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13.10.11

ESPERA


Ai de quem espera se desespera
se arranha em garra de fera
a sua cabeça esférica
a sua carne tangente
ao sossego de uma hera!

Ai de quem espera sem lenta
argamassa de paciência
em calma de estratosfera!

Ai de quem espera se tenta
um álcool que lhe aguente
a sisudez dessa espera!


Poema de João Rui de Sousa,
Lavra e Pousio,

Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2005

Foto © Méon

29.8.08

DIARIAMENTE


Estou diariamente à tua espera
como quem espera um astro pela noite.
Defino-te em segredo.


Revejo-te na memória.
Desenho a tua fronte nas estrelas.
Invento-te.
Construo a tua boca sem palavras.
Construo este silêncio em que me prendo.


João Rui de Sousa
Foto: Carlos Nunes Freitas, in 1000 imagens