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segunda-feira, julho 14, 2025

não um, mas dois prémios Nobel para o Trump

Ricas oportunidades de negócio. Eles nem se dão ao trabalho de disfarçar: convocam Mark Cu-para-o-Ar Rutte, e obrigam a Nato a comprar-lhes armas americanas para a Ucrânia (fica mais barato do que mandá-las fabricar, diz Rubio...). Prossegue-se assim genialmente a política da desadministração anterior, e com imenso lucro. Claro que os 2 a 5% de investimento em armamento se mantém, assim como o jogo das tarifas. Eu proponho, para além do Nobel da Paz, também o da Economia -- pelo menos para já.

Entretanto, Putin, velha raposa, estará à espera de tudo mais um par de botas do que virá de Washington. E estou para ver as tais sanções de 500% aplicadas à China, à Índia, ao Brasil... 

Será que o Trump acha que endrominando os europeus, fazendo-os pagar, estará a salvo das complicações que um endurecimento para com a Rússia trará? E achará mesmo aquela cabeça, parece que muito sensível aos neocons e à lisonja dos bajuladores da UE (que se riem dele nas costas), que a Rússia alguma vez cederá ao projecto de enfraquecimento, pobremente gizado em Washington, aplicado e derrotado em toda a linha, nominalmente pelo destroço chamado Joe Biden?

É que a Rússia é, muito felizmente, a única potência militar que pode lidar com as saliências americanas -- que sabem que por cada tentativa de ataque nuclear que experimentassem fazer ao país, teriam resposta em triplo ou a quadriplicar, a partir dos submarinos atómicos que andam submersos por aí -- para não falar das ogivas existentes naquele território imenso.

Do ponto de vista económico, a Rússia tem o apoio da China (mas não só). Sempre teve (inimigo do meu inimigo, meu amigo é), apesar dos avençados do costume fingirem que só agora deram por isso, não deixando de estar empenhadíssimos em propor respostas musculadas "para defender a Europa" dizem estes pategos.

domingo, junho 22, 2025

quem tem poder, exerce-o

Mutatis mutandis foi o que se passou na Ucrânia e agora no Irão. A Rússia violou o Direito Internacional, reagindo à golpada de 2014 em Kiev, manobrada pelos Estados Unidos; estes atacaram ontem o Irão, livrando de piores lençóis aquilo que o saudoso Carlos Matos Gomes classificou como o 51.º estado norte-americano, ou seja, Israel.

Isto deixaria embaraçados uma boa parte de comentadores -- arregimentados uns; ignorantes ou outros -- e políticos imbecis, como boa parte cá do burgo, quando dizem que a Rússia não foi atacada (de facto não o foi, convencionalmente), como os Estados Unidos não o foram pelo Irão -- não contando, obviamente com o seu proxy (ou 51.º estado, se preferirem).

Nunca mais me esquecerei de um pateta de um doutorado da treta que, querendo rebater o major-general Agostinho Costa arengava: "Estava a Ucrânia posta em sossego, quando a Rússia atacou" -- etc. É preciso ser-se muito estúpido e totalmente vesgo relativamente às matérias em que se é "especialista". Vai ser divertido ouvir esta e outras luminárias a propósito do que se está a passar.

Quanto a isto -- independentemente de todos os desenvolvimentos cogitáveis do processo em curso --, parece-me que a Rússia passou a estar muito mais à vontade na Ucrânia para abocanhar o que falta das suas regiões históricas. Quanto à velha Formosa, província rebelde da China, esperemos que a sabedoria milenar daquela gente consiga resolver a questão de forma pacífica -- se os americanos deixarem...

quarta-feira, outubro 16, 2024

mas, graças a deus, existe a Rússia e existe Putin...

Não acompanho em tudo este (mais um) estimulante artigo de Carlos Matos Gomes, que equipara as lideranças israelitas a nazis, sem lhes retirar nenhujm qualificativo, de criminosos a oportunistas, do Bibi à corja religiosa a que se aliou, embora seja certo que onde o nazismo via raças superiores e inferiores e terraplanava o futuro espaço vital, o capitalismo selvático vê os cidadãos como ora mercadoria ora gado que consome, e o espaço vital seja os mercados, vastos bordéis, com os seus proxenetas e sicários pagos onde for preciso, dos me(r)dia à política. 

