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29.4.10

ACABOU A FESTA... dizem eles.

Este texto foi tirado daqui. Porque diz tudo o que sinto, porque não diria melhor, porque está de acordo com a enorme revolta que vejo à minha volta.
O velho problema deste pobre país: as suas elites são gente sem escrúpulos.

Com a devida vénia:

«Acabou a festa?



Presumo que sem indisposições ou espelhos por perto, o senhor presidente do BCP, citado por um diário a propósito do estado do País, proclamou: "Acabou a festa". Aparte o carácter circense da frase, é pena que ninguém tenha perguntado o óbvio ao senhor Carlos Santos Ferreira: "Acabou a festa para quem?". E já agora: "Que festa?".
Entre gestores, banqueiros e alguns políticos de turno existe, pelos vistos, uma ideia generalizada: o português comum vive em permanente banquete, sempre acima das suas possibilidades, a armar em rico. Curiosa ideia esta que transforma a nova versão da sardinha para três num repasto de faisão. E ainda por cima, em permanência.


Devo ter andado muito distraído nos últimos tempos.
De facto, devem ser os gestores de grande porte, o "bloco central de interesses" e os bancos, coitadinhos, que têm levado o País por bons caminhos e sem turbulências. Eles cumprem, está bom de ver, a espinhosa missão de nos colocar nos eixos. E nós, os delinquentes, teimamos em sair fora dos trilhos. Fica-se assim a saber, por exemplo, que assuntos relacionados com negócios de sucatas, aeroportos, privatizações, BPP´s, BPN´s, PT´s e submarinos fazem parte de um modelo de gestão rigorosa e acima de qualquer suspeita. Nós, pelos vistos, é que abusamos do "filet-mignon" e estamos a prejudicar o País. Somos, no fundo, uma despesa social incomportável. E dispensáveis nos intervalos entre eleições.


Por este andar, a democracia também terá custos insuportáveis.


Já faltou mais.»

17.4.10

PROBLEMA DE CIVILIZAÇÃO OU DE GERAÇÃO?

O meu jovem visitante João deixou um comentário ao post de ontem. Achei-o interessante e motivador de diálogo / resposta minha. Aqui ficam, um e outro. Pode ser que mais alguém queira participar...

Isto parece-me um problema geracional.

Que percentagem de portugueses tinha uma colecção razoável de livros em casa nos anos 50?
Infelizmente os livros vão desaparecer assim como praticamente desapareceu o vinil e vão ser substituídos por livros electrónicos (alguns possivelmente fazendo uso do papel).
Os jovens hoje em dia dominam a tecnologia, e o ensino (quer em casa quer na escola) praticamente não faz uso dessa tecnologia.
Problema de civilização? Não será tanto. Penso que é a evolução natural das coisas. O preço que pagamos por ter uma civilização cada vez mais evoluída.


Eu ainda gosto de estudar à maneira antiga mas é cada vez mais dificil. No meu portátil tenho milhares de artigos. Seria difícil pegar nessa quantidade de papel e ir estudar para uma esplanada. Para não falar da quantidade de papel que se poupa.
Hoje em dia com o portátil é muito, - mas mesmo muito! - mais prático: ele é artigos, livros, leitor de música, leitor de DVD, agenda, etc. etc. ...
Penso que seria um disparate obrigar as pessoas a estudarem à maneira antiga. Houve uma altura que as pessoas estudavam com tábuas de pedra, depois papel e agora ecrãs de computador.
O problema não está na forma como se aprende. Isso tem mudado ao longo da história e continuamos a aprender.
Penso que o primeiro passo para resolver o problema é aceitar com naturalidade que o paradigma muda. Esta situação deve-se ter repetido milhares de vezes ao longo da história com o avanço da tecnologia, da roda ao computador…
Foi difícil abandonar o vinil mas as coisas são mesmo assim… :)
João

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Sou sensível aos argumentos do João. Há muito que uso as novas tecnologias e estou à espera do e-book barato e prático que me permita armazenar melhor os livros e levá-los para onde quiser.

O problema não está no avanço tecnológico, de facto. Será, antes, um problema de competência individual para lidar com a informação, seja qual for o veículo em que ela repouse: um livro, uma revista impressa ou um ecrã de computador. E este problema tornou-se mais visível com a massificação do ensino, levando a que as universidades sejam frequentadas por toda a gente, independentemente da capacidade intelectual e da vontade de estudar.
Para além desta massificação, a outra novidade do nosso tempo – o problema geracional, de que fala o João! – é o excesso de informação e consequente dificuldade em seleccioná-la; é a rapidez e a generalização da transmissão de conhecimentos, e consequente capacidade para avaliar da sua oportunidade, pertinência e relevância.

Receio que a massificação do ensino e esta onda gigantesca de tecnologia informativa não signifiquem aumento proporcional da capacidade cultural e da consciência de cidadania.
E que essas características sociais continuem a ser pertença de elites, constituídas agora por aqueles que têm genuína vontade de estudar e capacidade para lidar de forma inteligente com a inovação tecnológica posta ao serviço da circulação intensiva do conhecimento.

Na realidade, sempre foi assim: as elites que caminham na vanguarda e as massas humanas dos que não querem ou não podem aceder a patamares superiores de consciência cívica.
A política é a expressão desta realidade. Se as elites estiverem ao serviço do resto da população, teremos sociedades evoluídas. Se, pelo contrário, só pensarem em si, teremos sociedades desequilibradas, onde campeia a desigualdade, a exploração e a injustiça.
(Um bom critério para avaliar um político pode ser este...)

11.1.08

FALTA DE PACHOOOORRA....ORRA...ORRA!


1º - Não tenho opinião sobre a história do aeroporto! Eu sei lá!

2º - Mas tenho opinião sobre os que falam do aeroporto: a maior parte do que se diz peca por falta de rigor ou falta de conhecimento.

3º - Sobra a burrice: falar sem ter em conta todos os dados do problema; pegar num ou dois aspectos secundários e fazer deles as questões essenciais...

4º As nossas televisões contribuem esmagadoramente para isto: o que adianta transmitir directos da Ota ou de Alcochete, às 8 h. da manhã, para ouvir a opinião de uns pobres diabos que estão a matar o bicho no café da esquina ?...

5º Mais uma vez as nossas elites falharam estrodosamente! O mal de Portugal! Trinta anos para discutir a localização de um aeroporto! E a discussão continua... continuará...



Só tenho uma maneira de seguir o assunto do aeroporto, tema a granel para os próximos dias: como se estivesse a assistir a uma revista"à portuguesa" no parque Mayer...