«Em mísulas e sobre os móveis -- uma credência gótica com baldaquino, um contador do século XVI, alguns tamboretes estofados, cadeiras de coiro lavrado e a escrivaninha de pau-santo -- pousavam gessos clássicos, marfins velhos, objectos de culto, cálices, cibórios, sanefas, paramentos, pequenos modelos de relicários e domos, de púlpitos e sarcófagos e, aos montes, desbordando dos móveis e arrastando-se nos tapetes, dispersos por toda a parte, em álbuns, cartões, portafólios, uma aluvião de cópias e reproduções, em todos os processos e formatos, dos quadros célebres dos museus, das obras-primas da arte de todos os tempos.» Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
«Também ali perto, por uma tarde fosca de Outubro, chegou um gaio voejando, de chaparro em chaparro, a grasnar mal-humorado como é próprio da raça. No saiote desbotado, as duas pinceladas de azul, azul retinto, fulguravam para que se soubesse que um gaio também é gente dos ares.» Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães (1957)
«Não alastro as páginas com dedicatórias: a meu pai, à minha mãe, aos meus parentes e amigos, vivos e finados, para que se não diga de mim o que por aqui se propalou a respeito do Brites, que encheu quatorze folhas da sua tese sobre "cryptococus xantogenico", com oferecimentos, envois e uma reclame a uma certa modista da rua d'Ajuda. / Outros livros virão, meu tio amado. // Afectuoso // Anselmo». Coelho Neto, A Capital Federal (1893)