Máximas e Reflexões (tradução de Afonso Teixeira da Mota)
segunda-feira, maio 31, 2010
caderninho
sem bússola
domingo, maio 30, 2010
Luís Má-Sorte
Maio, maduro Maio
releituras
sábado, maio 29, 2010
O Anjo de Auschwitz
Quem não acredita em anjos? Eu acredito.
figuras de estilo - Artur Queiroz
sexta-feira, maio 28, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
Quando Portugal desaparecer
Disse Bernard Emery, ontem, no colóquio sobre Ferreira de Castro: «Se Portugal desaparecesse, ficava o Manuelino...».
Quando Portugal desaparecer, quando o português for língua morta, o que fica? O Manuelino, sem dúvida; uma música estranha e plangente; versos soltos, bocados de poemas, alguns adágios, tal como hoje sucede com os autores latinos.
Quando Portugal desaparecer, só os vestígios do espírito, só a Arte deixará marcas palpáveis da existência de um povo.
terça-feira, maio 25, 2010
segunda-feira, maio 24, 2010
domingo, maio 23, 2010
sexta-feira, maio 21, 2010
(incon)sequências, (ex)citações
Aquilino Ribeiro -- Abriu muito os olhos o abade e só então se apercebeu duma mocinha -- corpo que acaba de espigar na adolescência -- que às mãos ambas cobria o rosto e soluçava. -- Andam Faunos pelos Bosques
José Saramago -- E não faltam ao mundo cheiros, nem sequer a esta terra, parte que dele é e servida de paisagem. Se no mato morreu animal de pouco, certo que cheirará ao podre do que morto está. Quando calha estar quieto o vento, ninguém dá por nada, mesmo passando perto. Depois os ossos ficam limpos, tanto lhes faz, de chuva lavados, de sol cozidos, e se era pequeno o bicho nem a tal chega porque vieram os vermes e os insectos coveiros e enterraram-no. -- Levantado do Chão
quarta-feira, maio 19, 2010
Antologia Improvável #432 - Ed. Bramão de Almeida (5)
NOSTALGIA
Que linda, esta Avenida à Beira-mar
Contornando a formosa Guanabara!
A natureza, em tanto ponto avara,
Torna aqui prisioneiro o nosso olhar.
A famosa baía, à luz solar,
(Nunca o mar, como ali, me fascinara!)
Parece uma esmeralda imensa e rara,
Sob o fogo do céu a faiscar.
Trecho da natureza ainda vi
Que ao meu olhar enfeitiçasse tanto
Como o cenário que deparo aqui.
Perdão! Lembrou-me agora esse recanto
Da aldeia portuguesa onde nasci,
-- E já a Guanabara perde o encanto.
Maré Alta
Que linda, esta Avenida à Beira-mar
Contornando a formosa Guanabara!
A natureza, em tanto ponto avara,
Torna aqui prisioneiro o nosso olhar.
A famosa baía, à luz solar,
(Nunca o mar, como ali, me fascinara!)
Parece uma esmeralda imensa e rara,
Sob o fogo do céu a faiscar.
Trecho da natureza ainda vi
Que ao meu olhar enfeitiçasse tanto
Como o cenário que deparo aqui.
Perdão! Lembrou-me agora esse recanto
Da aldeia portuguesa onde nasci,
-- E já a Guanabara perde o encanto.
Maré Alta
terça-feira, maio 18, 2010
caderninho
Pensamentos para Mim Próprio (tradução de José Botelho)
segunda-feira, maio 17, 2010
domingo, maio 16, 2010
caracteres móveis - Amin Maalouf
Ou nós conseguimos neste século uma civilização comum com a qual cada um possa identificar-se, unificada pelos mesmos valores universais, guiada por uma fé poderosa da aventura humana e enriquecida com todas as nossas diversidades culturais, ou pereceremos juntos numa barbárie comum.
