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quinta-feira, julho 22, 2021

os valores europeus , 60 dias de greve de fome

Ao fim de sessenta dias de greve de fome e pouco interesse da imprensa em geral, cerca de meio milhar de trabalhadores indocumentados na Bélgica suspenderam a luta em face de um sinal de cedência do governo, a caminho de se ver nos braços com novos Bobby Sands (afinal o que reclama(ra)m uns e outros a não ser o direito à dignidade de ser humano?) 

Um marroquino em lágrimas, na casa dos quarenta, dizia estar há dezassete anos na Bélgica sem quaisquer direitos ou segurança, para fazer o trabalho que os belgas não querem fazer, mas que os magrebinos como ele, ou os portugueses e os romenos executam. Estes têm a vantagem da estar dentro da UE, ao abrigo dos "valores europeus".

Ao contrário do cagarim provocado pela lei húngara, que põe as crianças ao abrigo da inculcação lgbt nas escolas, o que pode representar um atentado à autodeterminação sexual das crianças -- que têm mesmo de estar ao abrigo destes maluquinhos --, não vi a senhora Ursula von der Leyen e restante pessoal político a manifestar-se com tamanha indignação. 

A questão polaca: estou pouco informado, mas haver povoações que se autodesignam como "zonas livres de pessoas lgbt", já me parece demasiado acintoso e grave, fazendo quase lembrar os tempos dos pogroms. Quanto a isso, não deve haver qualquer contemporização. Mas nada de amálgamas,  uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria o gil vicente.

Quando uma acção política -- mais ou menos acertada ou errática -- pretende salvaguardar crianças e jovens de abordagens que podem ser prejudiciais ao seu desenvolvimento integral e livre é apresentada com histeria como uma questão de direitos humanos, só apetece mandá-los à fava. Mas o governo húngaro persegue alguém por ser homossexual? Não podem estes organizar-se como bem entendem? 

Por falar em amálgama: ontem, no Telejornal, a propósito do referendo  que Orbán vai convocar, o pivot, tendenciosamente -- ou então não faz um cu do que anda para ali a dizer, como tantas vezes sucede com todos eles --, falou em "lei anti-lgbt". Nem vale a pena gastar latim com isto.

O ministro dos Negócio Estrangeiros do Luxemburgo contratacou a notícia do referendo húngaro propondo um referendo europeu para saber se a Hungria deve continuar na UE, algo que presumo nem esteja previsto nos tratados. O descabelamento e a patranha.  E depois dizem que não há lóbi gay... O que não há é lóbi suficientemente influente para os indocumentados que têm de viver uma vida clandestina, ao sabor da sorte.

Em tempo: e por falar em maluquinhos, à solta no seio do governo e no PS, vale a pena ler tudo aqui

"Estudos Culturais" ministrados por analfabetos, deixando os alunos ainda mais analfabetos do que quando entram nas universidades. E depois, o vezo censório. Bem podem argumentar que não há guerras culturais (elas já estavam no meio de nós antes de darmos por elas). Tal como o choque de civilizações, que o politicamente correcto negava. Temos visto.

Em tempo 2: não fora Igreja e as associações de apoio aos imigrantes, e eles bem podiam estar à espera das indignações de Ursula, no MNE luxemburguês e até de Santos Silva...

Em tempo 3: é uma pena que o tema da liberdade esteja a ser deixado à Direita, usado de forma oportunista pelo populismo. Mas a culpa é só da esquerda. Hei-de voltar ao tema.  

 

domingo, outubro 30, 2016

ainda a Valónia e o CETA

Cheira-me a capitulação, ou triunfo da barganha da politicalha. É miserável o que se cozinha nas costas dos cidadãos.
De qualquer modo ainda falta a ratificação de 26 (ou 27?) estados. Ainda vamos ouvir falar do CETA, o cavalo-de-tróia do TTIP.

sábado, outubro 22, 2016

Viva a Valónia!