Sem poder discorrer muito a propósito, deixo o último parágrafo:

"Quem está já fora da mesa do jogo de xadrez é o esforçado Zelenski, porque a Ucrânia passou à condição de causa perdida e o Irão passou a ser o objetivo principal para chegar à China."

Felizmente, na questão da Ucrânia e noutras, há a Rússia do Putin para pôr estes patifes em sentido, embora a estupidez dos rafeiros que dirigem a UE não seja de menosprezar.

(Quando leio o nome "Zelensky" só me vem à cabeça um punhado de pivôs analfabetos e outro de académicos marrões, que sabem tudo e não percebem nada. Vontade de rir. Não incluo uns quantos, que sabem muito bem o que dizem e fazem. Esses são doutra casta.)

quinta-feira, julho 25, 2024

um criminoso de guerra, assassino de crianças e velhos, ovacionado de pé

no congresso americano, Netanyahu, pois claro Nenhuma admiração com o facto, atendendo ao longo cadastro do nosso poderoso aliado; mas é só para ficar registado, quando os patetinhas que nos governa(ra)m nos vierem falar em ucrânias, direitos humanos, liberdade, fronteiras, Direito Internacional, democracias iliberais e toda a conversa para atrasadinhos que nos servem de manhã à noite. Sobre a verdadeira natureza das administrações americanas e sobre o papel que têm tido nas relações internacionais, só se deixa enganar quem quer. É escusado virem falar de putins e outros orbáns. A América é isto. Não é só, mas em dominação imperial é basicamente isto. Por isso eu gosto tanto que a velha Rússia e a velha China ponham em sentido estes bárbaros, estes flibusteiros. Há muito tempo que não via em política nada de tão degradante.

quinta-feira, maio 12, 2022

sobe a parada (ucranianas XCII)

Como é público e notório, o que me interessa é que os Estados Unidos não ganhem esta guerra com a Rússia. Até porque, a acontecer e com uma Rússia enfraquecida, em poucos anos haverá uma outra no Pacífico, com a China.

Não sei o que irá acontecer. Neste momento, a minha convicção é de que a Ucrânia pode dizer adeus ao Donbass, ficando possivelmente sem acesso ao mar, o que seria um castigo pesado, embora tudo aquilo seja russo desde o século XVIII, as cidades, a maioria da população.

Que as coisas não correram militarmente bem a Putin no início, creio que é uma evidência, salvo opinião mais abalizada. Não vou atrás da propaganda massiva e nunca vista desencadeada sobre a opinião-pública ocidental, mas pelo facto singelo de a operação ter mudado de comando poucas semanas depois de iniciada.

Pelo que tenho ouvido dos militares, a progressão no Donbass tem sido consistente, embora lenta, e parece-me que tem avançado rapidamente no sul.

A utilização do armamento da Nato poderá fazer a diferença, mas, como tem sido dito, será preciso que ele chegue lá e haja gente que o maneje. 

O pedido de adesão, principalmente da Finlândia, à Nato, é uma derrota de Putin, claramente. E, do meu ponto de vista de português à beira do Atlântico, não de um finlandês sobre o Báltico, creio que se trata de um erro, de uma grossa asneira, para o qual contribuiu o compreensível sentimento de insegurança dos cidadãos, que, como todos os cidadãos desinformados em qualquer lado, não compreendem a razão desta invasão, embora ela exista. E com o desenrolar do terror da guerra e da propaganda pesada, os 70% que eram contra a adesão da Finlândia passaram a 20% ou menos. Ou seja: a Finlândia resistiu à União Soviética, mas não resiste a Putin. Ridículo.

Entretanto, numa hábil jogada, hábil e audaz, o peão inglês dos Estados Unidos assina um tratado de aliança e assistência militar, comprometendo-se a entrar na guerra em caso de agressão ou invasão, a pedido dos países invadidos. 

Tal como a maior parte dos observadores, não penso que a Rússia invada a Finlândia, mas pode atacá-la destrutivamente (tal como poderia ter facilmente arrasado Kiev...). E ficar à espera das botas inglesas, sem atacar esta, país da Nato.

É evidente que os analistas do Kremlin estudaram todos os cenários, mesmo se surpreendidos por uma resistência ucraniana com que parece não terem contado. Ou seja: se não desde o início, há semanas que os russos estão à espera disto.

