«Repouso a minha fronte, / Dorida, no teu peito; / E o meu bem estar é feito / De não ter horizonte.»
«Canção fatigada», Desaparecido (1935)
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Repouso a minha fronte, / Dorida, no teu peito; / E o meu bem estar é feito / De não ter horizonte.»
«Canção fatigada», Desaparecido (1935)
«Viver! -- O corpo nu, a saltar, a correr / Numa praia deserta, ou rolando na areia, / Rolando, até ao mar... (que importa o que a alma anseia)? / Isto sim, é viver!»
«Ode Pagã, Desaparecido (1935)
«E escravo, como sempre me encontraste, / Do mais breve sorriso que tu esboces.»
«Frivolidade», Desaparecido (1935)
«-- Que estranhas e fantásticas derrotas, / Alguém batendo à porta, malogrou!»
«O que não aconteceu», Desaparecido (1935)
«Canto a cálida calma do teu corpo, / Deitado na praia; / A fina brisa que te ondula a saia, / O Sol que queima a tua pele!»
de «Sete caprichos para ela», Desaparecido (1935)
«Na cidade nasci; nela nasceu / A minha dispersiva inquietação; / E o meu tumultuoso coração / Tem o pulsar caótico do seu.»
«Cidade», Desaparecido (1935)
«Ouvir a tua voz, outrora, era o bastante / Para sentir, enfim, justificada, a vida;»
«Uma história vulgar», Desaparecido (1935)
«Um violino geme / Em um barco, singrando / No meu sonho, tão brando / Como a curva do leme.»
«Barcarola», Desaparecido (1935)
«E um silêncio caiu, suave como a neve, / Numa paisagem portuguesa.»
«Passeio», Desaparecido (1935)
«Encosto a fronte à vidraça / E sofro, como um castigo, / Que leve a morte consigo / Tudo o que é feliz e passa.»
«Adagio cantabile», Desaparecido (1935)
«Eu era, nessa noite, uma nuvem errante, / Muito leve, a pairar sobre um mar em procela.»
Desaparecido (1935)
«Por ser tão brando o teu sorrir, / Tão cheio de feliz regresso / Do longe prado, onde apeteço / Contigo ir...»
«Só podia prender-nos, como algemas, / A mútua comunhão no Amor e em Deus, // Se pudesses sofrer os meus problemas / E soubesses de cor os meus poemas, / Por os sentires, como se fossem teus.» Desaparecido (1935)
DESAPARECIDO
CLAMAVI AD TE
Apenas hoje! Apenas uma vez,
Fala de modo que a verdade seja
Tão clara e transparente, que eu a veja
Num cristal da mais pura limpidez!
Talvez seja loucura o que deseja
A minha insaciedade. Sim, talvez...
Que tu fosses, falando, a outra que és,
Com a alma nos lábios, quando beija.
Mal empregado privilégio, a fala,
Que traduz a verdade em que pensamos,
As palavras gastando em ocultá-la!
Que seja assim quando se odeia, vamos...
Mas para quê se dissimula ou cala,
Quando tudo nos diz que nos amamos?!
Desaparecido (1935)
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.