O TTIP  e o nunca falado CETA, prevêem, entre outras coisas, que perante um conflito entre um estado e uma grande corporação, o mesmo seja dirimido por um tribunal arbitral. Isto é Portugal (ou a Bélgica, ou a Suécia...) em face de um conflito com qualquer companhia, estaria no mesmo plano que esta, sendo obrigado a aceitar o que essa companhia pretendesse impor, se o tribunal arbitral decidisse em favor da segunda. (Companhias que, como se sabe, têm a servi-las os grandes escritórios de advogados.)
Esta aberração é um atentado descarado à soberania dos estados e uma consequente secundarização dos povos aos interesses de particulares. 
O mainstream político europeu perdeu a vergonha, não hesitando em vender-se (e vender-nos).
O parlamento da Valónia, região francófona belga com dois milhões e meio de habitantes, está a impedir este crime.
(O link é espanhol, pois a miserável imprensa portuguesa, anda atrás do homicida de Aguiar da Beira e escalpeliza, disseca e refocila no Tondela-Sporting.)

terça-feira, março 22, 2016

Bruxelas

A cidade do meu imaginário - Av. Paul-Henri Spaak. Não acredito que haja sabedoria e paciência no Ocidente para lidar com isto como deve ser. Nem laxista, como sucedeu até aos atentados de Londres; nem troglodita, como anseia uma extrema-direita racista.
Há séculos e gerações de humilhação, de rapina, de imperialismo, e as tempestades que estamos a colher. O avanço para o Magrebe, em meados do séc. XIX; as guerras bárbaras de descolonização, bárbaras, é claro, por parte do ocupante (o ocupante é sempre bárbaro, é sempre intruso, é sempre ladrão); a importação de mão-de-obra barata e a sua guetização; a inferiorização, o despeito, a humilhação outra vez. Acresce a política de caos e morte dos últimos anos que o Ocidente, levou àquelas paragens; a ocupação da Palestina e os dois pesos e duas medidas, consoante se é israelita ou palestino. E a humilhação, de novo, a ascensão do fascismo islâmico, o complexo de inferioridade transformado em niilismo religioso.
É preciso tempo e sabedoria para lidar com isto, porque isto está para durar.

terça-feira, dezembro 16, 2014

JornaL

No I

* No Porto, um taxista javardo agrediu a soco uma cliente que se despediu de uma amiga com um beijo na boca. É natural que o javardo seja despedido, é provável que vá a tribunal e seja condenado a uma pena menor qualquer. Sugiro trabalho comunitário numa organização lgbt.

* Na Bélgica, uma greve-geral a sério contra a austeridade: não houve jornais, televisões em serviços mínimos, grandes superfícies encerradas.

* Leio a mini-entrevista de Mário Tomé, a propósito dos 40 anos da UDP. Nada a dizer.

* Pelo contrário, uma grande e sensacional entrevista de Édouard Louis, jovem escritor e gay, oriundo das classes desfavorecidas francesas, em que medra o racismo, a xenofobia, a intolerância, sagazmente aproveitadas pela Frente Nacional. Louis, que publicou um romance-choque, Para Acabar com Eddy Bellegueule, em que vê de fora e à distância da sua formação universitária o lumpen  nacional de que é oriundo, e questiona a forma como a política institucional e a imprensa mainstream tratam esse segmento popular da sociedade, amedrontada não apenas com o outro mas também com o que lhe vai sendo retirado e que antes era tido como certo. Amedrontada e desorientada: as coordenadas das classes mais pobres e desinformadas devem ser semelhantes cá e em França: entretenimento boçal, pestilência mediática.

* Depois de Assange e Snowden, outro tipo excepcional: Antoine Deltour, 28 anos, o homem que primeiro revelou o miserável esquema fiscal dos LuxLeaks. Já tem a Justiça luxemburguesa na peugada.