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quinta-feira, maio 14, 2026

zonas de conforto

Maria Gabriela Llansol: «["] Sinto que o mistério de cobrir vária áreas se desfaz, e uma só das suas gotas se adensa ainda, uma contracção enérgica de doçura que pousou sobre a mesa. Um ramo de roseira aponta para mim, e Eckhart, Suso, Hildegarda, Marie d'Oignies, Marguerite d'Ypres sentam-se à minha volta, observando-me no meu seio despido pelo cansaço."» Sintra em Passo de Pensamento (póst., s.d.) § Machado de Assis: «Sentou-se ao cravo; reproduziu as notas e chegou ao ... / -- Lá, lá, lá... / Nada, não passava adiante. E contudo, ele sabia música como gente. / Lá, dó... lá, mi... lá, si, dó, ré... ré... ré... / Impossível! nenhuma inspiração. Não exigia uma peça profundamente original, mas enfim alguma cousa, que não fosse de outro e se ligasse ao pensamento começado.» Histórias sem Data (1884) - «Cantiga de esponsais» § Fialho de Almeida: «Que bela a alegria sob os castanheiros dum parque, no coração da vida rústica, pelo braço da franzina miss com quem aos vinte anos se sonha, alta, musical, com maravilhas patrícias de mãos.» O País das Uvas (1893) - «Pelos campos» § Millôr Fernandes: «Quando um técnico vai tratar com imbecis, deve levar um imbecil como técnico.» Pif-Paf (2004) - «Confúcio disse» - antologia por João Pereira Coutinho § Branquinho da Fonseca: «Foi no Inverno, em Novembro, e tinha chovido muito, o que dera aos montes o ar desolado e triste dessas ocasiões. As pedras lavadas e soltas pelos caminhos, as barreiras desmoronadas, algumas árvores com os ramos torcidos e secos.» O Barão (1942) § Adérito Sedas Nunes a Marcelo Caetano (1973) .../... «De todo o modo, e independentemente dos juízos que se formulam a respeito das posições que noutras circunstâncias têm sido assumidas pelo Prof. Francisco Moura, com cujas opiniões e atitudes eu mesmo não raras vezes me encontro em discordância, estou certo de que V. Ex.ª concordará com que se trata de uma pessoa merecedora do máximo respeito.» .../... Cartas Particulares a Marcello Caetano (1985) - ed. João Freire Antunes

domingo, abril 05, 2026

zonas de conforto

Machado de Assis: «Pela janela viu na janela dos fundos de outra casa dous casadinhos de oito dias, debruçados, com os braços por cima dos ombros, e duas mãos presas. Mestre Romão sorriu com tristeza. / -- Aqueles chegam, disse ele, eu saio. Comporei ao menos este canto que eles poderão tocar...» Histórias sem Data (1884) - «Cantiga de esponsais» António Ferro: «Os vestidos são os cartazes do corpo.» Teoria da Indiferença (1920) § Fialho de Almeida: «Nenhum canto de natureza infecundo!, o mesmo amor que sobe da terra, a revigorentar os arvoredos, comunica-se aos ninhos, cinge os casais de pássaros, extravasa no ar como nafta de bodas bíblicas, e comunica-se, aspira-se, vai-se infiltrando em toda a parte. Eu bem na sinto! Eu bem na sinto!» O País das Uvas (1893) - «Pelos campos» § Maria Gabriela Llansol: «["] É o instante físico, dilacerante, em que subo a um monte, e desço um declive. / É um sentimento incrível, o que estás a viver -- diz-me Eckhart, acusando-me com um sorriso. / Mas a sua companhia é doce, ágil, vai dando voltas ou descrevendo curvas à altura do meu sofrimento.»  Sintra em Passo de Pensamento (póst., s.d.) § Branquinho da Fonseca: «É até, talvez, a única coisa sobre que tenho ideias firmes e uma experiência suficiente. Mas não vou filosofar; vou contar a minha viagem à serra do Barroso. / Ia fazer um sindicância à escola primária de V...» O Barão (1942) § Adérito Sedas Nunes a Marcelo Caetano (1973): .../...  «Dizem-me que se suspeita de uma ligação entre a iniciativa que conduziu aos actos efectuados na capela e a deflagração de explosivos, acompanhada da divulgação de panfletos, ocorrida no dia 31 de Dezembro. Gostaria, porém, de assegurar a V. Ex.ª que, conhecendo de muito perto, como V. Ex.ª sabe, o Prof. Francisco Moura, com quem tenho muito contacto, estou talvez melhor colocado que ninguém para poder considerar completamente absurdo que acerca dele se possa pôr a hipótese de ter qualquer relação com organizações cujos meios de acção sejam dessa natureza.» .../... Cartas Particulares a Marcello Caetano (1985) - ed. João Freire Antunes

domingo, setembro 14, 2025

4 versos de Branquinho da Fonseca

«A rua cheia de luar / Lembrava uma noiva morta / Deitada no chão, à porta / De quem a não soube amar.» 