Um Mundo sem Regras
(tradução de Carlos Aboim de Brito)
sábado, maio 15, 2010
(incon)sequências, (ex)citações
Eça de Queirós -- O solo final da Africana, com a sua lenta desolação aflita, seria grandiosamente belo no meio desta paisagem severa, cheia das coisas infinitas! / Ao outro dia, no fim do mar azul, aparecia, recortando no profundo céu as suas linhas rectas, fresca e branca, Cádis. -- O Egipto (1869 / 1926)
Alves Redol -- Minha mãe fez-me um almoço de pão de milho e azeitonas, meteu-me tudo num cesto que enfiei no braço e, enquanto o meu pai aparelhava a burrita, dei uma corrida a casa da avó Caixinha para me mostrar. Fez-me uma grande festa, riu-se e chorou, pôs-me ao colo e deu-me umas passas de uvas, oferta que ela sabia ser da minha predilecção. -- Fanga (1943)
sexta-feira, maio 14, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
Antologia Improvável #431 - Lourdes Borges de Castro (4)
PRIMAVERA
Quando o vento amainar
E a brisa vier em seu lugar;
Quando a roseira branca
-- Toda ela castidade --
Ao dar botões perder a virgindade;
Quando as ondas do mar
-- Curvilíneas sereias --
Vierem espreguiçar-se,
Ensonadas e calmas,
Sobre as fulvas areias;
Quando a relva do prado
For uma verde alfombra,
E o céu, de um puro azul,
Não tiver uma sombra;
Quando o manso rebanho
Deixar cedo o redil,
E o ar, morno e odorífero,
Nos disser que é Abril;
Então é Primavera!
E então, ó meu Amor,
Então é que estarei à tua espera!...

Eterna no Tempo
Quando o vento amainar
E a brisa vier em seu lugar;
Quando a roseira branca
-- Toda ela castidade --
Ao dar botões perder a virgindade;
Quando as ondas do mar
-- Curvilíneas sereias --
Vierem espreguiçar-se,
Ensonadas e calmas,
Sobre as fulvas areias;
Quando a relva do prado
For uma verde alfombra,
E o céu, de um puro azul,
Não tiver uma sombra;
Quando o manso rebanho
Deixar cedo o redil,
E o ar, morno e odorífero,
Nos disser que é Abril;
Então é Primavera!
E então, ó meu Amor,
Então é que estarei à tua espera!...
Eterna no Tempo
quarta-feira, maio 12, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
capismo
para a 1.ª edição portuguesa de Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado,
com prefácio de Ferreira de Castro
Lisboa, Publicações Europa-América, 1960
caracteres móveis - João Cabral de Melo Neto
segunda-feira, maio 10, 2010
domingo, maio 09, 2010
(incon)sequências, (ex)citações
Manuel da Fonseca -- Estão ambas junto da lareira apagada, sentadas nos mochos, sumidas nos vestidos pretos. Em redor, sombras espessas diluem as paredes e os recantos numa só mancha circular. Apenas as cantarias da lareira, batidas pela lua que vem da porta, se salientam aprumadas. -- Seara de Vento (1958)
Dinis Machado -- «É óbvio», disse Mister DeLuxe, «não estou a falar dos burriés, estou a falar das idiossincrasias de Molero». Debruçou-se sobre a secretária e virou uma folha do calendário de mesa. -- O que Diz Molero (1977)
sábado, maio 08, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
Antologia Improvável #430 - Reinaldo Ferreira
Feliz do que é levado a enterrar,
Tão indiferente como quem nasceu!
Feliz do que não soube desejar,
Feliz, bem mais feliz do que sou eu!
Feliz do que não riu para não chorar,
Feliz do que não teve e não perdeu!
Feliz do que não sofre se ficar,
Feliz do que partiu e não sofreu!
Feliz do que acha bela e vasta a terra!
Feliz do que acredita a fome, a guerra
Terrores imaginários de crianças!
Feliz do que não ouve o mundo aos gritos,
Feliz! Felizes todos e benditos
Os que Deus fez iguais às pombas mansas...

Poemas / No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
Tão indiferente como quem nasceu!
Feliz do que não soube desejar,
Feliz, bem mais feliz do que sou eu!
