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sábado, outubro 21, 2017

Sócrates: isto está a ficar cómico

Correndo o risco de me chamarem socrático -- para o que, devo dizer em bom português, me estou a cagar --, a trágica semana que passou teve, pelo menos, dois afloramentos sobre Sócrates plantados nos noticiários, particularmente cómicos pelo que parecem revelar duma certa aflição do Ministério Público em fazer prova das acusações em que "acredita" (entre aspas, porque é um termo muito utilizado pelo jornalistas a quem têm sido servidas fatias do processo, ao longo dos último meses):~

a primeira que li por aí é que -- para responder à perplexidade de Sócrates ser acusado de corrupção nos casos Parque Escolar, PT, TGV e Vale do Lobo, enquanto os ministros das respectivas pastas saíram incólumes -- dava-se conhecimento à opinião pública de que os governantes foram manipulados, não tendo consciência do que estavam a despachar. Fui ver a composição dos governos, e verifiquei que nas pastas das Finanças, Ambiente, Economia, Educação e Obras Públicas, Transportes e Comunicações, estiveram: Campos e Cunha (o único que se pôs ao fresco), Teixeira dos Santos, Nunes Correia, Dulce Pássaro, Manuel Pinho, José Vieira da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada, Mário Lino e António Mendonça. É capaz de ser gente a mais a revelar-se tão ingénua e/ou impreparada. Enfim, parece-me difícil;

a segunda, típica campanha orquestrada, foi a de ontem: "Sócrates não é engenheiro", titularam todos os media, a partir de um esclarecimento difundido pela respectiva Ordem, vindo, obviamente,  confundir a opinião pública (ah, o curso...). Ora acontece que Sócrates é mesmo engenheiro por formação académica, um engenheiro que não exerce, como sucede a tanta gente: Fialho de Almeida era médico, médico era Jaime Cortesão, enquanto que o seu irmão, Armando Cortesão, foi engenheiro agrónomo, ou Jorge de Sena, engenheiro civil. Nada disto é extraordinário, mas percebe-se o objectivo, o que leva-me a perguntar: está o MP assim tão inseguro? E, já agora: giro, giro teria sido a distinta Ordem dos Engenheiros pronunciar-dr quando Sócrates era primeiro-ministro. Agora, presta-se ao pouco dignificante papel de vir ajudar a malhar em quem, com razões ou sem elas, está no chão. 

segunda-feira, janeiro 30, 2017

"E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu."

Parece que um livro de Valter Hugo Mãe -- autor estimável --, com esta e outras frases, foi considerado apropriado por umas azémolas para ser trabalhado em sala de aula. Eu até posso desconfiar que terá havido quem não passasse das primeiras páginas, posso suspeitar de incompetência. Mas também não me custa a crer na alarvidade de certas criaturas que acham normal que miúdos de treze anos sejam confrontados com esta linguagem. Algumas delas devem até dizer as caralhadas todas à frente dos filhos, ou seja: javardos criados por javardos, que criam javardos, por sua vez. Não admira por isso que o ambiente deste país seja fétido: das tvi's às revistas cor-de-trampa que enxameiam os pontos de venda.

Mas pérola, pérola, é a pergunta dum atraso de vida da TSF a Isabel Alçada, que, justamente, mostra o incómodo com este episódio de barraca: «Questionada pela TSF se esta não é uma posição conservadora», a ex-ministra lá responde, e bem, certamente cheia de paciência e comiseração. Pergunta duplamente estúpida. Em primeiro lugar ,a linguagem que se usa não indica se se é progressista ou conservador. Conheço imensos reaças asneirentos, como progressistas de vocabulário ultrapuritano; ou gente como eu, que diz palavrões com gosto, mas não o faz diante dos filhos ou dos pais. "Hipocrisia", estou já a ouvir alguns. Não; decoro com os mais novos; respeito pelos mais velhos. 
Mas há ainda outro problema na pergunta idiota da TSF, admitindo que ela, pergunta, fosse pertinente e legítima: então quem é 'conservador' tem diminuídos os seus direitos?; só os 'progressistas' (no baço entendimento de quem perguntou) é que têm de ser levados em conta?