«Naufrágio», Mar Coalhado (1931)

terça-feira, agosto 26, 2025

zonas de conforto

«Para pensar bem é preciso estar quieto. Talvez depois também cansasse, mas a Natureza exige certa monotonia. As árvores não podem mexer-se. E os animais só por necessidade física, de alimento ou de clima, devem sair da sua região. Acerca disto tenho ideias claras e um experiência definitiva.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

«Pára o trabalho nos campos, e o homem da terra ergue-se e endireita o espinhaço. Viu-o o jornaleiro que mora diante das Portelas; viu-o e não o conheceu; nem o velho que trazia uma sacola e como pobres que se encontram no caminho se pôs a olhar para ele, sem fala, num mudo espanto.» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póst., 1931)

«Os vinte e tal anos ali vividos eram muito, mas não eram tudo. Certas células do corpo pediam-lhe mais.  E, passado o momento de fraqueza, o senhor Ventura, ao mesmo tempo que tinha pena de não ficar, sentia pressa de partir.» Miguel Torga, O Senhor Ventura (1943)

domingo, agosto 24, 2025

zonas de conforto

«Todos eles vêem uma Sombra no Pobre maravilhoso. Aparece nas eiras e olha com cólera para os homens e para os punhados de milho secos e escassos. Receiam-no e calam-se e o Pobre cala-se, também suspenso, e segue o seu caminho... / -- Tu viste-o? / -- Vi-o! / -- Como é o probe? / -- Mete medo... / -- E que te disse?» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póst., 1931) 

«E todo o caminho deixou vaguear os olhos enamoradamente por aquele panorama irreal, como um árabe que fosse chamado a Meca e antes de partir quisesse beber toda a frescura e toda a água do seu oásis. Uma funda nostalgia começou a invadi-lo. E tentou reagir.» Miguel Torga, O Senhor Ventura (1943)

«Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez!» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942) 

quarta-feira, agosto 20, 2025

zonas de conforto

«-- ... Prima Rosa Maria, não é verdade? / -- Sim... -- balbuciou ela recuando um passo. / -- Desculpe! Magoei-a, não? Pelo menos, assustei-a. Sou um estavanado! Chego tarde e ainda por cima lhe prego um susto. Desculpe! Temos ali o meu carro. A minha mãe não pôde vir, mas veio a tia Vitória.» José Régio, Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941)

«Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso. Durante esse mês preciso de estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942) 

«O lume apaga-se. Ao redor do lar, o criado, o ladrão, a figura tisnada e a mulher passiva e humilde, que mal se atreve a sentar-se à beira da pedra, com a malga nas mãos, para ocupar menos espaço na sua própria casa, confiam não sei em quem e esperam separados pelas cinzas frias... / --A terra é dos probes.» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póst., 1931)

sábado, dezembro 07, 2024

o que aconteceu

«E, quanto mais cismo, mais dou razão ao Miguelão da Cabeça da Ponte, que falava como livro aberto, o grande bruxo. Muitas vezes lhe ouvi dizer quanto estava de boa lua, o que nem sempre sucedia: / -- Tempos virão em que o governarão as terras vãs e os filhos das barregãs.» Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas (1922)

«Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios, além das ajudas de custo. Como vivo sòzinho, é suficiente para as minhas necessidades.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

