Mostrar mensagens com a etiqueta Galiza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Galiza. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, setembro 16, 2024

as declarações (parcialmente) acertadas de Nuno Melo, o portuguesismo de cu para o ar e uma sugestão de borla

Nuno Melo esteve formalmente correctíssimo sobre a pergunta que lhe fizeram a propósito da vila alentejana de Olivença. Aliás, nunca poderia ter dito outra coisa, algo que os jornalistas, patriotas de cu para o ar, além de indigentes (um truísmo), criticaram, pois a Espanha --, oh a Espanha, que passa a vida a falar de Gibraltar, embora ocupe Ceuta e Melilha, além de Olivença, sem esquecer a questão das autonomias, pode ficar melindrada. O respeitinho é tão bonito.

Embora formalmente o ministro tenha razão, a posição de Portugal poderia e deveria ser outra, para além deste formalismo bocejante. Se o Direito diz que Olivença é portuguesa, e a força diz que é espanhola, a posição do mais fraco -- um pouco como sucedeu a propósito de Timor-Leste em relação à Indonésia -- (a posição de Portugal) deveria ser a de defender um referendo naquele concelho, comprometendo-se os dois estados a respeitar a decisão do povo. Chama-se autodeterminação e é a única forma democrática e aceitável de resolver diferendos desta natureza. Seja em Olivença, nas países ocupados pelo estado espanhol, no Donbass e na Transnístria, no Saara Ocidental, no Tibete ou nas Falkland / Malvinas. Porque, como dizia o Trovador, o povo é quem mais ordena. Não é? Claro que a Espanha nunca o aceitará, mas isso já se sabe.

quarta-feira, abril 20, 2022

ah, que orgulho nos nossos valores... (ucranianas LXXI)

Sempre a pugnar pela liberdade e a autodeterminação dos povos, Pedro Sánchez irá a Kiev; claro que isso vai obrigá-lo a fazer marcha-atrás na traição ao povo do Saara Ocidental. Vindo de Kiev, passará por Barcelona, Bilbau e Santiago de Compostela, anunciando o exercício pleno do da democracia -- que ele, Sánchez, não é um reles troca-tintas --, com um referendo sobre a autodeterminação daquelas nações. E já agora, uma pergunta aos oliventinos, cuja vila ocupam ilegalmente: querem voltar ao Alentejo ou permanecer espanhóis?

Diz-se que estarão mulheres e crianças nos estaleiros de Mariupol, onde aboboram os neo-fascistas do Azov. A ser verdade, estão lá a fazer o quê? E a resposta certa é...

E já que estamos a falar dos nossos valores, parece que o Assange sempre será extraditado, depois de anos de tortura (refúgio numa embaixada e solitária na cadeia). Que a Inglaterra, desde que deixou de ser a superpotência imperial que foi até há pouco mais de um século, passou a mastim da ex-colónia.

E já agora: que coveniente aquela acusação de desvio de fundos contra a Le Pen. Se é assim que a UE pensa que vai sobreviver, podemos já dizer adeus a essa bela aspiração secular.

Ah, os valores europeus, que orgulho, que orgulho...

Mas, para mim, nada há de mais valioso do que os valores dos Estados Unidos, democracy, sempre!

ucranianas

quarta-feira, outubro 04, 2017

Felipe VI, e talvez o último

O rei de Espanha colou-se ao governo espanhol na sua alocução de ontem. Tinha alternativa? Não sei. O tempo de lidar com a questão que viria, inevitável, foi sempre protelado pelos dois principais partidos espanhóis, PP e PSOE. Quando este último avançou com a hipótese de um estado federado -- única e penúltima possibilidade de preservar uma entidade política artificial que só subsistiu pela força (o referendo de constitucional de 1978, foi um plebiscito à transição democrática)  --, já era demasiado tarde para travar os independentistas catalães.

Digo penúltima, porque a única maneira de preservar a Espanha será permitir que as suas nacionalidades referendem a integração, sem truques: isto é: são os catalães que devem decidir do seu destino e não os castelhanos, os bascos ou os galegos. Não sendo constitucionalista, afigura-se-me um processo complexo e moroso, uma vez que teria de apurar-se de que falamos quando falamos em nacionalidades. Catalunha, Galiza e País Basco, claro. E a Comunidade Valenciana? e Navarra? e as Astúrias? A desaceleração do processo implicaria o compromisso solene do poder central, a começar pelo rei, de que respeitariam os resultados dessas consultas populares.

Promessas que já não se me afiguram suficientes nesta fase. Que o processo catalão já não voltará atrás, a não ser que os tanques invadam Barcelona, parece-me evidente. Como os tanques não invadirão Barcelona, suponho (Espanha é um país da União Europeia, apesar de tudo), a desagregação será inevitável. Os bascos, que já punham a cabeça em água aos romanos, esperam.

Felipe VI não parece, portanto, ter saída, mesmo que o quisesse; qualquer rasgo será muito difícil para a sobrevivência do trono. O monarca corre o risco de ser o sétimo Bourbon (Borbón) a abdicar ou deposto ou -- entrando no domínio da fantasia -- a mudar a chapa para Felipe I de Castela.