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sexta-feira, maio 16, 2025

Palestina, um crime nas nossas barbas

Se há nação e estado que nunca deveria ser agente, por acção ou omissão, do que se está a passar na faixa de Gaza (nem nos colonatos da Cisjordânia ocupada, já agora), esse seria o povo judeu e o estado israelita, com o perpetrar de um genocídio nas nossas barbas. Nunca como agora o velho cartoon do António foi tão actual, tão verdadeiro, e infelizmente também, cada vez menos exagerado, na sua função satírica.

(Infelizmente palavras como genocídio estão cada vez mais banalizadas, num tempo em que elas, as palavras, valem cada vez menos. Se chamamos genocida a um ladrão pindérico como o Bolsonaro, como designaremos agora Netanyahu: alguidar?, carburador?,  pastel de nata?...)

A partir de agora a bandeira da Palestina vai estar na coluna direita. Perdi por Israel todo o respeito e admiração que em tempos tive. Restam os kibutz, as pequenas comunas que já existiam antes da criação do estado e que continuarão a existir depois dele.

Não se trata com isto, como sabem os que por aqui passam, de desculpar e muito menos "absolver" a barbárie do Hamas -- grupo armado independentista islâmico, e não terrorista na sua essência, mesmo que praticando abjectas acções terroristas, como o são quaisquer ataques a civis; mas o a abjecção do governo israelita traduz-se na multiplicação do terror infligido pelo Hamas. Se fosse a vingança bíblica que queriam, há muito que estavam vingados. Mas é mais que isso: é genocídio praticado por um povo que foi sempre perseguido, de Nabucodonosor a Hitler.

 

terça-feira, fevereiro 25, 2025

atrasos de vida

Desde o início da guerra entre os EUA e a Rússia na Ucrânia que muito se tem falado em Munique '38 e o nefasto apaziguamento de Hitler, que se verificava já pelo menos desde 1936, com a reocupação do Ruhr. A equiparação é fácil de entender, Putin o novo Hitler, e, claro, associando-lhe características idiossincráticas e ideológicas do estafermo austríaco: insânia, espaço vital, superioridade rácica e todo o folclore, para sugestionar simplórios. Que pivôs feitos jornalistas à pressão ou uns quantos pobres de Cristo do direito ou das relações internacionais o digam, ao fim de três anos de estupidez começa a ser tradicional; que historiadores de meia-tigela venham com comparações fáceis mas erradas, é uma nódoa de que não poderão limpar-se. 

(Lembram-me outros historiadores que no seu activismo se esqueceram de que o eram,  contestando a palavra/expressão Descobrimentos para designar uma parte fundamental das navegações e expansão portuguesas. Que estúpidos...)

Mas... -- há sempre um mas. Se enquanto vigorar a Nato, um ataque, por exemplo, aos países do Báltico ou à Polónia seria suicidário (e para quê, o ataque?...), não se segue que, no momento, presente Estónia, Letónia e Lituânia, com uma forte minoria de nacionais russos entre a sua população (num dos países, quase chega aos 50%), não devam ter em atenção o tipo de política que a estes é dirigida, e não fazer como na Ucrânia, perseguição, proibição, massacre até -- sem dúvida o que levou as autoridades russas a falarem com merecido desprezo da necessidade de desnazificação. (Também há para lá nazis, embora os propagandistas de cá digam que não). 

Ontem ouvi o major-general Agostinho Costa referir-se a este pormaior; e seria bom que estes mini-estados resistissem à tentação fácil. Se é a guerra que eles querem -- como se fartam de gritar -- começá-la será facílimo. Imitem a Ucrânia. Destas provocações, sim, é preciso ter medo. 

terça-feira, novembro 26, 2024

ucraniana CCLXXI - os europeus submissos e cabisbaixos

Quando vemos e lemos o à vontade com que se fala e escreve a propósito da III Guerra Mundial, quando há sempre falcões que não passam de falquinhos, como este Rob Bauer, e outros puxa-saco dos palonços dos dirigentes políticos europeus, só podemos fazer figas ou pôr velas a Nossa Senhora.