Feliz do que não riu para não chorar,
Feliz do que não teve e não perdeu!
Feliz do que não sofre se ficar,
Feliz do que partiu e não sofreu!
Feliz do que acha bela e vasta a terra!
Feliz do que acredita a fome, a guerra
Terrores imaginários de crianças!
Feliz do que não ouve o mundo aos gritos,
Feliz! Felizes todos e benditos
Os que Deus fez iguais às pombas mansas...
Poemas / No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
quarta-feira, maio 05, 2010
caderninho
Aforismos (tradução de Alexandra Tavares)
terça-feira, maio 04, 2010
mais uma bofetada no portugaleco pequenino e manhoso
Inês de Medeiros prescinde das ajudas de custo a que tem direito. E o que leva alguém a prescindir de algo que a lei lhe confere? O não ter estômago para as manifestações recorrentes de portuguesice no espaço público: @s plumitiv@s que arrastam pelas colunas dos jornais um chinelar indecoroso e reles; uma exposição de patetice e boçalidade, suficientemente estúpida para não causar urticária, numa coisa que dá pelo nome de facebook; não esquecendo, mais uma vez, o oportunismo político manifestado pela Dona Coisa do BE e do Gajo Qualquer do PSD, a que se juntou um CDS desnorteado pelo afundanço nas sondagens, com resultado correspondente nas urnas, se Nosso Senhor quiser.
segunda-feira, maio 03, 2010
figuras de estilo - Mário Domingues
Dona Leonor, ainda nova, dócil de temperamento, facilmente se moldou ao espírito do marido. Respeitava-o, não porque o estimasse, mas porque ele era o senhor, o chefe da família, a quem devia submissão. Nunca, num perdoável devaneio próprio da mocidade, o vulto de outro homem, porventura mais atraente, ocupou a sua alma toda entregue ao cumprimento estrito dos deveres conjugais. Fora honesta por hábito, por educação, mais do que por natureza.
(caricatura de Albuquerque)
também
E sem capitalismo também -- mesmo que estivéssemos umas décadas atrás em desenvolvimento tecnológico.
Mas isso seria pedir-nos que fôssemos outra coisa, e não o que de facto somos: animais dotados de raciocínio que, como sucede com os irracionais, querem estabelecer o domínio sobre os congéneres. Ao contrário daqueles, porém, a nossa bestialidade não se satisfaz com o espaço territorial próprio: há que ampliá-lo mais e mais. O Outro é um obstáculo que se remove ou domestica -- de preferência tornando-o uma oportunidade de negócio.
domingo, maio 02, 2010
pois lá fui à feira, e trouxe
Aldeia das Águias, de Guedes de Amorim (Minerva)
Contos Vermelhos e Outros Escritos, de Soeiro Pereira Gomes (Avante!)
Diário Português, de Mircea Eliade (Guerra e Paz)
O Essencial sobre Eduardo Lourenço, de Miguel Real (Imprensa Nacional)
Impressão Indelével, de Camilo Castelo Branco (Guerra e Paz)
Pensamentos, de Jonathan Swift (Licorne)
Retratos e Ficções -- Júlio Pomar e a Literatura (Argusnauta)
Sonetos Luxuriosos, de Pietro Aretino (Guerra e Paz)
Sobre as Fronteiras, de Jean Claude Mézières & Pierre Christin (Meribérica)
Contos Vermelhos e Outros Escritos, de Soeiro Pereira Gomes (Avante!)
Diário Português, de Mircea Eliade (Guerra e Paz)
O Essencial sobre Eduardo Lourenço, de Miguel Real (Imprensa Nacional)
Impressão Indelével, de Camilo Castelo Branco (Guerra e Paz)
Pensamentos, de Jonathan Swift (Licorne)
Retratos e Ficções -- Júlio Pomar e a Literatura (Argusnauta)
Sonetos Luxuriosos, de Pietro Aretino (Guerra e Paz)
Sobre as Fronteiras, de Jean Claude Mézières & Pierre Christin (Meribérica)
sábado, maio 01, 2010
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