«O rapazinho deitou a correr, e lá foi a caminho da serra. Tendo de optar entre os malefícios da alma penada e a biqueira do tamanco do amo, preferia encontrar o defunto capitão-mor. Ainda assim, ia rezando alto quanto sabia da cartilha: os Pecados Mortais, as Obras de Misericórdia, os Sacramentos da Santa Madre Igreja, tudo.» Camilo Castelo Branco, Maria Moisés (1876-77)

quarta-feira, setembro 18, 2024

tempo de novela - Branquinho da Fonseca

«Durante este  mês quero estar quieto, parado, preciso de estar o mais parado possível. Acordar todas essas trinta manhãs no meu quarto! Ver durante trinta dias seguidos a mesma rua! Ir ao mesmo café, encontrar as mesmas pessoas!... Se soubessem como é bom! Como dá uma calma interior e como as ideias adquirem continuidade e nitidez!» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

terça-feira, agosto 27, 2024

tempo de novela

«Mas imediatamente ele se debruçou na portinhola e falou num tom mais íntimo: / -- Boa noite! Espero tornar a encontrá-la. Elvas não é assim tão longe de Portalegre! E terei muitíssimo prazer... / Pegando atrapalhadamente nas suas coisas, Rosa Maria afastou-se um pouco. Estava escuro e frio.» José Régio, Davam Grande Passeios aos Domingos (1941) § «Esta hora, sobretudo no Verão, era deliciosa: pelas janelas meio cerradas penetrava o bafo da soalheira, algum repique distante dos sinos da Conceição Nova e o arrulhar das rolas na varanda; a monótona sussurração das moscas balançava-se sobre a velha cambraia, antigo véu nupcial da Madame Marques, que cobria agora no aparador os pratos de cerejas bicais; pouco a pouco o tenente, envolvido com um lençol como um ídolo no seu manto, ia adormecendo, sob a fricção mole das carinhosas mãos da D. Augusta; e ela, arrebitando o dedo mínimo branquinho e papudo, sulcava-lhe as repas lustrosas com o pentezinho dos bichos...» Eça de Queirós, O Mandarim (1880) § «Seja pelo que for, não gosto de viajar. Já pensei em pedir a demissão. Mas é difícil arranjar outro emprego equivalente a este nos vencimentos. Ganho dois mil escudos e tenho passe nos comboios, além das ajudas. Como vivo sòzinho, é suficiente para as minhas necessidades. Posso fazer algumas economias e, durante o mês de licença que o Ministério me dá todos os anos, poderia ir ao estrangeiro. Mas não vou. Não posso.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

domingo, agosto 18, 2024

tempo de novela

«Na velhice, o negócio tilintado através de gerações, as andanças de recoveiro, o ver e aturar o mundo, tinham-no provido de lábia muito pitoresca, levemente impregnada dum egoísmo pândego e glorioso.» Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas (1922) § «Entusiasmo-me com a beleza das paisagens, que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região. Num país tão pequeno, é estranhável tal diversidade. Porém não sou etnógrafo, nem folclorista, nem estudioso de nenhum desses aspectos e logo me desinteresso.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942) § «O povo atribuíra aquela morte ao capitão-mor de Santo Aleixo de além-Tâmega, por vingança de ciúmes, e propalava que a alma do homicida, de fraldas brancas e roçagantes, infestava aquelas serras. O moleiro das Poldras contrariava a opinião pública, asseverando que a aventesma não era alma, nem a tinha, porque era a égua branca do vigário.» Camilo Castelo Branco, Maria Moisés (1876-77)

domingo, agosto 11, 2024

tempo de novela

«Era noite fechada. Tinha medo de voltar ao monte, porque se afirmava que a alma do defunto capitão-mor andava penando na Agra da Cruz, onde aparecera o cadáver de um estudante de Coimbra, muitos anos antes.» Camilo Castelo Branco, Maria Moisés (1876) § «Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1940) § «Desciam-lhe umas farripas ralas, em guisa de suíças, à borda das orelhas pequeninas e carnudas como casca de noz; trajava jaleca curta de montanhaque, sapato de tromba erguida; faixa preta de seis voltas a aparar as volutas dobradas da corrente de muita prata -- e, Aveiro vai, Aveiro vem, no ofício de almocreve, os olhos sempre frios mas sem malícia, apenas as mandíbulas de dogue a atraiçoar o bom-serás, as suas façanhas deixaram eco por toda aquela corda de povos que anos e anos recorreu.» Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas (1922)

terça-feira, agosto 06, 2024

tempo de novela

«Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução e tenho obrigação de correr constantemente todo o país. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942) § «O comboio parara finalmente na estação de Portalegre. De novo o cavalheiro amável se dirigiu a Rosa Maria: / -- Chegou. Faça favor de descer que eu passo-lhe as suas coisas. / -- Muito obrigada! -- disse Rosa Maria descendo. / O cavalheiro amável estendeu-lhe a caixa do chapéu, o embrulho do presente da velha Leocádia para a menina Lá-Lá, e a pequena mala de couro em que Rosa Maria trazia o indispensável para o primeiro dia.» José Régio, Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941)

quarta-feira, dezembro 12, 2018

vozes da biblioteca

«Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante.» Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