Não, não se trata de nenhuma política de apaziguamento semelhante à da Europa Ocidental em face de Hitler, como sucedeu em 1938 -- assim o têm dito os pequenitos académicos de meia-tigela de Relações Internacionais e outros que vêm atrás --, mas sim a submissão miserável, cobarde e cega à estratégia norte-americana, que, porque pretende partir a Rússia aos bocados, não hesitou em usar e sacrificar a Ucrânia e os seus povos, como não hesitará em sacrificar o resto da Europa, se tal lhe servir. A Europa não passa de um mero peão da guerra dos Estados Unidos contra a Rússia.

Resta saber o que farão os políticos europeus: se defender os seus países e povos de uma hecatombe, ou se vão, obedientes, lutar pelos interesses dos outros, submissos e cabisbaixos, tal como os judeus enfileiravam para os fornos crematórios dos nazis. A responsabilidade e a diferença entre patriotismo e traição está nas mãos dos eleitos.

Nota (para o caso de o não ter ainda escrito): Não sou pacifista. Sou contra exércitos profissionais: a defesa do país deve ser sempre dever de todos. Defendo o serviço militar (ou cívico) obrigatório para ambos os sexos, em moldes muito diferentes da estupidez que existia antigamente. Um período mais breve, com reciclagem anual até uma certa idade, tal como existe na Suíça. 

Ah, claro, sou contra a subserviência e o espírito de rebanho pastoreado pela Úrsula e os seus rafeiros.

E ah, outra vez: a "ajuda" da União Europeia à Ucrânia tem sido fabulosa, como se vê. Mesmo com as mentiras da manipulação, creio que os ucranianos já devem estar um bocado cansados de tanto auxílio. Só falta a "ajuda" da Nato. 

Porcos.

segunda-feira, outubro 07, 2024

um ano depois do 7 de Outubro

A questão israelo-palestina foi um problema criado pela má consciência do Ocidente -- desde a primeira perseguição aos judeus, em Inglaterra, no Século XII, quando Ricardo Coração-de-Leão pretendeu sacar dinheiro fácil para financiar a sua Cruzada, até ao Holocausto da Alemanha de Hitler e seus nazis. Pelo meio histórias de horror, com a expulsão em Espanha e depois em Portugal (Século XV -- D. Manuel I a ceder contrariado aos fanáticos Reis Católicos, em troca da mão da filha), passando pela prática dos pogroms, na Rússia, na Ucrânia, na Polónia. A decência da tolerância, nesses séculos passados, só morava nas antigas Províncias Unidas (os Países Baixos) e entre os turcos do Império Otomano. ao compreensível sionismo do Século XIX, a Inglaterra, a maior potência da época, responde com a Declaração Balfour (1917). Como acontecera décadas antes na Conferência de Berlim (1884-85), as potências imperiais traçaram fronteiras sem que a existência dos indígenas lhe passasse pela cabeça. Era o apogeu do Euromundo e da sua "missão civilizadora", como paternalisticamente se designava o domínio colonial. 

Israel está hoje numa posição muito mais débil que há um ano, por causa de lideranças de oportunistas políticos -- Netanyahú, também cada vez mais extremista -- e dos fanáticos nacionalistas e religiosos que o sustentam. A legitimidade da sua existência enquanto estado independente está politicamente posta em causa, quando a um massacre nefando reage com a brutalidade bíblica que se sabe. Eu, que tanto admirei o estado de Israel, deixei de ter ânimo para defender o indefensável -- um estado liderado por bandidos, teocratas e dementes perigosos.

Mas os palestinos estão também mais enfraquecidos, sem liderança credível, entre outros fanáticos religiosos e os restos da OLP / Fatah, comprada pelo Ocidente. A Palestina precisava de um Gandhi ou de um Mandela. talvez precise mesmo de um Barghouti, há 22 anos nos cárceres israelitas. 

