Mostrar mensagens com a etiqueta crise política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crise política. Mostrar todas as mensagens

8.7.13

NADA É IRREVOGÁVEL DEBAIXO DO CÉU . . .


Mais do que a questão do "irrevogável", o que me intriga é a forma como P Coelho passa por cima da proporcionalidade partidária da coligação e entrega ao nano-partido CDS a melhor e mais grossa fatia do Governo. Como P Coelho não é totalmente burro, essa solução deve implicar muita coisa obscura e tenebrosa que só conheceremos daqui a 30 anos, quando esta malta escrever Memórias...
É muito natural que P Portas tenha atirado às malvas com a palavra "irrevogável". Desde Maquiavel que sabemos que a política não se faz com preceitos de Moral. E Portas é o mais inteligente leitor do "Príncipe" que temos. Nada de admirar, portanto...

Tb me faz confusão a apatia - que se torna cumplicidade - de muitas figuras do PSD que se diziam sociais-democratas. Mas depois logo a voz da razão me explica:

No fundo estão todos de acordo: o objectivo central deste Governo + Cavaco + oligarcas e banqueiros + autarcas carreiristas do PSD  é impor o 24 de Abril ou, se possível, o 28 de Maio, mantendo o simulacro da democracia que lhes dá caução internacional e embala o Zé Povinho que lá irá botar o voto sempre que lhe ordenarem...

24.3.11

ATÉ Á DISSOLUÇÃO FINAL!

Pronto! Lá vamos nós.
Olho à volta e toda a gente me diz que não tem paciência para mais uma campanha eleitoral. Eu também não! Há alturas para tudo e esta não é a altura para eleições. Esta evidência é assim tão difícil de entender pelos profissionais da política?
“Que se dê a palavra ao povo!” – diziam eles ontem.
Desgraçadamente há Sócrates ( Na 1ª República, com as devidas distâncias, houve um Afonso Costa...). E há um PS incapaz de se demarcar deste mitómano - um caso patológico! -, abrindo caminho a outras soluções.
E há um PR inepto em crescente estado de idiotia política.
E há uma esquerda à esquerda do PS que não é capaz de uma coisa comezinha: uma convergência política  que atraísse os sectores mais à esquerda que ainda há no PS e, até, no PSD, e os sem partido mas desejosos de participarem. Ficam-se por acordos parciais e envergonhados...
E há um CDS que não passa de um rapazola gabarola e sem escrúpulos, outro caso patológico, que não pára de polir a colher para ir ao pote…
E há um PSD que nunca sabemos que cara tem. Que tão depressa atira Ferreira Leite para a última fila como a traz para a primeira - na esperança de que aquela cara devastada pelo azedume aterrorize o adversário?
E alguém imagina um confronto parlamentar entre Passos Coelho e os figurões que se profissionalizaram na retórica?
As eleições não vão resolver nada, até porque Sócrates vai continuar a atravancar a estrada.
E cá vamos nós, de solução em solução, até à dissolução final!

SUBSCREVO!

Contra a irracionalidade


por BAPTISTA-BASTOS

As notícias não são animadoras. Mas há quanto tempo é que as notícias o não são? Vivemos no interior de muitos medos e parece que ninguém é capaz de os aniquilar ou, pelo menos, de os atenuar. Possuímos uma larga, histórica, dir-se-ia que fatal experiência do medo. Temos sobrevivido entre a resignação e a revolta cabisbaixa. Entretanto, fomos alimentando a esperança, sempre fugidia, de que as coisas iriam melhorar. Os dias de amanhã seriam melhores e mais belos. Tivemos uns fogachos de alegria, seja dito; porém, há quem deteste que sejamos felizes, mesmo mitigadamente.

Ao que leio e ao que me dizem sábias criaturas, o Governo vai cair. O estrondo não será grande. Já se previa. O pior é que o pior está para vir. E o putativo substituto de Sócrates não o esconde. O pouco que resta do 25 de Abril, Passos Coelho encarregar-se-á de remover.

A preguiça, a indiferença e, até, a cobardia podem explicar as razões por que chegámos aonde estamos. Ainda conseguimos concentrar energias para encher praças e avenidas com os nossos protestos. Não têm servido para muito. A democracia portuguesa está reduzida a um funcionamento processual, que limitou, dramaticamente, os horizontes das nossas escolhas, dos nossos valores e dos nossos sonhos. Recalcitramos, mas de muito pouco nos vale.

(...) O sentido de pluralidade, que dá corpo e razão à democracia, foi abreviado pela homogeneidade e pela unificação de interesses do PS e do PSD. A queda do Governo é, apenas, o episódio comezinho da substituição de rabos nas cadeiras.

Atingimos uma situação extraordinária: somos dissidentes de nós próprios. A "democracia da desconfiança" atingiu-nos com tal violência que ficámos incapazes de nos desembaraçar da tenaz, astutamente formada pelos dois "mais importantes" partidos. "Mais importantes" porquê? E os outros? São, apenas, elementos decorativos? Não fazem parte da participação (que deveria ser permanente) dos cidadãos nos domínios políticos?

O mal-estar, generalizado, em que sobrevivemos, atingiu, até, as nossas pessoais afectividades (a capacidade de ser afectados) e o impulso dominante é o de admitir as coisas como elas se apresentam. Decepção, incerteza, insatisfação. À irracionalidade de um poder que se desdobra por dois partidos, temos de encontrar métodos que se lhe oponham. Aceitando os perigos daí advenientes. Obedecer aos antigos valores é tarefa perigosa - porém imperiosa. A desobediência é um desses valores".
in DN 23 de Março de 2011