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segunda-feira, agosto 18, 2025

o que está a acontecer

«Silêncio. Ponho o ouvido à escuta e ouço sempre o trabalho persistente do caruncho que rói há séculoa na madeira e nas almas. // 15 de Novembro // Debaixo destes tectos, entre cada quatro paredes, cada um procura reduzir a vida a uma insignificância.» Raul Brandão, Húmus (1917)

«Mas, para lá do muro, os olhos de Manuel da Bouça já não podiam ver com alegria, os campos que se estendiam, planos, bem regados, até próximo da igreja velha. Possuí-los, ser seu dono, semear e colher o milho que aloirava aos primeiros calores fortes e, no Inverno, a erva dos lameiros, que formava tapetes sempre húmidos, era o seu único sonho, a grande aspiração da sua vida.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928)

«Havia sermonários latinos, um Marco Marulo, três retóricas, muitas teologias, um Euclides, comentários de versões literais de Tito Lívio e Virgílio. Deixei tudo na benemérita podridão, tirante uma versão castelhana do mantuano por Diego Lopez e um muito raro Entendimento Literal e Construiçam Portuguesa de Todas as Obras de Horácio, por industria de Francisco da Costa, impresso em 1639. Camilo Castelo Branco, A Brasileira de Prazins (1882)

terça-feira, agosto 13, 2024

tempo de romance

«O pinhal, todo de troncos grossos, casca áspera e gretada, adormecia austeramente no silêncio da tarde primaveril. As suas pinhas dir-se-iam incopuladas ou corroídas por antídoto malthusianista, pois cá em baixo, no solo castanho e acidentado, nenhum pinheiro infante erguia para o céu os bracitos verdes.» Ferreira de Castro, Emigrantes (1928) § «Contavam-se histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica -- que o detestava -- costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado: / -- Lá vai a jibóia esmoer. Um dia estoura! / Com efeito estourou, depois de uma ceia de peixe -- à hora em que defronte, na casa do dr. Godinho, que fazia anos, se polcava com alarido.» Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro (1875/80) § «Homem de muitas letras, já ruço, mas ainda de bom garbo nos seus setenta anos, sãos de alma e de corpo, antes de abrir Horácio, aprazia-lhe lembrar num doce tom de iluminado: / -- Neste sítio, Libório, descansou o grande padre S. Francisco de jornada para Compostela.» Aquilino Ribeiro, A Via Sinuosa (1918) § «De pá ao alto, descansada no ombro, o "seu Arriques" já pensava na volta a casa, pois da sangria à recolha do bago poucas semanas iam. / -- Que rica seara! Andei-me nela que nem sombra atrás d'alma penada, mas o patrão arrinca para cima de quarenta sementes. Se os outros a pudessem comer coa inveja...» Alves Redol, Gaibéus (1939)

quarta-feira, maio 04, 2011

Marta! Marta! / A minha ânsia de te morder, embriaga-me!
João Rosado (Horácio ou O'Racio)