Fui ler a minha primeira reacção, a quente. Confirmo tudo, e ainda mais.


quarta-feira, maio 29, 2024

ucraniana CCXLVII - mercearias de Cotrim

Para um tipo como eu -- que à vezes peca por snobismo, hélas --, Cotrim de Figueiredo não passa de um merceeiro sofisticado, um potencial grande quadro para a Jerónimo Martins ou Sonae. Quanto a grande política, zero. É já a segunda vez que lhe ouço o estafado argumento do apaziguamento -- ideia que se costuma aplicar à atitude de França e Inglaterra em relação a Hitler, a que se lança mão por ignorância ou aldrabice.  Ora Putin nunca é Hitler nem nunca será, e nem vou perder tempo a escrever porquê. Dizer que Putin é louco ou está doente é argumento para inculcar em analfabeto funcional -- assim, espantalhe-se com a ideia peregrina de que ele atacará um país da Nato. Cotrim e outros que tais, agitando o papão do medo e jogando à roleta russa com a Rússia.

No debate de ontem, ele e o Bugalho, talvez menos irritantes que Catarina Martins, que quer sol na eira e chuva no nabal; Marta Temido, parece sensata, mas anda ali a apanhar bonés; Tânger Correia faz-se desentendido, para agradar ao chefe; Paupério e Fidalgo Marques, estão noutro planeta em relação a mim, que já sou demasiado velho para aquelas cabeças. João Oliveira acaba por ser quase heróico no meio daquele playground -- o debate é um desastre, porque quase não há, apenas entrevistas simultâneas (sei que não é fácil moderar tanta gente; mas quando se trata de debate a dois, a porcaria que nos dá a RTP e os outros é igual). 

quarta-feira, junho 21, 2023

não é preciso chamar nazi ao Zelensky, porque ele não precisa (ucranianas CXCIV)

O nazismo foi a perfeita encarnação do Mal na História contemporânea, em maior grau ainda, pela sua selectividade espúria, do que a escravatura praticada em larga escala com destino às plantações das Américas (o ser humano tratado como mercadoria), os genocídios índio e arménio (atavismo territorial primitivo, no fundo à Gengis Khan), para não falar doutro departamento, o terror estalinista, todo um outro departamento. A depravação moral de Hitler e sicários (um sicariato que se estendeu, infelizmente, a milhares de alemães e povos vizinhos), que o fascista Mussolini quase passa por moderado e o chefe Salazar quase por democrata. O nazismo é único no Ocidente contemporâneo e não vale a pena equipará-lo com qualquer outro sistema de poder.

É por isso que me parece contraproducente o PCP enveredar por essa retórica de Putin (de quem aliás o partido tanto se preocupa em dissociar-se). E não é o único: lembremos Pedro Doares, na recente convenção nacional do Bloco de Esquerda, chamando neonazi ao Zelensky. No entanto, foi neste caso uma hiperbolização salutar, pois, mesmo para quem não é nem gosta do BE, como é o meu caso, causava vergonha e embaraço vê-lo alinhado com a nato ou com o Chega.

Dito isto, também não se pode escamotear a presença, o poder e a influência da extrema-direita neofascista e porventura neonazi em todo o processo que conduziu à guerra que decorre entre os Estados Unidos e a Rússia na Ucrânia.

A CIA, aliás, e beneméritas agremiações americanas congéneres às ordens do Pentágono e do complexo militar-industrial norte-americano (não, obviamente, do taralhouco do Joe Biden), gostam muito de recrutar e branquear este género de delinquentes. Veja-se o caso Navalny: independentemente de tresandar a homem-de-mão, foi membro do partido do Jirinóvsky que deus tem. Ou seja: o rebotalho, o lumpen político e social que a implosão da União Soviétiva excretou.

