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domingo, outubro 19, 2025

Borges Coelho, o último dos grandes

Quando comecei a estudar História, um grupo de historiadores de largo espectro, cujo conhecimento e amplidão de estudo iam além da "mera" especialização, impunha-se. Eram eles António José Saraiva (1917-1993), Luís de Albuquerque (1917-1992), Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011), Joel Serrão (1919-2008), Jorge Borges de Macedo (1921-1996), José-Augusto França (1922-2021), Joaquim Veríssimo Serrão (1925-2020), A. H. de Oliveira Marques (1933-2007), José Mattoso (1933-2023) -- e, claro, António Borges Coelho (1928-2025), a cuja defesa da tese de doutoramento assisti e que entrevistei, no século passado, para o JL, além de nos termos encontrado algumas vezes no nosso comum concelho (ABC vivia na Parede). 

Era um historiador do contra, e isso fez toda a diferença.

domingo, janeiro 03, 2021

na estante definitiva

 O texto introdutório é uma justificação da procura e resgate empreendidos pelo autor duma cultura e tradição varridas da narrativa historiográfica portuguesa com honrosas excepções, fruto da Reconquista e da bagagem ideológica que se lhe colou. triunfo do cristianismo, derrota do outro, que éramos também nós próprios e não sabíamos: «Conheci então o que sempre de mim fora conhecido.»

E há um óbvio apontar de dedo aos basbaques do país traduzido do francês em calão. O autor fala de subserviência, eu vejo o complexo do bimbo que gosta de mostrar que bebe do fino. Misérias. A constatação do abandono e do desinteresse, em 1987 mais pungente que hoje, por certo, peso o vírus jihadista que entretanto contaminou tudo o que pudesse emanar eflúvios de arabismo, E nesse então, a pergunta: «E quantos Árabes ilustres ligados à nossa terra têm merecido a atenção da nossa intelectualidade? Apenas responderá um silêncio que magoa.»  A melhor resposta é dada com este volume, que é obviamente um livro essencial dos estudos arábicos do século passado, como o foi esse outro maravilhoso gesto de António Borges Coelho com Portugal na Espanha Árabe (quatro volumes, 1972-1975). É isto que realmente interessa, o resto são inanidades para o agora.
Adalberto Alves, Portugal na Espanha Árabe (1987),

segunda-feira, fevereiro 12, 2018

sábado, abril 19, 2014

"25 de Abril vezes 40"

Ando a pescar coisas daqui. É um número para guardar, claro, com muitos bons textos. Três, pelo menos, são do domínio do excepcional: os de António Borges Coelho, Hélia Correia e Maria Isabel Barreno. Comprem-no.