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domingo, abril 18, 2021

1 disco, 1 música: «Blue 7» (Sonny Rollins)

 Blue 7. De Sonny Rollins (Nova Iorque, 7 de Setembro de 1930), faixa 5 de Saxophone Colossus (1956).

Sonny Rollins, sax tenor; Tommy Flanagan, piano; Doug Watkins, contrabaixo; Max Roach, bateria. 

Uma improvisação com tudo: o swing do contrabaixo a abrir, logo acompanhado pelos pratos da bateria -- do princípio ao fim. Os comentários aos solos de Rollins por Flannagan e Roach (tão grande que ele é) são para mim uma das volúpias de Blue 7.  John Fordham escreve que se trata de um dos grande momentos de sempre do jazz gravado. Ainda os solos do sax tenor, deixo para os especialistas aquí em baixo, não sem antes notar os ecos de Charlie Parker, cujo sax era outro, o alto. Ouvir aqui.

Referências: 

Blue 7

Ira Gilter (1956): «Doug Watkins and Max Roach set the solid, medium down groove for Blue 7, a minor blues of power with solos by all. Sonny has several statements of meaning separated by others' solo efforts. Max's fantastic polyrhythms and intelligent construction of ideas make his solo one of his best on record.» liner notes

John Fordham (1991): »[...] is the prolonged improvisation on the bleak, mid-tempo "Blue Seven", an assembly of brooding, stacatto variations that Rollins' control of shape and musical intelligence turns into one of the greatest episodes of recorded jazz.» The Essential Guide to Jazz on CD, Londres, Greenwich Editions, 1995

Raul Vaz Bernardo (1993) refere-se a Saxophone Colossus como «um dos grandes discos de jazz» e Blue Seven [...] cont[endo] alguns dos solos mais inspirados da história» desta música. «Facilidade e invenção», Expresso, Lisboa, 9 de Outubro.

Sonny Rollins 

André Francis (1982): «[Rollins] impôs seu toque maciço tirado de Coleman Hawkins, ao mesmo tempo que gozava da herança parkeriana tomando de Lester Young um pouco de sua fantasia em relação às barras de compasso.» Jazz, 2.ª ed., São Paulo Martins Fontes, 2000.

Carlos Martins (2005): «Era uma continuação de Parker no sax tenor.» «O saxofone como metáfora», Let's Jazz em Público # 27, Porto, Público. 

José Duarte (2005): «um histórico improvisador-compositor este Senhor Rollins / senso melódico e rítmico muito -- como poucos - desenvolvido».  Liner notes sobre «Decision» (1956/57).


terça-feira, maio 19, 2015

microleituras: Theodor W. Adorno, POESIA LÍRICA E SOCIEDADE (1957)

Tal como o apoliticismo é profundamente político, a recusa do tangível em poesia acaba por ser, por oposição, uma atitude que reflecte o social. E que poesia rejeita Adorno (1903-1969)? A poesia mercantilizada, a dos prémios literários, a dos suplementos dos jornais, exaltando, pelo contrário, a estesia pura de comunicar o mundo sem porquê, reduzir as palavras ao essencial e não ao funcional. Ou, para citar um poema do norte-americano A. R. Ammons que ainda ontem me passou pelos olhos e pelas mãos: «Desistir das palavras com palavras.» (Limiar #4, 1994). 
Há aqui um nojo, que compreendo bem (estamos em 1957, mas, por outras razões, poderia ser 2015), compreendo, mas ao qual, provavelmente por romantismo, espero-o bem, não consigo aderir. Pôr a mão na massa, para mim, ainda pode ser das acções mais poéticas que uma caneta (!) poderá praticar, pelo risco, pelo despojamento. Sinto-me, aliás, confortado com o que ele escreve a propósito de Brecht, cujo nome se afirma «como o do poeta a quem foi dada a integridade da linguagem sem ter de pagar tributo ao esoterismo.» 
Antes de me ficar, uma nota para a edição, que comprei há dez anos numa Feira do Livro (a 6,16€, preço da dita -- ai o mercado...), cujo colofão, o mais bonito colofão que já li, reza assim: «Este primeiro volume da colecção Marfim acabou de se imprimir na Artipol -- Águeda, no dia 12 de Março de 2003, 48 anos após a morte de Charlie Parker.»  Caraças!, assim também eu queria ser editor.

o incipit: «O anúncio de uma conferência sobre poesia lírica e sociedade irá trazer um certo mal-estar a muitos de vós.»

ficha
   
tradução: Maria Antónia Amarante (e João Barrento para os poemas)
«Colecção Marfim» #1
editora: Angelus Novus
local: Coimbra
ano: 2003
capa: Francisco Romão
impressão: Artipol, Águeda
págs.: 29

quarta-feira, junho 04, 2014

todos solam

Atlanta Blues (Make me A Pallet On Your Floor). Versão de W. C. Handy de um standard de autoria desconhecida, remontando ao século XIX. Satchmo dialoga consigo mesmo, trompete e scat, todos solam. Arvell Shaw, no contrabaixo -- anota George Avakian no texto de contracapa --, brinca com Pops, que não era propriamente um fã de Charlie Parker, citando Ornithology...
Em baixo, a canadiana Bria Skonberg, excelente.



domingo, março 23, 2014

dos meus discos #1 SOMETHIN' ELSE, Cannonbal Adderley

Ficha
Músico: Cannonball Adderley
título: Somethin' Else
músicos: Cannonball Adderley, sax alto; Miles Davis, trompete; Hank Jones, piano; Sam Jones, contrabaixo; Art Blakey, bateria.
produtor: Alfred Lion
selo: Blue Note
ano: 1958
suporte: CD
faixas: «Autumn Leaves»; «Love For Sale»; «Somethin' Else»; «One For daddy-O»; «Dancing In The Dark». Bonus track: «Bangoon» 

«Autumn Leaves»  Quinteto superlativo, a forma como a secção rítmica inicia, com os sopros sotto voce -- diria eu, ou não, se soubesse alguma coisa de música --, agarram-me logo. Depois, o diálogo Miles / Julian, mantêm-me sempre numa expectativa interessada; ao mesmo tempo, o beat constante mas nunca monótono de Blakey e Jones (Sam). O final de Hank Jones, piano que não quer sair, empurrado suavemente pelos  sopros. Maravilhoso. Ouvir

«Love For Sale»  De Cole Porter (1930). Hank Jones sempre discreto, Art Blakey sincopado, mesmo com as vassouras, Miles Davis dá a frase, e o swing do contrabaixo de Sam Jones anuncia o formidável arranque de Julian C.A., que sola, ouvindo-se a ele e a Charlie Parker. Ouvir.

«Somethin' Else» O tema é de Miles, que sola primeiro; segue-se Julian Cannonball, depois em diálogo, sempre sustentados impecavelmente pela secção rítmica, Jones, Jones & Blakey. O solo de Hank é exquisite; e é dos diabos o speed de Art Blakey nos pratos, pelo minuto 3'58"... Ouvir.

«One For Daddy-O» A entrada inspiradíssima do piano de Hank Jones, trompete e sax alto a par até ao arranque a plenos pulmões de Julian Adderley; depois, Miles Davis, cheio de coolness; o balanço contínuo da secção rítmica. Terceiro solo, o piano a desenvolver o fraseado inicial. Imparáveis, novos solos de Julian, Miles e Hank, para terminar com os mesmos riffs com que os sopros abriram, Miles perguntando a Alfred Lion, o produtor: "Era isto que querias, Alfred?..." O tema é de Nat Adderley. Ouvir.