Voltando ao Zelensky: na mais benigna das hipóteses, foi um líder que hipotecou o próprio país ao ser incapaz de estabelecer um status quo com os russos do Donbass. Não é o único culpado? Não será; mas sujeitou-se a servir os interesses de uma potência global interessada em neutralizar a Rússia. Se perder a guerra, como parece irá perdê-la, ninguém lhe perdoará; se a ganhar, admitamos a hipótese académica, o custo será de tal modo elevado, que alguém irá perguntar-lhe se não teria sido preferível ter-se batido por uma solução que teria por base os Acordos de Minsk. É que -- e nisto o PCP tem toda a razão -- a guerra não começou no ano passado, como dizem para aí os intrujões -- cujo mentor é, recorde-se, Boris Johnson (um Nobel da Paz para ele) --, com a invasão da Rússia pela Ucrânia.     

segunda-feira, fevereiro 20, 2023

olhò robot (ucranianas CLXIII)

 Ainda não pude ouvir os acontecimentos do dia, a visita de Biden a Kiev, depois de avisar os russos; para já esta originalidade de António Costa, uma cassete sem ponta por onde se pegue, repetindo a propaganda que pretende justificar o envolvimento europeu na guerra. Do alegado isolamento (a Rússia está isoladíssima, como se verifica), à ideia peregrina da derrota russa. Vê-se a que ponto ela está prestes a ser derrotada.

O que é trágico neste avatar robótico de Costa é o que revela, entre outras coisas, o como a UE, ao servir de peão dos interesses americanos, em vez de tentar manter uma independência crítica, apenas faz parte do problema e nunca de uma solução.

A guerra da Ucrânia, cada vez mais longe de uma solução diplomática -- seria neste tabuleiro que a UE deveria ter apostado (sem a má-fé que  se sabe agora esteve por detrás dos acordos de Minsk) --, (a guerra) só terá dois desfechos (afastada que julgo estar  a possibilidade de uma débâcle russa, a aposta americana): ou a capitulação da Ucrânia, que eu ardentemente desejo e espero que seja desta que os russos lhe inflija o golpe de misericórdia que a arraste para a mesa das negociações; ou a guerra com a Nato, tão desejada pelos falcões descerebrados do Pentágono e respectivos fantoches, convencidos que o conflito se restringirá à Europa -- desgraçados inconscientes!... E para isto servem todas as mentiras e truques com que nos bombardeiam de há um ano para cá, com a teia de cúmplices e idiotas úteis.

Quando Costa se presta a ser um mero papagaio, em vez de estadista, será co-responsável pela evolução que se der, se a guerra extravasar as fronteiras da Ucrânia (como o é Marcelo Rebelo de Sousa ao pôr-se em bicos de pés, atribuindo a Zelensky o Grande Penduricalho da Liberdade: serão co-responsáveis, pela sua fraqueza, mediocridade e ausência de grandeza políticas de terem mergulhado Portugal numa guerra que não lhe diz respeito, e que para dar aparência de que os nossos interesses enquanto estado e nação estão em jogo têm de ser coniventes com a mistificação que tem sido urdida ao longo do último ano -- a de que a Rússia representa uma ameaça militar para a Europa, em especial para os antigos países da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, que integram a Nato.

Esta é, desde o princípio a conversa do Zelensky e de vários agentes do Pentágono. Por muito que Putin gostasse, ele nunca poderá arriscar atacar um país da aliança atlântica, pois sabe muito bem o que sucederia: a entrada directa em guerra com os Estados Unidos e os restantes países da organização ou seja, o suicídio. É um argumento que só funciona com ignorantes, com aqueles que ouvem as gordas no intervalo das telenovelas; mas como no QG Nato também sabem que nem toda a opinião pública é assim, um dos veios da propaganda foi a da alegada doença ou loucura de Putin, só isso podendo justificar um acto tão irracionalmente perigoso -- uma das muitas enxurradas de aldrabices com que nós cidadãos temos sido intoxicados. Como se vê, o Putin transpira irracionalidade por todos os poros e há palermas que vão atrás disto, como esse inenarrável Farred Zakaria, num dos mais boçais programas de informação , na CNN: Putin, um novo Hitler; Zelensky, um Churchill, valha.nos Nossa Senhora de Fátima, com Pastorinhos por atacado.

