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terça-feira, julho 18, 2023

caderninho

 «[...] «o nosso século XIX interior é uma criação de Dickens ou Renoir.» 

George SteinerNo Castelo do Barba Azul (1971) - trad. Miguel Serras Pereira

quinta-feira, setembro 08, 2022

que era isabelina?

Designação de certo modo, inevitável, com setenta anos de reinado. Mas a História dirá. A sua homónima, Isabel I, também de longo reinado (quarenta e quatro anos) é a rainha da afirmação marítima do país -- depois de desbaratada a Invencível Armada, de Felipe II --, a soberana de Francis Drake, Walter Raleigh, mas também de Shakespeare ou John  Dowland -- a era isabelina, o teatro isabelino, sobressaindo do âmbito mais largo da dinastia Tudor. Este brilho irá preparar o apogeu inglês e britânico noutro longo reinado (sessenta e quatro anos), o de Vitória, imperatriz das Índias. O que foi a era vitoriana, creio que ainda hoje o sentimos: de Disraeli a Dickens, de Darwin a Thomas Hardy, dos Pré-Rafelitas a Elgar, e um longo etc. -- é quase parvoíce desfiar nomes.

Com Isabel II, de Churchill a Thatcher, a inevitável desagregação imperial, uma transformação vertiginosa, entrada e saída na UE. Entre muitas outras coisas, vai ser o período dos Beatles, oh se vai, mas também dos Sex Pistols e dos Smiths. E bom é que assim seja, pois irá sedimentá-la mais no tempo histórico que viveu.

quarta-feira, março 03, 2021

caracteres móveis

Crença. «Se não estivéssemos plenamente convencidos de que o pai de Hamlet morrera antes de começar a peça, não haveria no facto de ele passear à noite, pelas muralhas, envolvido pelo vento leste nada de mais extraordinário do que no de qualquer cavalheiro de meia idade aparecer intempestivamente depois de escurecer, num lugar ventoso -- o cemitério de St. Paul, por exemplo --, apenas para perturbar o espírito fraco de seu filho.» Charles Dickens, O Natal do Sr. Scrooge (A Christmas Carroll, 1843 - trad. Lucília Filipe).  


P
rogresso
. «Se o moderno é, pois, um critério de actualidade, se todos os grandes artistas, escritores ou pensadores de qualquer época histórica foram sempre modernos, quer isto dizer que eles foram sempre actuais, isto é: foram sempre determinados pelas forças vivas do presente, que são as forças agentes do futuro, as forças que operam o devir histórico, as que garantem a continuidade e o progresso da actividade humana.» Fernando Lopes-Graça

Soneto: «Assentado na orla dum soneto / ribeiro onde desliza minha mágoa» Cristóvão de Aguiar, Sonetos de Amor Ilhéu (1992)

Notas: Dickens: O narrador assegura-nos que Marley, o sócio de Scrooge estava morto («Isto deve ficar perfeitamente entendido, pois de contrário nada de maravilhoso ressaltará da história que vos vou contar.»). Ou seja, a "suspensão da descrença" de Coleridge, que certamente Dickens leu: quando lemos ou vemos ficção, a boa premissa será a de fingir para nós próprios que acreditamos no inverosímil que se nos apresenta. Lopes-Graça: O materialismo marxista aplicado à ponderação estética. Aguiar: ribeiro que lava as mágoas.

domingo, maio 27, 2018

«O velho Marley estava mais morto do que um prego de porta!» Charles Dickens, O Natal do Sr. Scrooge [A Christmas Carol] (1843) (tradução de Lucília Filipe)

«Eu não sabia o que procurava o frade Guilherme, e, para dizer a verdade, ainda hoje o não sei, e presumo que nem sequer ele o soubesse, movido como era pelo único desejo da verdade e pela suspeita -- que sempre lhe vi nutrir -- de que a verdade não era aquela que lhe aparecia no tempo presente.» Umberto Eco, O Nome da Rosa (1980) (tradução de Maria Celeste Pinto)

«Somos os homens mais bem informados sobre tudo o que de mentiras se imprime pelo mundo.» Raymond Abellio, Os Olhos de Ezequiel Estão Abertos (1949) (tradução de Rafael Gomes Filipe)

quinta-feira, maio 17, 2018

«O local não era desagradável, era mesmo perfeito, desde que não se encarasse como uma decepção, mas sim como um sonho.» G. K. Chesterton, O Homem que Era 5.ª Feira (1908) (tradução de Domingos Arouca)


«Tinha uma voz profunda, sonora, e os seus modos revelavam uma espécie de afirmação obstinada de si mesmo em que não havia agressividade.» Joseph ConradLord Jim (1900) (tradução de Cármen González)


«Tudo nele se  caracterizava pela ênfase: o modo autoritário, a voz decidida, inflexível, os cabelos eriçados em torno de uma brilhante careca.» Charles Dickens, Tempos Difíceis (1854) (tradução de Domingos Arouca)

quinta-feira, março 31, 2005

Escrever na areia - Garrett e este miserável país

A casa onde morreu Almeida Garrett está em risco, por abandono e especulação. Somos um país de alarves, ainda atiramos lixo pela janela do carro, não temos civilização para respeitar a memória espiritual de quem foi enorme no seu tempo, apesar de todas as humaníssimas fraquezas. Somos um país de lepes, canalha de mão estendida a quem encheram os bolsos sem antes ensinarem a mastigar de boca fechada. O resultado é esta vileza. Demolir aquilo é como arrasar a casa de Dickens em Londres, onde ele só viveu escassos meses, mas está lá, para ser visitada; é como destruir a casa de Balzac em Paris, onde o homem viveu com um nome falso, e mesmo assim não se livrava dos credores, e também lá está. Mas é pior, muito pior para nós, periféricos, provincianos, tão atrasados que até envergonha. Eles, ingleses e franceses têm tanto, e tantas casas, de Dickens, de Balzac, de Thackeray, de Hugo, de... E nós temos tão pouco...