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segunda-feira, julho 15, 2024

a propósito de OS CANIBAIS, de Álvaro do Carvalhal

Releio Os Canibais, de Álvaro do Carvalhal (Padrela, Valpaços, 1844 - Coimbra, 1868). É um daqueles muitos cuja morte precoce, trazida pela doença, foi um desperdício -- Cesário Verde, António Nobre, José Duro; mas também Henrique Pousão e Amadeu de Sousa-Cardoso, na pintura; António Fragoso, extraordinário compositor. 

Os Canibais, que abre o volume póstumo de Contos (1868), embora seja apontada como obra-prima do gótico português, não creio que a sua sobrevivência se deva particularmente à definição como narrativa de terror, aliás bastante chocarreiro, antes aos atributos estilísticos do escritor, e um tipo de narrador intrometido, sentencioso, por vezes cheio de boa disposição, à maneira de Garrett ou sarcástico como Camilo, que certamente conhecia bem, culto e lidíssimo que era, como se comprova pelos apartes do referido narrador, por vezes com uma ironia de que não desdenhariam Machado de Assis e Eça de Queirós -- espírito crítico que transborda sem afectação ou aspereza inútil, porém frontal e assertivo, ou não estivera ele ao lado de Antero na Questão Coimbrã.  

segunda-feira, novembro 14, 2022

a arte de começar

«1.º AMIGO (bebendo conhaque e soda, debaixo de árvores, num terraço, à beira-d'água) Eça de Queirós, O Mandarim (1880)

 «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (1866)

« Já não posso com estes tipos.» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póstumo, 1931)

segunda-feira, maio 06, 2019

vozes da biblioteca

«O meu conto é amador de sangue azul; adora a aristocracia.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (póst. 1868)

«Quando, há muitos anos, o Sr. Trocato me contou as razões por que não acreditava na história que corria sobre a morte do Dr. Júlio Fernandes da Silva e da mulher, eu não tive dúvida de que aquilo foi um crime porque me lembrei logo da minha tia Suzana.» António Alçada Baptista, Tia Suzana, Meu Amor (1989)

«Todos o conheciam naquele bairro populoso, onde famílias mais que remediadas em ganhos ou rendimentos haviam instalado os seus lares.» Assis Esperança, «O Senhor de Morgado-Martins», O Dilúvio (1932) 

domingo, abril 15, 2018

Todavia não deixarei eu de confessar o amor que sempre tive por contos de fadas, para que se não estranhem algumas murmurações, acaso fugitivas, no acto de me sacrificar às exigências desta geração pretensiosa.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (póst., 1868) 

«É um rolo misterioso e profundo que vem dum mar desconhecido.»  Raul Brandão, Os Pobres (1906)

«Os olhos de Margarida tinham um lume evasivo, de esperança que serve a sua hora.» Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (1944)

quarta-feira, maio 31, 2017

começar

Entre o estilo jocoso do Álvaro do Carvalhal e o tom épico de Ana Margarida de Carvalho, a escrita essencial do Raul Brandão, como só ele.

Em tempo: Título preferido: Que Importa (...), um verso de José Afonso.

1866 - «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais

1906 - «Vem o Inverno e os montes pedregosos, as árvores despidas, a natureza inteira envolve-se numa grande nuvem húmida que tudo abala e penetra.» Raul Brandão, Os Pobres

2013 - «Tersa gente esta, de almas baldias, vontades torcidas pelo frio que aperta, amolecidas pelo sol que expande.» Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar 

quarta-feira, novembro 25, 2015

ter Balzac por aí

«--Donde te vem tanta sabedoria acerca da mulher?
-- Quando me não sobrasse experiência própria, tinha aí Balzac.»

Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (póstumo -- 1866)

segunda-feira, março 16, 2015

só para lhe merecer uma saudade

«Solteira, homem que por desgraça a fitou quer ser um Romeu; casada, não faltariam Werthers que rebentassem o crânio para lhe merecer uma saudade.»

Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (póstumo-1868)

segunda-feira, novembro 03, 2014

merecer saudade

«Margarida é uma das mulheres fatais, que atraem irresistivelmente. Solteira, homem que por desgraça a fitou que ser um Romeu; casada, não faltariam Werthers que rebentassem o crânio para lhe merecer a saudade.»

Álvaro do Carvalhal, Os Canibais (1868)

sexta-feira, julho 04, 2014

amigo leitor:

«O meu conto é amador de sangue azul; adora a aristocracia. E o leitor há-de peregrinar comigo pela alta sociedade; hei-de levá-lo a um ou dois bailes e despertar-lhe o interesse com mistérios, amores e ciúmes dos que se armazenam por esses romances de armar ao efeito.»

Álvaro de Carvalhal, Os Canibais (1868)