Quando vejo Costa e Marcelo mergulharem até ao pescoço nesta trampa nauseabunda, o asco é inevitável. Como digo desde o princípio, cá estarei para me penitenciar do erro de análise (e só deste), se Putin cair; mas amanhã ainda não será a véspera desse dia, pelo que, quem estiver à espera disso, suspeito que terá de esperar sentado. Até lá, os Estados Unidos continuarão a fazer guerra à Rússia até ao último ucraniano (algo que escrevo desde o início), esperemos que não até ao último europeu.

terça-feira, setembro 13, 2022

uma guerra stalinista, segundo um general da nato (ucranianas CXXIV)

 O major-general Isidro Morais Pereira, comentador da guerra, apresentado como ex-representante de Portugal na Nato, não tem, neste particular, deixado os seus créditos por mãos alheias. No outro dia, compungido com a destruição provocada pela guerra, disse que os russos levam a cabo uma "guerra stalinista" na Ucrânia, pelo volume de destruição infligido. Dando de barato ao major-general a bestialidade da guerra, e recordando que as malfeitorias infligidas pelo Zé Estaline aos alemães na II Guerra foram para baixo de um décimo da que foi exercida por Hitler a todos os povos da União Soviética (russos e ucranianos à cabeça), o lamento do general suscita-me duas observações: a primeira prende-se com a orografia do território, insusceptível de confronto em campo aberto, em especial quando a desproporção de meios é grande, sendo, portanto, nas cidades e ao seu redor que as refregas acontecem; em segundo lugar, esqueceu-se de que a defesa ucraniana colocou o arsenal bélico dentro, em cima e em torno dos edifícios, ocasionando aquelas imagens de civis usados como escudos humanos, que a insuspeita Amnistia Internacional denunciou, para raiva dos propagandistas do "Ocidente alargado" -- uma maneira de os comentadeiros se referirem aos Estados Unidos sem lhe dizerem o nome.

Acho também extremamente cómico este general Nato, intelectualmente propulsionado pelos nossos (deles) valores, que, como sabemos, são muito democráticos, e até liberais... Nem é preciso recordar a liberalidade com que despejaram napalm no Vietname, faz meio século; ainda há pouco levaram a democracy (os nossos, deles, valores) aos iraquianos chacinados.

Podemos chamar muitos nomes ao Putin (eu, nem por isso, até ver): que tem um nacionalismo distorcido, que é ditador ou mesmo um mauzão (esquecendo-nos que ele salvou a Rússia da debâcle e está a prevenir hoje voltar ao caos dos tempos de Ieltsin -- mas isso é outra história, certamente contestável e com sombras várias). O que não se pode dizer do Putin é que ele invadiu a Ucrânia para rapinar as riquezas do país, como os democráticos e liberais americanos fizeram no Iraque.  Esses arautos do "Mundo Livre" -- criminosos de guerra -- ainda mexem e têm nome, sendo Biden, volto a lembrar, com o seu voto favorável à invasão, no mínimo cúmplice e co-responsável moral pela miséria de que foram agentes, o crime mais hediondo de que fomos testemunhas. 

A Guerra da Ucrânia, perversa, como todas as guerras, não tem mais nem menos valor do que a guerra no Tigré (em África) ou no Iémen (na Ásia), que estão aí a decorrer na indiferença de todos.  O resto é conversa fiada é para tolinhos.

quarta-feira, julho 13, 2022

ucranianas (CX)

A Ucrânia não vai recuperar território nenhum, vai até perder mais -- a não ser que a Rússia colapse (como?, onde?, quando?...) -- cartada que os americanos jogaram e os ucranianos executam. Na conversa de "reconquista" do Zelensky só os ingénuos acreditam. Mais depressa os russos arrasam Kiev, se quiserem.

Estou a ouvir os palermas do costume: "pois, querem que a Ucrânia capitule..." Ora convém sempre dizer que foram os dirigentes ucranianos que meteram o país neste buraco, de onde já não vão sair ilesos, quando aceitaram fazer de joguete dos americanos. E, portanto, o país vai sempre ficar mal nisto: mais pequeno, mais pobre, com menos gente.

