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sexta-feira, maio 24, 2024

4 versos de Alexandre O'Neill

«E quando dizes "Poesia" eu tenho nojo / aquele nojo violento que me dá / o olhar furtivo a atenção desatenta / dos que se demoram nos lavabos nas salas dos cinemas» Tempo de Fantasmas (1951)

domingo, maio 12, 2024

4 versos de Alexandre O'Neill

«falamos de ti como se fosses / a árvore mais luminosa / ou a mulher mais bela mais humana / que passasse por nós com os olhos da vertigem» Tempo de Fantasmas (1951)

domingo, abril 14, 2024

3 versos de Alexandre O'Neill

«Se eu não estivesse a dormir / perguntaria aos poetas / A que horas desejam que vos acorde?»  Tempo de Fantasmas (1951) 

domingo, março 31, 2024

3 versos de Alexandre O'Neill

«Deixa ainda / o que a álgebra mais secreta / decidiu a teu favor.» Tempo de Fantasmas (1951)

quarta-feira, junho 07, 2023

Alexandre O'Neill

7 de Junho de 1975. Alexandre O'Neill publica «Solteirice» no diário A Capital: «Espeta-te com o garfo. / Corta-te com a faca. / Deita-te no prato. / Espera.» 

Coração Acordeão (edição de Vasco Rosa)

quarta-feira, maio 11, 2022

JornaL

1. Abuso de crianças dentro da igreja.  Bem sei que a questão é mais complexa, mas estou convencido de que uma aberração como o celibato obrigatório dos padres e freiras contribuiu para deformar algumas mentes.

2. Lei dos Metadados. Não percebo como é possível a Assembleia da República parir leis inconstitucionais. Não há para lá assessores aos pontapés? Para que servem?

3. "Pégasus". Muitíssimo conveniente as alegadas escutas dos serviços secretos espanhóis a Pedro Sánchez e alguns ministros, depois de serem apanhados a espiar os líderes catalães. devem pensar que somos parvos, carne para canhão comunicacional, à maneira do método emprenhamento artificial usado com a guerra da Ucrânia.

4. Atrasos de vida. Os talibãs voltam a impor o véu completo e recomendam a burca. Primitivos e maus.

5. Les beaux esprits...  João Botelho a filmar a poesia de Alexandre O'Neill, dará um bom filme? É bem provável.

6. Livro que me apetece. Devagar, a Poesia, de Rosa Maria Martelo (Documenta).

7. Uma frase. «[...] O'Neill tem na relação com Portugal um tema cuja intensidade e profundidade apenas encontra paralelo em pessoa.» Fernando Cabral Martins, JL. Será? O primeiro nome que me vem à cabeça é o de Ruy Belo, mas há outros.

terça-feira, maio 15, 2018

«Era o pino do inverno / e a cidade atravessava uma idade glacial // do coração.» Rui Pires Cabral, «"Em algumas das fotos aparecíamos juntos."», Oráculos de Cabeceira (2009)

«E quando páro e faço a propaganda / dos lugares mais comuns da poesia / há um terror quase obsceno / nos seus olhos maternais» Alexandre O'Neill,, «Em pleno azul», Tempo de Fantasmas (1951)

«Na noite da consciência / versos só podem ser pragas.» José Fernandes Fafe, «Sonetilho velho e actual», A Vigília e o Sonho (1951)

segunda-feira, maio 07, 2018

«Chega ao fim do dia / a hora mais lenta, quando o céu / é vago e as luzes se acendem / no prédio da frente.» Rui Pires Cabral, «"I felt that it was all unreal."», Oráculos de Cabeceira (2009)

«É no mar que a aventura / tem as margens que merece» Alexandre O'Neill, «Canção», Tempo de Fantasmas (1951)

«Por que me lembrais, ó olhos, / A minha imensa saudade?» Florbela Espanca, Antologia Poética (edição de Fernando Pinto do Amaral, 2002)

quinta-feira, maio 03, 2018

«Não sei que luz vaga, / Mas íntima luz, / Que nunca se apaga, / Me inunda, me alaga, / Se os olhos lhe pus!» João de Deus, «Amor», Campo de Flores (1893) 

«Afronta-me um desejo de fugir / Ao mistério que é meu e me seduz.» Mário de Sá-Carneiro, «Partida», Dispersão (1914)

«À tua mãe o marfim crucificado / ao teu pai o vício mais ronceiro / e a quem quiser / os lindos pentes da virtude» Alexandre O'Neill, «Deixa», Tempo de Fantasmas (1951)

sexta-feira, maio 27, 2016

microleituras

Sobre a Censura e a auto-censura. O artiguinho saltou-me há vinte anos, impressionado com a leitura das «Mensagens» de Ferreira de Castro na sessão do MUD (1946) e na campanha de Norton de Matos (1949):  O medo das pessoas falarem livremente umas com as outras, não fossem ser presas, despedidas, interrogadas, torturadas. O país do medo. E, no tempo de Salazar, Ferreira de Castro escrevia isto para ser lido em público:

