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terça-feira, julho 05, 2016

No silêncio da Serra me suspendo, / Dos humanos agravos esquecido.
Frei Agostinho da Cruz

terça-feira, abril 22, 2014

Entretanto, mais quero conversar / Com brutos animais, que não com gente
Frei Agostinho da Cruz

terça-feira, setembro 03, 2013

Antologia Improvável -- Júlio Evangelista

ARRÁBIDA

O vento bate na face
De quem sobe àquela serra.
Vento que por ali erra
Bate na face a quem passe
Perto do cimo da serra.

Bate forte, o vento forte,
Chicoteando com força,
Ao vir das bandas do norte,
Chicoteando com força,
Dono da serra e da morte.

Consente, vento, que eu passe
Pelo alto desta serra
E não me batas na face
Porque, se mais não bastasse,
Basta eu ser da tua terra.

Não grites assim tão forte
Nem te exaltes contra mim,
Porque eu também sou do norte:
Donde tu vens, também vim,
Vento que ventas do norte.

Venho ver frei Agostinho;
Trazer ao Frade saudades
Das verdes terras do Minho:
Venho falar de saudades
Com o Poeta Agostinho.

Morreu o Sebastião
Que lhe falava, falava,
Das coisas do coração.
E o frade está desolado
Era quase como um irmão!...

Ele mora ali em cima
E a conversa não demora.
Venho falar-lhe do Lima,
Venho falar-lhe de Ponte,
E outras coisas que ele ignora.

Regresso depois ao Minho,
Vento que sopras do norte
E guardas Frei Agostinho.
Se um dia quiser recados,
Traze-los tu, vento norte?


Arrábida, 8/3/53


António Mateus Vilhena e Daniel Pires,
A Serra da Arrábida na Poesia Portuguesa

sexta-feira, julho 01, 2011

O mau quer do formoso fazer feio, / O bom quer do feio fazer formoso, / Um vazio do mal, o outro cheio, / Um desditoso enfim, outro ditoso.»
Frei Agostinho da Cruz

sexta-feira, maio 26, 2006

Antologia Improvável #133 - Frei Agostinho da Cruz

A DIGNIDADE DA ALMA E VAIDADE DA VIDA

Quem pudesse mostrar o que tem na alma
Pera desenganar em tudo a vida!
Mas não sinto ninguém que trate da alma,
E todos a esperança põem na vida.

O Céu é verdadeiro lugar da alma,
E à terra basta dar-lhe o corpo e a vida,
Pois não podem ter fim os males da alma,
E passam, como sombra, os bens da vida.

Se queremos saber o preço da alma,
Vejamos que pôs Deus por ela a vida,
E viveremos nEle, Ele em nossa alma.

O mundo é sonho vão que enleia a vida.
Quem nele está melhor, tem pior alma,
E quem o desprezou, tem alma e vida.

Poesias Selectas
(edição de Augusto C. Pires de Lima)

Frei Agostinho na Arrábida