«O murmúrio alteou-se, alastrou no silêncio, depois ficou suspenso no mesmo tom percuciente de lamentação e de queixume. Eram muitas vozes em fio que uma espécie de capilaridade transformava em veia líquida de vozes, uma única voz laminada, em jacto monotonia fluente que a dicção verbal cortava em claros-escuros sónicos, de rolamentos surdos de onda. Começara no coro o ofício divino.» Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
«A VILA -- 13 de Novembro. / Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste... / Uma vila encardida -- ruas desertas -- pátios de lajes soerguidas pelo único esforço da erva -- o castelo -- restos intactos de muralha que não têm serventia: uma escada encravada nos alvéolos das paredes não conduz a nenhures.» Raul Brandão, Húmus (1917).
«Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios.» Fernando Pessoa, Livro do Desassossego por Bernardo Soares (póst., 1982)