«Jorge enrolou um cigarro, e muito repousado, muito fresco na sua camisa de chita, sem colete, o jaquetão de flanela azul aberto, os olhos no tecto, pôs-se a pensar na sua jornada ao Alentejo.» Eça de Queirós, O Primo Basílio (1878)

«Só vozes ermas nos campos, ouço-as no calor parado da tarde.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

quarta-feira, julho 23, 2014

nova mas feia

«Ao pé da fogueira, uma velha sentada. Não me senti à vontade. Estava embaraçado, sem saber o que devia fazer, quando chegou uma senhora a procurar por mim. Era a professora, que, sabendo da minha chegada, vinha esperar-me. Nova mas feia. Contudo simpática e com um olhar de inteligência que a tornava atraente. Sem a menor hesitação resolveu logo o meu problema, como se aquilo fosse habitual.»

Branquinho da Fonseca, O Barão (1942)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

sábado, março 25, 2006

Branquinho da Fonseca

Correspondências #38 - Branquinho da Fonseca a Carlos Queirós

Rua Avelar, 1 - Cascais

Meu Caro Carlos Queiroz

Retrato em que esteja só com o Regio, não encontrei. É verdade que tenho mais, mas não sei agora aonde. Verei se os encontro. Mas creio que em todas estaremos com outros amigos. Se não tiver muita pressa, em tendo as coisas mais arrumadas lhe direi.
Quanto à bio-bibliografia: nasci em Mortagua, no dia 4 de maio de 1905, estudei em Lisboa os primeiros anos do liceu e o resto em Coimbra, onde me formei em direito (4 de julho de 1930). Fui sócio fundador e director do Triptico e da Presença. Livros, tenho publicados os seguintes: Poemas (1926) -- Posição de Guerra (1928) -- Mar Coalhado (1931) -- Zonas (1932) -- Caminhos Magnéticos (1938) Teatro I (1940).
Está no prelo «O Barão» (novela); na forja «A Porta Ferrea» (romance) e na gaveta: o «Vento de Longe» (poemas) e «Arredores do Mundo» (poemas em prosa).
Aqui tem tudo o que quere e mais alguma coisa, pois creio que só lhe interessa o que já foi publicado.
Disponha sempre
do seu amigo e admirador
Branquinho da Fonseca
Cascais
4-XII-41
fac-símile in Boletim Cultural, n.º1, Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas, Fundação Calouste Gulbenkian
(direcção de David Mourão-Ferreira)

sábado, junho 18, 2005

Correspondências #5 - José Régio a João Gaspar Simões

Coimbra, 18 de Fevereiro de 1927

Meu caro Simões:

Recebi a sua carta, justamente quando pensava em lhe escrever. Muito lhe agradeço o ter pensado tanto no jornal e em mim que se me antecipou. As notícias são: O Branquinho partiu há 8 dias para Lisboa, de modo que fiquei sozinho em Coimbra a preocupar-me com a saída do primeiro número da Presença. Escrevi a alguns presuntivos colaboradores da dita, e recebi: Versos do António Navarro (de que Você gostará mais que do Soneto da Contemporânea); informação do Mário Saa de me mandar brevemente qualquer coisa; informação do Martins de Carvalho de mandar também brevemente um trecho da sua dissertação; esperanças do meu irmão de também brevemente mandar um desenho com algumas palavras sobre arte. Logo que todos estes «brevemente» sejam «presente» -- o número sairá. Além desta colaboração, o primeiro número terá: Versos do Branquinho, do Bettencourt e do Fausto; prosa sua, do Almada e minha. Como vê, já a dificuldade de encher espaço vai sendo substituída pelo do espaço para conter... No entanto tudo se arranjará, e creio que o primeiro número da «Presença» gritará de facto: Presente! Peço-lhe para mandar o seu artigo logo, mesmo logo, que esteja pronto. Queria escrever-lhe mais, mas escrevo-lhe da Central, e com uma pena de tinta permanente... Quer isto dizer que a tinta me falta a cada palavra que escrevo, porque nunca me afiz a semelhantes viadutos de tinta. Escreva, sim? e, uma pergunta: Quando vem dar uma fugida cá?
Saudades dos amigos, e um abraço do
José Maria dos Reis Pereira
In João Gaspar Simões, José Régio e a História do Movimento da «presença»