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segunda-feira, novembro 25, 2024

não é bem o 25 de Novembro, mas o 28 de Maio

Antes de mais, não tenho nada contra o 25 de Novembro, e até podia. Tinha onze anos, e no dia seguinte, em 1975, a minha Mãe iria completar os seus 39. Estragaram-nos um bocado a festa, com a família a ter de sair mais cedo, por causa do recolher obrigatório. Lembro-me bem...

Também não tenho nada contra, por muitíssimas razões que não vou explanar aqui, mas apenas dizer que António Ramalho Eanes é o estadista português que mais admiro no pós-25 de Abril. De resto, na condição de simpatizante, andei a espalhar folhetos do PRD pelas caixas de correio do Estoril, nos idos de 1985.

Compreendo que ele compareça à sessão solene que evoca a data da qual ele foi o principal militar operacional -- afinal não ir seria renegar-se; mas também compreendo que os elementos ainda vivos do Grupo dos Nove não queiram lá pôr os pés.

O que acontece é que as forças políticas que querem alegadamente comemorar o 25 de Novembro, na sua maioria detestam o 25 de Abril. São os derrotados do Estado Novo e a sua data de referência é o 28 de Maio de 1926. Isto vai de boa parte do PSD e do seu eleitorado, ao CDS e ao Chega. Calculo que seja diferente com a IL: sendo liberais não podem ser nostálgicos do Portugal da pobreza, do analfabetismo, da mortalidade infantil, da emigração para os bairros de lata dos arredores de Paris, da Guerra Colonial, já para não falar da pide, da legião portuguesa, da Censura. É isto que boa parte da direita portuguesa gostaria de facto comemorar; mas como não pode, agarra-se ao 25 de Novembro, que aceito ter sido um golpe contra-revolucionário, graças a deus. Basta pensar que boa parte dos patetas-palhaços da revolução tinham como referência o Enver Hoxha, o Mao Tsé-Tung e o José Estaline. 

Foda-se, mal por mal dêem-me a puta da sociedade burguesa.

Ainda outra coisa: lembro-me bem de que nos comícios da AD de 1980, onde estavam muitos dos que hoje expelem jaculatórias de homenagem ao General, uma das palavras de ordem era "Eanes para a Sibéria". A direita portuguesa não só é a mais estúpida da Europa, diz-se; continua a ser uma badalhoca.

quarta-feira, outubro 18, 2017

O discurso do PR e outras coisas acessórias

Marcelo Rebelo de Sousa proferiu uma declaração política sem mácula para o momento que se vivia, justificando plenamente as funções que exerce e a existência do próprio cargo na forma como é moldado pela constituição. Talvez tenha de recuar ao mandato de Ramalho Eanes para encontrar momentos tão substantivos da actuação presidencial. Nem Soares nem Sampaio, que me recorde, tiveram um momento com estes contornos, pelo menos em público. (Nem vale apena falar de Cavaco, um indivíduo que nunca teria dimensão para ir além de secretário-de-estado, e cuja investidura como chefe de governo e do estado exibe a indigência das elites políticas.).

O governo de António Costa merece censura? Merece-a toda, neste particular. São dois anos de executivo, é inútil argumentar com a pesada herança de Passos, que, tendo governado contra os portugueses, não se lhe podem ser assacadas responsabilidades pela balbúrdia na Protecção Civil.

Merecendo ser censurado, a reprovação já foi feita pela opinião pública, que felizmente tem cada vez menos pachorra para deixar-se iludir. Daí que seja também com justificado asco que as pessoas olhem para o oportunismo político de uma Assunção Cristas, anterior ministra da Agricultura -- a tal que recorria à 'fé' para enfrentar a seca, fé certamente emponderada (para usar uma palavra horrível) com muitas orações e genuflexões. Portanto, não será por aqui que o governo cairá, só se o PCP e o BE não tiverem também eles pudor.

Finalmente, sem ter pretensões a conselheiros político, será bom que a escolha do próximo MAI recaia em alguém com arcaboiço político suficiente para enfrentar a matilha da direita parlamentar. Esta faz lembrar aqueles documentários do David Attenborough: os chacais rodeando a manada de búfalos, à espera que uma mãe se distraia com a cria ou que um indivíduo velho ou doente fique para trás, esgotando-o pela fadiga. Tentaram-no com os ministros das Finanças, da Economia e da Educação, que chegaram bem para eles, cada um com o seu estilo; estão-no a fazer com o da Defesa, que tem também cabedal, mas que talvez não consiga resistir à enxurrada. Isto não é para ministros sem experiência política (lembremo-nos do desastre da ministra de Passos, que, sabe-se lá porquê, foi buscá-la à Universidade de Coimbra e, apesar da fachada de màzona, saiu trucidada), não é para carne tenra, é para ursos como, por exemplo, Carlos César ou outros do mesmo tipo, com experiência e peso político. Aliás, se há coisa que me dá gosto ver é quando o líder parlamentar do PS, com a brutalidade, sempre necessária mas nunca vulgar, para os que não têm vergonha, deixa knockout a direita parlamentar. 

domingo, janeiro 10, 2016

Sampaio da Nóvoa, como (me) é óbvio

Ainda não votava, e já apoiava Eanes. Votei em Zenha e em Sampaio. O voto em Nóvoa é-me lógico e natural.


segunda-feira, novembro 25, 2013

Eanes

Militar do 25 de Abril (e do 25 de Novembro). Democrata, confiável à esquerda e à direita. Homem de cultura, que nunca se pôs em bicos de pés. Cidadão impoluto, que a generalidade do país admira.
Que mais é preciso num estadista?