E porquê? Porque o Putin é especialmente perverso, louco, uma espécie de Hitler, como a propaganda mediática americana ao serviço do Pentágono (como aquela fraude do Zakaria da cnn internacional, etc.) procura confundir os pobres de espírito? Não forçosamente; mas talvez porque a estratégia dos falcões de "enfraquecer a Rússia" tenha ido demasiado longe ao crer abarbatar-se  com o território às portas do Kremlin.

"Quem são o invasor e o invadido?" A pergunta dirigida a mentecaptos, feita por incompetentes, terá desenvolvimento depois.

quarta-feira, junho 01, 2022

sai um memofante para o prof. Telo (ucranianas CI)

Costumo ouvir regularmente o historiador António José Telo na Rádio Observador ou na CNN/TVI -- sempre com desprazer, aliás, o que dantes não sucedia.

No outro dia, não se calava com Munique 1938. Ora Munique'38, significa o acordo da Inglaterra e da França à invasão da Checoslováquia e anexação do território dos Sudetas por Hitler, área de vasta população alemã.

Comparação subliminar Putin = Hitler -- algo que foi feito com brutalidade propagandística destinado à maralha, no gigantesco condicionamento das opiniões públicas a que temos assistido,  mistela grosseira que um catedrático se coíbe de fazer --, o paralelismo parece-me espúrio.

Claro, pode sempre dizer-se que Putin tem falado nos russos que estão fora das fronteiras, ou ainda -- o que não fazem, porque não convém -- das humilhações à Rússia nos últimos anos, a que já me referi aqui --, mas que não tem nada que ver com a situação de uma Alemanha ajoelhada pós-Versalhes, o que deu a corda toda ao nazismo. Se há coisa que a Rússia não está é ajoelhada, embora os Estados Unidos e satélites estejam a tentar, à custa dos ucranianos, aqui a servirem de cobaias e de isco.

Para trás e para a frente com Munique'38,  o que Telo quer dizer é que conforme a "política de apaziguamento" de Hitler redundou na II Guerra Mundial, a de Putin irá redundar na III.

Para além de ser duvidoso que Hitler fosse já apaziguável em 1938, após a incorporação consentida da Áustria -- consentida e aplaudida pelos próprios austríacos, algo que não é conveniente lembrar --, o prof. Telo esquece-se, por outro lado, que Hitler não tinha vizinhos agressivos que significassem uma ameaça militar; pelo contrário, eles estavam aterrorizados que uma carnificina como a da Grande Guerra voltasse a suceder.

E esquece-se também de que a Nato em Kiev, algo previsto na constituição do país, depois do golpe orquestrado pela CIA em 2014, juntando-se a uma série de acções na vizinhança e dentro da Rússia de que aqui tenho falado. seria algo de inaceitável para ela, Rússia. 

Claro que os que dizem, ah, mas isso não estava em cima da mesa, não merecem crédito algum. A Ucrânia esteve-se nas tintas, com as costas aquecidas pelos Estados Unidos, que esticou a corda toda; está agora a pagar as consequências de os seus dirigentes se terem posto ao serviço do império ocidental, mesmo que a Rússia vá pagar também ela um preço, Os Estados Unidos serão sempre vencedores; a Rússia nunca poderá cantar vitória total (a Finlândia), e o grande derrotado já é a Ucrânia, como seria previsível: pelos mortos, a destruição e a inevitável perda de um parte significativa do território. 

E as contas ainda não parecem fechadas. 

Em tempo - Naturalmente, está aqui presente o slogan de má fé comunicacional: "hoje é a Ucrânia, amanhã o resto da Europa". Para este absurdo, tem-se aproveitado tudo: Putin está louco; Putin está doente; Putin tem sido enganado pelo próprio estado-maior, entre mais patranhas para ludibriar a populaça europeia. Seria sem dúvida uma loucura a Rússia atacar um país da NATO, pois já se saberia qual a resposta. Pelo contrário, quem nós vemos cheios de vontade de subir a parada é a Polónia, os estados bálticos e o cão de fila inglês, sem falar nas criaturas da UE que nos saíram na rifa (aquela van der Leyen, aquele Borrell, aquela Metsola).

ucranianas