O que vai acontecer? Não sei. O arrastar da guerra na Ucrânia é altamente indesejável para a Rússia, mas não me parece que os ucranianos possam sonhar tirá-los de lá. (Uma situação de guerra de baixa intensidade pode manter-se, mas isso não causará uma tão grande mossa à Rússia, suponho). Ou podem querer, num acto de desafio ainda mais arriscado do que o inglês, fazer pagar caro à Finlândia com um ataque brutal.

Apesar de tudo, espero que não. No entanto, Rússia e Estados Unidos já estão frente a frente.

ucranianas

terça-feira, setembro 21, 2021

tempos interessantes

  Eu sei que os Estados Unidos foram necessários à nossa segurança colectiva, nomeadamente para travar o expansionismo soviético. E ainda bem, pois é sempre preferível o capitalismo, por mais selvagem. O americano, em particular, é brutal e predatório; há, porém e felizmente, em parte da sociedade civil americana, um dinamismo e com massa crítica, capaz de fazer frente aos poderes fáctícos, o maior poder.

O sovietismo também brutal, que se apoderou do estado, policial, totalitário e desavergonhado, desapareceu há muito, e hoje é a Rússia a ameaçada pela rapinagem americana, a que se opõem como querem e podem, desde logo pela manutenção de Putin no poder. Não sendo russo, quero que Putin fique por lá até 2036 -- e talvez se fosse russo o quisera na mesma. Nunca me cansarei de dizer que, até agora, nunca os russos foram tão livres e tão prósperos. E com Putin temos a certeza de que estes patifes não fazem farinha. A mais do que legítima recuperação da Crimeia, foi apenas uma demonstração aos bullies (um atavismo inglês que os americanos tornaram tara hereditária) que o respeitinho é muito bonito. (O aviso ao navio de guerra inglês armado em saliente a aproximar-se das águas territoriais russas na costa da Crimeia -- "Pela vossa saúde, invertam a rota..." -- foi hilariante.

E por falar em patifarias dos nossos queridos aliados americanos, elas têm sido incontáveis. Depois de deixarem todos os aliados de calças nas mãos no Afeganistão, para vergonha destes -- pelo menos os que a têm, como a ministra holandesa que se demitiu --, foi agora a partida pregada à França, com a anulação do contrato de aquisição de submarinos pela Austrália.

(Eu até acho bem, em teoria, um pacto militar daquela natureza; as potências nunca podem andar à solta, mesmo uma hipercivilizada como a China -- lembremos o Tibete, cuja ocupação tem sempre por cá quem a justifique (a melhor que ouvi, foi a de o Tibete ser um país libertado do seu regime feudal pelo exército popular da China -- nunca se chega longe demais no cinismo ou na estupidez e na desonestidade intelectual);

 se o problema do governo de Macron estivesse no domínio dos princípios, a França estaria caladinha, que é a isso a que os vassalos se obrigam; mas o desplante foi o desvio de milhares de milhões de euros que os americanos induziram os australianos a fazer, em benefício próprio, claro está, fazendo a França estrebuchar com sonoridade. O espectáculo está em cena, e até agora tenho-me rido.

Ah, o Biden, ia-me esquecendo: pode estar a ser muito bom na política interna, eventualmente. Na política externa, um desastre bastante pior que Trump, como era expectável, mantendo tudo quanto este fez de mau. A hostilização idiota do Irão, que entretanto passou-se para os radicais nas últimas eleições, com a ajuda dos amigos americanos; a manutenção de barreiras na fronteira com o México. parece que estão a deportar muita gente. Enfim, tempos interessantes, como diria o outro.


sexta-feira, agosto 13, 2021

Saigão, 1975

 Foi o que me veio à cabeça, perante a debandada de Cabul. 

