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segunda-feira, março 16, 2026

cada cavadela, cada minhoca -- são uma anedota estes americanos

Depois de acharem que poderiam não só derrotar como partir a Rússia aos bocados, usando os neonazis que tomaram conta da Ucrânia ocidental --, estes nabos em Washington viraram-se para o Irão (bem manipulados por Netanyahu), crendo que os aiatolas eram palhaços do tipo Maduro, e que a velha Pérsia, com milénios em cima e habituados a bater-se contra gregos, romanos, mongóis, otomanos e russos, iriam facilitar e não vender cara a pele.

E de tal maneira, que Trump já está em pânico de poder atolar-se ali, tendo começado a coagir os idiotas úteis da Europa e arredores, que tão prestimosos foram para com a administração alegadamente liderada pelo senil que o antecedeu.

Veremos se com tanta cordura solidária para com o nosso grande vizinho, ainda não seremos obrigados a enviar uma fragata -- afinal não somos da raça de Albuquerque, o Terríbil?...


(em tempo:
Rangel disse que não temos nada que ver com aquilo;
o que vale é que Trump, segundo ele, só estava a testar os europeus...)

quinta-feira, dezembro 26, 2024

uma oitava de Camões

«Nem deixarão meus versos esquecidos / Aqueles que nos Reinos lá da Aurora / Se fizeram por armas tão subidos, / Vossa bandeira sempre vencedora; / Um Pacheco fortíssimo e os temidos / Almeidas, por quem sempre o Tejo chora, / Albuquerque terríbil, Castro forte, / E outros em quem poder não teve a morte.» 

Os Lusíadas I-14 (1572)

sexta-feira, abril 26, 2024

150 portugueses: 41-45

41. Leopoldo de Almeida (1898-1975). Escultor modernista, dos maiores da arte portuguesa, é sua a extraordinária estatuária do Padrão dos Descobrimentos. Pai da artista plástica Helena Almeida.

42. D. Manuel I (1469-1521). Apesar de neto de D. Duarte e irmão da rainha D. Leonor, teve a ventura de o trono lhe cair no colo, sem saber ler nem escrever. É o rei da nossa idade de ouro (Gama, Cabral, Albuquerque, Gil Vicente, Camões...), coligiu e renovou a  legislação nas Ordenações Manuelinas, criador e confirmador de concelhos. Deu nome a um peculiar gótico tardio, o «manuelino». O Mosteiro do Jerónimos é, no fundo, o seu jazigo...

43. Nuno Gonçalves (1420/30 - c. 1490). Pintor de que pouco se sabe, não havendo sequer a certeza se terá sido mesmo o autor dos Painéis, o maior tesouro da pintura portuguesa de todos os tempos. 

44. D. Pedro I (1320-1367). Um tresloucado que reinou por uma década, protagonista real de uma das grandes histórias de amor da humanidade, para a qual deu contributos decisivos, v.g. os túmulos, dele e de Inês de Castro, em Alcobaça, conhecida e pasmada em todos os azimutes.

45. Raul Lino (1879-1974). Arquitecto de mão-cheia, não é o criador da chamada casa portuguesa, sendo contudo seu teorizador e prático, e à qual o seu nome ficou ligado.

domingo, abril 14, 2024

o lugar dos mitos


Napoleão Bonaparte é uma das poucas personagens de carne e osso que encontra lugar junto dos mitos, de Aquiles ou de Ulisses, ou se quiserem, que poderiam ser heróis da DEC ou da Marvel. Ele, Alexandre o Grande, Júlio César, Carlos Magno, Rodrigo Díaz de Bivar -- El Cid, Afonso de Albuquerque, Francis Drake...  
Incomensurável, megalómano e meteórico, a sua medida é de outra natureza, espécie de herói da DC ou da Marvel no nosso imaginário. É por isso despropositado, creio eu, pedir um quimérico rigor histórico a um filme de Hollywood. É o Napoleão de Ridley Scott e David Scarpa, e será por aí que teremos de o avaliar. 
Vi-o a medo em Novembro, com o «Gladiador» na memória, de que não gostara. Não sendo um filme inesquecível, tem dois desempenhos esplêndidos (Joaquin Phoenix e Vanessa Kirby) e grandes e boas cenas de batalha, das que ficam e põem o filme à beira do filmaço.

quarta-feira, junho 28, 2023

Portugal, uma jigajoga na guerra da Ucrânia (ucranianas CXCVI)

 

Quando se diz que uns certos falcões acreditam que uma guerra nuclear na Europa pode ser travada, sem que tal os atinja, estes criaturos do lado, senadores republicano e democrata, já anunciaram que se a Rússia lançar uma arma nuclear em território ucraniano, entrará em guerra com a Nato, ou seja, connosco, sem nos perguntarem nada, como (não) seria de esperar. Tirando os ingleses, o resto é paisagem (aposto que os alemães não foram informados da sabotagem aos Nord Stream).

