SONETO DO OUTONO
A CORREIA DA COSTA
Enquanto o Outono lacrimoso tece
Seus claros véus de chuvas e de bruma,
E o prado de esmeralda empalidece,
E as folhas de âmbar tombam uma a uma...
Enquanto o vento, em cânticos de prece,
Com afagos de seda me perfuma,
E a tarde exangue, em êxtase, esmorece
Num céu morno de etéria sumaúma...
É que me sinto amar com mais ardor
Tua beleza de ave, estrela e flor,
-- Beijo que rezo e sonho que murmuro...
E num deslumbramento prodigioso,
Noivo, comungo, em plenitude e gozo,
Teu destino de sombra, que procuro.
Antifonário Pagão
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quinta-feira, junho 01, 2006
sábado, abril 15, 2006
Antologia Improvável #122 - Afonso Duarte (2)
IDEIAS
Honra: Brio: Dignidade:
Onde estais? Quem vos preza?
--Não posso viver pobre. A frialdade
Que me dá toda a pobreza!
Lembram-me bichos, carochas, centopeias,
Musgo, paredes húmidas, bolores,
Ao pensar na pobreza! -- Ideias.
E causam-me suores.
In Líricas Portuguesas, vol. 2
(edição de Cabral do Nascimento)
Honra: Brio: Dignidade:
Onde estais? Quem vos preza?
--Não posso viver pobre. A frialdade
Que me dá toda a pobreza!
Lembram-me bichos, carochas, centopeias,
Musgo, paredes húmidas, bolores,
Ao pensar na pobreza! -- Ideias.
E causam-me suores.
In Líricas Portuguesas, vol. 2
(edição de Cabral do Nascimento)
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Afonso de Castro,
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segunda-feira, maio 02, 2005
Antologia Improvável - Afonso de Castro
ELEGIA DA DISTÂNCIA
A Teixeira de Pascoais
Rios de Trás-os-Montes, a rezar
A elegia dum sonho que morreu...
Sonâmbulas montanhas, onde o luar
É um anjo imenso errando pelo céu;
Melancólicos vales, onde o mar
Seu miserere trágico escondeu,
Onde, como um assombro, a cogitar,
Paira o vulto espectral de Prometeu;
Sou um fantasma errante do Marão,
Vestido de penumbra e solidão,
Que, em poeira de estrelas, se dilui...
Minha presença é feita de lembrança,
E ando, de noite, enfermo de esperança,
A interrogar a sombra do que fui.
Mocidade Lírica
A Teixeira de Pascoais
Rios de Trás-os-Montes, a rezar
A elegia dum sonho que morreu...
Sonâmbulas montanhas, onde o luar
É um anjo imenso errando pelo céu;
Melancólicos vales, onde o mar
Seu miserere trágico escondeu,
Onde, como um assombro, a cogitar,
Paira o vulto espectral de Prometeu;
Sou um fantasma errante do Marão,
Vestido de penumbra e solidão,
Que, em poeira de estrelas, se dilui...
Minha presença é feita de lembrança,
E ando, de noite, enfermo de esperança,
A interrogar a sombra do que fui.
Mocidade Lírica
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