«[...] Os Portugueses, na sua maioria, vivem numa permanente desconfiança [...] Eles vêem em todo o compatriota que não conhecem um possível inimigo -- um homem que lhes pode fazer mal. Eles desconfiam de tudo, até dos mendigos, algumas vezes até dos parentes. até da sua própria sombra. Mesmo os homens mais pacíficos, pais de família cuja principal preocupação poderem alimentar os filhos, vivem neste ambiente de suspeição, que produz, tantas vezes, imerecidos juízos sobre pessoas que, afinal, são outras tantas vítimas do medo.»
(«Mensagem de Ferreira de Castro», Campanha Eleitoral da Oposição. Depoimento. 3.ª série, Lisboa, 1949)

O mesmo ano, contra a mediocridade instaurada pelo medo, com os surrealistas a erguerem-se. E, por falar em surrealistas, cruzo na temática do medo, poemas de Alexandre O'Neill, Natália Correia, mas também de Manuel da Fonseca e Manuel Alegre. E foi o que me veio à memória, quando pensava no que escrever sobre esta separata. Lembrei-me do parazer em pegar nos textos, aqui e ali, misturá-los, cozinhá-los. Sempre gostei de fazê-lo. E não apenas com a literatura, mas também com a pintura, a música...

incipit - «Uma ideia que tem feito carreira com sucesso é a da inexistência de grande obras reveladas após o 25 de Abril, dessas que aguardaram publicação durante anos nas gavteas dos seus autores.»

 Ricardo António Alves, Ferreira de Castro: Um Escritor no País do Medo (1997)
(também aqui)


sexta-feira, maio 13, 2016

microleituras

Uma estesia alumiada pelo imaginário transtagano, claridades e planuras do sul que pediam mais rarefacção duma certa mitologia e lugares-comuns correspondentes.










1 poema


NEM SÓ O SUL

Nem só o sul O'Neill nem só o sol
por debaixo da sombra há outras sombras
no interior da casa talvez na cama
sob os lençóis
no desejo reprimido na violência contida
no ancestral orgulho masculino
no grito abafado das mulheres
há outras noites outras sombras outras portas fechadas
outros domínios proibidos
outras coutadas.

(também aqui)

segunda-feira, março 30, 2015

A posteridade de H. H.

Não me refiro à posteridade literária, como é óbvio, à perenidade da obra, ao lugar que ela ocupa na poesia. Se tivesse de fazer o difícil exercício de congeminar uma lista com meia dúzia de nomes dos, para mim, maiores poetas da segunda metade do século XX, Herberto Helder faria parte dela, com Alberto de Lacerda, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Rui Knopfli e Ruy Belo -- e teria de deixar de fora muitos que me assombram..
A posteridade a que me refiro é outra, a patrimonial e identitária. Percebo perfeitamente o apelo do seu filho, Daniel Oliveira, para que não desatem os poderes públicos ou particulares a homenagear o poeta, com nomes de rua, estátuas e bustos, etc. Guardado porém o decoro temporal necessário para não violentar quer a memória de Helberto Helder, quer a legítima vontade dos seus descendentes, não creio que ele tenha possibilidade de ser acatado.
Os grande autores não se pertencem, é uma banalidade escrevê-lo. E se cada cada vez menos se pertencem em vida (é ver a poesia de HH espalhada por blogues e pelas "redes sociais"), muito menos depois de ela findar. E ainda bem que assim é. Não há como não preservar e assinalar, por exemplo, a casa onde o poeta nasceu e aquela em que morreu (a Rua do Mercado, nº 7, em Cascais). E quem diz estes vestígios palpáveis da memória dele (e, de há muito, nossa), diz outras manifestações inevitáveis que a comunidade imperiosamente não pode deixar de promover.
Como pedir à Madeira que deixe o seu maior poeta entregue apenas aos seus livros? É, entre outras, uma questão de sobrevivência da própria comunidade.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Um milhão / de filhos / ilegítimos! // Porque espermas?
Alexandre O'Neill

sexta-feira, março 04, 2011

(próximo projecto: psicanalizar a cal)
Alexandre O'Neill

quinta-feira, julho 20, 2006

Antologia Improvável #148 - Alexandre O'Neill (4)

PEDRA-FINAL

Tanta gente,
tantos enredos
até ficarmos para sempre
quedos!

Para sempre? Não!
Que outros (mínimos) seres
já trabalham na nossa remoção.

De Ombro na Ombreira / Poesias Completas

quinta-feira, abril 27, 2006

Antologia Improvável #126 - Alexandre O'Neill (3)

PERFILADOS DE MEDO

Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
e a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...

Poemas com Endereço / Poesias Completas

O'Neill
















Fotografia tirada daqui.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Antologia Improvável #82 - Alexandre O'Neill (2)

O BEIJO

Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

No Reino da Dinamarca / Poesias Completas

O'Neill

terça-feira, setembro 27, 2005

Antologia Improvável #56 - Alexandre O'Neill

GATO

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Abandono Vigiado / Poesias Completas