Independentemente do que estes dois imbecis digam, e do valimento e peso que possam ter em Washington, o que assusta mesmo é a falta de confiança que merece a cúpula política, europeia, e muito em particular, portuguesa, a começar pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que é um zero à esquerda, e a culminar no Supremo Magistrado da Nação, que saca da cartola números como o da outorga do penduricalho da liberdade ao homólogo ucraniano.

Repito-me: nunca poderemos ignorar que somos vizinhos atlânticos dos Estados Unidos e que  fazemos parte da Nato (da qual, chego agora à conclusão, deveríamos sair); ou seja, membros ou não da Nato, teremos de ter sempre relações amistosas (e já agora, construtivas) com a maior potência mundial do momento. Não ignorando o seu poder e a ausência dele da nossa parte, devemos ser inteligentes e astutos o suficiente para fugirmos à actual condição meros vassalos, como diz o Putin a respeito dos países europeus -- e diz muito bem.

Quanto à União Europeia, gerida por incapazes, somos uns meros papagaios que para lá andamos. A nossas postura pública -- que também aqui deve ser sempre construtiva -- é miserável. Não nos sabemos dar ao respeito, o respeito que exige um estado de novecentos anos, um dos construtores do mundo em que vivemos, país do Infante D. Henrique, de Bartolomeu Dias, Afonso de Albuquerque, Luís de Camões e António Vieira -- coisas que não interessam para nada, diria um neocon neoliberal. O país de Jaime Cortesão mereceria bastante mais respeito do que esta jigajoga.

Quanto à CPLP, divergimos do seu membro mais importante, e creio que também da maioria. O que distingue Portugal dos outros países europeus dá pelo nome de Brasil, mas também Angola, Moçambique, Cabo Verde, etc., em relação aos quais, especialmente os referidos, nos devemos esforçar para não estar em barricadas opostas. É algo que deve ser permanentemente alimentado, em vez de servir para tiradas fanfarronas para dignitários estrangeiros, o alardear das nossas relações especiais com África e América Latina. São tão especiais que eles muitas vezes não nos ligam nenhuma, e é bem feito.

sexta-feira, abril 07, 2023

rei, estado, mar, língua e literatura -- ou o quê, quem e como se fez o povo português

É curioso verificar que o povo português é uma criação do país chamado Portugal. Ao contrário do que sucedeu com outros, que ajustaram etnia e território, os indivíduos que coabitaram no rectângulo, muito heterogéneo étnica e morfologicamente, entre o Atlântico e o Mediterrâneo (Orlando Ribeiro), que veio a chamar-se Portugal, cooperando e/ou guerreando-se eram, sucessiva ou simultaneamente, iberos, celtas, romanos, germânicos suevos e visigodos, berberes, árabes, judeus... Como escreve algures José Mattoso, portugueses designava, na Idade Média quando o reino se constituiu, os súbditos do rei de Portugal.

Não oferece dúvidas, porém, a efectiva e significante (embora actualmente nada pujante, também por inépcia dos múltiplos desgovernos) existência de um povo português, forjado ao longo dos séculos habitando maioritariamente no continente europeu num território cuja primeira parcela, até Coimbra, se tornou de facto independente desde há 900 anos, que se cumprirão daqui a um lustro, em 2028.

Este povo, que antes não existia, deve o facto de ser uma realidade não despicienda, apesar de tudo, no mundo global em que vivemos, a dois factores: a criação do estado e a codificação da língua portuguesa, não apenas como veículo, mas como arte. E a perenidade que parece ter alcançado, permitindo-lhe chegar ao milénio (espera-se, pois em História nada é imutável; e chegando lá, em que condições?...), assentou no(s) rei(s) e no exército que lhe assegurou a independência; a localização atlântica, cativando-o para um empreendimento a que não é errado caracterizar como gesta (termo usado como substantivo e não adjectivo), nas suas glórias e misérias, traduzindo-se na expansão extracontinental e na descoberta de territórios, povos e geografias insuspeitados, que tornando a tal perenidade de memória inapagável e irremovível enquanto a humanidade existir. São os séculos XV e XVI, de Henrique o Navegador e Gil Eanes, a Afonso de Albuquerque, "o Leão dos Mares" e Fernão Mendes Pinto.

Finalmente, a língua, vinda do latim e separando-se do galego pela conjuntura politica, património e identidade, que se espalhou; e através da língua, a literatura, em especial a poesia. Se nas restantes artes, não nos podemos equiparar aos grande países -- embora nomes respeitáveis não faltem, da pintura à música, na literatura só há um Camões e um só Fernando Pessoa; e em torno deles, um acervo gigantesco de literatura, dos trovadores medievais aos prosadores dos séculos XIX e XX.

