O texto introdutório é uma justificação da procura e resgate empreendidos pelo autor duma cultura e tradição varridas da narrativa historiográfica portuguesa com honrosas excepções, fruto da Reconquista e da bagagem ideológica que se lhe colou. triunfo do cristianismo, derrota do outro, que éramos também nós próprios e não sabíamos: «Conheci então o que sempre de mim fora conhecido.»
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domingo, janeiro 03, 2021
na estante definitiva
E há um óbvio apontar de dedo aos basbaques do país traduzido do francês em calão. O autor fala de subserviência, eu vejo o complexo do bimbo que gosta de mostrar que bebe do fino. Misérias. A constatação do abandono e do desinteresse, em 1987 mais pungente que hoje, por certo, peso o vírus jihadista que entretanto contaminou tudo o que pudesse emanar eflúvios de arabismo, E nesse então, a pergunta: «E quantos Árabes ilustres ligados à nossa terra têm merecido a atenção da nossa intelectualidade? Apenas responderá um silêncio que magoa.» A melhor resposta é dada com este volume, que é obviamente um livro essencial dos estudos arábicos do século passado, como o foi esse outro maravilhoso gesto de António Borges Coelho com Portugal na Espanha Árabe (quatro volumes, 1972-1975). É isto que realmente interessa, o resto são inanidades para o agora.
Adalberto Alves, Portugal na Espanha Árabe (1987),
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estante definitiva
segunda-feira, novembro 23, 2020
o verbo manejado
«Bendito Aquele que tem o reino dos céus e da Terra, que comanda a imensidão do Espaço, que conhece o Tempo…» Alcorão, XLIII, 85 (epígrafe em O Meu Coração É Árabe, de Adalberto Alves)
sábado, fevereiro 15, 2020
na estante definitiva
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.
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Maomé
quarta-feira, julho 17, 2019
na estante defintiva
da posse: Uma capa austera, quase pobre, mas com fundo suave, que me cativou logo. A data da compra: «Natal 87», creio que foi na velha Livraria do Parque, no Estoril. A Assírio & Alvim entrada já no período de ouro de Manuel Hermínio Monteiro.
É um dos livros da minha vida? Sem dúvida. Da poesia autóctone em língua árabe, creio que então só conhecia o Poema de Alcabideche, do Ibn Mucana, que aqui também surge em nova versão; e foi como se entrasse num pátio andaluz, para utilizar imagem a preceito.
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987, 190 págs.
É um dos livros da minha vida? Sem dúvida. Da poesia autóctone em língua árabe, creio que então só conhecia o Poema de Alcabideche, do Ibn Mucana, que aqui também surge em nova versão; e foi como se entrasse num pátio andaluz, para utilizar imagem a preceito.
Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe -- A Poesia Luso-Árabe, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987, 190 págs.
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Manuel Hermínio Monteiro
segunda-feira, julho 15, 2019
lista para a estante definitiva (1-6)
(no seguimento deste post)
1. A Catedral, de Manuel Ribeiro (1920) - Literatura portuguesa. Romance.
1. A Catedral, de Manuel Ribeiro (1920) - Literatura portuguesa. Romance.
2. A Guerra Não Tem Nome de Mulher, de Svetlana Alexievich (1985) - História da II Guerra Mundial. História do Século XX. Historiografia.
3. A Tentação de Existir, de E. M. Cioran (1956) - Ensaio. Filosofia. Fragmentos.
4. Afluentes Teórico-Estéticos do Neo-Realismo Visual Português, de Fernando Alvarenga (1989) - História da arte. História de Portugal. História do Século XX.
5. O Meu Coração É Árabe, de Adalberto Alves (1987). Poesia. Poesia do Al-Andaluz. História de Portugal.
6. Os Charutos do Faraó, de Hergé (1934/1955). Quadradinhos. BD franco-belga.
[acho que vou fazer um blogue só para isto, com comentários a cada livro]
[acho que vou fazer um blogue só para isto, com comentários a cada livro]
domingo, novembro 11, 2018
vozes da biblioteca
«A hipnose das sociedades ocidentais, rastejando em direcção ao "ter" e ao "produzir", repugna-me, sempre me repugnou, profundamente.» Adalberto Alves, Oriente de Mim (1992)
«D. António Sepúlveda de Vasconcelos e Meneses, senhor do morgadio do Corgo, festejava nesse dia soalheiro de Outubro, em 1807, os vinte anos viçosos da linda Maria do Céu.» Carlos Malheiro Dias, Paixão de Maria do Céu (1902)
«Lá dentro, Doninha, todo nu, estava estirado ao comprido, de costas, pernas e braços abertos, sobre o chão imundo.» Manuel da Fonseca, Cerromaior (1943)
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morceaux choisis
quarta-feira, março 14, 2018
«Como aquelas taças pesavam / Quando vazias até nós vieram... / Depois ficaram quase esvoaçantes / mal o vinho dentro lhes puseram:» Abu al-Abdari / Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe (1987)
«E ficava por vezes assim // Encantado» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)
«O verbo hesitar / lhe empresta o tónus correcto, no silêncio / respira, a sombra lhe dá corpo.» Rui Knopfli, «Notas para a regulamentação do discurso próprio -- 1.», O Corpo de Athena (1984)
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quarta-feira, junho 08, 2005
Antologia Improvável # 17 - Adalberto Alves
O lenhador caminha curvado pelo peso.
Leva às costas séculos de madeira:
Queima-la-á para se aquecer um instante.
Oriente de Mim
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