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7.7.10
HOJE TAMBÉM FUI AO FUTEBOL
Conheci uma pessoa que me perguntou um dia:
-Como é que tu, sendo pessoa inteligente, gostas de futebol?
Ainda hoje tenho raiva por não ter encontrado, na altura, uma resposta inteligente para uma pergunta tão estúpida. Fiquei estupidamente calado. E mais: senti uma certa culpa por gostar de futebol.
Lembrei-me desta história quando assistia ao jogo de hoje, entre a selecção da Espanha e a da Alemanha. Jogo intenso, organizado, em que cada equipa soube jogar como um todo (excepção para o Pedro espanhol, que se esqueceu...), o jeito ao serviço da inteligência colectiva. Um espectáculo que regala os olhos.
Lembrei-me também dos jogadorzecos de uma certa selecção, lestos na sarrafada e em levantar os braços ao ar perante as decisões dos árbitros. Lembrei-me sobretudo de um que afasta as pernas antes de marcar livres directos, em pose de artista e matador e que depois atira invariavelmente para a bancada superior, e que nunca foi capaz de fazer no campo as arrancadas que parece que faz quando atraca uma miúda no átrio do hotel...
Fui ao futebol e não me senti estupidamente culpado.
17.4.09
FUTEBOLANDO...
- Explica-me lá: porque é que gostávamos tanto do Benfica na década de 60? E como se explica que os não-adeptos do Porto fiquem, agora, tão contentes quando este perde?
- Vejo duas ou três razões. Primeiro: o Benfica era uma equipa totalmente formada por jogadores portugueses. Segundo: estávamos fartos de ver as equipas portuguesas a ganharem apenas “moralmente”, como se dizia. Por último, Portugal era muito mal visto lá fora por causa da guerra colonial e o Benfica fazia bem à nossa auto-estima…
- Tá bem! E o Porto?
- O Porto é uma equipa que muita gente associa a uma realidade social detestável: um certo espírito provinciano e tacanho do Norte; os empresários que ganharam lucros fabulosos no bom tempo, à custa de salários de miséria, e que preferiram investir em Ferraris em vez de modernizarem as fábricas; a manhosisse do chefe N P da Costa, visto como o mafioso-mór do espectáculo desportivo. Por isso se aplaudiu tanto o golo do rapaz da Madeira: por ser um bom golo e por ter entrado na baliza certa…
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