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quinta-feira, junho 13, 2024

150 portugueses: 56-60

56. D. Manuel II (1889-1932). Sobe ao trono aos dezoito anos, o último rei de Portugal, que só o foi pelo assassínio do pai e do irmão mais velho, D. Carlos e Luís Filipe. Um reinado de acalmação, que serviu os conspiradores de 1908, republicanos e monárquicos. No exílio adquiriu livros antigos, incunábulos e manuscritos, que deixou ao país.

57. D. Pedro II (1648-1706). Uma personagem. Último filho de D. João IV, depôe Afonso VI, seu irmão, ficando-lhe com a mulher. No seu reinado começa a chegar o ouro de Brasil, mesmo a calhar quando pelo Tratado de Methuhen se estoira com a nascente indústria dos lanifícios.

58. D. Sancho I (1154-1211) Segundo rei de Portugal, extraordinário no co-governo com o seu pai, e ainda depois, pelas políticas de povoamento e reforço da moeda, nunca deixando de ser um rei medieval, batalhador, mas também poeta e apreciador da nossa poesia trovadoresca, que parece ter cultivado.

59. D. Afonso V (1432-1481) Chamam-lhe o último rei medieval, contrariando a política de centralização do seu tio e sogro, na regência -- o Infante D. Pedro acabará em Alfarrobeira; e também pelas pelejas na Península e conquista das praças de África. 

60. Carlos Paredes (1925-2004). Tinha o som do país na sua guitarra.

quarta-feira, dezembro 07, 2022

limites da igualdança

Uma carta enviada de Penela, a 6 de Janeiro de 1434, reflectindo o pensamento do Infante D. Pedro (1392-1449), já como homem do Renascimento, a propósito da sua concepção do lugar central e pinacular do soberano -- neste caso, o irmão, o rei D. Duarte (1391-1438) --, e que nos dez anos de regência, na menoridade do sobrinho (e genro), D. Afonso V, pretendeu exercer, limitando o poder senhorial e reforçando o da corte. Exercício que lhe custou a intriga e a inimizade do círculo real, o desterro e a morte, na batalha de Alfarrobeira, contra o exército desse D. Afonso V, o nosso último rei medieval

Monarca há pouco mais de meio, D. Duarte recebe conselho do irmão, a propósito do tratado de Cícero sobre a Amizade, que está a co-traduzir, dirigindo-se-lhe, obviamente, como vassalo fraternal, o que só o sangue permite, mesmo que observado o protocolo -- Muito alto e muito excelente Príncipe, e muito poderoso Senhor:

«[...]  outorgando-vos Deus o estado real, de que, a meu juízo, sois mais digno que homem que eu conheça, tirou-vos nome de amigo ao menos com vossos sujeitos, ficando-vos outro mais alto que é bom e gracioso Rei e Senhor. Porque não sinto que as obras de amizade se possam em seu perfeito grau usar entre senhor e servidores, porque a amizade traz obras de coração voluntarioso e livre. Pois como caberá isto no sujeito que a seu bom senhor é tão obrigado que lhe deve si e quanto possui, em tal maneira que lhe não fica por que possa livremente mostrar sua amizade? Parece-me ainda, Senhor, que o nome de amizade requer igualdança nas pessoas, e cada um verdadeiro amigo deseja de igualar seu amigo em benfeitorias e agardecimentos, e ainda vencê-lo em isto se puder.»

In Andrée Rocha, A Epistolografia em Portugal (1965)

quinta-feira, março 03, 2016

uma carta do Infante D. Pedro

Uma carta que reflecte o pensamento do Infante D. Pedro (1392-1449) já como homem do Renascimento, a propósito da sua concepção do lugar central e pinacular do soberano -- neste caso, o irmão, o rei D. Duarte (1391-1438) --, e que nos dez anos de regência, na menoridade do sobrinho (e genro), D. Afonso V, pretendeu exercer, limitando o poder senhorial e reforçando o da corte. Exercício que lhe custou a intriga e a inimizade do círculo real, o desterro e a morte, na batalha de Alfarrobeira, contra o exército desse D. Afonso V, o nosso último rei medieval. 
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