúpida? Vota em Biden." Eloquente, ainda mais se nos lembrarmos que Vance é um antigo combatente, no Afeganistão. 

Mais ou menos à margem: quem ainda vai atrás de televisões, centrais de propaganda como a cnn central, reproduzindo-a bovinamente? "Empate técnico", não era? Eu sempre tive um feeling de que Trump ganharia, mas nunca desta maneira. Aliás, creio que nem o próprio.