O povo português, que antes de existir Portugal não existia ele próprio, é o resultado miscigenado de tudo isto.

quinta-feira, maio 24, 2018

Descobrimentos Portugueses: o #metoo da historiografia

«Museu das Descobertas». A designação é obviamente simplória. Não pelas razões que aduzem aqueles que sacrificam ao politicamente correcto, como pela pobreza do conceito para caracterizar um complexo movimento político, social, económico, cultural, religioso, científico por detrás da expansão e dos descobrimentos portugueses. A ideia, aliás, inscrita em programa eleitoral, tem todos os contornos dum típico coelho tirado da cartola da politquice barata, para efeitos de pirotecnia de campanha, sem cuidar do como e do porquê.

Costumo dizer que graças aos Descobrimentos e à Expansão, os portugueses  garantiram a sua presença na história da Humanidade; somos uma espécie de fenícios dos tempos modernos, quando poderíamos ficar-nos pela dimensão duns quaisquer túrdulos da cultura castreja... Não vou, porém, falar da pertinência ou da oportunidade da criação de uma grande museu dos descobrimentos, quando o património cultural do país está na miséria que se sabe. Para já, interessa-me a questão levantada em torno do nome.

A discussão e o debate de ideias é sempre excelente, porém, quando, a coberto duma cientificidade de analfabetos se pretende distorcer a História, não me apetece ter grande contemplações para um texto  indigente, assinado por algumas figuras estimáveis. Felizmente, não tenho vocação de discípulo nem gosto de rebanhos. E, nessa perspectiva, também não me deixarei condicionar pelos arremedos autoritários, para não escrever 'totalitários', que lançam o labéu de fascistas ou fascizantes àqueles que deploram um embuste e um esquema mental que dá origem a idiotices como esta.

Em primeiro lugar, a haver um museu com esta temática, o seu interesse para a comunidade só se justifica se partir duma perspectiva portuguesa; caso contrário, é melhor tratar do merchadising com os americanos e pô-los a fazer uma espécie de Disneylândia inspirada nos tempos do Gama e do Albuquerque. Por que diabo um museu português não deveria ter uma perspectiva portuguesa, integrando numa visão planetária, essa mesma que contribuíram decisivamente para alcançar, gostemos ou não? Claro que uma abordagem objectiva e sem patriotinheirices, sem escamotear o horror, a pilhagem, o domínio, o tráfico de escravos -- actividade que nos distinguiu durante demasiado tempo. De resto, como é que depois de Vitorino Magalhães Godinho, de Luís de Albuquerque, de tantos historiadores, portugueses e estrangeiros, que se debruçaram sobre aqueles séculos de história portuguesa, se admite que doutra forma pudesse ser? Falamos de museu ou dum evento, entre os jogos-sem-fronteiras e o festival-da-canção?...

Ao contrário dos que escrevem os guardiões do moralismo anacrónico, a palavra não "cristaliza uma incorrecção histórica", pelo contrário. Houve, de facto, descoberta de territórios desabitados, desconhecidos de toda a Humanidade; tal como aconteceu o desvendar de rotas nunca por outros singradas; e o evidente descobrimento de um mundo mais amplo que rompia com uma percepção que remontava à Antiguidade. Se isto não é descobrimento é o quê, então? E não deve este pioneirismo ser conhecido da comunidade portuguesa, sem a basófia antihistórica dos manuais da República e do Estado Novo? 

É verdade que os outros povos não foram "descobertos", por isso se recorre, com razão, ao acoplamento da palavra "Expansão". Ao contrário dos "Descobrimentos",  que remontam à Idade Média (as "Navegações", em bom rigor, recuam ao Neolítico...), o movimento expansionista e imperial português tem uma data delimitada e uma ocorrência definida: 1415, ano da conquista de Ceuta (e mesmo assim com algumas raízes político-económicas que não há espaço para abordar). A partir daqui Expansão e Descobrimentos são duas faces duma mesma moeda. E nela está inscrita o colonialismo português, particularmente vil, cuja libertação se deveu aos povos colonizados e aos seus movimentos de libertação: PAIGC, MPLA, FRELIMO, movimentos tão de libertação que até contribuíram decisivamente para libertar os portugueses.

Obliterar a noção de descoberta não é só uma parvoíce, como a tentativa, de resto inglória, de rasurar da História um processo que nos identifica como comunidade, com um lastro cultural avassalador (como se lê e vê e sente nestes versos da Sophia de Mello Breyner Andresen e do António Pedro) ; uma espécie de #metoo da historiografia, em nome dos bons sentimentos. Ora, se a exclusividade dos bons sentimentos em arte borram a pintura, na historiografia ainda fazem pior, chama-se vigarice.