Quem deve estar apreensiva é a China, que tem fronteira a oeste com o país dos talibãs. Estes vão ser racionais e moderados pelo Paquistão, uma vez que os chineses não vão tolerar o mínimo de desestabilização na província de maiorias islâmica. E é possível que depois de três impérios terem de fugir desde o século XIX, o britânico, o soviético e o americano, a China já pensasse trinta vezes em cada uma das possibilidades que se lhe podem oferecer.

terça-feira, setembro 30, 2014

Hong Kong, duas ou três perguntas

Quando uma ditadura recua, abre um precedente que se instala como um vírus. Não recuando e mantendo-se o braço-de-ferro, pode a China dar-se ao luxo de qualquer coisa parecida com Tiananmen? Que ela tem poder para enfrentar o mundo, tem-no, decerto; mas terá poder para enfrentar os mercados sobre os quais tudo perigosamente assenta? E, por outro lado, exercendo a sua milenar sabedoria, e fazendo jus ao mote de Deng Xiaoping um país, dois sistemas, terá margem para justificar esse recuo? Irá ainda a tempo?  

terça-feira, junho 25, 2013

americanos, talibãs, estão todos doidos

A propósito do caso Snowden, leio que o homem não era propriamente um espião mas funcionário de uma empresa que trabalhava para a NSA em regime de outsourcing... Então matérias de segurança nacional são entregues a empresas privadas?... São loucos estes americanos.

Loucura diferente é a dos talibãs paquistaneses. Querem retaliar os ataques dos drones, vingam-se dos americanos assassinando turistas russos, ucranianos e... chineses. Eu até percebo a lógica retorcida do fanatismo. Russos e ucranianos também fazem o sinal da cruz, há sempre contas antigas a ajustar, nem que seja por solidariedade com os estudantes de teologia do país vizinho. Como não havia americanos à mão... Quanto aos chineses, também têm um problema islâmico dentro de fronteiras -- que, aliás, resolvem com um procedimento semelhante ao que levam a cabo no Tibete: repressão, colonização interna, aculturação forçada. Mas não me parece nada saudável para os talibãs esta atitude provocação dos chineses, ainda por cima ali tão perto e com fronteira comum.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Sim à Turquia

Hoje, no Público, José Pacheco Pereira pronuncia-se a favor da adesão da Turquia à União Europeia, com um argumento geo-político essencial: «A Turquia não é um pequeno país, é uma potência regional, com uma área de influência que se estende das repúblicas asiáticas à China. E, para além disso, entra para a UE um dos poucos exércitos credíveis existentes na Europa. [...] Para a estabilidade da Europa, precisamos da Turquia e da Turquia do nosso lado.»
A herança cultural turca é enorme, nomedamente nos Balcãs; os turcos (etnia proveniente das estepes asiáticas, como os húngaros e os finlandeses) são Europa e estão na Europa há séculos, fazendo tanto sentido a sua adesão como a dos romenos e búlgaros, agora à soleira da porta.
É duma Turquia laica que falo, duma Turquia integralmente respeitadora da liberdade dos seus cidadãos, incluindo da dos curdos, uma Turquia que respeita a integridade de Chipre, uma Turquia que reconheça o seu passado para o bem e para o mal, como o tem de fazer relativamente à Questão Arménia. É uma Turquia de cidadãos europeus, em Istambul, em Ancara, em Esmirna, cuja modernidade não perde em confronto com a de muitas regiões da União Europeia. É evidente que há problemas, há atavismos seculares, há primitivismo, como existe entre nós meia dúzia de quilómetros andados para lá de Lisboa ou do Porto.
Finalmente, durante séculos, o Império Otomano serviu de refúgio aos perseguidos religiosos, designadamente aos judeus, aos judeus portugueses, convém lembrar. Por isso, nestes tempos difíceis de fanatismo religioso, de terrorismo em nome da religião, há que estender a mão a um país de grande dimensão e dignidade que anseia (tal como nós ansiámos) por estar na Europa democrática, livre e laica a que pertence por direito.

quarta-feira, julho 05, 2006


No indigente circo norte-coreano, o palhaço de hoje pode, amanhã, transformar-se em fera, se os espectadores se distraírem. O potencial domador, a China, remete-se agora para o papel que mais lhe convém, o de mestre-de-cerimónias. Há, a sul, um espinho encravado chamado Formosa e outro a norte, o Tibete, que bem podem ser uma tentação para Pequim deles se servir como moeda de troca: compreensão por parte da América & aliados no tratamento destes assuntos internos (que no caso do país do Dalai-Lama é uma mera ocupação ilegítima), em troca da domesticação de Kim Jong Il.
Porque, a meu ver, nada que Pyongyang faça em matéria de política externa se processa sem, pelo menos, a condescendência do seu mastodôntico vizinho setentrional.

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